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A importância da Psicopedagogia e da Psicolinguística na aprendizagem dos alunos estrangeiros nas escolas brasileiras

21 de Abril de 2012, às 11:00

Por Rivailda Tavares da Anunciação Damascena

RESUMO                                                                                                      

Com o êxodo dos alunos imigrantes as escolas brasileiras terão um grande desafio, para auxiliar aos novos alunos na adaptação da aprendizagem. A língua portuguesa é uma das visíveis barreiras das dificuldades encontradas por estes alunos. A psicopedagogia e a psicolinguística se propõe no momento da incorporação desses alunos ao sistema educacional, com a ideia de poder determinar as ajudas de que esses alunos necessitarão em função das demandas educacionais. Durante todo o processo a instituição escolar deverá ser um lugar que valorizará a diversidade, já a psicopedagogia e a psicolingüística será uma ponte para os alunos com dificuldade de adaptação da nossa língua, onde serão analisadas as habilidades as competências e a aprendizagem a partir do conhecimento e da compreensão dos diversos momentos dos contextos e processos que constituirão as experiências vitais deste aluno. A escola passará a ser a instituição responsável pela sistematização dos saberes cotidianos, através da socialização e transmissão do conhecimento.

Palavra-chave: Alunos imigrantes. Psicopedagogia. Psicolinguística. Aprendizagem.

Rivailda Tavares da Anunciação Damascena -Pedagoga –Universidade Norte do Paraná. Pós graduando curso de psicopedagogia Clínica Institucional - FATEC/FACINTER.
 Wanderlane Gurgel do Amaral – Pedagoga – UNIP; Psicopedagoga Clínica e Institucional – IBPEX, Especialista em EAD – INSEP; Educanda na Formação de Docentes e Tutores para EAD-UNINTER; Mestre em Educação – PUCPR, Orientadora do Grupo UNINTER.

1. Introdução

A importância da psicopedagogia e da psicolinguística na aprendizagem dos alunos estrangeiros nas escolas brasileiras acredita-se que poderá ajudar a resolver o problema que se apresenta nas escolas que recebem alunos de diversos países.

No Brasil ao longo dos anos têm aumentado o número de alunos estrangeiros que estão frequentando as escolas brasileiras e para entender e acolher esses alunos faremos uma reflexão sobre as dificuldades na prática do exercício profissional tendo como aliadas  a psicopedagogia e a psicolinguística dando atenção à diversidade cultural no ambiente escolar em que estes alunos são inseridos.

Os dados do Censo Escolar comprovam que entre 2007 e 2009, 10 mil novos alunos estrangeiros passaram a frequentar nossas salas de aula, totalizando 38 mil estudantes na Educação Básica da rede pública. O aumento do número de matrículas desses alunos representa um desafio para as instituições escolares brasileiras.
 Com o acolhimento a esses alunos vêm à tona a diversidade dos atores que nela desempenham seus papeis, a partir de um referencial próprio de compreensão de normas, valores e regras que a regem.

A aprendizagem é um processo através do qual a criança se apropria ativamente dos conteúdos e das experiências humanas, daquilo que o seu grupo social conhece. Para que a criança aprenda, ela necessitará interagir com outros seres humanos, especialmente com os adultos e com outras crianças mais experientes.
O objetivo será o de identificar e analisar criticamente as diversas teorias sobre o ensino aprendizagem refletindo sobre a importância da psicopedagogia e a psicolinguística na aprendizagem dos alunos estrangeiros, tendo em vista a diversidade de situações, condições e necessidades educativas no espaço escolar atual.

A psicopedagogia não responde a uma dificuldade especifica detectada ou a um pedido explicito da família; o que a motiva são os desajustes, indeterminados inicialmente, que possam ter ocorrido com as mudanças do contexto social. Já da psicolinguística irá compreender e explicar como as crianças irão aprender a falar e a entender a nossa linguagem. Essa pressuposição implica a necessidade de possibilitar à família e aos alunos a explicação e a compreensão da situação, do motivo e das diferentes intervenções.  

Para Godoy (2009. P, 11) a psicolinguística surge com a necessidade de oferecer bases e explicações teóricas a várias tarefas práticas, para as quais as abordagens puramente linguísticas se mostram insuficientes por focarem a estrutura das línguas e a análise textual excluindo de sua investigação o sujeito falante.

O Brasil se tornou um destino atraente para imigrantes de países em desenvolvimento, a maiorias destes imigrantes vieram para cá em busca de emprego e melhores condições de vida o que inclui uma boa escola para os seus filhos. Diante desta situação, as escolas se deparam com o desafio difícil de assumir, e estão em pleno processo de incorporação do grau de flexibilidade necessária para a organização, gestão e ajuste das respostas educativas às diferentes capacidades, às motivações e aos interesses desses alunos.

Imaginem crianças falantes de espanhol, chinês, coreano, entre várias outras línguas, chegando ao Brasil com suas famílias e vivendo o desafio de frequentar uma nova escola, com hábitos e língua muito diferentes dos seus. Essa é a realidade que vivemos em muitas escolas no Brasil, pois a globalização também ampliou a imigração para países em desenvolvimento. Imagine professores das escolas públicas e particulares, que não receberam formação específica nem falam as línguas desses alunos, vivendo o desafio de acolhê-los e ensiná-los.

A educação, evidentemente, não pode permanecer alheia a essa questão. Um importante passo nesse sentido foi à inserção da pluralidade cultural como um dos temas transversais dos Parâmetros Curriculares Nacionais. Trabalhar a pluralidade cultural na escola significa caminhar para um reconhecimento e para uma valorização das diferenças culturais, especialmente das minorias étnicas e sociais.

No contexto da proposta dos Parâmetros Curriculares Nacionais se concebe a educação escolar como uma prática que tem a possibilidade de criar condições para que todos os alunos estrangeiros desenvolvam suas capacidades e aprendam os conteúdos necessários para construir instrumentos de compreensão da realidade e de participação em relações sociais, políticas e culturais diversificadas e cada vez mais amplas, condições estas fundamentais para o exercício da cidadania na construção de uma sociedade democrática e não excludente.

2. A adaptação na construção do desenvolvimento pessoal

Os alunos estrangeiros incorporam uma bagagem cultural que determina um modelo de relação e interpretação do ambiente que faz parte dele e lhe permite se identificar como individuo dentro do grupo. Assim conhecê-lo possibilitará uma interpretação correta das diretrizes e dos modelos de relação em que, no seu processo de adaptação ao ambiente lhe permitam organizar determinadas repostas até construir seu desenvolvimento pessoal.
 A sociedade oportuniza à igualdade de direitos para todos seus cidadãos. Contudo as exigências sociais e educacionais que decorrem da inclusão da população estrangeira requerem um tempo para a adaptação às novas situações que se apresentam, e a escola atual reflete essa necessidade.

Para Vygotsky (1979), as relações sociais têm papel determinante nos processos de aprendizagem e desenvolvimento. Ele considera que o individuo se forma em contato com o meio social que o rodeia e do qual faz parte, numa relação dialética em que ambos se modificam mutuamente. Essa relação se dá por meio dos instrumentos criados pelo próprio homem para transformar a natureza, e mediante a linguagem, produzido culturalmente.

Vygotsky (1979) acreditava que, ao nascer, o sujeito traz um substrato orgânico, representado por um organismo biológico capaz de ações reflexas ou funções psicológicas elementares. As funções psicológicas superiores como consciência, pensamento, linguagem, raciocínio- lógico e outras que diferenciam o ser humano das demais espécies animais, seriam desenvolvidas com o processo de aprendizagem.

Outro ponto a destacar em seu pensamento é que a aprendizagem vem antes do desenvolvimento, sendo, então, necessário trabalhar sobre a zona de desenvolvimento proximal, que representaria a distância entre o desenvolvimento real e o desenvolvimento potencial, isto é, entre o que a criança/aluno é capaz de fazer sozinho, precisando ainda da ajuda de um adulto ou de uma criança mais experiente, ou seja, de um mediador. A mediação é condição essencial para que a aprendizagem ocorra e, portanto, o professor, ao atuar como mediador de seus alunos tem um papel ativo nesse processo.

Outro aspecto essencial do processo de aprendizagem é o fato de que ele estimula vários processos internos do desenvolvimento através das interações sociais que não são avaliadas pelo professor. Por isso, é importante que este também avalie as funções que estão em maturação com o objetivo de, numa visão mais prospectiva, estimular as crianças/alunos a se desenvolverem ainda mais. Por exemplo, aquilo que uma criança/aluno consegue fazer com a ajuda de outros pode ser, de alguma forma, indicativo do seu desenvolvimento.

2.1 A psicopedagogia e  a aprendizagem

A psicopedagogia é uma área interdisciplinar, reunindo, portanto o conhecimento de várias ciências e ramos do conhecimento. Busca compreender, de forma integradora, o processo de ensino e aprendizagem, que ocorre em dois espaços: o extraescolar e o intraescolar. Para tanto, analisa todos os elementos que fazem parte desse processo e os fatores que podem condicionar as dificuldades de aprendizagem e ensinagem.
A psicopedagogia fundamenta-se, assim no processo de aprendizagem, nas suas dificuldades, nas relações com o processo de desenvolvimento e nas questões relativas ao ensinar.

De acordo com Weiss (2004), a psicopedagogia procura, por meio de sua atuação, melhorar a relação do sujeito com a aprendizagem e também a qualidade no processo de construção das aprendizagens, tanto dos alunos quanto dos educadores. Weiss (2004:9.131) afirma:

Que a inserção do educador no processo de aprendizagem, não como ensinante apenas, mas como uma aprendente. Nesta perspectiva, o educador precisa conhecer seu próprio processo de aprendizagem, seus próprios limites e possibilidades para entender como se dá a aprendizagem do aluno. Para ele, tanto aprendente quanto ensinante estão ativamente envolvidos nos processo.

Percebe-se que o objeto de estudo da psicopedagogia é o processo de ensino aprendizagem, que bastante complexo, pois envolve diversos elementos, fatores e concepções teóricas. Ao estudá-lo, a psicopedagogia foca sua atenção na prevenção da dificuldade de aprendizagem e também no seu processo de intervenção das dificuldades de aprendizagem e também no seu atendimento terapêutico. Estuda a aprendizagem e a não-aprendizagem, procurando descobrir suas causas e tratar suas manifestações.

Barbosa (2001), também concebe a aprendizagem como processo contínuo e dinâmico que ocorre durante toda a vida do sujeito e resulta das interações deste com o meio, considerado em seus diferentes aspectos, já anteriormente mencionado. Ressalta-se que as aprendizagens, para a autora não dizem respeito apenas às aquisições escolares, mas se relacionam a todas as aquisições, em qualquer espaço e tempo.

A aprendizagem não é a simples passagem da ignorância ao saber, sem resistências e conflitos. Nesse processo, acontece algo novo que não envolve uma simples reestruturação. Trata-se, pois, de um fenômeno a partir do qual um sujeito toma para si uma nova forma de conduta, transforma a informação em conhecimento, hábitos e atitudes novas.

A Psicopedagogia como uma atividade voltada para um atendimento personalizado àqueles alunos que merecem uma atenção especial exerce forte influência em todo o processo de ensino-aprendizagem, visto quer através da valorização do aspecto cognitivo como foco de reflexão. Tanto o educador quanto o aluno passam a viver experiências relevantes não apenas para o processo de ensino-aprendizagem na escola, mas também para uma convivência maior que envolve o indivíduo e o seu meio numa construção significativa de aprendizagens através das experiências vivenciadas diariamente com o mundo e com as coisas nele existentes.

2.2  A psicolinguística a linguagem e a aprendizagem

A psicolinguística é uma ciência encarregada de estudar como as pessoas compreendem, produzem ,adquirem e perdem a linguagem. A psicolinguística como ciência estuda um amplo leque de problemas relacionados como os mecanismos humanos de aquisição e uso da linguagem, com as estratégias e elementos fundamentais universais, ou seja, próprios da espécie humana como tal, e com as suas peculiaridades específicas do uso da linguagem em diferentes condições em razão da ação de fatores internos e externos. A teoria proposta por Chomsky ( 1965: p.38) e a seguinte:

[...] que a criança possui uma espécie de dispositivo para a aquisição da linguagem. Esse dispositivo permitir a criança operar sobre as expressões que ela ouve a sua volta, de maneira que ela consegue lembrar uma gramática implícita e internalizada, não consciente, com essas expressões. Essa mesma gramática permite à criança inventar novas expressões na língua nunca ouvida antes. 

A consciência linguística é também relacionada com as formas de uso da linguagem em situações sociais especificas concretas. A criança estrangeira começa a adquirir a linguagem em contexto pessoa a pessoa. Aos poucos ela aprende que a linguagem é um mecanismo que permite lidar com os vários tipos de pessoas nos vários tipos de situações.

A teoria epistemológica de Piaget (1997), sobre a aquisição de linguagem desenvolve-se na abordagem cognitivista construtivista, pois para ele o aparecimento da linguagem se dá na superação do estágio sensório-motor dependendo do desenvolvimento da inteligência da criança, com a união dos fatores: conquista cognitivista e a inteligência sensória e motora surge na criança a possibilidade de adotar símbolos, surgindo, portanto, o desenvolvimento linguístico, já que para Piaget a linguagem é entendida como um sistema simbólico de representações.

As ideias de Piaget (1997), sobre a aquisição da linguagem são muito simples, apesar de terem revolucionado o estudo da linguagem como também do pensamento das crianças, seus estudos centravam-se apenas nas características das crianças, naquilo que ela tem e não, nas suas deficiências com relação aos adultos. Para ele assim como também para os behavioristas a criança adquire sua linguagem através de suas relações com o meio.

O ponto forte de sua teoria é a revelação e a classificação de novos fatos, sempre evitando a generalização para não correr o risco da coexistência de duas posições opostas, da dualidade que ocorre em consequência da grande incompatibilidade entre as teorias. Piaget considera o egocentrismo, que para ele ocupa uma posição genética, como o elo de toda a característica lógica das crianças, como também uma estrutura intermediária entre o pensamento autístico e o pensamento dirigido.

Uma vez estabelecida a relação entre as línguas que o aluno conhece familiar, escolar, segunda língua e a veicular, iniciará a avaliação do nível de representação que tem de nosso código linguístico. Trata-se de identificar as relações que estabelece entre as línguas que o aluno estrangeiro conhece aspecto importantíssimo para organizar a proposta de ensino-aprendizagem, evitando começar como os objetivos e atividades abaixo de suas possibilidades reais. É preciso ter acesso ao que o aluno sabe e podem iniciar a proposta com atividades significativas não infantilizadas, atividades ajustadas às possibilidades reais.

É claro que, se o aluno desconhece a língua de aprendizagem já definiremos mais ou menos a relação que existe entre o conhecimento da língua escrita e a que lhe pedimos. Esses alunos passam a sofrer problemas na adaptação escolar ao terem que da noite para o dia, falar e ler em português.

As crianças em processo de aprendizagem de uma língua materna utilizam-se de vários métodos para se expressarem, como através de uma linguagem não-verbal, com expressão facial, sinais, e também quando a criança começa a responder, questionar e argumentar. Essa competência comunicativa reflete a noção de que o conhecimento da linguagem a determinada situação e a aprendizagem das regras sociais de comunicação é tão importante quanto o conhecimento semântico e gramatical. As dificuldades de aprendizagem, podem ocorrer quando existem, retardo  mental, distúrbio emocional, problemas sensoriais, ou motores, ou, ainda ser acentuadas por influências externas, como, por exemplo, diferenças culturais, instrução insuficiente ou inapropriada.

2.3. A psicopedagogia na construção do currículo e da aprendizagem dos alunos estrangeiros 

Nossa sociedade tem presente à igualdade de oportunidades para todos os cidadãos. Contudo as exigências sociais e educacionais que decorrem da inclusão da população estrangeira requerem um tempo para a adaptação às novas situações que se apresentam, e a escola atual reflete essa necessidade. É preciso verificar como a escola responde às intenções e finalidades da educação e de que modo soluciona as dificuldades que implica a incorporação desses alunos.

A psicopedagogia na construção do currículo e da aprendizagem em especial a dos alunos estrangeiros, buscará mostrar como, através da interação entre professor e aluno e entre os alunos, que será possível a aquisição do saber através da cultura acumulados.

O psicopedagogo nesse processo será fundamental. Ele vai procurar estruturar condições de ocorrências de interação professor e alunos, para que ambos se apropriem do conhecimento. De maneira geral, portanto, essa visão de aprendizagem reconhece tanto a natureza social da aquisição do conhecimento como papel preponderante que nela tem o adulto.

Tudo isso direciona nosso olhar para uma escola receptora, já que seu modelo de organização da resposta educativa condicionará os requisitos a seus alunos e, em última análise, o processo de acolhimento e de integração. De que forma a gestão do currículo responde a idéia de flexibilidade e diversidade e permite considerar desde a maneira como os alunos aprendem e como se devem ensinar-lhes até outros fatores relacionados aos aspectos mais emocionais.               Contudo, os alunos estrangeiros fazem parte de um grupo muito heterogêneo e, em muitos casos, poderão ser avaliadas algumas ou todas as áreas do currículo.
No ambiente escolar esse aluno sofre uma transformação radical em sua forma de pensar. Antes de entrar nele, os conhecimentos são assimilados de modo espontâneo, a partir da experiência direta da criança/aluno. Em sala de aula, ao contrário, existe uma intenção prévia de organizar situações que propiciem o aprimoramento dos processos de pensamento e da própria capacidade de aprender.

O papel da Psicopedagogia no planejamento escolar é refletir sobre as ações pedagógicas e suas interferências no processo de aprendizagem do aluno. No momento de formular o currículo, devemos ter cuidado para que eles não se resumam à execução de atividades, já que devem promover um crescimento cognitivo de nossos alunos e construir competências e habilidades de utilização permanente nas suas vidas.

É claro que nenhum currículo são traçados para alcance em longo prazo poderá ser alcançado em um dia de aula, mas, se o professor compreende o conhecimento como um processo de construção, ele terá em mente que nenhuma atividade tem um fim em si mesmo, pois ela existe para funcionar como instrumento que leva ao alcance dos objetivos e para “provocar” a cognição dos nossos alunos.

Arroyo (2006) é um dos autores que tem se preocupado com o currículo e os sujeitos envolvidos na ação educativa: educandos e educadores. Ele tem ressaltado nesses estudos diversos aspectos, tais como: a importância do trabalho coletivo na educação para a construção de parâmetros de ação pedagógica; o fato de serem os educandos sujeitos de direito ao conhecimento; a necessidade de se mapearem imagens e concepções dos educandos para subsidiar o debate sobre os currículos.

O conhecimento escolar é tema central das discussões sobre o currículo. Esse fato envolve o pressuposto de que a escola precisa preparar-se para socializar os conhecimentos escolares, com o objetivo também de facilitar o acesso do estudante a outros saberes. Os conhecimentos construídos socialmente e que circulam nos  diferentes espaços sociais constituem direito de todos.

Pretendemos focalizar o currículo como um campo de conhecimento pedagógico no qual se destacam as experiências escolares em torno do conhecimento, levando sempre em consideração a especificidade da escola, em meio a relações sociais e a sua contribuição para a construção das identidades dos estudantes. Assim, associa-se o currículo ao conjunto de esforços pedagógicos desenvolvidos com intenções educativas (MOREIRA e CANDAU, 1996).

Os educandos, sujeitos centrais da ação pedagógica, são condicionados pelos conhecimentos que deverão aprender e pelas lógicas e tempos predefinidos em que terão de aprendê-los. Muitos estudantes têm problemas de aprendizagem, e talvez muitos desses problemas resultem das lógicas temporais que norteiam as aprendizagens e dos recortes com os quais são organizados os conhecimentos nos currículos. Tais lógicas e ordenamentos não podem ser considerados intocáveis.

Passo importante para o coletivo das escolas: investigar os currículos a partir dos educandos. As novas sensibilidades para com os educandos são importantes para se repensar e reinventar os currículos escolares. Os estudantes estão mudando e obrigando-nos a rever o olhar sobre eles e sobre os conteúdos da docência.

Partimos da ideia de que ocorreram mudanças sociais, econômicas, políticas e culturais importantes na sociedade brasileira, sobretudo durante a segunda metade do século XX, suscitando uma multiplicidade de questões relacionadas não somente ao direito, às finalidades e ao acesso à escola, mas, também, aos que nela interagem. A essas mudanças, soma-se a intensa especialização e a diversificação das áreas do conhecimento, o que influencia a organização do currículo e as perspectivas teóricas que o fundamentam.

Tendo como referência alguns estudos internacionais que abordam especificamente o currículo concebido e colocado em prática em contextos educacionais distintos, pesquisadores brasileiros também deslocam seus focos de interesse dos problemas macrossociais para questões próprias dos sistemas de ensino e da escola, sem, no entanto, perder de vista as suas dimensões estruturais.

A escola passa a ser vista como um espaço social complexo, caracterizado por perspectivas divergentes, no qual se confrontam se justapõem ou se harmonizam concepções teóricas e posições político-pedagógicas muitas vezes contraditórias. Os professores, os gestores e a comunidade educacional compõem e negociam definições da realidade e, dessa maneira, constroem, reconstroem ou reproduzem certa ordem escolar, que nem sempre coincide com aquela preconizada pelas instâncias oficiais.

Os conteúdos curriculares transmitem regras morais e maneiras de perceber o mundo, dotando os estudantes de uma lógica intelectual comum, que constitui o “habitus culto” de sua época. O conceito de habitus está no centro da teoria de Bourdieu e de seus colaboradores, tendo sido empregado, desde os primeiros trabalhos, para designar um “sistema de disposições duráveis e transmissíveis, estruturas estruturadas predispostas a funcionar como estruturas estruturantes, isto é, como princípios geradores e organizadores de práticas e de representações.

O conjunto dessas disposições funda a constância e a relativa coerência dos comportamentos e determina o modo como cada grupo social lê, avalia a realidade e se move na sociedade. O habitus se manifesta no dia-a-dia, correspondendo ao “senso prático”, e permite aos indivíduos adaptarem sua vida cotidiana às exigências sociais de maneira automática, sem precisarem recorrer a uma reflexão consciente.

O modelo de aprendizagem que embasa as necessidades de nosso tempo não é mais o modelo tradicional que acredita que o aluno deve receber informações prontas e ter, como única tarefa, repeti-las na íntegra. A promoção da aprendizagem significativa se fundamenta num modelo dinâmico, no qual o aluno é levado em conta, com todos os seus saberes e interconexões mentais.

A verdadeira aprendizagem se dá quando o aluno (re) constrói o conhecimento e forma conceitos sólido sobre o mundo, o que vai possibilitá-lo agir e reagir diante da realidade. Cremos, com convicção e com o respaldo do mundo que nos cerca, que não há mais espaço para a repetição automática, para a falta de contextualização e para a aprendizagem que não seja significativa.

A aprendizagem ocorre quando, por meio de uma experiência, mudamos nosso conhecimento anterior sobre uma idéia, comportamento ou conceito. É importante entendermos que, para a aprendizagem ocorrer é necessário que haja uma interação ou troca de experiências do individuo com o meio ambiente ou comunidade educativa.
Por fim, toda aprendizagem só é, de fato, significativa caso se insira de forma ativa na realidade. Intervir no real é o fim último da aprendizagem. A condução dessa fase passa pela atitude do professor no sentido de levar o aluno a simular sua ação num contexto real. Apresentar projetos, desenvolver novas ideias, resolver problemas, aplicar o conceito em sua vida prática são exemplos de atividades que se adequam a fase do transformar.

Para vencer o desafio de promover a aprendizagem significativa o professor precisa vencer algumas barreiras, representadas por crenças que ganharam força ao longo do tempo.  

3. Conclusão
  
O direito à educação inseriu-se, pois, no reconhecimento universal da igualdade humana, fato que aconteceu quando havia terminado a Segunda Guerra Mundial, considerada como a mais calamitosa de todas as guerras da História. Naquela ocasião, grande parte dos países que passaram a integrar a Organização Mundial das Nações Unidas (ONU) reconheceu como inapropriada a ideia da existência de uma raça, classe social, cultura ou religião superior em relação às demais existentes. Revigorando os ideais da Revolução Francesa,  a Declaração significou a manifestação histórica de que se constituíra, no plano mundial, o reconhecimento da igualdade, da liberdade e da fraternidade entre os homens como valores supremos (COMPARATO, 2006).

E nesta valorização universal teremos como aliadas, a psicopedagogia e a psicolingüística, que juntas irão nos ajudar no acolhimento destas crianças/alunos estrangeiros que frequentemente passam muito tempo isoladas de seus colegas no ambiente escolar, pois o desconhecimento da língua portuguesa forma uma barreira na comunicação. Às vezes são vítimas de preconceitos por serem vistos como diferente o que pode levá-los a um isolamento ainda maior, em um círculo vicioso que os despreza na convivência com crianças falantes de sua língua e com parâmetros culturais semelhantes.

O objetivo deste trabalho será o de apresentar as dificuldades que as escolas brasileiras enfrentaram com a chegada dos alunos estrangeiros, e que as mesmas não estão preparando seus professores e nem os capacitando para entender e compreender esses alunos vindos de culturas diferentes das nossas. Investir na formação do professor é o passo que a instituição escolar deve dar para lidar com essas questões e que vai além das teorias do ensino.

Daí a importância de buscar resultados, colocando a serviço da educação e do ensino o conjunto dos conhecimentos da psicopedagogia e da psicolinguística como base do desenvolvimento e da aprendizagem. Com eles, o professor e o aluno estarão em posição mais favorável para planejar a ação.

Vale também ressaltar que será imprescindível a participação da psicopedagogia na construção do currículo e da aprendizagem dos alunos estrangeiros. O conhecimento escolar é tema central das discussões sobre o currículo. Esse fato envolve o pressuposto de que a escola precisa preparar-se para socializar os conhecimentos escolares, com o objetivo também de facilitar o acesso do estudante a outros saberes. Os conhecimentos construídos socialmente e que circulam nos  diferentes espaços sociais constituem direito de  todos.  

Referências

ARROYO, M. G. Secretaria de Educação Básica (org.). Os educandos, seus direitos e o currículo: documento em versão preliminar, 2006.

BARBOSA, L.M.S. A psicopedagogia no âmbito da instituição escolar. Curitiba: Expoente, 2001.j

BOURDIEU, P. Sociologia. São Paulo: Ática, 1983.

COMPARATO, F. K. Comentário ao artigo 1o da Declaração Universal dos Direitos Humanos. 50 Anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos - conquistas e desafios. Brasília: p. 29-36, 1999.

MOREIRA, A. F. B. Currículos e programas no Brasil. 10 ed. Campinas: Papirus, 2003.

________, A. F. B.; CANDAU, V. M. Currículo, conhecimento e cultura: Documento em versão preliminar. Secretaria de Educação Básica. 2006.

PIAGET, J. O nascimento da inteligência na criança. Rio de Janeiro: Zahar, 1997.

VYGOTSKY, L.S.Pensamento e linguagem. Lisboa: Antídoto, 1979.

Weiss, M.L. psicopedagogia clinica: Uma visão diagnóstica dos problemas de aprendizagem escolar. Rio de Janeiro: DP&A, 2004.

 
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