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	<title>IGUAIMIX :: O Portal da Cidade de Iguaí . Bahia &#187; Entrevistas</title>
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		<title>Pitty lança disco que reflete período difícil e &#8216;experiência de quase morte&#8217;</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Jun 2014 16:42:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Editor]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
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		<description><![CDATA[Ela fala de som pesado e diz &#8216;valorizar saúde&#8217; após internação em 2013. Cantora exalta Valesca Popozuda e comenta ação trabalhista de ex-colega. Em 2013, Pitty passou por uma &#8220;experiência de quase-morte&#8221;, ela conta ao G1. &#8220;Sabe aquela coisa que os mais velhos falam, &#8216;quem tem saúde tem tudo&#8217;?  Ano passado aprendi o verdadeiro significado dessa frase&#8221;, diz. [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="color: #929292; text-align: justify;"><span style="color: #333333;"><em>Ela fala de som pesado e diz &#8216;valorizar saúde&#8217; após internação em 2013. </em><em>Cantora exalta Valesca Popozuda e comenta ação trabalhista de ex-colega.</em></span><br />
<span id="more-35465"></span></p>
<div id="attachment_35466" style="width: 310px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/06/Pitty.jpg"><img class="size-medium wp-image-35466" src="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/06/Pitty-300x225.jpg" alt="Pitty lança o álbum 'SeteVidas'  (Foto: Pitty)" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Pitty lança o álbum &#8216;SeteVidas&#8217; (Foto: Pitty)</p></div>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #333333;">Em 2013, Pitty passou por uma &#8220;experiência de quase-morte&#8221;, ela conta ao G1. &#8220;Sabe aquela coisa que os mais velhos falam, &#8216;quem tem saúde tem tudo&#8217;?  Ano passado aprendi o verdadeiro significado dessa frase&#8221;, diz. Em 2013, a cantora foi internada na UTI e teve uma &#8220;parada estomacal&#8221;, segundo sua assessoria. Ela não dá mais detalhes sobre o problema de saúde. No novo disco, &#8220;Setevidas&#8221;, ela desafia a morte na faixa-título:  &#8220;Viver parece mesmo / Coisa de insistente&#8221;.</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #333333;">O período de composição das músicas, segundo Pitty, foi &#8220;difícil&#8221;. Outra faixa nova, &#8220;Lado de lá&#8221;, fala da morte do ex-guitarrista Peu. O músico se matou em maio de 2013. No mesmo período, a cantora enfrentava uma disputa com outro ex-integrante de sua banda. O baixista Joe tem um processo trabalhista aberto contra o grupo de Pitty. &#8220;É muito triste você ver uma pessoa jogar fora seu caráter e honra por causa de dinheiro&#8221;, ela diz. O <strong>G1</strong> tentou contato com Joe, mas ele não quis comentar o assunto.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #333333;">O tom, no entanto, não é triste. Durante a gravação, ela diz que teve &#8220;vontade de engolir o mundo&#8221;. O som é sujo e pesado, e remete aos temas que a cantora aborda desde o início da carreira. O poder feminino é um deles. &#8220;Traz alguém, que saiba de amor / Sem o porém de adestrador / Pois nunca há de haver feitor aqui&#8221;, canta em &#8220;Um Leão. Pitty elogia o feminismo de Valesca Popozuda e compara: &#8220;Somos mulheres exercendo o direito de ser&#8221;.</span></p>
<div id="attachment_35467" style="width: 310px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/06/Pitty-2.jpg"><img class="size-medium wp-image-35467" src="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/06/Pitty-2-300x225.jpg" alt="A banda atual de Pitty, que lança o disco 'Setevidas' (Foto: Divulgação / Daryan Dornelles)" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">A banda atual de Pitty, que lança o disco &#8216;Setevidas&#8217; (Foto: Divulgação / Daryan Dornelles)</p></div>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #333333;"><strong>G1 – O disco não tem nenhuma balada romântica na linha de &#8216;Equalize&#8217;, &#8216;Na sua estante&#8217;, ou do Agridoce. O que te levou para esse lado mais sujo e pesado?<br />
<a class="premium-tip" style="color: #a80000;" href="http://g1.globo.com/topico/pitty.html"><span style="color: #333333;">Pitty</span></a> –</strong> A vida, eu acho <em>(risos)</em>. Não penso nisso na hora de compor, vou fazendo as músicas e depois é que se vê o conjunto da obra. E nesse momento foi assim.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #333333;"><strong>G1 – Há percussões mais fortes, e você já falou da referência do candomblé. Qual é sua relação com o candomblé? Por que apareceu neste disco?<br />
Pitty – </strong>Sempre admirei a mitologia do candomblé, mas principalmente sua parte rítmica sempre me chamou a atenção. Os toques de cada orixá, os instrumentos; é tudo muito primitivo e ao mesmo tempo sofisticado no que diz respeito a tempos, acentos, levadas. Ainda não sei exatamente porque isso bateu pra mim agora, mas acho que tem a ver com uma mistura de banzo e de vontade de dar vazão a uma memória afetiva e primal. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #333333;"><strong>G1 – Em 2013, o rock teve o pior resultado nas rádios do país.  Por que acha que o estilo passa por essa má fase comercial? Ao gravar e fazer shows, você pensa em fortalecer o rock brasileiro?<br />
Pitty – </strong>Acho que tudo é fase, e onda. Elas vêm e vão, mas o rock está sempre aí, ele é &#8220;highlander&#8221;: quando você menos espera ele ressurge mais forte do que nunca. E eu estou bem otimista, vejo um bom momento vindo aí. Várias bandas gravando e lançando discos legais, as principais rádios de rock de volta, público interessado. Espero contribuir de alguma forma, e de toda forma também sempre estarei aqui fazendo a minha parte, em qualquer fase.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #333333;"><strong>G1 – Um dos destaques da música brasileira de 2014 é Valesca Popozuda. Ela diz que &#8216;ser vadia é ser livre&#8217;. Você concorda? Vê um paralelo entre o seu trabalho e o dela?<br />
Pitty –</strong> Entendo totalmente o que ela quer dizer com essa frase. É um pensamento que tem a ver com ideais feministas. Uma &#8220;vadia&#8221;, perante essa sociedade machista, é uma mulher que usa saia curta ou decote e por isso &#8220;tá pedindo&#8221;, que ousa sair sozinha, que anda nas ruas a noite, que comete o disparate de emitir opiniões, que fala sobre e gosta de sexo. Ou seja, uma mulher livre. Se para esse sistema patriarcal, ter direitos sobre o próprio corpo e a própria vida é ser &#8220;vadia&#8221;, então, somos todas vadias. O paralelo que vejo entre nossos trabalhos é esse: somos mulheres exercendo o direito de ser.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #333333;"><strong>G1 – O que te levou a fazer a letra de &#8216;SeteVidas&#8217;, especialmente na parte sobre &#8216;mar vermelho, se arrastando do quarto para o banheiro, pupila congelada&#8217;?<br />
Pitty –</strong> Uma experiência de quase-morte. Sabe aquela coisa que os mais velhos falam, &#8220;quem tem saúde tem tudo&#8221;? Pois é. Ano passado eu aprendi o verdadeiro significado dessa frase.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #333333;"><strong>G1 – As letras sugerem uma época turbulenta de vida. O período de preparação e gravação do disco foi difícil?<br />
Pitty – </strong>Não. O difícil foi antes, e acho que isso se refletiu na composição. Na hora de gravar estava numa fase muito boa, me sentindo animada, forte e com vontade de engolir o mundo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #333333;"><strong>G1 – O que você sentiu quando o Joe entrou com uma ação trabalhista contra a banda?<br />
Pitty – </strong>Uma decepção muito grande. É muito triste você ver uma pessoa jogar fora seu caráter e honra por causa de dinheiro. A gente sabe que isso acontece por aí, mas ver de perto é mais triste. Mas eu não quero deixar que isso me endureça, quero continuar confiando no ser humano. Esse também não é meu assunto agora, meu foco é no disco, é isso o que importa.</span></p>
<p style="text-align: justify;">&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Por Rodrigo Ortega / <span class="adr"><span class="locality">Do G1, em São Paulo</span></span></strong></em></span></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Entrevista: Ed Wilson Santos</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Jun 2014 16:01:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Editor]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Iguaí]]></category>

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		<description><![CDATA[Ed Wilson Santos, fala sobre o fim da Quadrilha No Lume da Fogueira de Iguaí e lamenta a não participação, este ano, nos festivais no estado da Bahia. Fala dos prêmios que ganhou e da falta de apoio para a continuidade do trabalho. Iguaí Mix &#8211; Por que a Quadrilha No Lume da Fogueira não [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Ed Wilson Santos, fala sobre o fim da Quadrilha No Lume da Fogueira de Iguaí e lamenta a não participação, este ano, nos festivais no estado da Bahia. Fala dos prêmios que ganhou e da falta de apoio para a continuidade do trabalho.</em><span id="more-35088"></span></p>
<div id="attachment_15649" style="width: 310px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2013/06/festival-de-quadrilhas-gandu.jpg"><img class="size-medium wp-image-15649" src="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2013/06/festival-de-quadrilhas-gandu-300x224.jpg" alt="Ed Wilson recebe prêmio em festival  (Foto: Arquivo Iguaí Mix)" width="300" height="224" /></a><p class="wp-caption-text">Ed Wilson recebe prêmio em festival<br />(Foto: Arquivo Iguaí Mix)</p></div>
<p style="text-align: justify;"><strong>Iguaí Mix</strong> &#8211; Por que a Quadrilha No Lume da Fogueira não vai participar dos festejos juninos deste ano, em Iguaí e em outras cidades da região?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ed Wilson</strong> &#8211; Muitos fatores que impediram de a quadrilha não participar este ano. É com o coração partido, com o coração sangrando que eu estou nesta entrevista com você para falar que a Quadrilha No Lume da Fogueira não vai participar de nenhum festival, apesar de ser reconhecida na Bahia inteira, com tantos troféus que estão lá em casa, não tem lugar nem para colocar mais. Mas, infelizmente, não tivemos o apoio necessário nos últimos anos que se passaram e nós acabamos perdendo a classificação em alguns festivais por causa do figurino. Então, nós decidimos não participar, porque para participar de um festival de quadrilhas, em que os grupos que se apresentam estão com um figurino de cinco, seis mil reais e nós com um figurino de, no máximo, dois mil reais, não tem como.</p>
<div id="attachment_35145" style="width: 310px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/06/No-Lume-da-Fogueira-3.jpg"><img class="size-medium wp-image-35145" src="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/06/No-Lume-da-Fogueira-3-300x224.jpg" alt="Quadrilha No Lume da Fogueira (Divulgação)" width="300" height="224" /></a><p class="wp-caption-text">Quadrilha No Lume da Fogueira<br />(Divulgação)</p></div>
<p style="text-align: justify;"><strong>Iguaí Mix</strong> &#8211; Isso indica que a quadrilha também não vai participar aqui em Iguaí, nas festividades juninas como o São Pedro de Iguaibi e outros eventos juninos que aconteciam aqui em Iguaí nos distritos?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ed Wilson</strong> &#8211; O nosso objetivo maior era levar o nome de Iguaí para outras cidades, para o estado da Bahia. Já que nós não temos essa possibilidade de fazer, então não é do nosso interesse montar uma quadrilha para se apresentar somente em Iguaí, já que todos os componentes estão acostumados a participar também em festivais lá fora e isso é importante para a culminância de nosso trabalho.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Iguaí Mix</strong> &#8211; O trabalho da quadrilha não se resumiu somente em participação em evento, era um trabalho de muitos meses envolvendo adolescentes e jovens da nossa cidade, sendo, por isso mesmo, um trabalho muito importante para Iguaí, principalmente para a juventude da nossa cidade. Como é que ficam os participantes da quadrilha em relação a isso?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ed Wilson</strong> &#8211; Eu estava até fazendo um levantamento essa semana e eu estava comentando a respeito disso. Vários jovens que saíram do álcool, das drogas, da prostituição por causa da quadrilha. Então, eu estou muito preocupado com esses jovens que não têm mais o que fazer, que saíram da quadrilha que era um ponto de apoio que eles tinham e estão aí sem nada para fazer, sem um grupo, sem nada.</p>
<div id="attachment_35150" style="width: 310px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/06/No-Lume-da-Fogueira-5.jpg"><img class="size-medium wp-image-35150" src="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/06/No-Lume-da-Fogueira-5-300x224.jpg" alt="(Foto: Divulgação)" width="300" height="224" /></a><p class="wp-caption-text">(Foto: Divulgação)</p></div>
<p style="text-align: justify;"><strong>Iguaí Mix</strong> &#8211; Quanto tempo duravam esses ensaios?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ed Wilson</strong> &#8211; Os ensaios começavam logo após a Festa de Setembro, onde eu tinha a barraca que arrecadava dinheiro para ajudar no figurino e, logo depois, a gente começava os ensaios até o dia 22 de junho do ano seguinte.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Iguaí Mix</strong> &#8211; Como era a recepção às apresentações da quadrilha nos festivais em outras cidades da Bahia?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ed Wilson</strong> &#8211; Lá fora, era excelente, às vezes, éramos mais bem tratados do que em nosso próprio município. Tinha recepção, tinha onde ficar, éramos tão bem recebidos que não tenho palavras para explicar.</p>
<div id="attachment_35143" style="width: 310px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/06/No-Lume-da-Fogueira-1.jpg"><img class="size-medium wp-image-35143" src="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/06/No-Lume-da-Fogueira-1-300x224.jpg" alt="(Foto: Divulgação)" width="300" height="224" /></a><p class="wp-caption-text">(Foto: Divulgação)</p></div>
<p style="text-align: justify;"><strong>Iguaí Mix</strong> &#8211; Qual foi o verdadeiro motivo para a quadrilha parar, não se apresentar mais?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ed Wilson</strong> &#8211; Em primeiro lugar, é financeiro. Quem trabalha com cultura como você sabe que precisa de um apoio fixo para o grupo. Eu não digo, no nosso caso, principalmente, em relação ao figurino, porque não falo nem em alimentação ou hospedagem, mas o figurino, porque se você não tiver um bom figurino, não adianta ter um bom trabalho, porque você não vai ganhar nada.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Iguaí Mix</strong> &#8211; Em relação ao seu trabalho, você parou esse trabalho com a Quadrilha no Lume da Fogueira, mas foi convidado para realizar esse trabalho de quadrilha junina em outro lugar, outra cidade?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ed Wilson</strong> &#8211; Eu fui convidado por Rogério Sagui, um professor de dança da Poções para trabalhar na quadrilha dele. Então, é uma oportunidade que eu tive de voltar a ganhar títulos de novo, porque o apoio lá em Poções foi excelente, tanto financeiro, quanto o apoio cultural, o apoio ao meu trabalho, eles me trataram super bem. É uma excelente equipe, que tem tudo para trazer vários troféus para Poções. É uma pena que eu não esteja fazendo esse trabalho por Iguaí. Eu gostaria de estar em Iguaí, mas infelizmente, eu não estou na minha cidade não por minha vontade.</p>
<div id="attachment_35146" style="width: 310px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/06/No-Lume-da-Fogueira-4.jpg"><img class="size-medium wp-image-35146" src="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/06/No-Lume-da-Fogueira-4-300x265.jpg" alt="(Foto: Divulgação)" width="300" height="265" /></a><p class="wp-caption-text">(Foto: Divulgação)</p></div>
<p style="text-align: justify;"><strong>Iguaí Mix</strong> &#8211; Iguaí tem muitos artistas e grupos premiados &#8211; poetas, compositores, músicos, grupo de teatro, grupo de dança, a sua quadrilha, por exemplo, mas nós percebe-se que está tudo muito parado. O que você acha que está faltando em relação a esse apoio cultural aos grupos e artistas da nossa cidade?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ed Wilson</strong> &#8211; Eu acho que Iguaí é um berço de artistas. Temos artistas de todas as formas, temos cantores, poetas, compositores e grupos artísticos premiados, mas precisa de um apoio mais forte à cultura. Nós montamos um grupo de hip hop, o Elite X, que não foi à frente porque nós íamos viajar numa sexta-feira, participar de um evento completo, receber certificado de todos os dias. Infelizmente, só chegamos lá no último dia do evento, por falta de transporte. Só conseguimos o transporte no sábado, iria haver várias oficinas, de dança, de grafitte, mas não pudemos participar e isso deixou os garotos que participavam do grupo muito revoltados.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Iguaí Mix</strong>- Quanto aos locais que vocês ensaiavam, eram adequados para isso? Você não acha que é necessário em nossa cidade um espaço mais adequado para o ensaio desses grupos de dança, de teatro e da quadrilha junina, por exemplo?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ed Wilson</strong> &#8211; Comparando com Vitória da Conquista, Firmino Alves, Itororó, Ilhéus, as cidades em que eu trabalhei e que eu venho trabalhando, porque eu conheço algumas quadrilhas, a de Poções, por exemplo, comparando os espaços de lá com os daqui, nós não temos espaço. A gente ensaiava hoje em um colégio, amanhã, em outro. Às vezes, os diretores não queriam, diziam que a escola estava ficando desarrumada. Na maioria das vezes, ensaiávamos na quadra do CENAV.</p>
<div id="attachment_35148" style="width: 310px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/06/No-Lume-da-Fogueira-6.jpg"><img class="size-medium wp-image-35148" src="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/06/No-Lume-da-Fogueira-6-300x268.jpg" alt="(Foto: Divulgação)" width="300" height="268" /></a><p class="wp-caption-text">(Foto: Divulgação)</p></div>
<p style="text-align: justify;"><strong>Iguaí Mix</strong> &#8211; Como você se sente hoje sabendo que a quadrilha não vai participar mais de festivais e qual o seu projeto para o futuro? Você pretende voltar a organizar novamente uma quadrilha em Iguaí?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ed Wilson</strong> &#8211; Não, infelizmente em Iguaí não tenho essa intenção. A não ser no SCFV, aqui em Iguaí, em que estou dando um apoio ao meu amigo Josino, mas para montar uma quadrilha para participar de festivais lá fora e de eventos culturais em Iguaí, não.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Iguaí Mix</strong> &#8211; Como você se sente, hoje, em perceber que essa quadrilha não vai mais se apresentar, que esse trabalho foi encerrado, um trabalho de tanto tempo?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ed Wilson</strong> &#8211; Eu trabalho com quadrilha há muitos anos. Trabalhei seis anos em Ilhéus, onde eu conquistei seis títulos consecutivos. Depois eu vim para Iguaí em 2000, montei a quadrilha aqui, onde eu estou há quatorze anos, ia completar este ano. É triste, estou muito triste. Estava vendo esta semana, no BA TV, as quadrilhas ensaiando, meus olhos chegaram a encher de lágrimas, porque você participa todo ano. Estava até comentando com a minha mãe que todos os anos a gente passa o São João viajando, participando dos festivais e este ano vou passar o São João dormindo, infelizmente.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Por José Carlos Assunção Novaes</strong></em></span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Brasileiro com história na Bélgica, Richard Danilo fala sobre a seleção &#8216;promessa&#8217; da copa</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Jun 2014 14:24:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Editor]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Esportes]]></category>

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		<description><![CDATA[Filho do ex-jogador Wamberto, que fez carreira de sucesso no Ajax da Holanda entre 1998 a 2004, o meia-atacante Richard Danilo iniciou sua carreira nas divisões de base do clube holandês e recebeu convite para defender a seleção belga nas categorias inferiores, atuando com os atletas que destacam os Diabos Vermelhos na Copa do Mundo [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="color: #555555; text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Filho do ex-jogador Wamberto, que fez carreira de sucesso no Ajax da Holanda entre 1998 a 2004, o meia-atacante Richard Danilo iniciou sua carreira nas divisões de base do clube holandês e recebeu convite para defender a seleção belga nas categorias inferiores, atuando com os atletas que destacam os Diabos Vermelhos na Copa do Mundo 2014. “Surgiu um grupo de jogadores que não são belgas natos, sendo naturalizados ou na sua maioria filhos de pais de outras origens.</span></strong><span id="more-35069"></span></p>
<p style="color: #555555; text-align: justify;">
<div id="attachment_35072" style="width: 310px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/06/Richard.jpg"><img class="size-medium wp-image-35072" src="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/06/Richard-300x206.jpg" alt="(Foto: Bahia Notícias)" width="300" height="206" /></a><p class="wp-caption-text">(Foto: Bahia Notícias)</p></div>
<p style="color: #555555; text-align: justify;">
<p style="color: #555555; text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Eu acredito que isso foi uma das coisas que ajudou bastante o país. Hoje a Bélgica segue bastante a filosófica da seleção da França” afirma o atleta, que também atuou no futebol ucraniano e fala um pouco do momento em que vive o país no leste europeu “A cidade de Donetsk é pró-rússia e estava ficando perigoso. O clima está tenso no dia a dia, apesar de que para nós brasileiros o problema não era tanto quanto para os colegas ucranianos e suas famílias, já que alguns eram da região pró-ucrânia e moravam do outro lado do país” afirmou. </span></p>
<p style="color: #555555; text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>BN:  Seu pai atuou pelo Ajax durante seis anos, criando grande parte da sua história no clube holandês. Como aconteceu a escolha de atuar no futebol belga e na seleção do país?</strong></span></p>
<p><span style="color: #000000;"><strong>Richard Danilo:</strong> Foi quando eu participei das categorias de base, e com 16 a 17 anos o meu pai conseguiu a nacionalidade belga e eu automaticamente peguei também a naturalização. E logo depois disso, uma semana depois, eu recebi o convite para disputar o Mundial sub-17 na Coreia do Sul, mas não deu tempo para tirar o passaporte. Mas, em seguida eles me pediram para escolher entre Brasil e Bélgica e eu escolhi a Bélgica, porque nas categorias de base não existe problema nenhum Se caso quando eu me tornasse profissional escolhesse de novo o Brasil.</span></p>
<p style="color: #555555; text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>BN: E você passou por todas as divisões de base da Bélgica? Quais foram os torneios em que participou nesse período?</strong></span></p>
<p><span style="color: #000000;"><strong>Richard Danilo</strong>: Eu disputei a qualificação para a Euro sub-19, a qualificatória para o mundial sub-17 e muitos amistosos também pela seleção sub-20 e sub-21.</span></p>
<p><span style="color: #000000;"><strong>BN: Desde 2002, a Bélgica implantou uma série de mudanças nas divisões de base para transformar o futebol do país. Participando das categorias da seleção, você pode dizer o que mudou na forma de jogar do belgas? Como hoje eles enxergam o futebol?</strong></span></p>
<p><span style="color: #000000;"><strong>Richard Danilo:</strong> É verdade, hoje eles tem uma divisão de ouro que praticamente foi formada do nada, e agora vão disputar a Copa do Mundo no Brasil. Surgiu um grupo de jogadores que não são belgas natos, sendo naturalizados ou na sua maioria filhos de pais de outras origens. Eu acredito que isso foi uma das coisas que ajudou bastante o país. Hoje a Bélgica segue bastante a filosófica da seleção da França. Por exemplo, o (Romelu) Lukaku é de origem africana, o Nader Chadli é marroquino, o Hazard de família italiana e tcheca. É uma mistura boa que dá certo. Já como perfil tático, o treinador Marc Wilmots sempre buscou um aprimoramento técnico dos jogadores desde as divisões de base, fazendo com a federação belga investisse bastante nas categorias, chegando a enviar jogadores ainda jovens para o exterior, como foi o caso de Hazard no futebol Francês e outros tantos atletas nos países vizinhos, que tem um nível mais alto. Hoje dá para ver o resultado.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>BN: O que o público brasileiro pode esperar dos belgas na Copa do Mundo? Podem ser mesmo uma surpresa na competição?</strong></span></p>
<p><span style="color: #000000;"><strong>Richard Danilo:</strong> O estilo de jogo deles é bem de “guerrilheiros”, sendo uma equipe que luta bastante do meio para trás e na parte ofensiva valorizam bem o aspecto técnico. Eu creio que eles vão dar bastante trabalho para os seus adversários e acho que eles vão chegar até as quartas de final. Com elenco que eles têm, não acho difícil chegar lá.</span></p>
<p><span style="color: #000000;"><strong>BN: Você atuou com algum jogador presente hoje na seleção belga? Acha que o futebol belga já chegou já chegou ao seu limite ou ainda pode crescer mais?</strong></span></p>
<p><span style="color: #000000;">Sim, Sim, tem o Nacer Chadli que está no Tottenham, o Lukaku e o próprio Hazard que joguei junto nas divisões de base, o Witsel que é um amigo meu e o Vermaelen que conheci no Ajax. É uma geração que joguei junto desde as categorias inferiores e tem muito talento, pode evoluir muito mais. Com tantos nomes de destaque, o país acordou e está investindo muito mais. Pode surpreender mais ainda. Um exemplo disso é Januzaj, que hoje está no Manchester United e já foi selecionado para equipe nessa copa. Então cada vez estão surgindo mais e mais talentos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>BN: E fazendo a pergunta contrária agora, como os belgas veem o futebol brasileiro atual?</strong></span></p>
<p><span style="color: #000000;">Na Bélgica eles olham o brasileiro como exemplo e eles sempre se rebaixam quando o assunto é futebol. Para eles, o Brasil vai sempre ser o alto nível e toda vez que eles podem, dão oportunidade para brasileiros que estão por lá, tentando naturalizar ou fazer algo para que o jogador possa se sentir no país dele e depois pensar, no futuro, em uma suposta naturalização.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong style="color: #555555;">BN: E acredita que ainda pode existir chance de atuar na equipe principal do país ou tem planos de mudar para outra seleção?</strong><br style="color: #555555;" /><br style="color: #555555;" />Não, eu sempre me foquei na seleção belga, porque foi uma seleção que abriu as portas pra mim desde quando comecei no esporte, com 16 e 17 anos. Claro que seria um sonho atuar pelo Brasil, mas a seleção belga está em primeiro lugar.<br style="color: #555555;" /><br style="color: #555555;" /><span style="color: #000000;"><strong style="color: #555555;">BN: Anos depois de estar no Standard Liege, você foi para o futebol ucraniano. Quais foram as principais diferenças entre as duas escolas de futebol?</strong></span><br style="color: #555555;" /><br style="color: #555555;" />O futebol ucraniano é fisicamente mais pegado, agressivo, enquanto o belga é mais corrido, com o da Ucrânia nem tem muita comparação, pois é muito físico, mais pancadaria. Só que a equipe que eu fui (o Metalurg Donetsk) era um clube que estava querendo fazer uma política parecida com o Shakhtar (seu maior rival). Na época só tinha um brasileiro lá, e comigo chegaram mais cinco. Com isso, mudamos o panorama do clube, porque éramos uma equipe mais técnica, e classificamos a equipe nas eliminatórias da Liga Europa nos dois anos que estive lá. O Futebol ucraniano tem crescido bastante.<br style="color: #555555;" /><br style="color: #555555;" /><strong style="color: #555555;">BN: Recentemente, a crise da Ucrânia repercutiu por todo o país. Donetsk é uma cidade próxima da Rússia. Como essas tensões repercutiram no clube?</strong><br style="color: #555555;" /><br style="color: #555555;" />É isso mesmo. Essa foi uma das questões que me fez rescindir o meu contrato. A cidade de Donetsk é pró-rússia e estava ficando perigoso. O clima estava tenso no dia a dia, apesar de que para nós brasileiros o problema não era tanto quanto para os colegas ucranianos e suas famílias, já que alguns eram da região pró-ucrânia e moravam do outro lado do país. Fica um clima meio chato no meio de todo mundo, já que existia aquela dúvida do que poderia acontecer.<br style="color: #555555;" /><br style="color: #555555;" /><strong style="color: #555555;">BN: E em relação ao Brasil, existe interesse em atuar no futebol local?</strong><br style="color: #555555;" /><br style="color: #555555;" />Tem sim, eu estou conversando com algumas pessoas para ver se retorno ao futebol brasileiro e se aparecer uma proposta boa eu gostaria de mostrar o meu futebol aqui no Brasil. No momento estou livre e a procura de um clube.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;">&#8230;</span></p>
<p><span style="color: #800000;"><strong><em>Por Bahia Notícias</em></strong></span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Entrevista: Emília Silveira, diretora de Setenta, fala sobre cinema, ditadura e História do Brasil</title>
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		<pubDate>Thu, 29 May 2014 01:28:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Editor]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

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		<description><![CDATA[O documentário Setenta resgata histórias pessoais durante a ditadura militar Chega aos cinemas nesta quinta-feira, dia 29 de maio, o documentário nacional Setenta. O título se refere ao grupo de setenta jovens brasileiros que se tornaram presos políticos em 1970 por causa do sequestro do embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher, e foram enviados ao Chile após [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>O documentário Setenta resgata histórias pessoais durante a ditadura militar</em></span></p>
<p style="color: #000000; text-align: justify;"><strong>Chega aos cinemas nesta quinta-feira, dia 29 de maio, o documentário nacional <a style="font-weight: inherit; font-style: inherit; color: #005ea8;" title="Setenta (Brasil) - 2013 (Documentário)" href="http://www.adorocinema.com/filmes/filme-224157/">Setenta</a>. O título se refere ao grupo de setenta jovens brasileiros que se tornaram presos políticos em 1970 por causa do sequestro do embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher, e foram enviados ao Chile após uma tensa negociação com o governo militar.</strong><span id="more-34358"></span></p>
<div id="attachment_34359" style="width: 310px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/05/Emília-Silveira_Setenta.jpg"><img class="size-medium wp-image-34359" src="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/05/Emília-Silveira_Setenta-300x119.jpg" alt="(Foto: Mário Miranda Filho)" width="300" height="119" /></a><p class="wp-caption-text">(Foto: Mário Miranda Filho)</p></div>
<p style="color: #000000; text-align: justify;">Cerca de quarenta anos depois, a diretora <strong><a style="font-weight: inherit; font-style: inherit; color: #005ea8;" title="Emilia Silveira (Brasil) (Produtor,Diretor)" href="http://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-657051/">Emília Silveira</a></strong> - ela mesma uma ex-presa política &#8211; decidiu conversar com vinte destas pessoas, para saber como se lembram da época. A intenção, de acordo com a cineasta, não é fazer um filme histórico, mas um mosaico de lembranças pessoais sobre esse período sombrio da História do país.</p>
<p style="color: #000000; text-align: justify;"><a href="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/05/Setenta.jpg"><img class="alignleft wp-image-34366 size-full" src="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/05/Setenta.jpg" alt="Setenta" width="160" height="240" /></a></p>
<p style="color: #000000; text-align: justify;">Emília Silveira conversou em exclusividade com o <span style="font-weight: bold; font-style: inherit;">AdoroCinema</span> sobre o projeto e sobre as dificuldades encontradas pelo caminho. Confira:</p>
<p style="color: #000000; text-align: justify;"><span style="font-weight: bold; color: #000000;">Origem do filme</span></p>
<p style="color: #000000; text-align: justify;">&#8220;O projeto nasceu dez anos atrás, quando eu encontrei um amigo, que era um dos setenta. Ele me disse que o grupo era eclético, complexo, e que se reunia sempre. Eu fui a uma dessas reuniões e gravei. Dias depois, comentei sobre essa história com outro amigo meu, ele me disse que conhecia um filme dos anos 1970 sobre esse caso. Aí eu achei que era coincidência demais! Eu corri atrás dessas imagens, era um filme do Haskell Wexler, um grande fotógrafo americano, e do Saul Landau, chamado <span style="font-weight: bold;">Brasil: A Report on Torture</span>.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu comecei a me reunir com esse pequeno grupo dos setenta, e chamei a minha amiga e repórter Sandra Moreira. Como eu sou ex-presa política, eu não queria fazer um filme sobre o meu umbigo, e precisava de alguém para me dizer “não”, para fazer isso comigo. Essa não é a minha história, é a história da minha geração. Eu quis tratar dessa questão que o Brasil tratou pouco. Esta questão não é histórica, mas sobre as pessoas. Quem eram esses jovens, que viveram a revolução, entraram numa guerra, perderam e deram a volta por cima?&#8221;</p>
<div id="attachment_34364" style="width: 310px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/05/Setenta-1.jpg"><img class="size-medium wp-image-34364" src="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/05/Setenta-1-300x199.jpg" alt="(Foto: Divulgação)" width="300" height="199" /></a><p class="wp-caption-text">(Foto: Divulgação)</p></div>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="font-style: inherit; color: #000000;"><span style="font-style: inherit;">Sem ideologia</span></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: inherit; font-style: inherit; color: #dc1034;"><span style="font-style: inherit;"><span style="color: #000000;">&#8220;Eu assisti a praticamente todos os filmes que existem no Brasil sobre [a ditadura]. São filmes extremamente bons, mas sempre de um ponto de vista ideológico, com alguém que parte de uma ideia pronta para fazer um filme a partir disso. O que eu queria, é que o filme penetrasse nessas almas, nessas pessoas, e que surgisse desse contato entre a câmera e aquelas vidas. Eu não sabia o que seria o filme. Eu não tinha uma ideia preconcebida, eu só sabia que eu não queria vitimizar ninguém, nem convencer ninguém de nada&#8221;.</span></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>&#8220;É difícil fazer cinema no Brasil&#8230;&#8221;</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8220;O maior desafio foi achar o produtor, e o dinheiro para fazer o filme. Quando consegui o produtor, o </span><strong><a style="color: #005ea8;" title="Cavi Borges (Indefinido) (Produtor,Diretor,Produtor Executivo)" href="http://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-438772/">Cavi Borges</a></strong><span style="color: #000000;">, eu fiz umas parcerias bacanas. O maior desafio foi o nosso desconhecimento de como é difícil fazer cinema no Brasil. A parte legal, burocrática, a demora&#8230; Nós éramos amadoras nisso e o Cavi nos ajudou muito, mas a parte executiva foi nossa responsabilidade. Eu fiquei impressionada como é complicado, como as leis são pouco claras.</span></p>
<p style="color: #000000; text-align: justify;">Isso foi ainda mais difícil do que pegar essas feras, fazer com que relaxassem, que eles se humanizassem diante da câmera. A solidão como diretora é interessante, porque eu sempre trabalhei em grandes equipes. Eu sou diretora geral na televisão. Mas no cinema, existe uma solidão muito grande&#8221;.</p>
<div id="attachment_34365" style="width: 310px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/05/Setenta-2.jpg"><img class="size-medium wp-image-34365" src="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/05/Setenta-2-300x196.jpg" alt="(Foto: Divulgação)" width="300" height="196" /></a><p class="wp-caption-text">(Foto: Divulgação)</p></div>
<p style="color: #000000; text-align: justify;"><span style="font-weight: inherit; font-style: inherit; color: #000000;"><span style="font-weight: bold; font-style: inherit;">Lançamento do filme 50 anos após o golpe</span></span></p>
<p style="color: #000000; text-align: justify;">&#8220;É uma feliz coincidência. Isso não foi planejado. Eu não acho que <span style="font-weight: bold;">Setenta</span> tenha uma importância maior do que outros filmes e outras coisas já produzidas no Brasil sobre o golpe. A importância do filme no momento, junto da Comissão da Verdade, é o de ser mais um arquivo que se abre da história da ditadura. É chegar aos jovens, às escolas. Eu apresentei o filme em uma escola, onde um garoto de 17 anos me perguntou o que era a ditadura. Ele ainda não sabia! O filme é importante para marcar os 50 anos do golpe, mas cada filme feito sobre o assunto vai ajudar a recuperar esta história recente que nem sempre a escola ensina.</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje, nas escolas militares, ainda se fala em revolução redentora da democracia em 1964. Isso nas escolas militares de hoje! É muito grave&#8230; Como o Ministério da Educação não vê isso? Como uma geração jovem continua perpetuando essa visão fascista, velha, ultrapassada? O papel do <span style="font-weight: bold; font-style: inherit;">Setenta</span> é esse: ele é mais neste movimento, como a Comissão da Verdade, a Comissão da Anistia. Ele está ligado ao filme da <strong><a style="font-weight: inherit; font-style: inherit; color: #005ea8;" title="Flavia Castro (Indefinido) (Montador,Produtor,Roteirista)" href="http://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-516937/">Flávia Castro</a> (<a style="font-weight: inherit; font-style: inherit; color: #005ea8;" title="Diário de uma Busca (Brasil,França) - 2010 (Documentário,Drama,Biografia)" href="http://www.adorocinema.com/filmes/filme-192757/">Diário de uma Busca</a></strong>), do <strong><a style="font-weight: inherit; font-style: inherit; color: #005ea8;" title="Silvio Tendler (Indefinido) (Diretor,Ator)" href="http://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-29273/">Silvio Tendler</a></strong> (<strong><a style="font-weight: inherit; font-style: inherit; color: #005ea8;" title="Jango (Brasil) - 1984 (Documentário)" href="http://www.adorocinema.com/filmes/filme-136257/">Jango</a></strong>). É mais um recorte, por menor que seja, para pensar a história recente do Brasil&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Assista trailler oficial do filme:</p>
<p><iframe src="//www.youtube.com/embed/3xcLk31n6C8?rel=0" width="540" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p style="text-align: justify;">&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Por Bruno Carmelo / Adoro Cinema</strong></em></span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>O inferno astral de Zurita: Essa é a vida do ex-presidente da Nestlé que tem até fazenda em Iguaí</title>
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		<pubDate>Sat, 17 May 2014 11:58:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Editor]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Iguaí]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>

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		<description><![CDATA[Ao longo dos últimos 15 anos, Ivan Fábio Zurita circulou com desenvoltura pela cena empresarial e artística brasileira. Como executivo, ele dirigiu a subsidiária brasileira da Nestlé de 2001 a 2012. Foi um tempo de vento a favor e de realizações em seu currículo de profissional bem-sucedido, pois nesse período a fabricante suíça de chocolates [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="color: #1e1e1e; text-align: justify;"><strong>Ao longo dos últimos 15 anos, Ivan Fábio Zurita circulou com desenvoltura pela cena empresarial e artística brasileira. Como executivo, ele dirigiu a subsidiária brasileira da Nestlé de 2001 a 2012. </strong><span id="more-33866"></span></p>
<p style="color: #1e1e1e; text-align: justify;">Foi um tempo de vento a favor e de realizações em seu currículo de profissional bem-sucedido, pois nesse período a fabricante suíça de chocolates quadruplicou de tamanho no País, passando de um faturamento de R$ 4,8 bilhões para R$ 20,5 bilhões. Nessa época, era recebido pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela presidenta Dilma Rousseff.<!--more--></p>
<div id="attachment_33867" style="width: 310px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/05/Zurita.jpg"><img class="size-medium wp-image-33867" src="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/05/Zurita-300x150.jpg" alt="Zurita ( foto: Claudio Belli/Valor/Folhapress)" width="300" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">Zurita ( foto: Claudio Belli/Valor/Folhapress)</p></div>
<p style="color: #1e1e1e; text-align: justify;">Como celebridade, Zurita se transformou em personalidade onipresente nas publicações voltadas ao mundo dos famosos. Era visto com frequência ao lado de personagens como Roberto Carlos, Pelé, Hebe Camargo, Xuxa e outras estrelas do show business brasileiro, frequentadores de seus concorridos e badalados leilões de gado, os quais arrecadavam milhões de reais a cada rodada. Como empresário, a partir do início dos anos 1990, ainda quando trabalhava para a Nestlé no Exterior, construiu um patrimônio estimado por ele próprio em mais de R$ 1 bilhão, que inclui 8,5 mil hectares de terras e pelo menos duas mil cabeças de gado de elite. Mas a fase de glória parece ter ficado para trás.</p>
<p style="color: #1e1e1e; text-align: justify;">Hoje, aos 61 anos, Zurita vive o que pode ser considerado o seu inferno astral. Ele deixou o cargo de presidente da Nestlé em 2012. Sua vida social está menos glamourosa e alguns artistas que antes o paparicavam agora o cobram publicamente por dívidas. É o caso do apresentador do SBT Carlos Massa, o popular Ratinho, que dedicou ao vivo em seu programa de tevê a música Pague o meu dinheiro “a um cidadão famoso de Araras”, numa referência à cidade do interior de São Paulo onde nasceu Zurita. “Você tem de me pagar, compadre”, disse Ratinho. E completou, antes de soltar um palavrão com a palavra “estelionatário”: “Eu vou receber do meu jeito, mas vou receber”. Procurado, Ratinho não quis comentar o episódio.</p>
<p style="color: #1e1e1e; text-align: justify;">A AgroZ, o grupo agropecuário de Zurita, que cria gado de elite das raças simental e nelore e cultiva laranja e cana, também não passa por um momento brilhante. Desbalanceado financeiramente, acumulou um endividamento, reconhecido por Zurita, de R$ 78 milhões. Segundo apurou a DINHEIRO com pessoas que conhecem a situação da empresa, esse valor poderia ser até quatro vezes maior, próximo de R$ 300 milhões. Qualquer que seja o número correto, trata-se de um valor muito elevado para uma receita que chegou a R$ 130 milhões, em 2013. O empresário construiu ao longo das últimas décadas, quatro delas como executivo assalariado da Nestlé, onde trabalhou nas subsidiárias do México, da Argentina, do Panamá e do Chile, um patrimônio bilionário em fazendas, gados e outros bens.</p>
<p style="color: #1e1e1e; text-align: justify;"><strong>“Claro que não estamos oxigenados de caixa como eu gostaria, mas até o fim do mês estaremos nos conformes novamente”, disse Zurita à DINHEIRO</strong> (leia a entrevista ao final da reportagem). Será uma missão e tanto. Impossível? Evidentemente não. Mas, provavelmente, ela não acontecerá na velocidade pretendida por Zurita, que atribuiu parte dos problemas de caixa à queda do preço laranja, à crise do etanol e à inadimplência na venda de gado. “É a primeira vez que aconteceu um aperto de caixa no nosso negócio”, afirma o empresário. Na última semana, DINHEIRO conversou com diversos credores de Zurita e teve acesso a mais de 40 processos, 14 deles de execução de títulos extrajudiciais.</p>
<p style="color: #1e1e1e; text-align: justify;">A soma desses últimos ultrapassa os R$ 3 milhões. Há desde cobranças de quantias superiores a R$ 1 milhão, como no caso do banco Safra, até cheques de pouco mais de R$ 6 mil. Zurita diz que a maioria dessas dívidas já foi quitada. Segundo uma fonte da área de avaliação de risco de crédito, a deterioração dos negócios do empresário começou a ser sentida em 2010, com o vazamento de uma dívida com o banco Schain, que cobra R$ 80 milhões de Zurita (este, por sua vez, recorre e diz já ter pago a maior parte do débito). De acordo com a mesma fonte, o empresário tem aproximadamente 20 títulos protestados, que somariam dívidas em torno de R$ 20 milhões.</p>
<p style="color: #1e1e1e; text-align: justify;">“Pelos critérios normais de concessão de crédito, ele não poderia comprar um televisor financiado na Casas Bahia”, diz. Essa percepção é compartilhada pelo diretor de uma das maiores corretoras de valores de São Paulo, que por dever de ofício acompanha os negócios da AgroZ e confirma a imagem complicada de Zurita como pagador. Essa fama deixou a capital paulista e chegou a Araras, a terra natal de Zurita, que já teve como prefeito Ignácio Zurita Jr., pai do empresário. Lá, até as dezenas de bancos que cercam a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Patrocínio, localizada na praça Barão de Araras, sabem da situação financeira do ex-presidente da Nestlé.</p>
<p style="color: #1e1e1e; text-align: justify;">É difícil encontrar uma pessoa da cidade de 120 mil habitantes que não tenha visto o vídeo do Ratinho. DINHEIRO ouviu diversos relatos de lojistas que se dizem lesados com a falta de pagamento. Poucos, no entanto, aceitam ser identificados. “O caubói já era”, disse um industrial que alega ter perdido R$ 5 milhões com Zurita. Questionado sobre os comentários da população, Zurita respondeu: “Somos uma família antiga, nunca deixamos de pagar um prego aqui”. Duas pequenas oficinas mecânicas confirmam que sofreram com os atrasos do ex-presidente da Nestlé. A oficina de caminhões Pinarelli recebeu um cheque de R$ 6 mil sem fundo, que foi acertado apenas em abril, dois meses depois da data previamente estipulada.</p>
<p style="color: #1e1e1e; text-align: justify;">No caso da Compeças, as dívidas do empresário foram quitadas em troca de um trator da fazenda de Zurita. Procurados, seus proprietários não quiseram entrar em detalhes sobre o assunto, mas confirmaram as informações. Eles, no entanto, reiteraram que não tiveram problemas na renegociação com o empresário. Internamente, as turbulências também cobraram seu preço. Pelo menos quatro importantes colaboradores de Zurita desembarcaram do grupo nos últimos meses, alguns deles descontentes com o estilo personalista do empresário e com os tropeços na gestão. Antonio Carlos Pinheiro Machado Júnior, o agrônomo que a partir do início da década passada organizou o plantel de simental e era a principal referência na pecuária da AgroZ, saiu.</p>
<p style="color: #1e1e1e; text-align: justify;">O diretor-financeiro Roberto Dudi e o promotor de leilões Jacoy Alves, também. Procurados, nenhum atendeu aos pedidos de entrevista da DINHEIRO. A defecção mais recente atende pelo nome de Tiffany Zurita e vem a ser filha de Eduardo, irmão de Zurita e CEO do grupo. Ela era responsável pela Cachaça do Barão, um dos negócios da AgroZ, e resolveu seguir carreira-solo. Os problemas de Zurita não se limitam a pequenas somas do comércio de Araras. Antigos fornecedores também o estão deixando.<strong> O buffet Charlô, da capital paulista, que preparou os banquetes oferecidos nos concorridos leilões de gado durante muitos anos, parou de prestar o serviço no ano passado.</strong></p>
<p style="color: #1e1e1e; text-align: justify;"><strong>A razão teria sido a falta de pagamento. </strong>Procurada, a diretoria do Charlô disse que não iria comentar o assunto. Executivos que faziam parte do círculo de amizade de Zurita também não estão conseguindo receber seus créditos. Um deles é José Carlos Grubisich, presidente da fabricante de papel e celulose Eldorado, que entrou com uma ação em Itatinga, no interior de São Paulo, cobrando R$ 400 mil pela venda de um animal em um leilão. Procurado, ele também não quis comentar o processo.</p>
<p style="color: #1e1e1e; text-align: justify;">O mais tradicional leilão de Zurita, realizado na bicentenária e cinematográfica fazenda São Pedro, em Araras, que aconteceu em novembro do ano passado, só contou com a transmissão do Canal Rural, do grupo J&amp;F, dono do frigorífico JBS, porque o pagamento foi feito antecipadamente, uma prática que não é usual no mercado. “Não tem nada disso”, afirmou Zurita. “A nossa relação com o Canal Rural era boa e, com a aquisição pela JBS, ficou melhor ainda.” Esse leilão rendeu à AgroZ R$ 9,2 milhões com a venda de 31 lotes: seis fêmeas por R$ 6,9 milhões e 25 prenhezes por R$ 2,2 milhões.</p>
<p style="color: #1e1e1e; text-align: justify;">O maior lance, de R$ 2,1 milhões, saiu para a vaca Elegance II Unimar. Ela foi adquirida por Jaime Pinheiro, Jonas Barcellos, Paulo Golin e Márcio Mesquita Serva, este último dono da Universidade de Marília. Zurita havia comprado essa fêmea justamente de Serva, em 2011, por quase R$ 3 milhões. O negócio chamou a atenção no setor porque não é comum um pecuarista recomprar um animal. “Quando um criador vende um animal é porque ele já tem reserva dessa genética”, diz um especialista da área. “Não tem motivo lógico alguém comprar um animal que já foi seu.”</p>
<p style="color: #1e1e1e; text-align: justify;"><strong>BRIGA NA JUSTIÇA</strong> Zurita enfrenta também problemas para pagar uma emissão de debêntures realizada pela AgroZ Agrícola Zurita S.A., coordenada pelo banco Pine, em dezembro de 2011. Debênture é um título de dívida, de médio e longo prazo, que confere a seu detentor um direito de crédito contra a companhia emissora. Na ocasião, Zurita captou R$ 102 milhões. Os pagamentos, que começaram em janeiro de 2012, estendem-se até o fim de 2016. Mas, em junho do ano passado, o empresário passou a ter dificuldades para honrar as parcelas. Ele conseguiu que os detentores de seus títulos, no caso os bancos Pine e BMG, o fundo Galpa e a Fundação Carlos Chagas (posteriormente substituída pela Erba Participações), prorrogassem as datas de vencimento.</p>
<p style="color: #1e1e1e; text-align: justify;">Em fevereiro deste ano, desembolsou R$ 22 milhões e quitou os pagamentos atrasados. Aqui, no entanto, começa uma intrincada história de processos e contraprocessos que chegou, em maio deste ano, a bloquear a matrícula de fazendas de Zurita que estavam dadas como garantia aos pagamentos das debêntures. A Fundação Carlos Chagas, além de deter debêntures da AgroZ, possuía também Cédulas de Crédito Bancário (CCB) que somavam R$ 85 milhões. Esses compromissos foram transferidos, no segundo semestre de 2013, para a Erba Participações, gestora de um fundo de investimento que, segundo pessoas próximas a Zurita, tem a Fundação Carlos Chagas como principal cotista.</p>
<p style="color: #1e1e1e; text-align: justify;">Acontece que a Fundação Carlos Chagas havia assinado um memorando de entendimento com Zurita para participar de três megaempreendimentos imobiliários em Araras. A contrapartida era a conversão de parte dessa dívida em participações nos negócios de Zurita. Mas, desde a transferência das debêntures e dos CCB para a Erba, a transação começou a fazer água. Não bastasse isso, a nova detentora das debêntures passou a ser uma pedra no sapato de Zurita. Em maio, a Erba conseguiu impugnar na Justiça, duas assembleias de debenturistas. As reuniões ocorreram em Araras, nos dias 1º e 17 de abril.</p>
<p style="color: #1e1e1e; text-align: justify;">Nelas, os bancos BMG e Pine e o fundo Galpa, que detém 73,96% dos títulos da dívida da AgroZ, concordavam em prorrogar pagamentos atrasados de março e abril e autorizavam a venda de fazendas dadas como garantia. Eles também concordavam em não decretar o vencimento antecipado das debêntures. Caso o fizessem, a AgroZ teria de usar as garantias para pagar os debenturistas. Seria um prejuízo de R$ 154 milhões, valor pelo qual diversas fazendas foram avaliadas. O juiz Antonio César Hildebrand e Silva, da 3ª Vara Cível de Araras, bloqueou ainda todos os bens dados como garantia.</p>
<p style="color: #1e1e1e; text-align: justify;">O escritório Lowenthal Advogados, que representava a Erba Participações, não retornou os pedidos de entrevista de DINHEIRO. Simultaneamente, Zurita contra-atacava processando a Fundação Carlos Chagas, que deveria, em sua visão, se tornar sócia de seus empreendimentos imobiliários. <strong>A paz entre Zurita e a Erba Participações foi finalmente selada na sexta-feira 16, em nova assembleia de debenturistas. Na reunião, um acordo prévio fez com que a Erba votasse em conjunto com todos os outros titulares dos títulos da dívida da AgroZ. DINHEIRO apurou que um plano de reestruturação da dívida seria aprovado.</strong></p>
<p style="color: #1e1e1e; text-align: justify;"><strong>Com isso, em um segundo movimento, Zurita abriria mão da conversão da dívida para o seu empreendimento imobiliário. </strong>Trata-se, agora, de uma questão de tempo para que os processos na Justiça deixem de existir. “Vou fazer a liquidação antecipada das debêntures”, afirma Zurita. “Vamos pegar um exemplo: se eu vender a fazenda Montevideo, isso vai me pagar seis meses de debêntures.” O acordo, acredita Zurita, lhe propiciará o oxigênio de que precisa para tocar seus projetos imobiliários em Araras. Um deles é a implantação de um loteamento residencial numa área de 20 alqueires da Fazenda Samanta e do Sítio Marginal.</p>
<p style="color: #1e1e1e; text-align: justify;">O outro, no centro da cidade, no antigo prédio da empresa Ibrasol, prevê a construção de um conjunto que envolve a incorporação e construção de torres comerciais, residenciais, hotéis e de um shopping center. Os dois projetos teriam um valor geral de vendas de R$ 450 milhões. Zurita entraria com os terrenos. A Cipasa, controlada pelo fundo HSI Investimentos, com quem Zurita diz já estar acertado, é uma das maiores companhias de desenvolvimento urbano do País e faria os investimentos necessários. Uma das dificuldades, segundo uma fonte, é que a Fazenda Samanta faz parte das propriedades dadas como garantia às debêntures.</p>
<p style="color: #1e1e1e; text-align: justify;">Nos planos de Zurita está também a vendas de ativos que ele considera não estratégicos para desalavancar sua atual posição de endividamento. É dessa forma que Zurita planeja sair das dificuldades atuais, que vêm comprometendo sua imagem de empreendedor vitorioso. O ex-presidente da Nestlé diz não se preocupar com isso e acrescenta que, em uma sondagem em Araras, seu nome apareceu como um dos favoritos a concorrer à prefeitura da cidade. “Aos que apostaram em mim, eu agradeço e aplaudo”, diz. “Aos que não apostaram, meus pêsames.” E conclui: “Existe um professor em Araras, o Paulo Gomes Barbosa, que falava em livro: “Só o tempo dirá.” Aos credores, a alternativa é esperar.</p>
<p style="color: #1e1e1e; text-align: justify;">&#8212;&#8211;<br />
<strong>“Nascemos honestos, não conquistamos a honestidade”</strong></p>
<p style="color: #1e1e1e; text-align: justify;">O dono da AgroZ fala sobre a crise de liquidez de seus negócios</p>
<p style="color: #1e1e1e; text-align: justify;"><strong>DINHEIRO – Há um quadro geral de inadimplência da Agro Zurita, que se manifesta em problemas bancários, trabalhistas e dívidas com fornecedores e prestadores de serviço. Por que o grupo está nessa situação?<br />
ZURITA – </strong>O que está acontecendo é que vocês estão mal informados. Estou surpreso por vocês fazerem uma matéria sobre a Agro Zurita. Se fosse a Nestlé, tudo bem. O que vocês falam de atraso não é verdade. Quanto aos funcionários e às ações contra nós, não tem uma empresa no Brasil que não tenha. São coisas corriqueiras. Temos muitas propriedades, um rígido controle sobre isso e não temos nenhum problema trabalhista, muito pelo contrário.</p>
<p style="color: #1e1e1e; text-align: justify;"><strong>DINHEIRO – O sr. está fazendo investimentos imobiliários em Araras?<br />
ZURITA –</strong> Já está tudo no papel. Tenho o espaço Samantha, uma área de 20 alqueires, dentro da cidade de Araras, para a construção de um loteamento residencial. Fiz um acordo com a Cipasa, a segunda maior companhia de loteamentos do País: entrei com o terreno e eles entram com o investimento, o projeto e a documentação. Além disso, vou construir um centro comercial, que chamo “Cidade Jardim” de Araras, que contará com hotéis, shopping, prédios comerciais e residenciais, sempre com parceiros me ajudando. Também terei outro centro comercial que ficará numa antiga fábrica que já foi do meu avô.</p>
<p><strong>DINHEIRO – Quanto será investido?<br />
ZURITA –</strong> O VGV do primeiro projeto está em R$ 190 milhões e o do segundo por volta de R$ 260 milhões.</p>
<p style="color: #1e1e1e; text-align: justify;"><strong>DINHEIRO – Já estão em andamento?<br />
ZURITA –</strong> O primeiro projeto já está pronto, esperando por uma diretriz da prefeitura, mas ainda não começaram as obras. O segundo é mais complicado, pois quem constrói hotel não constrói centro comercial. É um projeto para três ou quatro anos.</p>
<p style="color: #1e1e1e; text-align: justify;"><strong>DINHEIRO – O sr. enfrenta, pelo menos, 40 processos na Justiça. Há ações de R$ 1,2 mil até R$ 1 milhão, que é a do Banco Safra. O que aconteceu para justificar esse quadro?<br />
ZURITA – </strong>O endividamento da Agro Zurita não chega a 10% do patrimônio. Quase tudo já foi pago, como o débito do Banco Safra, mas ainda não teve baixa do juiz. Aqui todo mundo é sério, ninguém brinca em serviço. Passamos por essas dificuldades por causa dos momentos ruins da laranja, que impactaram nosso caixa em mais de US$ 20 milhões, fora mais US$ 10 milhões investidos para minimizar ainda mais o prejuízo. A inadimplência do gado também é uma realidade. Se vocês vivem no mesmo país que eu, vão entender. É a primeira vez que aconteceu um aperto de caixa no nosso negócio.</p>
<p style="color: #1e1e1e; text-align: justify;"><strong>DINHEIRO – Então houve mesmo um aperto de caixa?<br />
ZURITA – </strong>Hoje a situação já é outra. Tivemos um aperto de caixa por causa de todas essas condições. Há dois meses, estava complicado, mas a maior parte dos protestos foi limpa. Fizemos um redesenho do endividamento e, agora, um plano de antecipação de debêntures, mas isso é confidencial ainda. Vamos desinvestir em ativos que não fazem parte do nosso core business.</p>
<p style="color: #1e1e1e; text-align: justify;"><strong>DINHEIRO – Quanto será desinvestido?<br />
ZURITA – </strong>Apenas para pagar as debêntures, pois eu quero antecipar. São R$ 102 milhões de emissão e já paguei R$ 55 milhões, mas ainda faltam os juros. Não tem nada fora da realidade.</p>
<p style="color: #1e1e1e; text-align: justify;"><strong>DINHEIRO – Qual é o tamanho total da dívida?<br />
ZURITA –</strong> São R$ 78 milhões para uma receita de R$ 130 milhões, mas sempre temos um resultado de R$ 45 milhões anuais. O nosso patrimônio supera R$ 1 bilhão com fazendas, gado e bens em geral.</p>
<p style="color: #1e1e1e; text-align: justify;"><strong>DINHEIRO – O sr. vai vender ativos para diminuir o endividamento da AgroZ?<br />
ZURITA – </strong>Para a liquidação antecipada de debêntures, que só vencem em 2016. O patrimônio que a Agro Zurita tem, em comparação com a dívida, é muito grande. Então, não há condição de risco. A AgroZ gera R$ 50 milhões de caixa todo ano. O que ocorreu foi a trava que eu tive com as commodities. Agora, quero antecipar, porque o valor das debêntures não convém para mim. Ninguém está me obrigando a pagar e ninguém pode, pois estou adimplente.</p>
<p style="color: #1e1e1e; text-align: justify;"><strong>DINHEIRO – Relatórios da corretora Planner, que é o agente fiduciário das debêntures, questionam a antiga dívida de R$ 80 milhões com o Banco Schahin. É um caso antigo que volta e meia vem à tona.<br />
ZURITA – </strong>É um processo que rola há uns sete anos. Vamos ser bem claros: estamos discutindo uma diferença de juros que eles cobraram de um empréstimo que não estava em linha com a operação assinada. Entramos numa discussão e estamos até hoje. Agora, eles falam que a dívida é de R$ 80 milhões e eu falo que não é nada, pois tenho provas.<strong> Tenho até uma fazenda em Iguaí que dei como garantia nesse processo</strong>. Não tem nada a ver com o poderio da Agro Zurita e esses caras já foram condenados por fraude.</p>
<p style="color: #1e1e1e; text-align: justify;"><strong>DINHEIRO – Estivemos em Araras e ouvimos vários relatos de pessoas cujos créditos não teriam sido quitados pelo sr.<br />
ZURITA – </strong>Você poderia me dizer de onde saiu isso? Tudo sobre mim chama a atenção. Temos fornecedores históricos e nunca deixamos de pagar um prego. Não devo um centavo em Araras nem tenho operação bancária lá. Minha família aprendeu o seguinte: nascemos honestos, não conquistamos a honestidade. Temos nome respeitado na cidade e não somos ávidos por dinheiro. Para nós, riqueza é consequência. Geramos emprego aqui, cometemos alguns erros, mas o balanço na cidade é altamente positivo.</p>
<p style="color: #1e1e1e; text-align: justify;"><strong>DINHEIRO – Na cidade, alguns comerciantes não estão aceitando mais compras suas a crédito, apenas mediante pagamento antecipado.<br />
ZURITA – </strong>Se tiver algo defasado, será pago. Mas eu tenho crédito. Muita gente me liga, como o Credit Suisse, que me ofereceu US$ 13 milhões para reforçar o caixa. Ele só oferece porque sabe do meu patrimônio. Não aceitei, pois não preciso. Tenho muita gente que me deve também. Há uma pessoa conhecida no meio publicitário que tem de me pagar R$ 7,7 milhões. O meu problema foi o fluxo de caixa, que travou a companhia.</p>
<p style="color: #1e1e1e; text-align: justify;"><strong>DINHEIRO – Muitas pessoas disseram que o sr. tem dívidas com eles.<br />
ZURITA – </strong>Se alguma dessas pessoas que reclamaram ligasse para mim, eu não deixaria de atender. Não temos mais problemas, se tivermos é coisa mínima. Claro que não estamos oxigenados de caixa como eu gostaria, mas até o fim do mês estaremos nos conformes novamente.</p>
<p style="color: #1e1e1e; text-align: justify;"><strong>DINHEIRO – Uma cobrança pública de dívida divulgada com o auxílio de um violeiro pelo apresentador Ratinho, em seu programa do SBT, está sendo muito comentada. Os senhores eram sócios em algum negócio?<br />
ZURITA –</strong> Nunca fomos sócios e me chamou a atenção essa fala dele, porque, apesar de o Ratinho ser limitado, ele é uma boa pessoa. Sempre tivemos volumes importantes de compra e venda de gado entre nós. O ocorrido foi que ele comprou porcentagens de algumas vacas minhas e, depois, pediu para eu recomprar. Fiz isso, mesmo sem ser obrigado, e tivemos uma diferença para acertar o caso de uma vaca prenhez. Fizemos o acerto, mas precisávamos de um parecer do veterinário dele, que não veio. De repente, teve esse comentário na televisão. Liguei para o Guilherme Stoliar (presidente do SBT), pois fiquei sem entender.</p>
<p style="color: #1e1e1e; text-align: justify;"><strong>DINHEIRO – E o que ele disse?<br />
ZURITA –</strong> O Guilherme falou que conversou com o Ratinho. Ele misturou televisão com problemas particulares. E estamos falando de R$ 300 mil, que é uma bezerra de gado nobre. Poderíamos ter sentado e resolvido. Agora fiz uma proposta para pagar em gado e ele ainda está analisando para me responder. Sinceramente, foi uma surpresa.</p>
<p style="color: #1e1e1e; text-align: justify;"><strong>DINHEIRO – O sr. está processando o Ratinho? Ele entrou com um processo contra o sr.?<br />
ZURITA – </strong>Não vou e não sei se ele está me processando. Não chegou nenhuma notificação para mim.</p>
<p style="color: #1e1e1e; text-align: justify;">&#8230;</p>
<p style="color: #1e1e1e; text-align: justify;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Por Terra</strong></em></span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Campeão mundial, baiano é esperança de medalhas para a canoagem nacional para o Rio 2016</title>
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		<pubDate>Sat, 10 May 2014 12:44:08 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Bahia]]></category>
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		<description><![CDATA[O remador baiano Isaquias Queiroz, de 20 anos, conquistou três medalhas durante a primeira etapa da Copa do Mundo de Canoagem de Velocidade, disputada em Milão, na Itália: uma de ouro, na categoria C1 500 (da qual é o atual campeão mundial), uma da prata na C1 1000 (a prova que disputará nas Olimpíadas do Rio [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>O remador baiano Isaquias Queiroz, de 20 anos, conquistou três medalhas durante a primeira etapa da Copa do Mundo de Canoagem de Velocidade, disputada em Milão, na Itália: uma de ouro, na categoria C1 500 (da qual é o atual campeão mundial), uma da prata na C1 1000 (a prova que disputará nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016) e uma de bronze na C1 5000. Em entrevista ao Bahia Notícias, o ubaitabense fala de sua rotina de treinamentos longe de casa, em São Paulo, da expectativa para os Jogos Olímpicos e sua preparação para o Mundial da categoria, que será disputado em agosto, na Rússia.</em><span id="more-33550"></span></p>
<div id="attachment_33552" style="width: 310px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/05/Isaquias-Queiroz1.jpg"><img class="size-medium wp-image-33552" src="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/05/Isaquias-Queiroz1-300x221.jpg" alt="Isaquias Queiroz (Foto: Divulgação)" width="300" height="221" /></a><p class="wp-caption-text">Isaquias Queiroz (Foto: Divulgação)</p></div>
<p>Bahia Notícias: Como foi o início na canoagem?</p>
<p><strong>Isaquias Queiroz: </strong>Meu início foi em 2005. Foi um projeto que teve a participação do governo da Bahia com o ministério do esporte em todo o Brasil. Comecei a praticar quando tinha 11 anos, na associação cacaueira de canoagem, em Ubaitaba, e aí hoje estou na canoagem.</p>
<p><strong>BN: Como são os treinamentos?</strong></p>
<p><strong>IQ: </strong>Treino de segunda a sábado, e descanso terça, quinta e sábado à tarde e o domingo todo. A gente treina de manhã, que tem um treinamento específico para cada campeonato, até mesmo por conta da temporada. Ela começa devagar e vai subindo o ritmo até chegar o Mundial para que a gente esteja com o nível de competição bem alto, então a gente já vai se preparando. A gente tem treina na água, faz corrida, academia também, basicamente essas três coisas: rema, corre e faz academia. Todo o dia tem que remar.</p>
<p><strong>BN: Onde você treina?</strong></p>
<p><strong>IQ:</strong> Hoje eu treino na USP, em São Paulo. Eu saí de Ubaitaba em 2010, quando fui treinar com a seleção brasileira em São Vicente, na Baixada Santista. No meio de 2010 eu me mudei para o Rio de Janeiro, junto com a seleção. Fiquei lá mais dois anos, até 2012, e depois voltei pra São Paulo, e estou até hoje aqui. Acho que nós vamos nos mudar de novo, ainda não sei para onde, para um lugar só para a gente da canoa, visando 2016. No começo foi ruim mudar, porque tive que deixar minha família, amigos, tudo o que eu tinha, pra correr atrás do meu sonho. Acho que qualquer atleta que tem que largar tudo é um pouco difícil, mas depois acaba se acostumando. Hoje mesmo eu já estou acostumado a ficar longe de casa, e pra mim é normal já.</p>
<p><strong>BN: Como é a sua estrutura?</strong></p>
<p><strong>IQ:</strong> Hoje eu moro com mais cinco atletas, quatro brasileiros e um espanhol, o David Cal, ele tem cinco medalhas em Olimpíadas e dez em Mundiais. A gente mora em um apartamento que só a gente mora, tomamos café em casa mesmo, almoçamos e jantamos em um hotel, e treinamos sempre nas raias de competição. Só vamos em casa pra dormir, e como passamos a maior parte do tempo fazendo os treinamentos, ficamos muito cansados.</p>
<p><strong>BN: Você ganha uma bolsa do governo para se manter?</strong></p>
<p><strong>IQ: </strong>Os atletas hoje em dia tem o apoio do ministério do esporte. Hoje eu consegui entrar no projeto do Bolsa Pódio, que dá um valor pelos resultados no mundial. Temos também um auxílio do BNDES, que é o banco nacional do desenvolvimento, que é o patrocinador oficial da canoagem brasileira, e aí eles sempre estão ligados com a gente, eles analisam o resultado de cada um, da dedicação.</p>
<p><strong>BN: E se surgir um patrocínio, como é que funciona?</strong></p>
<p><strong>IQ: </strong>Se surgir algum patrocínio a gente conversa com o representante, e aí a gente vai ver valores ou que ele pode proporcionar pra mim. Aí caso a gente entre em acordo, eu posso levar a marca do patrocinador no barco, no remo ou a roupa das competições. Eu ainda não tive contato com nenhuma empresa, tenho só o do BNDES, que é da federação, e do ministério do esporte.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>BN: Como são as competições que você disputa?</strong></p>
<p><strong>IQ: </strong>Esse ano eu participei dos Jogos Sul-Americanos, que foi no Chile, depois eu participei do Campeonato Sul-Americano de Canoagem, depois eu fui para a Copa do Mundo, e agora eu vou treinar para o Mundial e o Brasileiro. Então nós escolhemos as competições mais importantes, que é a Copa do Mundo e o Mundial. A Copa do Mundo tem três etapas, uma em cada país. A que eu participei agora foi na Itália, depois vai ser na República Checa e a última vai ser na Turquia. Participo de uma pra ver o ritmo, como é que está a preparação dos outros atletas, e depois de competir, poder voltar e consertar alguns erros, se é que teve um erro pra poder melhorar por Mundial, que vai acontecer em agosto, em Moscou, na Rússia.</p>
<p><strong>BN: Como foi a etapa da Copa do Mundo deste fim de semana?</strong></p>
<p><strong>IQ: </strong>Ganhei uma prata no C1 1000, um ouro no C1 500 e um bronze no C1 5000. A prova do C1 1000 é a prova olímpica, onde eu tenho que buscar resultado, e eu ganhei a medalha de prata. Já o C1 500 é uma prova que não é olímpica, mas não deixa de ser uma medalha importante, assim como o C1 5000. A gente treinou a prova do C1 1000, mas assim como todos os atletas ainda estamos em início de temporada porque a gente se prepara para o Mundial. A gente foi com a cabeça focada, já com o que tinha do treinamento, pra ganhar medalha lá. Acabei ficando em segundo lugar, atrás do campeão olímpico de 2012, e eu cheguei bem perto e fiz uma final disputada ali. A Copa do Mundo foi bastante pegada, e os mil metros foi uma boa prova. No C1 500, como eu já era o campeão do ano passado, só fiz manter o meu título.</p>
<p><strong>BN: Você faz alguma preparação específica para melhorar no C1 1000?</strong></p>
<p><strong>IQ: </strong>Os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro tão bem longe, né? Então o nosso foco, e o de qualquer outro atleta no esporte, é 2015, porque é quando acontece a classificatória para todos os esportes. Caso você não classifique em 2015, então não vai disputar em 2016, mas no meu caso eu já tenho a vaga garantida por ser no Brasil. Temos uma vaga para o C1 1000, então eu estou quase convocado para 2016, mas até lá vai ter o treinamento, não sei como é que vai ser caso eu me lesione, mas eu estou focado para 2016.</p>
<p><strong>BN: Você só disputa provas individuais ou já tentou com duas ou quatro pessoas?</strong></p>
<p><strong>IQ</strong>: Sim, eu já tentei remar na C2, que é com cada remo de um lado, com um parceiro meu, que também é baiano de Itacaré. Remamos no brasileiro, sul-americano, ficamos em sétimo no mundial júnior. Mas depois de 2012 eu comecei a focar só no C1, que é individual, e onde eu já tenho toda a minha prova.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>BN: Você pensa em fazer um projeto para incentivar a prática da canoagem?</strong></p>
<p><strong>IQ: </strong>Quando eu fui na Bahia depois do mundial no ano passado, eu conversei com o Zé Carlos [vereador de Ubaitaba que apoia o esporte] e Jefferson Lacerda, que é um dos pioneiros da canoagem de Ubaitaba, e a gente pensou em ir nas escolas para a gente chamar os alunos para a canoagem. Hoje o esporte está crescendo em número de alunos, graças também aos meus resultados, as pessoas tão vendo que eu saí de família humilde e consegui grandes resultados. Isso acaba influenciando as crianças, eu acho que tem tudo pra sair um novo Isaquias de Ubaitaba. Daqui a alguns anos vão aparecer mais atletas. Eu já conversei com o pessoal pra tentar obter o apoio do governo pra gente conseguir melhorar a canoagem, porque no Brasil a gente olha muito o futebol, mas se olhar mais para os outros esportes, eles vão acabar crescendo mais ainda.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Por Luiz Fernando Teixeira / Bahia Notícias</strong></em></span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Léo Santana fala de CD/DVD, comenta relação com gays e episódio em que sensualizou com Léo Kret</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Apr 2014 01:05:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Editor]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

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		<description><![CDATA[O cantor Léo Santana partiu para carreira solo após seis anos à frente do Parangolé. Primeiro cantor de pagode a se arriscar pela estrada solo, Léo concedeu entrevista ao Bahia Notícias e explicou detalhadamente o que aconteceu da ideia até o dia em que anunciou sua vontade aos empresários da Salvador Produções. Descontraído, o cantor [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>O cantor Léo Santana partiu para carreira solo após seis anos à frente do Parangolé. Primeiro cantor de pagode a se arriscar pela estrada solo, Léo concedeu entrevista ao Bahia Notícias e explicou detalhadamente o que aconteceu da ideia até o dia em que anunciou sua vontade aos empresários da Salvador Produções<span id="more-32668"></span>. Descontraído, o cantor falou sobre o recente episódio em que Léo Kret rasgou sua roupa no palco, se disse muito mais tranquilo com relação à mulherada e deu detalhes do CD e DVD que serão gravados em maio e agosto, respectivamente. Não deixe de conferir a entrevista com o fenômeno Léo Santana!</em></p>
<div id="attachment_32669" style="width: 310px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/04/Leo-Santana.jpg"><img class="size-medium wp-image-32669" alt="Léo Santana (Fotos: Cláudia Cardozo)" src="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/04/Leo-Santana-300x200.jpg" width="300" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">Léo Santana (Fotos: Cláudia Cardozo)</p></div>
<p style="text-align: justify;"><strong>Bahia Notícias: Antes de falar de carreira solo, quero saber se aquele lance com Léo Kret no Armazém Vilas foi só uma ficada ou a coisa vai ficar séria?<br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Léo Santana:</strong> (risos). Foi uma brincadeira da parte dela. Ela rasgou minha camisa no palco. Na maioria das vezes que faço show ali ela vai nos prestigiar. Todas as vezes ela sobe no palco e dessa vez não foi diferente. Eu faço um pout pourri com músicas do Tchan e outras bandas consagradas do nosso pagode, e ela subiu no palco com uma prima, que também é gay. Elas fizeram as gracinhas e brincadeiras, e daí Léo veio pra cima de mim e levantou minha camisa. Aí começou a fazer rimas me envolvendo com ela e com o público e disse que se a galera gritasse ela me deixaria pelado. Ela meteu o dente na gola e rasgou a camisa. Eu levei como brincadeira, até porque foi muito espontâneo e não foi nada demais.</p>
<p><strong>BN: Casa cheia&#8230;<br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>LS:</strong> Lotado. Teve até confusão pra entrar. Eu peço desculpas, pois não deu pra todo mundo. Mas acho que em maio faremos outra edição lá. Eu nunca tinha visto o Armazém daquela forma. Os sócios disseram que há tempos a casa não recebia tanta gente assim, mesmo com diversas atrações nacionais. Nesse dia tocamos eu e Estakazero. Uma dupla que ajudou bastante, o nome “Primeiro forró do ano” e a data também ajudaram. Então, o conjunto da obra foi muito legal.</p>
<p><strong>BN: Fala um pouco do primeiro show em carreira solo que você fez em Salvador.<br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>LS:</strong> Foi dia 28 de maço, em Cajazeiras. Foi muito legal. Nesse primeiro show fizemos uns 70% só de inéditas.</p>
<p><strong>BN: Grande risco.<br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>LS:</strong> Sim, sim. Mas eu precisava mostrar isso, porque muita gente estava achando que eu ia continuar tocando as músicas do Parangolé, e não é isso.</p>
<p><strong>BN: Mas você não toca?<br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>LS:</strong> Sim. Fizemos um pout pourri de alguns sucessos em um arranjo, até pra homenagear o que eu fiz na banda. Mas a recepção da galera com as músicas foi muito boa. Todo mundo da banda estava apreensivo e tal. A gente tocou e parecia que a música já estava rolando há anos. Claro que a maioria não sabia a letra. Mas as músicas são tão alegres que a galera fica bem pra cima, um fervor. Tudo na paz, sem uma confusão. A galera foi pra se divertir, de fato. Bateu o recorde de público durante o Festival da Cidade inteiro.</p>
<p><strong>BN: O Festival da Cidade teve atrações em vários pontos de Salvador. Foi uma escolha de vocês ou do Festival esse show em Cajazeiras?<br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>LS:</strong> Não, foi da prefeitura. Eu acho que Deus sabe o momento e o lugar certo. E foi maravilhoso quando falaram em nos colocar lá. Sendo bem sincero, esse é o público que consome nosso trabalho, a massa, o povão que paga os ingressos. A maioria dos eventos considerados ‘top’, rola muito ‘boca de me dê’, a galera que pede cortesias (risos). Festa pra massa a galera compra, bota no cartão, vai te prestigiar e curtir. Em Cajazeiras eu sei que tem a galera que gosta da gente, que compra nosso CD, mesmo que seja pirata, mas acompanha nosso trabalho. Claro que se fosse em outro lugar da cidade eu também ficaria muito feliz.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>BN: Qual a diferença de se apresentar em um evento popular como o Salvador Fest e em festas mais sofisticadas como, por exemplo, um Léo Santana Prime?<br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>LS:</strong> Tem bastante diferença, tanto de público como de repertório, que tem que se adequar. Na verdade, tem diferença também de show em Salvador para show em outro estado. Aqui é mais pra sacudir, ferver. No sul e sudeste a gente coloca sertanejo, funk. Coloca o que tá bombando lá pra agradar ao público que tá recebendo a gente. Acho que por isso que nosso show vende tanto, porque gosto de agradar todo mundo, e em nosso show tem público de todo gênero.</p>
<p><strong>BN: Quantos anos de Parangolé?<br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>LS:</strong> Foram seis anos liderando a banda.</p>
<p><strong>BN: O que é que mudou de lá pra cá, de quando você saiu da Boa Vista do Lobato?<br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>LS:</strong> A pessoa não mudou nada. Mudou status, conquistas, ganhos. Mas como pessoa tenho certeza que não mudei, até porque minha índole familiar é muito centrada. Minha mãe e eu não nos iludimos com nada. É claro que todo trabalho tem suas conquistas e você se sente feliz.</p>
<p><strong>BN: Você volta sempre ao seu antigo bairro?<br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>LS: </strong>Nossa senhora, volto sempre. A recepção é a mesma de quando eu era aquele moleque que ficava na porta de casa com o cavaquinho. E o bom é que todo mundo lá, além de me ver como artista, eles me respeitam como pessoa que saiu de lá. Não tem aquele lance de ter receio de falar comigo porque sou artista. Antes de tudo somos amigos. Eu me sinto muito bem lá. Pra você ter ideia, tiro 22 dias de férias após o Carnaval. Todos os anos eu passos as férias no exterior. Esse ano fui pra passar 22 dias e só fiquei uma semana. Claro que eu tinha que resolver coisas da carreira solo aqui, mas aproveitei pra ficar o tempo todo, duas semanas lá na comunidade. Me diverti, tomei uma gelada, fiz churrasco com os amigos.</p>
<p><strong>BN: E artisticamente, o que mudou de lá pra cá?<br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>LS:</strong> Estou muito mais maduro, profissional e focado pra caramba. Antes eu levava isso como uma diversão e não como profissional. Era mais aquela coisa de fazer shows pra pegar a mulherada, que facilitava pra caramba (risos). Eu até fiz algumas besteiras em termos de mulher e tal. Só saía nota dizendo que Léo Santana pegou uma, pegou outra. Eu não me preocupava tanto como hoje. Chegou o momento que eu vi que eu estava extravasando demais. Quando eu fui crescendo no Parangolé e me envolvendo no cenário musical e vi o que realmente eu queria. A cabeça vem mudando, as pessoas que você conhece também te ajudam. Hoje estou muito mais focado, 100%.</p>
<p><strong>BN: Então o foco tá dando resultado?<br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>LS: </strong>Se você perceber nunca mais saiu nota dizendo que eu fiquei com uma OU outra.</p>
<p><strong>BN: A última foi a americana.<br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>LS:</strong> É, que foi minha namorada e eu assumi.</p>
<p><strong>BN: E agora uma ficada com Léo Kret&#8230;<br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>LS:</strong> (risos) Lá ele, tô fora. Ali é minha amiga das antigas. Eu cantava na Pegada de Gueto e ela era do Saiddy Bamba, que eram do mesmo empresário. Então, todo show que uma banda tocava tinha a outra, e acabamos ficando amigos. Graças a Deus eu tenho um público gay muito grande e tenho um carinho enorme por eles. Trato todos bem, com respeito. É um carinho sincero e um público muito fiel.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>BN: Você disse que hoje pensa muito mais antes de fazer as coisas. Mas há algo que você se arrepende de ter feito?<br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>LS: </strong>Não, graças a Deus. Eu me sinto realizado em tudo. Só de ter chegado aqui aos 25 anos, com 7 anos de estrada como profissional, e ser o primeiro cantor de pagode em carreira solo já é bastante coisa. Eu sempre entrego tudo nas mãos de Deus. Claro que talento ele nos envia, mas a gente tem que saber aproveitar. Graças a Ele vem acontecendo tudo naturalmente e de forma positiva. Quando se fala em carreira solo se pensa em briga com empresário, mas não houve isso.</p>
<p><strong>BN: Até porque você continua com a mesma produtora e os mesmo empresários.<br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>LS: </strong>Isso, a mesma produtora, a mesma banda.</p>
<p><strong>BN: Mas como foi a receptividade de seus empresários Marcelo Brito e Wilsinho Kraychete quando você chegou no escritório e disse que queria seguir em carreira solo?<br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>LS: </strong>Eu fiquei muito tempo guardando isso pra mim. Só tinha comentado com um amigo, que achou massa, mas me disse que seria complicado. Mas não tive dúvidas em momento nenhum. Decidi que queria seguir carreira solo, mas precisava saber se eles estariam comigo. Eu ficava me perguntando e isso tirava meu sono, porque sou taurino e muito ansioso. Passou um ano eu com essa ideia na cabeça. Marcelo é dono da marca Parangolé, e eu sempre me questionava se ele seria pelo artista ou pela marca dele, até porque eu era contratado, funcionário. Mas eu cheguei pra Marcelo e disse. Ele não pensou duas vezes e disse que estava comigo. Ele só pediu pra irmos com calma, montar uma logística, uma estratégia de marketing e tal.</p>
<p><strong>BN: Até porque a engenharia empresarial e financeira muda com isso.<br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>LS:</strong> Total.</p>
<p><strong>BN: E eles aceitaram isso tranquilamente?<br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>LS:</strong> Eles foram sinceros e disseram que poderia haver mudança de contratantes e tal. Uns iriam apoiar, outros iriam estranhar. Mas muitos contratantes já tinha percebido que o nome Léo Santana estava mais forte que o Parangolé, e daí surgiu também a vontade da carreira solo.</p>
<div style="text-align: justify;"><strong>BN: Então, financeiramente foi melhor pra você?<br />
</strong></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"><strong>LS:</strong> Também, também. Mas o primordial foi o crescimento de meu nome. Mudamos pra Léo Santana &amp; Parangolé e agora viemos com a carreira solo.</p>
<p><strong>BN: Como vai ser o nome do CD?<br />
</strong></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"><strong>LS: </strong>A banda é #EstiloLS, mas a turnê e o CD se chamam “Uma nova história”.</p>
<p><strong>BN: Você já usa o #EstiloLS há algum tempo. Mas, a partir de agora o que realmente muda no estilo musical?<br />
</strong></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"><strong>LS:</strong> Tá mais ousado.</p>
<p><strong>BN: Em que sentido?<br />
</strong></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"><strong>LS:</strong> Em misturar ritmos, gêneros, em não ter tanto medo no que vão achar de nosso som. Há tempos eu venho mostrando que quero ser um pouco diferente do que rola no pagode baiano. A minha raiz é o pagodão, mas um pagode diferente, limpo. Eu nasci pra fazer pagodão, mas de forma ousada, misturando funk, samba, sertanejo. A música “Me Domina” é um zouk. Depois lancei “Sossego”, que é um samba-reggae com participação de Saulo. Então, vou ter sempre essa ousadia. Essa nova música “Fenômeno” é uma mistura de ritmos com distorção de guitarra, riff meio de rock&#8217;n&#8217;roll, tem groove de bateria que é meio hip hop. Eu gosto disso porque eu quero música para o Brasil e não só regional.</p>
<p><strong>BN: Mas não é essa nossa raiz que a galera de fora busca?<br />
</strong></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"><strong>LS:</strong> Também, mas como eu falei a gente tem pagodão sempre. Um pagodão misturado com outros gêneros.</p>
<p><strong>BN: Você sofre preconceito por causa do estilo musical?<br />
LS:</strong> Em alguns lugares.</p>
<p><strong>BN: O Troféu Dodô &amp; Osmar vem prestigiando o pagode desde 2008 com Toda Boa, Rebolation e Liga da Justiça. Você percebe que há uma aceitação maior do pagode? Como você percebe a aceitação do gênero do pagode e do termo pagodeiro desde que você começou?<br />
</strong></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"><strong>LS: </strong>O pagode em si, em alguns lugares, infelizmente ainda é discriminado, não é bem aceito. Isso tem relação com outros gêneros que são mais fortes e ricos que o nosso. O sertanejo já nasce rico (risco). Você tem uma dupla que ninguém nunca viu na vida com shows de R$ 50 mil a R$ 60 mil. A maioria dessa galera do sertanejo já vem de família de classe econômica legal. No pagodão, a maioria vem de gueto, de favela. É uma galera que tem vontade de crescer na vida e luta.</p>
<p><strong>BN: Mas no Carnaval de Salvador ainda tinha o lance do predomínio do axé&#8230;<br />
</strong></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"><strong>LS:</strong> Sim, sim. E tem esse lance de troféu que eu não concordo. Não existe você diferenciar cantor de pagode e cantor de axé, melhor banda de pagode e melhor banda de axé. É banda, é de Salvador. Tudo uma coisa só, não existe gênero. Não é bem um preconceito, mas penso que isso é uma rejeição.</p>
<p><strong>BN: Mas também tem o sertanejo participando fortemente do Carnaval de Salvador. Como ficaria nesse caso?<br />
</strong></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"><strong>LS: </strong>Aí já é um gênero totalmente diferente. Quando falamos pagodão ninguém diferencia lá fora. Só aqui. Em outros lugares é tudo axé. Então, em Salvador, vão sempre dizer que é diferente. São batidas diferentes, mas com mesmo elementos percussivos. Mas na premiação não deveria ter nenhuma diferenciação. E outra coisa, Léo Santana é do pagodão de verdade. Não tenho nenhum problema se me chamarem de pagodeiro. Só me incomodava quando me chamavam de “Rebolation” (risos).</p>
<p><strong>BN: Fala um pouco mais do CD. Já está confirmada a participação de Claudia Leitte?<br />
</strong></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"><strong>LS:</strong> Estamos decidindo se a participação dela vai ser no CD ou DVD. Eu acho bem melhor no DVD, pois a imagem com o canto vende muito mais. Eu mandei duas músicas e ela elogiou e escolheu uma, que fala de amizade e tal. O CD só vai ter inéditas e a gente grava e lança em maio.</p>
<p><strong>BN: E o DVD?<br />
</strong></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"><strong>LS:</strong> A gente vai gravar em agosto, após a copa.</p>
<p><strong>BN: Aqui em Salvador?<br />
</strong></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"><strong>LS: </strong>Rapaz, a gente está querendo gravar em Recife, que é uma praça que nos consome muito. Eu consigo lotar uma casa lá sozinho. A gente pretende gravar lá, até porque todos os outros foram aqui. Mas ainda estamos confirmando isso.</p>
<p><strong>BN: Quais são as outras participações do CD?<br />
</strong></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"><strong>LS: </strong>Já confirmamos com Alexandre Carlo, do Natiruts. É um reggae roots, meio a cara de Saulo, e que tem muito a ver com o que ele faz. Eu só pensei na participação dele ou de Saulo, mas como Saulo já gravou “Sossego” comigo eu resolvi tentar Alexandre. Eu liguei pra ele e ele adorou. Wesley Safadão, do Garota Safada, também vai participar com a música “Traição trocada não dói”, E “Fenômeno” com participação de Anselmo Ralph, que é angolano.</p>
<p><strong>BN: Você citou a mistura de ritmos. Quais suas influências que fogem do que a gente vê na música baiana?</strong></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"><strong>LS: </strong>Eu escuto muita coisa. Gosto de hip hop, black music, etc. Tem Ne-yo, Usher, Chris Brown, Rihanna. Gosto também de gospel, a exemplo de Jason Nelson, Fred Hammond. Enfim, tem coisas de solo de teclado, de guitarra que eu trago pra o pagodão. Eu também trago muita coisa da dança, do break. Meus dançarinos olham muito isso, o Zig e o Zag, que são professores de hip hop e são do Ninjas Dance. Então, isso se encaixa perfeitamente com o que eu gosto e com o que eu quero. É claro que algumas pessoas não se identificam e tal. Mas chega um formador de opinião ou alguém que entende da coisa e diz: “Caramba, o moleque é ousado” (risos).</p>
<p><strong>BN: Como foi para você a escolha de Tonny Salles pra te substituir no Parangolé?<br />
</strong></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"><strong>LS:</strong> Tonny é meu amigo. Cogitaram vários outros cantores. Marcelo Brito me perguntou o que eu achava deles e eu dei minha opinião como público, e não com artista que estava deixando aquela marca.</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"><strong>BN: Então, você participou desse processo de escolha.<br />
</strong></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"><strong>LS:</strong> Mais ou menos. Eu apenas dei minha opinião. Não escolhi ninguém. Eu disse assim: “se for olhar por tais quesitos Tonny é melhor. Se for olha por aqui, tal pessoa é melhor”. Mas eles que eram empresários e iam investir, é quem tinha que escolher. E eles ficavam me apertando, tipo, para eu escolher (risos). Mas nada melhor do que a pessoa que eles escolheram, já que Tonny tem uma grande bagagem de pagodão e do cenário musical em si.</p>
<p><strong>BN: Você pretendem manter uma parceria, já que pertencem à mesma produtora?<br />
</strong></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"><strong>LS: </strong>Sim, sim. São outros músicos, mas a amizade continua.</p>
<p><strong>BN: Tem previsão de você participar de algo deles ou Tonny participar de seu CD ou DVD?<br />
</strong></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"><strong>LS:</strong> A gente ainda não pensou nisso. Mas sei que vamos fazer muitos shows juntos e vai ser bacana pra caramba. Tenho certeza que Tonny vai dar seguimento ao que eu estava fazendo, pois ele é um artista do caramba e todo mundo sabe disso. Ele canta bem, interpreta e dança muito bem. Tem um futuro brilhante na banda.</p>
<p><strong>BN: O que você já pode adiantar com relação a outros projetos pra esse ano?<br />
</strong></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"><strong>LS:</strong> Tem nossos ensaios, que já são tradição. A gente ainda não sabe se vai ser no Wet’n Wild ou não. Temos a agenda, que já tá bem. Para gente isso é o que mais importa, pois é o que paga as contas (risos). A gente fechou abril com nove shows. Para o pós-carnaval está ótimo. Geralmente esse período é mais complicado. E em carreira solo tá bom esse média.</p>
<p><strong>BN: E o cachê permaneceu, aumentou?<br />
</strong></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"><strong>LS:</strong> (risos) Permaneceu. Mas vai melhorar, com fé em Deus. Em maio, a agenda volta ao normal com a média de 13 a 14 shows por mês no Brasil todo.</p>
<p><strong>BN: Novidades para o Carnaval?<br />
</strong></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"><strong>LS:</strong> Creio que já esteja fechado com As Muquiranas para o ano que vem. Não tô confirmando, mas falo pelo que ouvi dos foliões e sócios no dia em que me apresentei. Tomara que feche, pois é um bloco fantástico. Há a possibilidade de sairmos com meu bloco “Estilo LS” na Barra. Estamos correndo atrás disso com a prefeitura e os outros órgãos. No primeiro ano será somente um dia. Tem o Papa, que fizemos esse ano e creio que faremos no ano que vem. Mas lá para o segundo semestre que eu já terei essas respostas e volto aqui pra dar outra entrevista (risos).</p>
<p><strong>BN: Se você perceber o axé dos anos 90, os cantores eram todos brancos. Você tem a música “Sou eu negro lindo”, que tem esse lance de exaltação. Você acha que esse cenário tá mudando pelo fato de os novos protagonistas da música baiana serem negros?<br />
</strong></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"><strong>LS:</strong> Isso vem acontecendo. Mas a gente já tinha Tonho Matéria, Pierre, no Olodum.</p>
<p><strong>BN: Mas eles acabam sempre voltando para escanteio.<br />
</strong></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"><strong>LS:</strong> Eu nunca sofri preconceito, graças a Deus. Como você disse, a primeira geração do axé era de brancos. E chegou essa nova geração, que eu me incluo, com Magary, Márcio Victor, Xanddy, que é misturado (risos). Mas eu penso que ser protagonista é mais talento e oportunidade, seja pra negros ou brancos. Magary, por exemplo, foi ousado em apostar no semba. Fazer isso foi uma novidade, uma ousadia, e com isso ele se destacou.</p>
<p><strong>BN: Para finalizar, no Troféu Dodô &amp; Osmar o cantor Saulo mandou um recado para a galera do novo axé. Ele disse fazer parte do velho axé e pediu pra que quem se acha do novo axé não deixar que os empresários digam o que eles devem cantar. Paralelo a isso, Márcio Victor, do Psirico, falou certa vez que faz parte do neo pagode. E você, aonde se encaixa?<br />
</strong></div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;"><strong>LS:</strong> Comparando a essa galera que já tem trajetória grande, eu faço parte do novo pagode. Mas sempre tive liberdade para cantar o que eu queria. Eu me sinto um novo do pagode, tenho apenas sete anos de estrada e um mês de carreira solo. Musicalmente não há muita diferenciação entre o novo e o velho pagode. Mas um dia eu pretendo ser o velho, o experiente do pagode (risos).</div>
<div></div>
<div>&#8230;</div>
<div></div>
<div><span style="color: #800000;"><em><strong>Por Rafael Albuquerque e Lucas Cunha/Bahia Notícias</strong></em></span></div>
]]></content:encoded>
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		<title>Entrevista: Pedro Chequer</title>
		<link>https://www.iguaimix.com/v2/2014/03/18/entrevista-pedro-chequer/</link>
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		<pubDate>Wed, 19 Mar 2014 00:09:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Editor]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

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		<description><![CDATA[Desde que se formou em medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e decidiu prestar atendimento às populações do interior da Amazônia, o iguaiense Pedro Chequer dedica sua vida profissional à saúde pública. Hoje, prestes a completar 63 anos no próximo dia 15 de abril, ele é uma das mais respeitadas autoridades quando [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em><span style="font-size: small;">Desde que se formou em medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e decidiu prestar atendimento às populações do interior da Amazônia, o iguaiense Pedro Chequer dedica sua vida profissional à saúde pública. <span id="more-30719"></span>Hoje, prestes a completar 63 anos no próximo dia 15 de abril, ele é uma das mais respeitadas autoridades quando o assunto é Aids – doença que acomete cerca de 657 mil brasileiros, segundo o Ministério da Saúde (apuração de junho de 2012). Chequer já esteve na linha de frente do programa do governo federal de resposta à epidemia no país. Em 2000, foi trabalhar na Unaids (Programa conjunto da Organização das Nações Unidas [ONU] sobre HIV/Aids) focado na prevenção da doença e no atendimento aos portadores do vírus HIV. Pela Unaids, além de coordenar programas no Brasil, já passou por Argentina, Rússia, Moçambique e Panamá.</span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><span style="font-size: small;">Nesta entrevista exclusiva concedida à revista <b>Problemas Brasileiros</b>, Chequer faz uma análise sobre as políticas públicas do país de prevenção e tratamento à Aids. Para 2014, sabe-se, o orçamento do governo federal para a área da saúde deverá atingir R$ 106 bilhões. Pós-graduado em epidemiologia pela Universidade de Berkeley (Califórnia, Estados Unidos), Chequer defende a quebra de patentes de mais fármacos para ampliar o acesso ao coquetel utilizado no combate à doença. “Hoje, o tratamento é uma verdadeira vacina para evitar a transmissão da Aids porque o indivíduo que segue a rigor a prescrição terapêutica reduz em até 96% a chance de transmitir a moléstia”, afirma o médico.</span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><em><span style="font-size: small;">Outra preocupação de Chequer é a ascensão de fundamentalistas cristãos no Congresso Nacional, que, em sua avaliação, atrapalham as políticas públicas de prevenção da doença, sobretudo entre as populações mais vulneráveis à Aids, como homossexuais e profissionais do sexo.</span></em></p>
<section id="artigo_texto">
<div id="attachment_30720" style="width: 310px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/03/Pedro-Chequer.jpg"><img class="size-medium wp-image-30720" alt="Pedro Chequer (Foto: Alan Marques/Folhapress)" src="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/03/Pedro-Chequer-300x168.jpg" width="300" height="168" /></a><p class="wp-caption-text">Pedro Chequer (Foto: Alan Marques/Folhapress)</p></div>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><b>Problemas Brasileiros</b> – <i>O programa de resposta à Aids no Brasil é respeitado internacionalmente. Estima-se que em torno de 657 mil pessoas sejam portadoras de HIV no país, mas apenas 313 mil têm acesso a tratamento médico. Como mudar esse quadro?</i><br />
<b></b></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><b>Pedro Chequer</b> – Em 1996, o Brasil foi pioneiro na discussão dos países em desenvolvimento para prover acesso a antirretrovirais. A partir dali, estabeleceu-se uma política pública que deixou de ser de governo e passou a ser de Estado porque ela nunca foi interrompida, sendo mantida mesmo nos períodos de dificuldade financeira. O primeiro ponto a considerar é a questão das iniquidades regionais. O país tem grandes diferenças de cobertura e de acesso ao tratamento e ao diagnóstico. Com base nos dados do Ministério da Saúde, sabemos que a adversidade se faz mais presente nas regiões Norte e Nordeste. Na região Norte há uma carência muito grande de diagnóstico, principalmente na zona rural. O tratamento acontece nas grandes cidades e a população do interior fica desguarnecida. A dificuldade de acesso ao serviço de saúde se deve ao fato de que o tratamento da Aids depende do Sistema Único de Saúde [<i>SUS</i>]. E o SUS está cambaleante, sofrendo um revés com a privatização e com a terceirização dos serviços, deixando pouco a pouco de ser um mecanismo de Estado. Sem um SUS forte, não é possível expandir o diagnóstico e nem reduzir as iniquidades regionais. Outro aspecto é a mobilização social. Não se conseguirá nunca a ampliação do tratamento sem uma ampla mobilização social através do envolvimento dos movimentos sociais, das Organizações Não Governamentais [<i>ONGs</i>] e da mídia. O processo que está em curso para diagnóstico e tratamento foi relançado em dezembro de 2013, mas nós não vemos divulgação na televisão. Os meios de comunicação não estão mobilizados e envolvidos no processo. Não há pronunciamentos de grandes líderes, de governadores, da presidente ou de outros ministérios que não o da Saúde. Tenho a impressão de que [<i>a comunicação</i>] é uma proposta essencial para ampliar o diagnóstico. Todavia, ela acontece em 1<span style="font-family: Verdana; font-size: small;">º</span> de dezembro [<i>Dia Mundial de Combate à Aids</i>] e no carnaval, mas depois desaparece da mídia. É necessário um processo bastante intenso de mobilização social, utilizando os meios de comunicação. E uma mobilização da classe política de alto nível, a partir do posicionamento, por exemplo, da presidente. Fernando Henrique Cardoso se manifestava sobre a Aids, assim como Luiz Inácio Lula da Silva, mas a presidente Dilma, pelo menos que eu saiba, nunca se posicionou sobre o tema de maneira pública. Isso diminui a importância política do problema e faz com que os governos estaduais e municipais, que são executores do SUS e implementadores de políticas públicas, releguem o tema a um segundo plano.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><b>PB</b> – <i>Há falta de recursos?</i><br />
<b></b></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><b>Chequer</b> – Não, não há. Para o tratamento não falta. Uma estratégia importante é garantir alternativas de diagnóstico. Tradicionalmente, o Brasil fazia o exame de detecção Elisa [<i>sigla em inglês para </i>Enzyme Linked Immunosorbent Assay] como o mundo todo faz, em laboratório com bioquímica. Nos anos 1990, foi introduzido o teste rápido. Em 2005, chegou o teste rápido resolutivo, com diagnóstico em 20 minutos. No momento, está sendo ampliada essa estratégia. Em algumas regiões, como o Nordeste e a Amazônia, é importante utilizar o teste rápido porque dificilmente vamos ter laboratórios públicos ou privados disponíveis para fazer o teste tradicional. No final de 2013, o Ministério da Saúde decidiu utilizar o teste oral, que em breve deverá ser implementado. Isso é mais uma alternativa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><b>PB</b> – <i>Quanto custa por mês o tratamento individual da doença?</i><br />
<b></b></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><b>Chequer</b> – O preço vem caindo ao longo dos anos. No início, nos anos 1990, ele custava US$ 7 mil por ano. Hoje está em torno de US$ 1,6 mil. Mas eu diria que ainda está caro no Brasil. Na África, utilizando os genéricos indianos, por exemplo, o tratamento está na casa das centenas de dólares. Comparativamente, o custo no Brasil ainda está caro. Por quê? Porque o Brasil privilegiou a produção nacional e estatal, que precisa ser turbinada do ponto de vista da eficiência, porém é uma estratégia política importante. É preferível realmente pagar um pouco mais caro para que a indústria nacional produza porque isso evita que o país dependa da importação de medicamentos de multinacionais ou de outros produtores de genéricos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><b>PB</b> – <i>O senhor é um grande defensor do licenciamento compulsório de antirretrovirais produzidos fora do país. Como está essa política?</i><br />
<b></b></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><b>Chequer</b> – O Brasil tomou a decisão errada em 1995, quando adotou precocemente o Trips, [<i>sigla em inglês para Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio</i>]. Poderia ter aguardado, como a Índia, que esperou até 2005. É por isso que a nação asiática tem hoje uma indústria nacional de produção de genéricos que exporta para o mundo inteiro, a baixo custo, e com eficiência. Só que, por pressão do governo americano, o Brasil se precipitou e passou a reconhecer a patente de medicamentos, antecipada em dez anos. A lei brasileira, de acordo com a lei internacional, permite que se emita a licença compulsória [<i>quebra de patente para produção local</i>]. Entre 2004 e 2005, o país tentou emitir licença compulsória para o medicamento Kaletra, da companhia farmacêutica Abbott, e mais dois medicamentos. Mas, infelizmente, não avançou. Esse processo amadureceu e, em 2007, foi a vez da licença compulsória do medicamento Efavirenz. Mas é essencial que o país passe a utilizar mais efetivamente o mecanismo do Trips, emitindo licença compulsória para a produção de medicamentos sem o caráter de patente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><b>PB</b> – <i>Como fazer a indústria brasileira avançar na produção de medicamentos e antirretrovirais?</i><br />
<b></b></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><b>Chequer</b> – Ampliar o parque nacional estatal e não apenas o privado – que é importante que se fortaleça. Mas é fundamental que o Estado, com base na Constituição, que encara a saúde como um direito do cidadão e um dever do Estado, promova o fortalecimento e a ampliação da produção de medicamentos genéricos. Aí entra a necessidade de licença compulsória para que o genérico possa ser produzido. O que está sendo feito até aqui é importante, mas não é suficiente. Há necessidade, talvez, de dobrar ou triplicar investimentos em laboratório estatal para que se possa competir com mais eficiência.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><b>PB</b> – <i>A produção brasileira de antirretrovirais consegue atender a demanda interna?</i><br />
<b></b></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><b>Chequer</b> – Não. O Brasil produz uma variedade que não é suficiente. São 20 princípios ativos e o Brasil produz apenas dez. E esses medicamentos vêm sendo menos utilizados porque estão surgindo novos. Mas os novos estão sob patente e aí se cria a necessidade de ampliar o elenco de licenças compulsórias. Na prática, a quantidade de medicamentos produzidos no Brasil permanece a mesma desde o fim dos anos 1990 e início dos anos 2000. Os únicos acréscimos foram a produção do Efavirenz e do Tenofovir. A médio prazo, corremos o risco de ter tudo sob patente porque os medicamentos antigos vão perdendo terreno. E vai chegar um momento em que seremos totalmente dependentes da importação.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><b>PB</b> – <i>Quebrar a patente de um medicamento é um processo muito complexo?</i><br />
<b></b></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><b>Chequer</b> – Não é complicado. A legislação é bastante clara, os passos estão bem definidos. É uma decisão política de priorizar a área de saúde. Eu me lembro que, em 2005, quando estava sendo negociado a quebra de patente do Kaletra, da Abbott, o processo estava sob o comando do Ministério da Saúde, à época conduzido pelo ministro José Saraiva Felipe. De repente, passou para o então ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan. Felipe levou um susto, considerando que o Planalto decidira que quem passaria a negociar não era mais o seu ministério. Eu participei dessa reunião. Ou seja, deixou de ser uma questão de saúde e passou a ser uma questão de indústria e comércio, que envolve outros interesses. E esse argumento de que o Brasil perderia no cenário mundial investimentos da indústria farmacêutica é bobagem. Foi emitida a licença compulsória para o Efavirenz e nada aconteceu. Por quê? Porque o Brasil é um mercado grande para a indústria multinacional. Acho que tem que haver decisão política no sentido de implementar as licenças compulsórias previstas pelo Trips, pois não se estará violando a legislação internacional. Pelo contrário, estaria cumprindo a legislação e atendendo a necessidade brasileira. E ampliar não só antirretrovirais, mas outros medicamentos, focando, por exemplo, os remédios para câncer, que são muito caros e o Brasil tem que importar a um preço extorsivo. Mas também é preciso investir na capacidade nacional de produção e não só declarar a licença compulsória.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><b>PB</b> – <i>O perfil dos brasileiros portadores de HIV tem mudado ao longo do tempo?</i><br />
<b></b></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><b>Chequer</b> – Vem mudando, não só no Brasil, mas no mundo inteiro. No início da epidemia, prevaleciam no Brasil usuários de drogas, hemofílicos e transfundidos de um modo geral, homossexuais e, logo em seguida, trabalhadores sexuais. Sim, o perfil tem mudado ao longo do tempo. Felizmente, o Brasil nos anos 1990 adotou a testagem do sangue com bastante sucesso. E hoje é cada vez mais raro ter uma infecção por transfusão sanguínea. Se acontece, é mais por janela imunológica [<i>intervalo de tempo entre a infecção pelo vírus da Aids e a produção de anticorpos anti-HIV no sangue</i>] do que por falta de testagem. Mudou o perfil na medida em que cada vez mais a população feminina vem se infectando. Entre adolescentes e jovens, o número de casos notificados de mulheres é cada vez maior – inclusive houve um período em que era um pouco maior o número de mulheres do que de homens. Também chegou a haver uma queda de casos entre a população masculina homossexual. Mas vem mudando esse perfil novamente: gays jovens estão sendo cada vez mais atingidos pela epidemia. É uma dinâmica muito complexa. Do ponto de vista de risco de infecção, não há dúvidas de que a população de homens que fazem sexo com homens, usuários de drogas injetáveis e trabalhadores sexuais são as populações mais atingidas e que correm maior risco de infecção.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><b>PB</b> – <i>Desde que teve início a epidemia de Aids, homossexuais e profissionais do sexo, por exemplo, sofrem com o estigma do chamado “grupo de risco”. O que tem sido feito para combater esse preconceito?</i><br />
<b></b></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><b>Chequer</b> – A prevalência da Aids entre a população de homens que fazem sexo com homens é em torno de 10,5% e de 4,9% entre trabalhadores sexuais. Já entre usuários de drogas o índice é um pouco maior: 5,9%. Ou seja, bem distante da prevalência na população em geral, que é menor de 0,6%. Efetivamente, essas são as populações que estão sob maior risco de se infectar. Logo, devem ser objeto de maior preocupação, investimento e mobilização, com políticas claras, sem o preconceito e sem o dogma religioso. É preciso utilizar verdadeiramente a fundamentação científica.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><b>PB</b> – <i>Nos últimos anos, tem crescido a influência da bancada de fundamentalistas cristãos sobre o Congresso Nacional e sobre o governo federal. De que maneira isso pode prejudicar o combate à Aids no país?</i><br />
<b></b></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><b>Chequer</b> – Tem prejudicado e muito. O país poderá sofrer as consequências a médio e a longo prazo. O Brasil continua avançando na área de tratamento, apesar dos problemas que o SUS vem enfrentando, mas houve um retrocesso imenso na área de prevenção. Campanhas foram vetadas. Inclusive, participei do lançamento de uma campanha de televisão no Rio de Janeiro durante o carnaval, cerca de dois anos atrás, e uma semana depois ela estava suspensa por ordem do Palácio do Planalto, porque houve pressão da bancada conservadora, principalmente evangélica. Há também grupos católicos conservadores pressionando, mas a força política maior, com certeza, está com os evangélicos neopentecostais. Já os evangélicos metodistas, luteranos, presbiterianos, episcopais são aliados. Eles fazem parte inclusive da Comissão Nacional de Aids, com posições muito claras com relação a preservativos, sem qualquer preconceito. Infelizmente, para surpresa de todos, o Brasil, que era vanguarda na área de campanhas de prevenção, está retrocedendo cada vez mais. Duvido que mude em 2014 porque é ano de eleição e aí a negociação eleitoral supera qualquer princípio do interesse coletivo. Essa é a realidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><b>PB</b> – <i>Segundo o Programa das Nações Unidas de Combate à Aids [</i>Unaids<i>], desde 2001, o número de novas infecções caiu 33% em todo o mundo. Porém, na Europa Oriental, na Ásia Central e na África, esse índice tem crescido. Como impedir o avanço da Aids nesses lugares?</i><br />
<b></b></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><b>Chequer</b> – Tem crescido, principalmente, no norte da África, no Oriente Médio, no Leste Europeu e na Ásia Central. No restante do mundo, inclusive na África Subsaariana, os índices vêm caindo de forma importante. Isso graças a quê? Primeiro, em razão da utilização do preservativo, e, segundo, à expansão do tratamento. Atualmente, o tratamento não só preserva a saúde do indivíduo, como também evita a transmissão. Se o paciente segue a rigor a prescrição terapêutica reduz em até 96% a chance de transmitir a doença, ficando com a virologia negativada do ponto de vista de detecção laboratorial. Numa situação como essa, somada ao uso do preservativo, a transmissão praticamente não acontece. Ou seja, o tratamento tem sido um dos fundamentos da redução da transmissão em todo o mundo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><b>PB</b> – <i>Nos lugares em que cresce o número de novas infecções o problema é mais de prevenção ou de ampliação do tratamento?</i><br />
<b></b></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><b>Chequer</b> – Eu diria que as duas coisas. Onde cresce a Aids no Brasil hoje? No Norte e no Nordeste. Continua aumentando não só a incidência de casos novos, mas também a mortalidade. E o que está falhando? A prevenção, o acesso a preservativos, as políticas públicas implementadas nas escolas – que é outro problema que os conservadores têm criado. Havia, no Ministério da Educação [<i>MEC</i>], em parceria com o Ministério da Saúde, desde os anos 1990, políticas de educação sexual, inclusive o kit [<i>anti-homofobia, apelidado de kit gay</i>] que foi suspenso em maio de 2011, mesmo avalizado pela Unaids e pela Unesco. E essa suspensão se deu por pressão da bancada evangélica na época em que Fernando Haddad [<i>atual prefeito de São Paulo</i>] estava à frente do Ministério da Educação. A fundamentação pseudorreligiosa está prevalecendo em detrimento do princípio científico. Então, se nós quisermos efetivamente um futuro sem Aids, além de expandir o tratamento o mais rápido possível, temos de implementar a educação sexual nas escolas de modo absolutamente claro, objetivo, sem preconceito. Não por intermédio de uma palestra ou outra, mas por meio de um programa efetivo e continuado de educação para que possamos ter a próxima geração preparada para exercer sua sexualidade e respeitar a diversidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><b>PB</b> – <i>Em março de 2013, cientistas dos Estados Unidos submeteram um bebê de dois anos a um tratamento que teria reduzido a presença do vírus HIV em seu organismo a níveis não detectáveis – o que foi chamado de “cura funcional”. Estamos perto de uma cura para a Aids?</i><br />
<b></b></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><b>Chequer</b> – Eu não diria que estamos perto de uma cura, mas já alcançamos uma situação de controle clínico da doença. Houve também casos de transplante de medula. Infelizmente, depois de um dos transplantes, o vírus reapareceu. É uma iniciativa interessante, mas não podemos imaginar o tratamento de Aids com transplante de medula – e medula de um indivíduo que tenha resistência natural. Isso é inviável do ponto de vista operacional de saúde pública. Eu diria que a prevenção ainda é um instrumento fundamental, além da expansão do tratamento para que possamos atingir um controle a médio prazo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Por Carlos Juliano Barros/Problemas Brasileiros</strong></em></span></p>
</section>
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		<title>Entrevista: Junior Gaivota</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Mar 2014 19:50:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Editor]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

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		<description><![CDATA[Junior Gaivota sobrevoou Iguaí, vindo da Serra do Ouro, e também da região da Água Bela, além de ter realizado alguns voos na região do Ribeirão das Flores. Ele, que é de Iguaí, mas mora no Rio de Janeiro, disse ter realizado um sonho. Vencedor de várias competições de voo livre pelo Brasil afora, está [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Junior Gaivota sobrevoou Iguaí, vindo da Serra do Ouro, e também da região da Água Bela, além de ter realizado alguns voos na região do Ribeirão das Flores. Ele, que é de Iguaí, mas mora no Rio de Janeiro, disse ter realizado um sonho.<span id="more-30236"></span> Vencedor de várias competições de voo livre pelo Brasil afora, está em Iguaí e falou sobre o esporte e a possibilidade do município investir no turismo radical e de aventura.</em></p>
<div id="attachment_30253" style="width: 310px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/03/Junior-Gaivota-1.jpg"><img class="size-medium wp-image-30253" alt="Junior Gaivota (Foto Nelo Ferrari)" src="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/03/Junior-Gaivota-1-300x228.jpg" width="300" height="228" /></a><p class="wp-caption-text">Junior Gaivota (Foto Nelo Ferrari)</p></div>
<p style="text-align: justify;"><strong style="line-height: 1.5em;">Iguaí Mix</strong><span style="line-height: 1.5em;"> &#8211; Como você começou a voar de parapente, como começou essa história?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Junior Gaivota</strong> &#8211; Eu era um cara que tinha pavor de altura. Eu não subia numa escada para trocar uma lâmpada. Se falasse comigo para andar de avião, era como se eu fosse cometer um suicídio. Eu tinha pavor de avião e eu queria quebrar esse tabu na minha vida, porque eu quero fazer viagens para fora do país e precisa ser de avião. Aí um amigo falou que estava fazendo um curso e me levou para ver. A primeira vez que eu vi, eu fique apavorado, eu falei: Deus me livre, vocês são malucos para andar num negócio desses. Fui vendo, todos os dias que ele ia fazer o curso, ele me levava, eu estava operado, ficava lá, sem ter o que fazer, vendo ele fazer o curso. E fui me interessando, achei que ela interessante e fiz o meu primeiro voo duplo com um instrutor. Foi a coisa mais absurda que eu fiz na vida. Fiquei apavorado, foi no Rio de Janeiro, na rampa do Parque da Cidade, em Niterói. Voei o tempo todo de olho fechado e não curti nada. Pousamos, vi que era seguro e fui de novo. Então, me apaixonei pelo esporte e comecei a fazer um curso também e um sonho que eu tinha era voar aqui na minha cidade, na minha terra natal. Voei em todas as rampas do Brasil e queria ver se eu conseguia inaugurar alguma rampa por aqui. Voei lá na Serra do Ouro, achei maravilhoso o voo. Fiz um sobrevoo lindo em cima da cidade de Iguaí e estou aqui agora na fazendo do Nelo, no Ribeirão das Flores, tentando ver se consigo inaugurar, criar uma rampa nova no Brasil de voo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Iguaí Mix</strong> &#8211; Você, que já voou por vários lugares do Brasil, poderia citar os mais importantes, os mais bonitos em que já esteve e como é que foram essas aventuras?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Junior Gaivota</strong> &#8211; Primeiro lugar, o Rio de Janeiro, minha escola de voo livre, Parque da Cidade, uma rampa maravilhosa. Não posso deixar de citar a Pedra Bonita, em São Conrado, e depois Governador Valadares, Minas Gerais, no Pico de Ibituruna, uma rampa onde se disputa campeonatos mundiais de parapente. Castelo, Espírito Santo; Araxás, Minas Gerais; São Pedro, que é uma rampa maravilhosa que tem em São Paulo, e se eu for citar todas as rampas, a gente vai ficar aqui o dia todo.</p>
<div id="attachment_30254" style="width: 310px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/03/Junior-Gaivota-2.jpg"><img class="size-medium wp-image-30254" alt="Junior Gaivota (Foto: Iguaí Mix)" src="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/03/Junior-Gaivota-2-300x225.jpg" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Junior Gaivota (Foto: Iguaí Mix)</p></div>
<p style="text-align: justify;"><strong>Iguaí Mix</strong> &#8211; E aqui na Bahia?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Junior Gaivota</strong> &#8211; Na Bahia, a primeira vez é aqui na minha terra, na Serra do Ouro, em Iguaí, que é um ouro o voo lá. Foi muito bacana, o voo foi todo gravado e o vídeo vai estar disponível aqui no Iguaí Mix.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Iguaí Mix</strong> &#8211; Como é para você estar em Iguaí fazendo esse voo? Qual foi sua emoção em estar voando pela primeira vez em Iguaí, já que você é daqui, seus pais, seus avós, sua família?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Junior Gaivota</strong> &#8211; Vou resumir em poucas palavras: realização de um sonho, que foi ver a minha terra por cima. A única coisa que faltava para mim, para completar o meu histórico de voo livre. Fui campeão em vários campeonatos, disputei sete campeonatos. Fiquei em primeiro lugar em quatro, segundo lugar em dois, e terceiro lugar, em um. Só que a divulgação é muito fraca, em termos de premiação, aí eu comecei a não gostar mais de disputar campeonatos, é mesmo curtição, só hobby. Eu acho que é um esporte radical muito arriscado e a premiação é muito fraca.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Iguaí Mix</strong> &#8211; Quais foram as competições em que você ficou foi premiado?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Junior Gaivota</strong> &#8211; Uma rampa muito boa de voo livre em Sampaio Correia; em Sapucaia, ambas no Rio de Janeiro; Araxá, Minas Gerais; Brasópolis, São Paulo, onde tem o observatório nacional para ver os planetas, muito bom o voo lá. Já em Castelo, Espírito Santo, numa rampa muito boa também, em nível mundial,  eSanto Antonio da Alegria, Ilha do Arco, em São Paulo, que é uma cidadezinha que tem um terço de Iguaí e é muito bem divulgada no ranking mundial, fiquei em segundo lugar nas duas. em São Pedro, São Paulo, fiquei em terceiro lugar.</p>
<div id="attachment_30255" style="width: 310px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/03/Junior-Gaivota-3.jpg"><img class="size-medium wp-image-30255" alt="Junior Gaivota (Foto: Nelo Ferrari)" src="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/03/Junior-Gaivota-3-300x199.jpg" width="300" height="199" /></a><p class="wp-caption-text">Junior Gaivota (Foto: Nelo Ferrari)</p></div>
<p style="text-align: justify;"><strong>Iguaí Mix</strong> &#8211; Em relação a Iguaí, o que você achou das condições de voo, já que disse que pensa em trazer o parapente aqui para a região, já que você é daqui e mora no Rio de Janeiro, além de fazer isso em vários estados do Brasil? Há possibilidade de se fazer isso?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Junior Gaivota</strong> &#8211; O vento predominante aqui é leste, bom de voar de fazer cross. Térmicas maravilhosas, o potencial é maravilhoso, tem muito gerador de térmicas, muito gatilho. O gatilho é o vento e o gerador, é o relevo, as pedras que ficam em evidência, que o ar passa pelas pedras que o sol aquece e é o gerador da térmica e tem muito gerador que são locais frios, porque tem muitas lagoas, muitas cachoeiras. Esses são os geradores das térmicas e o gatilho é o vento, que é um bom vento para poder empurrar a gente para longe, gerador que são as cachoeiras, os rios, os riachos, as lagoas e muito urubu para mostrar o caminho para a gente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Iguaí Mix</strong> &#8211; E como é que foi a visão lá de cima, quando você pulou da Serra do Ouro e fez o pouso aqui no Parque de Exposições Edgard Lobo?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Junior Gaivota</strong> &#8211; Uma visão maravilhosa, um local de fácil acesso, não tem muita roubada, como a gente fala lá no Rio de Janeiro. Roubada são picos de morro muito algo, que têm no Rio, muita mata, e aqui e mais plano. Então você consegue visualizar o horizonte, para onde você quer ir.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Iguaí Mix</strong> &#8211; Iguaí é um lugar que está ficando bastante conhecido, devido às cachoeiras e ao grande manancial hídrico, vários rios, riachos, além de muitos vales e serras. Você acha que dá para investir no turismo radical e de aventuras aqui na cidade?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Junior Gaivota</strong> &#8211; Com toda certeza. O investimento aqui nesse esporte, e acho que vai render bastante frutos para a cidade, porque muitos praticantes do voo livre precisam de local bom para bater recordes de distância, como aqui, que tem muita térmica, muito gerador, muito gatilho, tudo de bom.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Iguaí Mix</strong> &#8211; Como seria o primeiro voo para as pessoas que nunca voaram de parapente? O que você orienta em relação a isso, é perigoso, é um esporte seguro?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Junior Gaivota</strong> &#8211; É um esporte muito seguro, tem muito morro baixinho que a pessoa dá para brincar de decolar e pousar e a segurança do esporte depende muito do piloto, pois ele não pode também ir contra a natureza. Se ele olhar a condição e ver que não é propícia para o voo, ele não vai decolar. Então, se ele fizer isso todas as vezes que ele for voar, o risco é zero de qualquer perigo no voo. Não tem risco nenhum, respeitando a natureza.</p>
<div id="attachment_30256" style="width: 310px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/03/Junior-Gaivota-4.jpg"><img class="size-medium wp-image-30256" alt="Junior Gaivota sobrevoando a Serra do Ouro (Foto: Nelo Ferrari)" src="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/03/Junior-Gaivota-4-300x199.jpg" width="300" height="199" /></a><p class="wp-caption-text">Junior Gaivota sobrevoando a Serra do Ouro<br />(Foto: Nelo Ferrari)</p></div>
<p style="text-align: justify;"><strong>Iguaí Mix</strong> &#8211; Qualquer pessoa pode voar, tendo uma orientação e sabendo como fazer isso?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Junior Gaivota</strong> &#8211; Pode, é como se fosse andar para mim hoje. Eu passo mais tempo voando do que andando.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Iguaí Mix</strong> &#8211; Há algum idade para a pessoa fazer o seu voo de parapente, pode ser criança, adolescente, jovem, idoso? Qual a idade para a prática desse esporte?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Junior Gaivota</strong> &#8211; O meu filho fez o seu primeiro voo numa rampa aos doze anos. Hoje, ele voa comigo, ele tem quatorze anos. Tem um senhor de  setenta e seis anos que voa todo final de semana com a gente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Iguaí Mix</strong> &#8211; Ou seja, para voar não tem idade.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Junior Gaivota</strong> &#8211; Não tem idade, não tem idade mesmo. Os filhos do meu instrutor, que para mim é o melhor do Brasil, Luciano Miranda, eles começaram a voar com oito, dez anos de idade. Hoje eles voam muito, eles são muito bons como o pai.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Iguaí Mix</strong> &#8211; Nós estamos aqui na região do Ribeirão das Flores, você vai fazer mais um voo aqui em Iguaí. O que você espera desse voo, quais são as suas expectativas?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Junior Gaivota</strong> &#8211; São muito boas, porque hoje o vento está bom, as térmicas estão maravilhosas, o sol está aquecendo bastante o solo, que eu estou observando e só falta o alinhamento do vento com a montanha que eu vou decolar para fazer um voo maravilhoso aqui.</p>
<p style="text-align: justify;">.</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Por José Carlos Assunção Novaes</strong></em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.iguaimix.com/v2/2014/03/10/iguai-na-mira-dos-esportes-radicais/" target="_blank"><strong>Veja mais&#8230;</strong></a></p>
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		<title>Entrevista: Ilário Govone</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Feb 2014 10:26:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Editor]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

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		<description><![CDATA[“A ‘ressuscitada’ Companhia tem muito que aprender com o passado. O que havia de errado era talvez nos considerarmos melhores que os outros e acima de qualquer crítica e suspeita&#8221;, pontua o jesuíta. Para entender os motivos que levaram à Supressão da Companhia de Jesus em 1773, é preciso perguntar-se “por que” e “para que” os [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>“A ‘ressuscitada’ Companhia tem muito que aprender com o passado. O que havia de errado era talvez nos considerarmos melhores que os outros e acima de qualquer crítica e suspeita&#8221;, pontua o jesuíta.<span id="more-29060"></span></strong></p>
<div id="attachment_29061" style="width: 210px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/02/Ilário-Govone.jpg"><img class="size-medium wp-image-29061" alt="(Foto: Fundação Nazare)" src="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/02/Ilário-Govone-200x300.jpg" width="200" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">(Foto: Fundação Nazare)</p></div>
<p>Para entender os motivos que levaram à Supressão da Companhia de Jesus em 1773, é preciso perguntar-se “por que” e “para que” os jesuítas foram expulsos de vários países, sendo reduzidos a pouco mais de cem membros durante 41 anos. Em entrevista concedida à <strong>IHU On-Line</strong>, por telefone, o padre italiano <strong>Ilário Govoni</strong> conta que, anos antes da <strong>Supressão</strong>, missionários jesuítas que viviam no<strong>Brasil</strong> foram perseguidos pelos reis de <strong>França</strong>, <strong>Portugal</strong> e<strong>Espanha</strong>, como uma espécie de “‘balão de ensaio’ para ver se as autoridades conseguiam desautorizar os jesuítas e limitar suas ações”.</p>
<p>Segundo ele, “o <strong>‘Pacto de Família’</strong> dos reis de <strong>Portugal</strong>,<strong>França</strong> e <strong>Espanha</strong> era o fato mais imediato, liderado por<strong>Pombal</strong>, para demonstrar que, realmente, a <strong>Igreja</strong>, por meio da <strong>Companhia de Jesus</strong>, gerava mal-estar na sociedade, os reis ficavam incomodados pela contestação do regalismo e os jesuítas eram culpados disso. Talvez tenha sido exatamente no Brasil onde começou a se delinear o projeto da <strong>Supressão da Companhia de Jesus</strong>, que tinha de enfrentar as ideias do ‘déspota esclarecido’ <strong>Pombal</strong>”.</p>
<p><strong>Ilário Gonovi</strong> acaba de traduzir e publicar o livro <strong>Tratado da Vida e Império do Anticristo</strong>, escrito pelo padre <strong>Gabriel Malagrida</strong>, que foi condenado como herege pela Inquisição em <strong>1761</strong>, 12 anos antes da <strong>Supressão da Companhia</strong>. De acordo com ele, <strong>Malagrida</strong> foi um personagem importante nos anos que antecederam a extinção da Companhia, especialmente por realizar uma crítica em relação à atuação dos jesuítas no<strong> Brasil</strong>. “Ele prevê a destruição da<strong>Companhia</strong> e, sobretudo, é interessante o <strong>Capítulo Quinto de o Anticristo</strong>, no qual ele, em conversa com padre<strong>Antônio Vieira</strong>, analisa toda a atuação dos jesuítas como missionários e diz que foram inocentes manipulados, porque prepararam mão de obra barata — os índios que viviam nas reduções — para os colonos. (&#8230;) É muito crítico em relação à ação pastoral missionária dos jesuítas nesse período”, relata.</p>
<p>Neste ano, os jesuítas celebram o bicentenário da <strong>Restauração da Companhia de Jesus</strong>, que foi restaurada canonicamente em 1814, pelo papa <strong>Pio VII</strong>. Sobre o momento, <strong>Ilário Govoni</strong> é enfático: “Se por Restauração entendemos voltar a uma situação anterior danificada, percebemos que a expressão <strong>Restauração da Companhia de Jesus</strong> não é muito apropriada, inclusive, porque ela nunca foi extinta totalmente. Parece-me que influiu na mentalidade da época a expressão utilizada, após o declínio de Napoleão, para reprogramar a Europa com os princípios da Restauração e Legitimidade, tão próprios do <strong>Congresso de Viena (1815)</strong>”.</p>
<p>Do delta do <strong>Rio Pó</strong>, na <strong>Itália</strong>, onde nasceu, em 1936, <strong>Ilário Govoni</strong> veio ao<strong> Amazonas</strong> para descobrir as riquezas culturais do passado colonial e atua como missionário no <strong>Brasil</strong> há mais de 50 anos. É padre da <strong>Companhia de Jesus</strong>, formado em Filosofia e Teologia no <strong>Brasil</strong>, e doutor em Ciências Sociais pela <strong>Pontifícia Universidade Gregoriana</strong>, em <strong>Roma</strong>.</p>
<p>Por ocasião do bicentenário da Restauração, o <strong>Instituto Humanitas Unisinos – IHU</strong>, em parceria com o <strong>Programa de Pós-Graduação &#8211; PPG em História</strong>, promove o XVI Simpósio Internacional IHU. Companhia de Jesus. Da Supressão à Restauração<strong> </strong>nos dias 10 e 13 de novembro de 2014.</p>
<p><strong>Confira a entrevista.</strong></p>
<p><strong>IHU On-Line &#8211; Quais os motivos que levaram à supressão da Companhia de Jesus? Como esse processo aconteceu no Brasil?</strong></p>
<p><strong>Ilário Govoni –</strong> A resposta parece-me que deve considerar dois aspectos: o do “por quê?” e o do “para quê?” A primeira seria a efetividade ou realização do fato, e a segunda seria o objetivo, a finalidade, o que se queria alcançar com a <strong>Supressão</strong> <strong>da Companhia de Jesus</strong>. Parece mais fácil dizer o “por quê?”, pois conta com fatos concretos, que se iniciaram no Grão Pará (norte do Brasil) já em 1755, quando se tratava da revisão do <strong>Tratado de Limites com Espanha </strong>pelo irmão de Pombal, <strong>Francisco Xavier de Mendonça Furtado</strong>, o qual encontrou má vontade por parte dos jesuítas em <strong>Trocano (Nova Borba, PA)</strong>. Deve-se igualmente falar das <strong>Reduções do Paraguai</strong>, que naqueles anos deviam se transferir ao domínio de<strong>Portugal</strong>. Já quanto ao “para quê?” as raízes eram mais profundas e perpassavam na polêmica dos jansenistas com os jesuítas e o regalismo. Poder-se-ia dizer que o<strong>“Pacto de Família”</strong> dos reis de Portugal, França e Espanha era o fato mais imediato, liderado por Pombal, para demonstrar que, realmente, a Igreja, por meio da Companhia de Jesus, gerava mal-estar na sociedade, os reis ficavam incomodados pela contestação do regalismo e os jesuítas eram culpados disso. Talvez tenha sido exatamente no Brasil onde começou a se delinear o projeto da <strong>Supressão da Companhia de Jesus</strong>, que tinha de enfrentar as ideias do “déspota esclarecido” <strong>Pombal</strong>.</p>
<p>No <strong>Brasil</strong> os jesuítas tiveram problemas com os colonos, que reagiram contra a defesa “intransigente” dos padres em defesa dos índios. No país, a expulsão dos jesuítas iniciou em 1755, quando, atendendo ao projeto amazônico pombalino de fazer do <strong>Brasil</strong> e do <strong>Grão Pará</strong> uma área de experimentação modernista com a <strong>Companhia de Comércio</strong>, <strong>Pombal</strong> mandou expulsar os missionários das mais de 50 missões ou aldeias indígenas localizadas às margens esquerda e direita do <strong>Rio Amazonas</strong>, trocando o cruzeiro da aldeia com o pelourinho das vilas. A resistência dos missionários da <strong>Amazônia</strong> foi a ocasião da expulsão do primeiro grupo de 21 jesuítas em 1757 e, posteriormente, em 1759 e 1760, foram expulsos mais 600 jesuítas de todo o <strong>Brasil</strong>, de <strong>Portugal</strong> e de seus domínios.</p>
<p>Os jesuítas foram expulsos porque eles atrapalhavam, na medida em que ofereciam um programa de autonomia dos índios nas aldeias. O padre<strong>Malagrida</strong> teria sido o mentor intelectual desta reação contra o projeto de<strong>Pombal</strong>. Até se suspeitava que <strong>Malagrida</strong>, com seus <strong>Exercícios Espirituais</strong>, no <strong>Brasil</strong> e em <strong>Lisboa</strong>, em que se reuniam estes leigos, estivesse tramando contra o governo.</p>
<p>Em 1759, <strong>Malagrida</strong> foi preso no cárcere da Inconfidência como mentor intelectual da “conjuração dos Távoras”. Essa perseguição inicial aos padres do Brasil era um “balão de ensaio” para ver se as autoridades conseguiam desautorizar os jesuítas e limitar suas ações.</p>
<p><strong>IHU On-Line &#8211; Qual era o debate político e intelectual dos séculos XVIII e XIX em meio aos quais ocorreram a Supressão e a Restauração?</strong></p>
<p><strong>Ilário Govoni –</strong> Justamente neste “intermezzo”, ou, entre as balizas da <strong>Supressão (1773) e Restauração (1814)</strong>, quando, naqueles 41 anos, não havia jesuítas no meio, é que ocorreram os grandes eventos políticos, econômicos e culturais que marcaram a transição da <strong>Idade Moderna</strong> para a Contemporânea, que foram: a <strong>Revolução Francesa</strong>, a<strong>Revolução Industrial</strong> e a <strong>Epopeia napoleônica</strong>.</p>
<p>O debate político e intelectual se dava entre o poder absoluto dos reis e as propostas vindas da <strong>Inglaterra</strong> e da<strong>França</strong>, no sentido de separar os poderes do <strong>Estado</strong> e criar um parlamento efetivo. Ou seja, era um debate do absolutismo versus o iluminismo. Nesta época surgiram ideias novas com <strong>Montesquieu</strong>, que propõe a separação dos poderes políticos. Na<strong> Inglaterra</strong>, nesse período da <strong>Supressão</strong>, em meados do <strong>século XVIII</strong>, também havia o capitalismo eficiente da <strong>Revolução Industrial</strong>, quer dizer, quem produzia, sabia produzir muito bem. E no cenário brasileiro havia exploração de mão de obra indígena pela elite política e intelectual.</p>
<p><strong>Napoleão</strong> deu face nova à <strong>Europa</strong>, executou uma modernização do <strong>Estado</strong>, mantendo uma vantajosa separação entre “o trono e o altar”. Após o <strong>Congresso de Viena (1815)</strong>, contudo, houve uma tentativa de voltar ao absolutismo e “recosturar” politicamente a Europa ao modo antigo. A essa tentativa houve uma reação liberal e católica, e parece que o <strong>papa Pio VII</strong>, que quis a restauração dos jesuítas em 1814, com aquela expressão de “chamar de volta os generosos remadores da barca de <strong>Pedro</strong> na tempestade”, queria que os jesuítas voltassem a batalhar pela <strong>Igreja</strong>, só que os tempos tinham mudado.</p>
<p>Os jesuítas, depois da <strong>Restauração</strong>, estavam despreparados em relação ao aparelho que tinham antes daSupressão, quer dizer, o sistema de escolas, universidades, colégios e pensadores notáveis. Depois da Supressão tiveram de recomeçar com muita humildade e com a missão de tentar ajudar os outros.</p>
<p><strong>IHU On-Line &#8211; Investigações recentes sobre a Supressão da Companhia no mundo mostram que o papa Clemente XIII sofreu bastante pressão do rei da França, Luis XV, para que a Companhia fosse suprimida. Como esse fato nos ajuda a compreender o processo de supressão e restauração da Companhia de Jesus?</strong></p>
<p><strong>Ilário Govoni –</strong> O <strong>papa Clemente XIII (Rezzonico)</strong> não pode ser confundido com o papa <strong>Clemente XIV (Ganganelli)</strong>.<strong>Clemente XIII</strong> apoiou a <strong>Companhia de Jesus</strong> e com a <strong>Bula Apostolicum</strong>, três anos antes da <strong>Supressão</strong>, declarou como indispensável para a <strong>Igreja</strong>. Ou seja, confirmou a <strong>Companhia de Jesus</strong> com toda a sua ação, embora o mesmo papa <strong>Clemente XIII</strong> não aprovasse a inculturação dos jesuítas na questão dos <strong>Ritos Chineses</strong>. Já o papa <strong>Clemente XIV</strong> também sofreu muitas pressões e ameaças de separação dos reis do <strong>“Pacto de Família”</strong>, criando igrejas nacionais. Mas foram, sobretudo, as intrigas e as campanhas de desinformação que, para a paz da sociedade cristã, obrigaram o papa <strong>Clemente XIV</strong> a extinguir a ordem jesuítica, com a breve <strong>Dominus ac Redemptor</strong>.</p>
<p><strong>IHU On-Line &#8211; Que avaliação o senhor faz da atuação da Companhia de Jesus no processo de “encontros culturais”, que marcaram o início da modernidade e sua presença na contemporaneidade?</strong></p>
<p><strong>Ilário Govoni –</strong> A atuação dos jesuítas no campo da cultura no período antecedente à <strong>Supressão</strong> se dava, sobretudo, na formação de opinião e das elites e na formação escolar. Em nível popular temos o engajamento com as línguas nativas e escolas profissionais. Lembramos, quanto ao <strong>Brasil</strong>, a rede de colégios desde <strong>Belém (PA)</strong> até <strong>Paranaguá (PR)</strong>. Muitos conferiam graus acadêmicos em <strong>Artes</strong>, <strong>Letras</strong>, além de <strong>Direito</strong>, <strong>Filosofia</strong> e <strong>Teologia</strong> equivalentes aos de <strong>Coimbra</strong>. No Brasil e no mundo, estavam na vanguarda da elite cultural, não somente com as instituições de ensino superior, mas também com pesquisadores em astronomia, arquitetura, matemática, física, ciências naturais, farmacêutica. Ocorria um intercâmbio de experiências com outros cientistas do mundo inteiro. Um jesuíta do Grão Pará, padre <strong>João Daniel</strong>, expulso em 1757, escreveu, na prisão pombalina, Tesouro descoberto no Máximo Rio Amazonas, no qual, além de etnologia e antropologia, contém, no quarto tomo, a descrição de sua “14 invenção”: como aproveitar a energia das marés amazônicas, e fabricou um navio com “velas para navegar contra vento”. Experiências que fazia no <strong>Rio Moju (PA)</strong>.</p>
<p>Depois da <strong>Restauração</strong>, os jesuítas apostaram muito no ensino e na pastoral direta no meio do povo. Com a <strong>“Nova Companhia”</strong>, além do investimento nos colégios, havia o investimento missionário. Em 1850, 50% dos jesuítas eram aplicados nas missões.</p>
<p>Nesse período de 41 anos em que os jesuítas ficaram “fora do mapa”, foram poucas as reflexões acerca do que se estava expondo na Declaração dos Direitos Humanos do Cidadão.</p>
<p><strong>IHU On-Line &#8211; Como os jesuítas viveram durante o período de Supressão?</strong></p>
<p><strong>Ilário Govoni –</strong> Durante a expulsão, alguns dos jesuítas que viviam no <strong>Brasil</strong>, cerca de 20% deles, foram presos em <strong>Lisboa</strong> e os outros perderam a cidadania. Mais tarde o papa aceitou alguns e outros acabaram migrando para a região do<strong>Mediterrâneo</strong> em busca de abrigo. Eles passaram a ser “desempregados” porque não podiam atuar nem nos ministérios, nem nos retiros, nem em confissões. Estavam excluídos da vida religiosa. Havia uma confusão enorme, um sentimento de desânimo e tristeza e a certeza de que ninguém os queria, embora alguns tivessem sido “aproveitados” em alguns <strong>Reinos</strong>. Como não eram mais reconhecidos como jesuítas, também não puderam mais utilizar as famosas bibliotecas jesuíticas espalhadas pelo mundo todo.</p>
<p>Os jesuítas que não foram extintos mudaram para a <strong>Rússia</strong> e a<strong> Prússia</strong>, onde os reis não assinaram, não deram o <strong>“placet”</strong>, a ordem de extinção da <strong>Companhia</strong>, enviada por <strong>Roma</strong>. Então, juridicamente, os jesuítas não estavam extintos nesses países. Esse caso permitiu a continuação da Companhia de Jesus nesse período de extinção, porque havia, na <strong>Rússia</strong>, mais de 150 jesuítas dos 26 mil, que havia antes da supressão, ou seja, restou apenas 0,5%.</p>
<p>Alguns jesuítas sobreviveram, e em 1814 o papa <strong>Pio VII</strong> restaurou a Companhia de Jesus. Depois de oficializado o restabelecimento da Companhia de Jesus, outros 500 padres se agregaram e, posteriormente, houve uma grande procura por jovens estudantes. Em duas décadas havia cinco mil jesuítas.</p>
<p><strong>IHU On-Line – O padre Gabriel Malagrida foi condenado como herege em 1761, 12 anos antes da supressão da Companhia de Jesus. Em que medida ações como a dele contribuíram para a decisão de supressão da Companhia?</strong></p>
<p><strong>Ilário Govoni –</strong> A atuação do padre <strong>Gabriel Malagrida</strong> interferiu bastante, ao menos no mundo ibérico <strong>(Espanha e Portugal)</strong>, onde ele era considerado um santo e acabou sendo desmoralizado como herege. A condenação não teve nada a ver com heresia, embora ele tivesse sido acusado e transferido do cárcere da Inconfidência ao da Inquisição acusado de falsa profecia. A convocação dele à Inquisição foi para mostrar como se podia ameaçar a Igreja e a população com um “santo de pau oco”.</p>
<p>Para ele, e para muito jesuítas, a expulsão <strong>(1759)</strong> de <strong>Portugal</strong> e das colônias era o fim do mundo. Aí <strong>Malagrida</strong> reagiu, começou a escrever contra a<strong> Relação Abreviada</strong> (um sumário de calúnias antijesuíticas). Ficou muito abalado e esperançoso do futuro. Ele não tinha escrito nada até então, a não ser <strong>Juízo da Verdadeira Causa do Terremoto</strong> que padeceu a corte de <strong>Lisboa</strong> no <strong>Primeiro de Novembro de 1755</strong>, único livretinho que escreveu e foi impresso. As obras que escreveu na prisão da Inconfidência, ao menos na mente dele, eram destinadas à publicação, porque escreve “para meus leitores”. Escreveu primeiro uns cadernos que levam o título <strong>Tratado da Venerável Vida de Sant’Ana</strong> e, em seguida, <strong>Tratado da Vida</strong> e <strong>Império do Anticristo</strong>.</p>
<p>Escreveu a<strong> Vida de Sant’Ana</strong>, em que visava completar o que os Evangelhos não contam. Deve ter escrito isso para a sua própria consolação espiritual, após ter visões e locuções de Nossa Senhora, em 1759.</p>
<p>Sua primeira prisão se deu em 11 de janeiro de 1759, pela Inconfidência, e é ali que escreve <strong>A Vida de Sant’Ana</strong>. É somente em 27 de setembro de 1759 que coloca a primeira data em <strong>Anticristo</strong>. Ele pretendia continuar a <strong>História do Futuro</strong>, de padre <strong>Antônio Vieira</strong>, ou seja, uma profecia. Por isso, enquanto ele estava escrevendo o Anticristo, foi surpreendido, na primeira semana de dezembro de 1760, pelo carcereiro, que lhe sequestrou os cadernos e repassou para Pombal, que o denunciou à Inquisição, pois se tratava de assunto religioso suspeito.</p>
<p>Por estes dois escritos, Malagrida foi condenado pela inquisição. Os textos ficaram inéditos até a tradução que fiz do latim e publiquei no ano passado. Ele contava o tempo de “desgraça” do <strong>Anticristo</strong>, que nasceria em 1999, na cidade de <strong>Milão (Itália)</strong>. Não esconde a associação do Anticristo com a pessoa de <strong>Pombal</strong>. A obra não está completa; faltou a terceira parte, que tratava da vinda do <strong>Reino de Cristo</strong>. Para <strong>Malagrida</strong>, os tempos da <strong>“desgraça”</strong> atingiam também a Igreja, quer a dos tempos em que escrevia, quer a dos tempos atuais, pois o Anticristo reinará até 2054 (conforme a cronologia interna da obra), até destruir Roma e transformar a<strong> Basílica Vaticana</strong> num templo pagão, até que imploda e caia sobre si mesma.</p>
<p><strong>IHU On-Line – Com esta obra ele também prevê a supressão da Companhia?</strong></p>
<p><strong>Ilário Govoni –</strong> Ele prevê a destruição da <strong>Companhia</strong> e, sobretudo, é interessante o <strong>Capítulo Quinto de o Anticristo</strong>, no qual ele, em conversa com o padre <strong>Antônio Vieira</strong>, analisa toda a atuação dos jesuítas como missionários e diz que foram inocentes manipulados, porque prepararam mão de obra barata — os índios que viviam nas reduções — para os colonos. E questiona: “Nós fomos inocentes? Não percebemos todas as consequências da ação missionária?” É muito crítico em relação à ação pastoral missionária dos jesuítas nesse período. Ele se antecipou em relação à Supressão dizendo: “Para todo o sofrimento que estamos passando, vamos receber um prêmio, reservado a nós, porque damos a vida e fomos expostos a todos os perigos. Pelo nosso trabalho vamos receber, quando iniciar o <strong>Novo Reino de Cristo</strong>: tribos, nações e povos como nunca imaginamos. No Brasil e no Maranhão reinará somente Cristo”. Não há heresia até aí! Nesse livro incompleto ele escreveu somente a trajetória do Anticristo.</p>
<p><strong>IHU On-Line &#8211; O senhor traduziu e comentou o livro de padre Malagrida. Quais os principais</strong></p>
<p><strong>apontamentos em relação à obra?</strong></p>
<p><strong>Ilário Govoni –</strong> Chama-me a atenção o fato de que tenha escrito em tão pouco tempo tais obras e os meios que podia utilizar no cárcere e a segurança com que afirma ouvir estas vozes que vinham do alto. Ele era um homem extraordinário. Dizem que ele tinha o dom da telepatia, lia o pensamento dos outros, previa acontecimentos, como o terremoto de <strong>Lisboa</strong>. Previa catástrofes, como a Supressão. Isso lhe dava uma popularidade e estima de santidade. O<strong>Tribunal da Inquisição</strong> fez um processo dentro do processo para saber se ele tinha capacidade mental, afinal, era “compos sui”?</p>
<p><strong>Malagrida</strong>, a meu ver, era um homem debilitado pela idade e por todos os trabalhos esgotantes enfrentados, acrescido pelo cansaço físico decorrente de todas as penitências que fazia. No livro do <strong>Anticristo</strong> ele se dedica, em grande parte, a reformar a vida religiosa na Igreja. Dá exemplos e anedotas de escândalos que existiam na <strong>Igreja</strong> da época e a partir deles tenta interferir e levar à conversão e a penitências. Agora, nos momentos de lucidez, ele era profeta? Não se pode dizer isso porque a profecia dele dizia respeito a um futuro que ainda não aconteceu. As datas que ele sugere são apenas simbólicas, como o próprio Antônio Vieira escreve em sua História do Futuro. Onde estava a heresia?</p>
<p><strong>IHU On-Line &#8211; Quais motivos levaram à Restauração da Companhia?</strong></p>
<p><strong>Ilário Govoni –</strong> Se por Restauração entendemos voltar a uma situação anterior danificada, percebemos que a expressão Restauração da Companhia de Jesus não é muito apropriada, inclusive, porque ela nunca foi extinta totalmente. Parece-me que influiu na mentalidade da época a expressão utilizada, após o declínio de Napoleão, para reprogramar a Europa com os princípios da Restauração e Legitimidade, tão próprios do Congresso de Viena (1815).</p>
<p>A <strong>Bula Regimini militantis Ecclesiae</strong>, com a qual <strong>Pio VII</strong> declarou a restauração da Companhia de Jesus, dizia que a Igreja precisava dos válidos remadores jesuítas na barca de São Pedro. Quer dizer, os jesuítas eram importantes para a Igreja. O <strong>papa Pio VII</strong> foi muito corajoso ao tomar essa decisão, porque Napoleão ainda não tinha caído em Waterloo (ele nunca simpatizou com os jesuítas) e ainda não se sabia em agosto de 1814 como é que ia ficar o mundo.</p>
<p>Na época da Supressão, um jesuíta chamado <strong>Júlio César Cordara</strong>, <strong>Secretário Geral da Companhia de Jesus em Roma</strong>, saíra da <strong>Companhia</strong> um ano antes da <strong>Supressão</strong>. Comentando com os ex-jesuítas o grande evento, ele deu uma interpretação do acontecimento, atribuindo à personalidade do último Geral da Companhia, Lorenzo Ricci, o desfecho do caso. Diz que não estava à altura da tempestade que acometia a <strong>Companhia</strong>. Mandava-nos rezar e confiar na Providência. Ele <strong>(Ricci)</strong> era um homem de <strong>“cuore stretto”</strong> (coração apertado), ou seja, era pouco corajoso e não era um superior geral para tempos de tempestade. Ele não lutou bastante naquela batalha de informações e contrainformações em que os jesuítas tinham homens e meios para contrapor a panfletos outros panfletos. Achava que não nos devíamos rebaixar para responder às calúnias dos iluministas, libertinos e soberanos.</p>
<p><strong>IHU On-Line &#8211; Pode nos falar dos carismas da Companhia e como eles foram e ainda são importantes na missão dos jesuítas?</strong></p>
<p><strong>Ilário Govoni –</strong> São muitos os carismas da antiga <strong>Companhia</strong>, começando pela preparação intelectual e teologia aprimorada, espírito missionário, companheirismo, abertura a novos horizontes e, sobretudo, cristo-centrismo. A<strong>“ressuscitada”</strong> <strong>Companhia</strong> tem muito que aprender com o passado. O que havia de errado era talvez nos considerarmos melhores que os outros e acima de qualquer crítica e suspeita. No entanto parece-me que <strong>“amar e servir”</strong>, como dizia <strong>Inácio</strong>, seja o carisma atual. Ou ainda como dizia o jesuíta Dom Luciano Mendes de Almeida, perguntar humilde e sinceramente: “em que posso ajudar?”</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><em><strong>Por Instituto Humanista Unisinos </strong></em></span></p>
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