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	<title>IGUAIMIX :: O Portal da Cidade de Iguaí . Bahia &#187; Opinião</title>
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		<title>João Ubaldo Ribeiro nunca vai morrer, mas morreu o dragão</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Jul 2014 13:34:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Editor]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>

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		<description><![CDATA[No final da premiada obra de João Ubaldo Ribeiro, o sargento Getúlio Santos Bezerra, vendo a “força” que vem chegando, como a “morte deslizando pelo rio”, decide, como em todo o romance, encarar o desafio que lhe foi incumbido. Prestes a ser alvejado, num insano tiroteio entre ele e um pelotão, ele diz: “eu vou [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>No final da premiada obra de João Ubaldo Ribeiro, o sargento Getúlio Santos Bezerra, vendo a “força” que vem chegando, como a “morte deslizando pelo rio”, decide, como em todo o romance, encarar o desafio que lhe foi incumbido. Prestes a ser alvejado, num insano tiroteio entre ele e um pelotão, ele diz: “eu vou morrer e nunca vou morrer”.</strong><span id="more-36920"></span></p>
<div id="attachment_36922" style="width: 310px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/07/João-Ubaldo.jpg"><img class="size-medium wp-image-36922" src="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/07/João-Ubaldo-300x196.jpg" alt="(Foto: Divulgação)" width="300" height="196" /></a><p class="wp-caption-text">(Foto: Divulgação)</p></div>
<p style="text-align: justify;">O Teatro NU despede-se de um dos maiores escritores do mundo. No Brasil, diminuímos o valor de nossos grandes homens enquanto exaltamos a decadência de estruturas falidas. Temos o melhor futebol do mundo, levando de 7×1, mas João Ubaldo Ribeiro é somente um dos grandes escritores baianos? Não. Suas obras tornaram-se imortais e talvez cresçam em importância, ainda mais, à medida que o tempo vá passando e esse Brasil real, arcaico, profundo, vá se perdendo entre concretos, decretos e analfabetos.</p>
<p style="text-align: justify;">João Ubaldo conseguiu marcar sua presença na literatura mundial com uma linguagem própria. Suas obras trazem os sons e expressões do Nordeste, a dicção baiana e sergipana, sem perder a poesia jamais. Essa mistura sensacional do linguajar popular com imagens de alto teor poético e literário trazem uma força à sua obra que é especial em nossa literatura, sendo, mais que um herdeiro de Jorge Amado, um outro olhar, arguto, delicado e intenso, sobre nosso povo e nossa cultura. A obra fala por si, e basta ler seus contos, seus grandes romances, como <em>Viva o povo brasileiro</em> e <em>Sargento Getúlio</em>, suas crônicas, e podemos ver como a Bahia tá viva ainda lá, e como ele conseguiu traduzir essa Bahia e esse povo nordestino com alta literatura. Não à toa, João era um intelectual de primeira e, já na epígrafe de <em>Sargento Getúlio</em>, quando nos diz que aquela é uma história de aretê, vê-se a sólida formação desse que foi mais um dos grandes que se vão.</p>
<p style="text-align: justify;">Homenageá-lo em vida, com nossa montagem de <em>Sargento Getúlio</em>, ao menos deu-nos o consolo, ao Teatro NU, de não repetir o erro recorrente desse país que, muitas vezes, deixa morrer à míngua grandes homens, para depois exaltá-los quando mortos. Conseguimos comemorar, nos 5 anos de nosso grupo, também os 70 anos de vida e 40 de publicação da obra, contando com sua ilustre presença na estreia, fato que repetiu-se quando da comemoração de seu aniversário em Itaparica, tempos depois.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao menos, nosso espetáculo está vivo. Será apresentado hoje e amanhã, em Brasília, e continuará rodando o país pelo Palco Giratório (confira, <strong><a title="“Sargento Getúlio” volta a girar por DF, TO e MS!" href="http://www.teatronu.com/noticias/sargento-getulio-volta-a-girar-por-df-to-e-ms/" target="_blank">aqui</a></strong>, a programação desse mês), programa de circulação do SESC que nos levará a mais de 40 cidades do país inteiro.</p>
<p style="text-align: justify;">Certas pessoas jamais deveriam morrer. Acho que é por isso que uma centelha sagrada, ou profana, faz com que a arte, a literatura, as obras dessas pessoas existam, como ranhuras na pedra, como marcas, sulcos na grande rocha que é nosso planeta.</p>
<p style="text-align: justify;">João Ubaldo Ribeiro vai estar vivo, como o povo brasileiro que ele homenageou, traduziu e fantasiou em suas obras. Essa terra vai ter sempre sua força na obra desses grandes homens, e esses grandes homens sempre terão sua força por causa dessa terra. Pois “veja que terra essa, com nós aqui plantados no chão, não semos a mesma coisa?”</p>
<p style="text-align: justify;">Ficam aqui algumas das últimas palavras de Getúlio, como um epitáfio desse homem que pertence a uma geração que marcou profundamente a cultura brasileira e que, aos poucos, vai saindo de cena, deixando a grande preocupação – jamais desesperança – de quem ocupará o espetáculo vazio:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Tinha minha missão, isso tinha. E fiz. Tinha minha vida, isso também, e vivi, e se me perguntasse quer viver uma vida comprida amofinado ou quer viver uma vida curta de macho, o que era que eu respondia? Eu respondia: quero viver uma vida curta de macho, sendo eu e mais eu e respeitado nesse mundo e quando eu morresse alembrem de mim assim:</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Morreu o Dragão.</em></p>
<p style="text-align: justify;">&#8230;</p>
<h3 style="font-weight: normal; color: #6f005f;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Por Gil Vicente Tavares</strong></em></span></h3>
<p style="color: #000000;"><strong>Encenador, dramaturgo, compositor e articulista. Doutor em artes cênicas e diretor artístico do Teatro NU</strong></p>
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		<title>Sobre Zúñiga, Neymar e “macacos”</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Jul 2014 00:12:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Editor]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>

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		<description><![CDATA[Os xingamentos ao colombiano que tirou da Copa a estrela da seleção revelam o Brasil em que a abolição da escravatura jamais foi completada O zagueiro Juan Camilo Zúñiga entrou bruto com o joelho nas costas de Neymar. Era um jogo duro e a seleção brasileira também já tinha protagonizado entradas fortes sobre membros adversários. [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Os xingamentos ao colombiano que tirou da Copa a estrela da seleção revelam o Brasil em que a abolição da escravatura jamais foi completada</em></p>
<p style="color: #000000; text-align: justify;"><strong><a style="color: #8f9f29;" href="http://brasil.elpais.com/brasil/2014/07/04/deportes/1404502994_777837.html" target="_blank">O zagueiro Juan Camilo Zúñiga entrou bruto com o joelho nas costas de Neymar</a>. Era um jogo duro e a seleção brasileira também já tinha protagonizado entradas fortes sobre membros adversários. De lado a lado, se acertava mais do que a bola, como não é raro acontecer em partidas decisivas</strong><span id="more-36473"></span><strong>. Se pode criticar a arbitragem, reivindicar que a Fifa dê uma punição ao jogador colombiano, sentir fundo a tragédia de Neymar, que passa a ser a de um país inteiro. O que não deveria poder é o que aconteceu na sequência. Pelas redes sociais, brasileiros chamaram Zúñiga de “preto safado”, pediram sua morte e xingaram sua filha pequena de “puta”. Nos últimos anos, vários jogadores brasileiros foram chamados de “macacos” por torcidas de outras nacionalidades. Na sexta-feira (4), eram brasileiros aqueles que, na internet, colaram num colombiano a expressão racista.</strong></p>
<div id="attachment_36474" style="width: 310px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/07/neymar_-zuniga.jpg"><img class="size-medium wp-image-36474" src="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/07/neymar_-zuniga-300x200.jpg" alt="(Foto: Manu Fernandez/AP)" width="300" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">(Foto: Manu Fernandez/AP)</p></div>
<p style="color: #000000; text-align: justify;">Não deveria acontecer, mas aconteceu. E aconteceu no dia em que os capitães dos times que disputaram uma vaga para a semifinal leram um manifesto da campanha contra o racismo: “Rejeitamos qualquer tipo de discriminação de raça, orientação sexual, origem ou religião. Através do poder do futebol, podemos ajudar e livrar o nosso esporte e a nossa sociedade do racismo. Assumimos o compromisso de perseguir esse objetivo e contamos com você para nos ajudar nesta luta&#8221;. Depois do hino, brasileiros e colombianos posaram para fotógrafos e cinegrafistas com uma faixa: “<em>Say no to racism</em>” (“Diga não ao racismo”).</p>
<p style="color: #000000; text-align: justify;">E então a jogada bruta do campo expôs a brutalidade infinitamente maior fora do campo, aquela que trespassa a sociedade brasileira há séculos – e atravessa o futebol que encantou o mundo. O futebol é fascinante também porque, ao mesmo tempo em que suspende as tensões ao criar sua própria linguagem, as revela pela mesma razão. De repente, a “Copa das Copas” expôs o Brasil dos linchamentos, <a style="color: #8f9f29;" href="http://brasil.elpais.com/brasil/2014/01/20/opinion/1390219331_005511.html" target="_blank">o Brasil que botou a polícia militar para barrar a entrada de jovens das periferias nos shoppings</a> na virada do ano, o Brasil em que um adolescente negro foi preso a um poste pelo pescoço com uma trava de bicicleta.</p>
<p style="color: #000000; text-align: justify;">Não tenho instrumentos para medir o alcance dessa reação racista. Torço para que seja minoritária. Mas é significativo que se destaque nos sistemas de busca. A palavra que se escolhe para agredir alguém não é casual, ela sempre diz muito mais de seu autor do que daquele que ele pretende ofender.</p>
<p style="color: #000000; text-align: justify;">A certa altura, na noite após o jogo, pessoas no Twitter começaram a postar: “Por favor, não coloquem as palavras ‘Zúñiga’ e ‘preto’ no buscador. É pelo bem de vocês”. Ao escrever as duas palavras, aparecia o pior. Em uma foto postada no Instagram do jogador, sua filha pequena escreve na areia: “Papi te amo”. A menina e sua mãe são ofendidas, até de estupro se fala, como costuma acontecer com as mulheres.</p>
<p style="color: #000000; text-align: justify;">Esses torcedores parecem esquecer dos tantos negros da seleção brasileira, assim como do maior de todos eles, Pelé. Ou mesmo de Neymar, já que, se a questão é de “cor”, o herói abatido está longe de ser branco. Parecem esquecer de olhar para si mesmos. Para eles, possivelmente, seja difícil ver. Ver e reconhecer-se.</p>
<p style="color: #000000; text-align: justify;">Quem chama Zúñiga de “macaco” nas redes sociais demonstra uma enorme ignorância, em todos os sentidos do que é ignorância – e também sobre o futebol do Brasil. Em seu belíssimo livro, &#8220;Veneno Remédio – o Futebol e o Brasil&#8221; (Companhia das Letras), José Miguel Wisnik recorda que, ainda nos anos 30 do século 20, Gilberto Freyre dizia que o modo brasileiro de jogar convertia o “jogo britanicamente apolíneo” em “dança dionisíaca”, incorporando à sua técnica “o pé ágil mas delicado” do capoeira e do dançarino de samba. Freyre disse também que o futebol europeu, reto e anguloso, ganhou, no Brasil, contornos sinuosos e curvilíneos que arredondam e adoçam o jogo. Era a celebração da mestiçagem do país que ganhava – talvez – sua melhor expressão na linguagem dos pés.</p>
<p style="color: #000000; text-align: justify;">O futebol começou no Brasil com os brancos, em clubes de elite. Sobrava aos negros as bolas de meia ou de qualquer material que se arredondasse, nos campinhos e nas ruas, nas margens. E foram nestas sobras que se agigantaram, subverteram o futebol dos ingleses, criaram uma poética. Demoraram a ser primeiro recebidos pelas portas dos fundos, depois tolerados e por fim aceitos e aclamados. Mas a tensão persiste apesar das décadas. Expressa-se como um corte no momento em que, seja na arquibancada ou na arena de vale-tudo das redes sociais, um jogador negro é chamado de “macaco”.</p>
<p style="color: #000000; text-align: justify;">Então, por um rasgo no tempo, lembramos que o racismo ainda é uma marca terrível, escavando abismos na sociedade brasileira. Abismos que também se desvelam na brancura da torcida dentro dos estádios da Copa, contrastando com os negros que recolhem as latinhas na parte externa, restos de uma festa em que sobram nas margens. Ou limitam-se a assistir ao desfile da elite de seu país pelos portões das “arenas”, reafirmando o seu lugar no lado de fora.</p>
<p style="color: #000000; text-align: justify;">É cheia de drama e de vergonhas a entrada dos negros nos clubes de futebol do Brasil. Alguns, como o grande Friedenreich, o mulato com sobrenome alemão, esticava o cabelo, usava gorros. Esbarrou sempre no preconceito da elite, preocupada com a imagem do país no exterior, empreendendo grandes esforços para esconder os negros do futebol brasileiro. Em 1920, quando a seleção visitou Buenos Aires, um jornal local provocou o elenco brasileiro chamando os jogadores de “macaquitos”. É possível, mas não há certeza, que esta tenha sido a primeira vez que a palavra foi usada para expressar a discriminação racial no campo do futebol brasileiro.</p>
<p style="color: #000000; text-align: justify;">Outro que demonstrava a força dessa violência era o mulato Carlos Alberto, ao encher a cara de pó-de-arroz. “Não podia enganar ninguém, chamava até mais atenção”, descreve o cronista Mario Filho. “O cabelo de escadinha ficava mais escadinha, emoldurando o rosto, cinzento de tanto pó-de-arroz. Quando o Fluminense ia jogar com o América, a torcida de Campos Sales caía em cima de Carlos Alberto: ‘Pó de arroz! Pó de arroz!’”.</p>
<p style="color: #000000; text-align: justify;">Depois que os negros passaram a jogar nos clubes, pela razão irremovível de que eram melhores, tinham espaço no campo, mas não na vida construída ao redor do futebol, como os saraus dançantes das casas finas. A certa altura, os negros eram chamados na crônica esportiva de “colored”, porque “preto” era um palavrão. A palavra inglesa buscava escamotear o que ainda envergonhava os brancos chiques: depender de negros para colecionar vitórias.</p>
<p style="color: #000000; text-align: justify;">Toda essa saga de resistência, invenção e talento está lindamente contada no livro seminal de Mario Filho, &#8220;O negro no futebol brasileiro&#8221; (Mauad X), que todos os brasileiros deveriam ler, assim como qualquer pessoa que se interesse pelo país ou pelo futebol ou por ambos. Quando Leônidas da Silva, o famoso Diamante Negro, e Domingos da Guia se tornaram fenômenos de popularidade, carregavam com eles toda uma história brutal e fascinante que, ainda hoje, está longe de acabar. E que ficaria marcada depois no “Maracanazo”, o suposto trauma que ainda persistiria no Brasil atual, por ter perdido a Copa para o Uruguai, em 1950. Jogadores negros e especialmente Barbosa, o goleiro, foram escolhidos como culpados pela derrota, numa vitória que foi comemorada antes do jogo. Pagaram uma enormidade por algo que avançava muito além deles e do Maracanã. Com a vida para sempre assinalada, Barbosa apontado na feira, na praia, na rua como aquele que “tinha feito o Brasil chorar”.</p>
<p style="color: #000000; text-align: justify;">O futebol festejado nesta Copa do Mundo de 2014 no Brasil é este, em grande parte moldado por negros que “roubaram” a bola e subverteram a narrativa. É também por este futebol que parte do país suspira, ansioso para tê-lo de volta. O futebol da ginga e do encantamento que também nos fez quem somos – mas sem saber hoje se ainda somos. Para Mario Filho, Pelé completou a obra da Princesa Isabel, (que assinou a abolição da escravatura). Mas a cada dia a realidade insiste em reeditar a certeza de que a abolição no Brasil jamais foi completada.</p>
<p style="color: #000000; text-align: justify;">É o que acontece quando Zúñiga é chamado de “macaco” ou de “preto safado” por torcedores brasileiros porque entrou forte em Neymar, numa partida toda ela forte. Aqui, aparece ainda mais ignorância, sobre uma outra narrativa brutal, a do futebol na Colômbia. Essa geração, a de James Rodríguez, Cuadrado e Zúñiga, assinala uma travessia em curso no seu país, ainda com imensas fraturas. O presidente recém reeleito, Juan Manuel Santos, que estava no Castelão para assistir ao jogo, ganhou apertado com a bandeira de continuar negociando com as Farcs (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). A geração anterior de futebolistas entrava em campo sob os gritos das torcidas, que os chamavam de “narcotraficantes”.</p>
<p style="color: #000000; text-align: justify;">James, Cuadrado e mesmo Zúñiga encarnam uma possibilidade, um novo, na simbologia em construção de uma Colômbia que tenta fazer do futuro um presente. Quando ignorantes pedem a morte de Zúñiga – ou “a ele o mesmo destino de Escobar” – estão incitando um crime. Há 20 anos Andrés Escobar foi assassinado em Medellín dias depois de ter feito um gol contra na Copa do Mundo nos Estados Unidos. Vomitar a ignorância, também de um processo histórico, clamando pela morte de Zúñiga nas redes sociais – esta sim, uma maldade explícita – é uma covardia monumental.</p>
<p style="color: #000000; text-align: justify;">Talvez não saibam o que fazem, mas deveriam saber. Está na hora de a “pátria de chuteiras” entender mais de futebol.</p>
<p style="color: #000000; text-align: justify;">&#8230;</p>
<p style="color: #000000; text-align: justify;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Por Eliana Brum* / El País</strong></em></span></p>
<p class="nota_pie" style="color: #666666; text-align: justify;"><span style="color: #333333;"><strong>*Eliane Brum é escritora, repórter e documentarista. Autora dos livros de não ficção<em>Coluna Prestes &#8211; o Avesso da Lend</em>a, <em>A Vida Que Ninguém vê, O Olho da Rua</em>, <em>A Menina Quebrada, Meus Desacontecimentos</em> e do romance <em>Uma Duas</em>. </strong></span></p>
<p class="nota_pie" style="color: #666666; text-align: justify;"><strong><span style="color: #333333;">Email:</span> <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #8f9f29;" href="mailto:elianebrum.coluna@gmail.com"><span style="color: #0000ff;">elianebrum.coluna@gmail.com</span></a></span>  <span style="color: #333333;">Twitter:</span> <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #8f9f29;" href="https://twitter.com/brumelianebrum"><span style="color: #0000ff;">@brumelianebrum</span></a></span></strong></p>
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		<title>Maria Quitéria: heroína baiana</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Jul 2014 13:02:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Editor]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>

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		<description><![CDATA[Logo após a proclamação da Independência do Brasil, o Conselho Interino de Governo, sediado em Cachoeira na Bahia, conclamou os baianos do Recôncavo a se alistarem para luta da independência do Brasil. O escritor Brenno Ferraz (1923) que descreve a guerra da Independência da Bahia informa que Maria Quitéria solicitou o consentimento ao pai, Gonçalo [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="color: rgb(0, 0, 0); text-align: justify;"><strong><span style="color: #333333;">Logo após a proclamação da Independência do Brasil, o Conselho Interino de Governo, sediado em Cachoeira na Bahia, conclamou os baianos do Recôncavo a se alistarem para luta da independência do Brasil. O escritor Brenno Ferraz (1923) que descreve a guerra da Independência da Bahia informa que Maria Quitéria solicitou o consentimento ao pai, Gonçalo Alves de Almeida, para ingressar no Regimento de Artilharia em Cachoeira, o que lhe foi negado.</span></strong><span id="more-36138"></span></p>
<p style="color: rgb(0, 0, 0); text-align: justify;"><a href="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/07/Maria-Quitéria.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-36139" src="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/07/Maria-Quitéria-281x300.jpg" alt="Maria Quitéria" width="281" height="300" /></a></p>
<p style="color: rgb(0, 0, 0); text-align: justify;">
<p style="color: rgb(0, 0, 0); text-align: justify;"><span style="color: rgb(51, 51, 51);">Maria Quitéria intervém e argumenta a sua vontade de, mesmo sendo mulher, participar na luta, assim dizendo:</span></p>
<p style="color: rgb(0, 0, 0); text-align: justify;"><span style="color: rgb(51, 51, 51);"><em>É verdade, que não tendes filho, meu pai. Mas lembrai-vos que manejo as armas e que a caça não é mais nobre que a defesa da pátria. O coração me abrasa. Deixai-me ir disfarçada para tão justa guerra. Respondeu-lhe o pai: &#8216;Mulheres fiam, tecem e bordam; não vão à guerra&#8217;.</em> (FERRAZ, 1923, p. 58). </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: rgb(51, 51, 51);">Todavia, com a ajuda da irmã, Maria Quitéria, vestida com a roupa do cunhado José Cordeiro de Medeiros, apresentou-se ao Regimento de Artilharia. Apesar da proibição de seu pai, ela foi defendida pelo Major José Antônio da Silva Castro – avô do poeta Castro Alves – comandante do Batalhão de Voluntários do Príncipe D. Pedro – popularmente apelidado de &#8220;Batalhão dos Periquitos&#8221; – devido aos punhos e gola de cor verde de seu uniforme – e incorporada a esta tropa, em virtude de sua facilidade no manejo das armas e de sua reconhecida disciplina militar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: rgb(51, 51, 51);">O soldado Medeiros, como foi chamada Maria Quitéria, segundo a escritora Edite Mendes e o biógrafo Pereira Reis Júnior, (ABREU, 1973) combateu na Bahia de Todos os Santos em Ilha de Maré,Barra do Paraguaçu e na cidade do Salvador na estrada da Pituba, Itapuã, e Conceição.</span></p>
<p style="color: rgb(0, 0, 0); text-align: justify;"><span style="color: rgb(51, 51, 51);">Entrou em combate, juntamente com o Batalhão dos Periquitos, na estrada da Pituba, em novembro de 1822, quando os portugueses tentaram surpreender a esquadra brasileira. Este foi seu “batismo de fogo”, como diz Pereira Reis Junior (1953, p. 47).</span></p>
<p style="color: rgb(0, 0, 0); text-align: justify;"><span style="color: rgb(51, 51, 51);">Em Itapuã, em fevereiro de 1823, entra pela 2ª vezem combate. Atacou e venceu uma trincheira inimiga conduzindo prisioneiros ao seu acampamento. Também participou na defesa de Foz do Paraguaçu, em abril de 1823, avançando com um grupo de mulheres contra uma barca lusa que forçava por aportar ali.</span></p>
<p style="color: rgb(0, 0, 0); text-align: justify;"><span style="color: rgb(51, 51, 51);">Diante da grandeza e da coragem da mulher que se passou por homem para defender a Bahia e o Brasil, o General Labatut, conferiu-lhe as honras de Primeiro Cadete. Um Decreto Imperial lhe conferiu as honras de Alferes de Linha e em 28 de julho de 1996, foi reconhecida como Patronesse do Quadro Complementar de Oficiais do Exército Brasileiro. Uma estátua foi erigida em 1953, ano do centenário de sua morte, em sua homenagem na praça que leva, também, o seu nome. Sua imagem está presente em todos os quartéis do país por determinação ministerial.</span></p>
<p style="color: rgb(0, 0, 0); text-align: justify;"><span style="color: rgb(51, 51, 51);">Vale registrar que a escritora inglesa Maria Graham, que a conheceu pessoalmente ressaltou: </span></p>
<p style="color: rgb(0, 0, 0); text-align: justify;"><span style="color: rgb(51, 51, 51);"><em>Maria de Jesus é iletrada, mas viva. Tem inteligência clara e percepção aguda. Penso que, se a educasse, ela se tornaria uma personalidade notável. Nada se observa de masculino nos seus modos, antes os possui gentis e amáveis.</em></span> <span style="color: rgb(51, 51, 51);">(BIBLIOTECA NACIONAL (BRASIL), 1940).</span></p>
<p style="color: rgb(0, 0, 0); text-align: justify;"><span style="color: rgb(51, 51, 51);">Maria Quitéria fugiu de casa, indo para o campo de batalha, onde combateu e venceu. Numa época em que a mulher não tinha autonomia em nenhuma esfera da vida. Ela nasceu na Freguesia de S. José de Itapororocas, termo da então Vila de Cachoeira, a 27 de julho de 1792. Morreu em 21 de setembro de 1853, deixando o exemplo de mulher lutadora e participativa da vida pública. </span></p>
<p style="color: rgb(0, 0, 0); text-align: justify;">&#8230;</p>
<p style="color: rgb(0, 0, 0); text-align: justify;"><em><strong><span style="color: #800000;">Por Neuracy Maria de Azevedo Moreira* / Biblioteca Virtual 2 de Julho</span></strong></em></p>
<p style="color: rgb(0, 0, 0); text-align: justify;"><strong><span style="color: #333333;">*Graduada em Sociologia pela Universidade de Minnesota (1979). Especialização em Gênero e Desenvolvimento, com ênfase em Políticas Públicas pela Universidade Federal da Bahia (2008). Atualmente é colaboradora no Centro de Memória da Bahia, da Fundação Pedro Calmon.</span></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>
<p style="text-align: justify;">ABREU, Edite Mendes da Gama e. <em>A mulher na Independência da Bahia</em>: aspectos do 2 de julho. Salvador: Secretaria de  Educação e Cultura, 1973.</p>
<p style="text-align: justify;">BIBLIOTECA NACIONAL (BRASIL). Maria Graham no Brasil. <em>Anais da Biblioteca nacional do Rio de Janeiro</em>. Rio de janeiro, 1940. v. 40, 335 p. Disponível em: &lt;<a href="http://objdigital.bn.br/acervo_digital/anais/anais_060_1938.pdf">http://objdigital.bn.br/acervo_digital/anais/anais_060_1938.pdf</a>&gt;. Acesso em: 30 ago. 2011.</p>
<p style="text-align: justify;">FERRAZ, Brenno. <em>A guerra da independência da Bahia</em>. São Paulo: Monteiro Lobato e Cia, 1923.</p>
<p style="text-align: justify;">REIS JUNIOR, Pereira. <em>Maria Quitéria</em>. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Cultura, 1953.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>BIBLIOGRAFIA CONSULTADA</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A MOÇA baiana que se fez soldado para lutar pelo Brasil. A Tarde, Salvador, 21 ago. 1953. Caderno 1, p. 1.</p>
<p style="text-align: justify;">TAVARES, Luis Henrique Dias. <em>História da Bahia</em>. 10. ed. Salvador; São Paulo: UNESP; Edufba, 2001.</p>
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		<title>A Guerra da Bahia: um panorama</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Jul 2014 13:01:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Editor]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>

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		<description><![CDATA[A Independência do Brasil guardou para a Bahia episódios bastante intensos. Nesta então província, portugueses e brasileiros, em lados opostos, pegaram em armas para definir o futuro da porção americana do Reino Unido português. Esta guerra durou cerca de um ano e alguns dias, entre 25 de junho de 1822 e 2 de julho de [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="color: #000000; text-align: justify;"><strong><span style="color: #333333;">A Independência do Brasil guardou para a Bahia episódios bastante intensos. Nesta então província, portugueses e brasileiros, em lados opostos, pegaram em armas para definir o futuro da porção americana do Reino Unido português. Esta guerra durou cerca de um ano e alguns dias, entre 25 de junho de 1822 e 2 de julho de 1823, e mobilizou, de ambos os lados, dezenas de milhares de soldados, sem contar com outras tantas pessoas que, ou participaram da guerra de outras formas que não no<i>front</i>, ou tiveram suas vidas marcadas dramaticamente pelos fatos decorrentes da guerra.</span></strong><span id="more-36136"></span></p>
<p style="color: #000000; text-align: justify;"><a href="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2013/10/Estado-da-Bahia.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-22998" src="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2013/10/Estado-da-Bahia-300x209.jpg" alt="Bandeira Estado da Bahia" width="300" height="209" /></a></p>
<p style="color: #000000; text-align: justify;"><span style="color: #333333;">Se considerarmos que a guerra aconteceu estritamente neste período, devemos levar em consideração alguns acontecimentos anteriores que também contrapuseram portugueses e baianos em ideias e armas. O primeiro deles, os episódios de fevereiro de 1822, nas ruas da cidade do Salvador; o outro, em Santo Amaro, já em junho do mesmo ano. Na primeira oportunidade, houve desentendimentos políticos acerca na nomeação pelas Cortes de Lisboa do General Madeira de Melo para chefiar a Junta Governativa da Bahia, além das Armas da Província. Estes desentendimentos tomaram as ruas e batalhões formados majoritariamente por baianos tomaram o Forte de São Pedro, de onde bateram-se com outros batalhões de maioria portuguesa. Cercados e sem perspectivas militares, uns se entregaram, outros dispersaram, indo em direção aos subúrbios da capital ou às vilas do recôncavo baiano.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #333333;">Depois dos desentendimentos de fevereiro, meses se passaram até que um novo conflito armado tivesse relevo. No entanto, estes não foram meses de calmaria. Na verdade, muita movimentação política – temperada pela migração intensa de descontentes da capital para as vilas do recôncavo – além de compra de armas, pólvora e munição, aconteceu nestes meses. Em junho, a ruptura política estava madura e apontaria para um conflito mais consistente. No dia 14 de junho de 1822 – uma semana depois de uma tentativa frustrada na capital – a Câmara de Santo Amaro proclamou o príncipe D. Pedro – o qual só seria coroado Imperador meses depois – “Defensor Perpétuo do Brasil”. Na sequência, tropas portuguesas promoveram um quebra-quebra na vila e, sem sofrer contragolpes, retiraram-se para Salvador. Dias depois, a mesma declaração aconteceria em Cachoeira, mas os desdobramentos seriam outros.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #333333;">Reuniões ocuparam os dias seguintes, até que, em 24 de junho, reuniram-se proprietários e seus clientes no distrito de Belém, de onde oficiaram às autoridades de Cachoeira. No dia seguinte, desceram à vila armados, encontrando “povo e tropa” à frente da Câmara, que, reunida, aclamaria D. Pedro. À tarde, após <i>Te Deum</i>, uma embarcação militar portuguesa disparou contra a multidão. Entre ataques e revides, a canhoneira foi dominada e seus tripulantes aprisionados. “Assim começou a guerra pela Independência do Brasil na Bahia” – sentencia Luis Henrique Dias Tavares.</span></p>
<p style="color: #000000; text-align: justify;"><span style="color: #333333;">A partir de 25 de junho, o confronto estava instalado e era irreversível. O lado baiano levou alguns meses para constituir uma força armada minimamente estruturada. Tal exército foi formado com egressos das tropas fugidas da capital em fevereiro, mais ordenanças principalmente das vilas do recôncavo, além de um contingente grande de voluntários, grande parte de trabalhadores, arregimentados e armados por seus patrões, além de voluntários avulsos, livres, libertos e até escravos que fugiam para servir em prol da liberdade brasileira e, assim, angariar a sua própria.</span></p>
<p style="color: #000000; text-align: justify;"><span style="color: #333333;">Esta disposição não seria fácil e nem harmônica. As tensões sociais de uma Bahia marcada pela escravidão e pela pobreza impregnariam o dia a dia da província em guerra. Escravos viram na disputa dos senhores brancos chance para rebelar-se. Índios, libertos e pobre livres, dentro do exército, rebelaram-se contra seus superiores hierárquicos; fora dele, inquietaram-se e manifestaram-se contra as autoridades, demonstrando desacordo com o projeto político dos grandes proprietários.</span></p>
<p style="color: #000000; text-align: justify;"><span style="color: #333333;">Do lado português, às tropas de linha que serviam em Salvador, foram acrescidos os contingentes trazidos pelo General Madeira, além de tropas vindas do sul do Brasil. Eram tropas melhor treinadas, com melhores armamentos, mas, com o avançar dos dias, foi perdendo a superioridade numérica inicial. As tropas portuguesas foram suficientes para ganhar a cidade em fevereiro e impedir uma investida de sucesso durante a guerra, mas não para avançar contra o recôncavo baiano ou a ilha de Itaparica, o que penderia fatalmente o destino da Bahia em direção ao domínio português.</span></p>
<p style="color: #000000; text-align: justify;"><span style="color: #333333;">Na retaguarda das tropas baianas, foi criado um governo para as vilas que resistiam ao governo de Madeira desde Salvador. O Conselho Interino de Governo era formado por representantes de diversas vilas baianas, escolhidos pelas respectivas câmaras. Seus membros eram, portanto, proprietários com relativo cabedal. Este Conselho foi responsável pela articulação política das elites baianas com D. Pedro, no Rio de Janeiro; pela manutenção da “ordem e do sossego público”; pelo sustento da guerra e pelas primeiras investidas militares contra os portugueses – que constituíram em manobras para consolidar o cerco à capital.</span></p>
<p style="color: #000000; text-align: justify;"><span style="color: #333333;">Em setembro de 1822, o General Pedro Labatut desembarcou em Recife, Pernambuco, com tropas vindas do Rio de Janeiro e acrescidas de tropas pernambucanas, alagoanas e sergipanas. Em outubro, o cenário da guerra estava completamente montado. Duas colunas, em Cabrito/Pirajá e em Itapuã/Armações, acrescidas pouco depois por outra, central, entre São Caetano e Brotas, mantiveram os portugueses em sua posição original e cada vez menos abastecidos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #333333;">Daí em diante, a guerra resumiu-se a poucas, mesmo que enérgicas, tentativas portuguesas de furar o cerco. Do lado brasileiro, prevaleceu a estratégia de manter o cerco, evitando o acesso dos portugueses a alimentos e munição, forçando-os à rendição. Merece destaque a batalha de Pirajá, imortalizada nos versos de Castro Alves, na sua Ode ao Dous de Julho:</span></p>
<p style="text-align: center;">“<em>O anjo da morte pálido cosia</em></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #333333;"><em>Uma vasta mortalha em Pirajá</em>”</span></p>
<p style="text-align: justify;">Esta batalha, ocorrida em 8 de novembro de 1822, começou com uma investida portuguesa em direção ao Recôncavo no intuito de tomar posições brasileiras e terminou com uma debandada desordenada das tropas lusitanas, já em final de tarde. É desta batalha a controversa narrativa sobre o Corneta Lopes. É também de Pirajá o título de batalha com o maior número de baixas – cerca de duas centenas – durante toda a guerra. Pode-se considerar – pelo tamanho da operação e pela ousadia portuguesa, saindo de posição de vantagem topográfica – que esta derrota selou o destino da guerra. Madeira e seus correligionários devem ter percebido, a partir daí, a impossibilidade de demover as tropas brasileiras – mais numerosas e em posições também bem guarnecidas – para conseguir abastecimento.</p>
<p style="color: #000000; text-align: justify;"><span style="color: #333333;">Por mar, as manobras portuguesas se reduziram a hostilizar posições e embarcações brasileiras e a tentativas de desembarque na Ilha de Itaparica, estas com resultados mais sérios. A 7 de janeiro de 1823, uma operação de grande intensidade pretendeu desembarcar soldados lusitanos para ocupar a Ilha. Os portugueses foram derrotados ao terceiro dia de combate, com muitas baixas. Em fins de abril, início de maio de 1823, as manobras da marinha portuguesa ficariam ainda mais limitadas, com a chegada da esquadra imperial sob o comando de Lord Cochrane, um veterano inglês, contratado por D. Pedro I.</span></p>
<p style="color: #000000; text-align: justify;"><span style="color: #333333;">Com o decorrer do tempo, a posição portuguesa tornava-se cada vez mais delicada. A escassez de alimentos, as dificuldades de comunicação com Portugal e com outras partes do Brasil, a superioridade numérica dos sitiantes convenceram as altas patentes lusitanas de uma retirada, provavelmente combinada com as autoridades brasileiras. Assim, em 2 de julho de 1823, as tropas brasileiras entravam em Salvador, reunindo definitivamente esta cidade ao Império Brasileiro.</span></p>
<p style="color: #000000; text-align: justify;"><span style="color: #333333;">A Bahia, como parte deste Império, garantiria aos seus proprietários de terras e escravos, a manutenção de seu <i>status</i>. Mas, ficariam as cicatrizes da guerra: uma economia que custaria a se reequilibrar; uma desconfiança, algumas vezes atingindo picos violentos, das camadas populares sobre comerciantes portugueses&#8230; Guerra finda, as velhas tensões sociais latentes acompanhariam a província por anos, pintando os anos seguintes com as cores da luta por liberdade.</span></p>
<p style="color: #000000; text-align: justify;">&#8230;</p>
<p style="color: #000000; text-align: justify;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Por <span style="color: #800000;">Sérgio Armando Diniz Guerra Filho*</span> / Biblioteca Virtual 2 de Julho</strong></em></span></p>
<p style="color: #000000; text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>*Licenciado em História pela Universidade Católica do Salvador (1997) e Mestre em História pela Universidade Federal da Bahia (2004), onde é doutorando. Professor Assistente da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Tem experiência na área de História, com ênfase em História Regional do Brasil e Ensino de História, atuando principalmente nos seguintes temas: independência, Bahia, lutas populares, estado e nação e ensino de história.</strong></span></p>
<p>&#8230;</p>
<p><strong>Ouça o Hino da Bahia:</strong></p>
<p><iframe src="//www.youtube.com/embed/JB-DDZ6GzPk?rel=0" width="540" height="420" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>O homem e o meio ambiente</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Jun 2014 13:52:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Editor]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>

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		<description><![CDATA[Não há como falar em meio ambiente sem discutir a questão da sustentabilidade, pressupondo que sustentabilidade está intrinsecamente relacionada ao meio, às pessoas, às relações, usos, necessidades, sistemas produtivos. Portanto, sustentabilidade envolve todos os atos e relações do homem em sociedade e de sua interação com o meio em que vive. Os eventos que vêm se apresentando atualmente, [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>Não há como falar em meio ambiente sem discutir a questão da sustentabilidade, pressupondo que sustentabilidade está intrinsecamente relacionada ao meio, às pessoas, às relações, usos, necessidades, sistemas produtivos. Portanto, sustentabilidade envolve todos os atos e relações do homem em sociedade e de sua interação com o meio em que vive.</strong><span id="more-34755"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/06/meio_ambiente.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-34756" src="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/06/meio_ambiente-300x216.jpg" alt="meio_ambiente" width="300" height="216" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Os eventos que vêm se apresentando atualmente, decorrentes das mudanças climáticas, parecem não ter efeito na compreensão da realidade por parte de toda a sociedade, manifestando-se em práticas, atitudes e modos de produção que de fato comprometem a proteção ao meio ambiente e a redução de danos ocasionados pela ação do homem.</p>
<p style="text-align: justify;">Derretimento das calotas polares, destruição das florestas, destruição de ecossistemas, contaminação química, contaminação de solos, poluição de rios e oceanos, poluição atmosférica, parecem ser assuntos alheios à realidade cotidiana das pessoas, entretanto, tais eventos impactam diretamente o futuro da humanidade. A escola, a academia, a imprensa, os poderes públicos nas esferas federal, estadual e municipal precisam discutir amplamente com toda a sociedade e estabelecer pactos realmente significativos de compromisso com a sustentabilidade ambiental.</p>
<p style="text-align: justify;">5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente. O dia de hoje é uma oportunidade de reflexão para a mudança de atitudes do homem frente ao meio ambiente. Se não for assim, o futuro será realmente trágico. É necessário praticar a máxima do ambientalismo &#8211; pensar globalmente e agir localmente; reformular atitudes e hábitos diários em relação ao uso de água, energia elétrica, combustíveis, destino dos resíduos domésticos, embalagens, dentre outros. Só assim, com a participação de todos, criam-se atitudes concretas para a proteção do meio ambiente.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;"><strong><em>Por Saint-Clair Honorato Santos</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Procurador de Justiça do MP-PR, coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Proteção ao Meio Ambiente</strong></em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Os bananas e o coxinha</title>
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		<pubDate>Thu, 01 May 2014 12:52:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Editor]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>

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		<description><![CDATA[Foi Luciano Huck, após ser assaltado em outubro de 2007, que escreveu a respeito de seu próprio assassinato essa fantasia bizarra: &#8220;Uma jovem viúva. Uma família destroçada. Uma multidão bastante triste. Um governador envergonhado. Um presidente em silêncio. Por quê? Por causa de um relógio&#8221;. Como se vê, Huck atribuiu a si mesmo uma importância [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>Foi Luciano Huck, após ser assaltado em outubro de 2007, que escreveu a respeito de seu próprio assassinato essa fantasia bizarra: &#8220;Uma jovem viúva. Uma família destroçada.<span id="more-33124"></span> Uma multidão bastante triste. Um governador envergonhado. Um presidente em silêncio. Por quê? Por causa de um relógio&#8221;.</strong></p>
<div id="attachment_33125" style="width: 310px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/05/somos-todos-macacos.jpg"><img class="size-medium wp-image-33125" alt="(Foto: Reprodução)" src="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/05/somos-todos-macacos-300x196.jpg" width="300" height="196" /></a><p class="wp-caption-text">(Foto: Reprodução)</p></div>
<p style="text-align: justify;">Como se vê, Huck atribuiu a si mesmo uma importância social extraordinária – provavelmente já contando com o sensacionalismo turbinado da mídia nos casos que envolvem, err, celebridades. Mas também nos obriga a lembrar um detalhe. Não era “um relógio” qualquer, era um rolex. De ouro. E um rolex de ouro pode custar até centenas de milhares de reais. Com sua peculiar sensibilidade social, Huck não entendeu que um maluco com muitos milhares de reais pendurados no pulso pode, sim, ser assaltado, e talvez morto. O rolex de Huck, naquele ano, consta, custava R$ 39 mil. No Brasil mata-se por muito (mas muito) menos.</p>
<p style="text-align: justify;">Entre outras respostas contundentes, vieram a do escritor Ferréz (que imaginou o drama do outro lado, o do ladrão) e a de Zeca Baleiro. É uma ponderação de Zeca que me interessa agora: &#8220;Eu também reclamaria caso roubassem algo comprado com o suor do rosto. Reclamaria na mesa de bar, em família, na roda de amigos. Nunca num jornal. Esse argumento, apesar de prosaico, é pra mim o xis da questão. Por que um cidadão vem a público mostrar sua revolta com a situação do país, alardeando senso de justiça social, só quando é roubado? Lançando mão de privilégio dado a personalidades, utiliza um espaço de debates políticos e adultos para reclamações pessoais (sim, não fez mais que isso), escorado em argumentos quase infantis, como &#8216;sou cidadão, pago meus impostos&#8217;&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Ontem, Luciano Huck fez pior. A história começou no domingo, num jogo na Espanha. Como todo mundo já deve saber, o jogador brasileiro do Barcelona, Daniel Alves, foi alvo de uma banana arremessada. Antes de cobrar um escanteio, em uma inspiração momentânea (pelo menos aparentemente, como veremos), Alves comeu a banana, como se nada estivesse acontecendo. O vídeo correu mundo – mas a coisa não parou nisso.</p>
<p><iframe src="//www.youtube.com/embed/ij5LDp3IY1g?rel=0" height="315" width="540" allowfullscreen="" frameborder="0"></iframe></p>
<p>Continuou, e aumentou, com uma manifestação um tanto esquisita de Neymar, que postou foto também comendo banana, ao lado de seu filho. Esquisita porque Neymar, seu colega de time, já tinha nos explicado no final de 2013 que “nunca foi vítima de racismo – até porque não é preto, né”, reforçando a declaração em mais de uma entrevista.</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez Neymar tenha superado a amnésia traumática e lembrado que já foi sim alvo de gressões racistas. Por exemplo na Bolívia, em 2012, quando, ainda no Santos, foi alvo de bananas. Então a tag que lançou junto com a foto, #somostodosmacacos, seria um pouco menos impessoal. Além dele, ao longo da segunda-feira, gente como Alexandre Pires, Michel Teló, Ivete Sangalo, Claudia Leitte, Fátima Bernardes, Ana Maria Braga, Dinho Ouro Preto e Reinaldo Azevedo (!), além do Inri Cristo, postaram suas respectivas (ops) bananas.</p>
<p style="text-align: justify;">Pareceria um caso, sempre meio bobo, de viral-celebridade, se dois desdobramentos não viessem a público: a) a tag #somostodosmacacos foi criada por uma agência de publicidade, a Loducca. Como no caso da cueca, Neymar gosta de fazer publicidade disfarçada. Questionado, um executivo da agência respondeu que “tentar desmerecer o movimento pelo fato de ter uma agência por trás é tão preoconceituoso quanto o torcedor que joga a banana. Por que não pode haver ajuda profissional? Não é uma campanha para vender nada”; b) a loja de Luciano Huck, o primeiro depois de Neymar a postar foto sua (com a esposa Angélica), já tinha pronta para vender uma camiseta com a tag e  banana, a R$ 69 reais. Ou seja, se a Loducca só queria “vender boas intenções”, para Luciano Huck isso não era um impedimento. E nem roubar a banana do Andy Warhol na capa do disco Velvet Underground.</p>
<div id="attachment_33126" style="width: 310px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/05/Neymar.jpg"><img class="size-medium wp-image-33126" alt="(Foto: Reprodução / Instagram)" src="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/05/Neymar-300x179.jpg" width="300" height="179" /></a><p class="wp-caption-text">(Foto: Reprodução / Instagram)</p></div>
<p style="text-align: justify;">A Loducca diz que o próprio Neymar, que não estava nesse jogo, iria comer a fruta em alguma ocasião, e que Daniel o fez por uma incrível coincidência. O que levou Neymar a disparar a campanha. Nem é necessario embarcar na teoria da conspiração de que o próprio arremessador da banana em Villareal já fazia parte da trama – só a mera iniciativa relâmpago de Huck em capitalizar em cima da campanha já gerou um enorme desconforto. Luciano, que não é Hulk e não fica verde, também não fica amarelo em ganhar com a desgraça alheia.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 2011, Luciano e a empresa de descontos à qual tinha se associado, a Peixe Urbano, (supostamente) faziam doações paras as vítimas das enchentes naquele ano – mas você tinha que se cadastrar no site, antes de “comprar os cupons de doação”. No mínimo, mesmo que as doações chegassem integralmente (o que é improvável), era um modo de Luciano colocar sua base de fãs e seguidores no cadastro de vendas, usando a tragédia como desculpa.</p>
<p style="text-align: justify;">A casa de Huck na ilha das Palmeiras, em Angra dos Reis, é construída numa área de proteção ambiental. Para se livrar da acusação, Huck contratou o escritório de advocacia da então primeira dama do Rio – e o governador Sérgio Cabral, em 2010, editou um decreto (que logo ficou conhecido como “Lei Luciano Huck”) para resolver o probleminha do apresentador. Não satisfeito, no ano seguinte Huck foi acusado de impedir o acesso à sua “praia particular” com bóias ilegais.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma jovem viúva. Uma coxinha destroçada. É difícil imaginar o poderoso “macaco” Huck sendo xingado ou perseguido como um negro, ameaçado de um pipoco grátis (exceto talvez se insistir em andar por aí com seu rolex). Como aconteceu com Oswaldo Zaratini, que na semana passada teve o azar de, sendo negro, ser sequestrado – quando desceu do carro foi morto pela polícia (o sequestrador, branco, sobreviveu).</p>
<p style="text-align: justify;">Alguns comentaristas acharam a tag #somostodosmacacos racista e negativa. Eu tenderia a achá-la boba, além de oportunista – se ficasse no universo dos jogadores e de seus fãs-celebridade. Parece coisa de, err, publicitário. Mas o “roubo” da doença social do racismo no futebol por um playboy amoral e oportunista transforma a coisa toda não só em um escândalo, como em um foco de vergonha alheia lancinante.</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez #somostodosbananas fosse mais preciso. Ou #somostodosrecheadosdefrangodesfiado. Eu simpatizo com a idéia de descender do macaco, até porque um homem que cruzasse com uma costela provavelmente geraria um tipo de exoesqueleto, como o Alien.</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez descendamos do cruzamento do macaco com o porco, como defendeu há uns meses o geneticista norteamericano Eugene McCarthy. O que daria um bicho menos peludo, inconsequente e agitado, e mais estável e rosado, como um executivo. Ou um apresentador. Faz sentido. #somostodoscinicosoportunistas (não, não somos).</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Por Alex Antunes</strong></em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="https://br.noticias.yahoo.com/blogs/alex-antunes/" target="_blank"><strong>Blog do Alex Antunes</strong></a></p>
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		<title>Retorno àqueles dias “mal-ditos”</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Mar 2014 23:08:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Editor]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>

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		<description><![CDATA[Utopia de saber a respeito daquelas páginas infelizes de nossa história deve servir como um horizonte futuro Eu nasci em 1974, quando o Brasil estava sob a ditadura militar e a  República sob a presidência do general Ernesto Geisel. Nasci na periferia miserável de Alagoinhas, cidade do interior da Bahia. Quando me percebi como uma [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Utopia de saber a respeito daquelas páginas infelizes de nossa história deve servir como um horizonte futuro</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Eu nasci em 1974, quando o Brasil estava sob a ditadura militar e a  República sob a presidência do general Ernesto Geisel.<span id="more-31638"></span> Nasci na periferia miserável de Alagoinhas, cidade do interior da Bahia. Quando me percebi como uma pessoa, na primeira metade dos anos 1980, o regime militar ainda vigorava; mas lá, por aquelas bandas, não se fala em ditadura. Meus pais, meus tios e meus vizinhos – aquelas pessoas pobres em luta apenas pelo &#8220;pão-de-cada-dia&#8221; – não falavam em ditadura. E aquele comunicado oficial do órgão de censura que antecipava cada programa de tevê que eu via pela janela do único vizinho com aparelho em casa; aquele comunicado nada significava além de um alerta inócuo para mim e para os demais que se agrupavam em frente à tela para assistir principalmente às telenovelas.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/03/Ditadura-Militar.jpg"><img class="size-full wp-image-31639 alignleft" alt="Ditadura Militar" src="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/03/Ditadura-Militar.jpg" width="200" height="200" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Só anos depois, já no final do ginásio (hoje chamado ensino fundamental), que eu pude perceber, pelos livros da biblioteca da casa paroquial (<i>Brasil: Nunca Mais</i>, o principal deles) que nós fazíamos parte da pátria-mãe que dormia distraída enquanto era subtraída em “tenebrosas transações”, para citar Chico Buarque.  Aliás, por falar em Chico Buarque, a trilha sonora oficial daqueles “anos de chumbo” – que inclui, além de Buarque,  Geraldo Vandré, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa, Torquato Neto, Elis Regina e etc. – não era ouvida naquelas bandas. O que se tocava nas poucas radiolas do bairro, autofalantes da &#8220;Feira do Pau&#8221; e na Rádio Emissora de Alagoinhas eram artistas como Nelson Ned, Odair José, Agnaldo Timóteo,  Paulo Sérgio, Cláudia Barroso, Waldick Soriano e Fernando Mendes, além de, claro, Roberto Carlos.</p>
<p style="text-align: justify;">Não se falava em ditadura militar também nas escolas Maria José Bastos e Polivalente de Alagoinhas, onde cursei o primário e o ginásio. Mas, todos os dias, antes de entrarmos para as salas de aulas, éramos obrigados a cantar o Hino Nacional enquanto a Bandeira do Brasil era hasteada; e nas aulas de Educação Moral e Cívica &#8211; disciplina que nós chamávamos simplesmente de &#8220;emecê&#8221; &#8211; aprendíamos que, em 31 de março de 1964, aconteceu, no País, uma revolução conduzida pelas Forças Armadas que o livrou do &#8220;mal do comunismo&#8221;. Nenhuma professora nos explicava por que o comunismo era um mal. Lembro-me, certa vez, de minhas irmãs mais velhas e já adolescentes contarem, em casa, que &#8220;uns estudantes comunistas criaram uma chapa Viração para derrubar o centro cívico e criar um grêmio livre na escola&#8221;. Perguntei, depois, a meu pai o que eram comunistas e ele me respondeu que era o &#8220;papa-figo&#8221; (corruptela de &#8220;papa-fígado&#8221;). Naqueles anos, crianças, vivíamos aterrorizadas pelos relatos de que um jipe ou uma rural vasculhava as ruas da cidade, principalmente à noite, em busca de meninos e meninas para lhes tirar o fígado.</p>
<p style="text-align: justify;">Não se falava em ditadura militar entre os adultos que povoavam a minha infância, mas todos se referiam a um tal tenente Cruz e à ordem que ele impunha à Alagoinhas. Os adultos descreviam a crueldade que o tenente Cruz infligia aos &#8220;bandidos&#8221; com um misto de pavor (da violência praticada) e alívio (por estarem livres de &#8220;bandidos&#8221;). Anos depois, já frequentando o movimento pastoral da Igreja Católica, eu descobri que o já capitão Cruz era um delegado regional nomeado por políticos do PDS. Cruz morreria poucos anos mais tarde. Houve rumores de que ele fora uma das primeiras vítimas da Aids na cidade.</p>
<p style="text-align: justify;">As verdades da ditadura que conheço hoje &#8211; a censura, os conflitos, as torturas, os assassinatos, os exílios &#8211; não chegavam como tais até nós, da mesma maneira que nossa verdade, naqueles anos, era – e ainda é de certa forma – ignorada pelos envolvidos na resistência à ditadura militar e responsáveis em parte pela (re)construção da memória daquele período. A memória, sendo uma construção social, pode cristalizar determinados aspectos de um tempo em detrimento de outros que poderiam e podem ser muito úteis para se pensar o quadro político-social vigente naqueles anos (afinal, a visão de mundo das camadas populares, colocadas à margem do centro de decisão política, deve ter algo a nos dizer sobre a ditadura militar: elas não sabiam ou não queriam saber ou tinham medo de saber ou eram simplesmente ignoradas porque subalternas ou invisíveis? Sabemos hoje que, durante a ditadura militar, o perigo rondava o conhecimento, e que, por isso, muitos oscilavam entre saber e fingir que não sabiam ou esquecer). Ora, o historiador francês Jacques Le Goff, afirma que é preciso interrogar-se sobre os esquecimentos. “Devemos fazer o inventário dos arquivos do silêncio, e fazer a história a partir dos documentos e das ausências de documentos”.</p>
<p style="text-align: justify;">Até onde se sabe, não existem documentos que reconstruam, por exemplo, a memória do tratamento que os líderes dos movimentos revolucionários deram aos homossexuais (em especial às mulheres lésbicas) seja em seus &#8220;aparelhos&#8221;, seja nas prisões. Sendo assim, na reconstrução dessa memória, devemos trabalhar também a partir da ausência de documentos e do silêncio em torno desse assunto.</p>
<p style="text-align: justify;">Há muito para se dizer sobre aqueles &#8220;dias mal-ditos&#8221;. Esta expressão  batizou uma atividade acadêmica que realizamos na Universidade Jorge Amado em 2004, ano em que o golpe militar completou 40 anos. Nessa atividade, apresentei o resultado parcial de uma análise, à luz dos Estudos Culturais, das relações (assim, no plural) das telenovelas da Globo com a ditadura.</p>
<p style="text-align: justify;">A eleição da presidenta Dilma Roussef – ela mesma uma vítima direta dos crimes da ditadura militar e agente da resistência ao terrorismo de estado praticado naqueles anos – abriu um capítulo para a memória, que não consiste apenas em estabelecer uma verdade historiográfica daqueles dias. Tanto a verdade historiográfica quanto a temporada de julgamentos dos criminosos  que esperamos que se suceda à historiografia pressupõem uma construção de significados em um prazo longo (e vimos, ao longo da atuação da Comissão Nacional da Verdade constituída pela presidenta, que essa construção resultou em conflito ideológico e de valor – lembremos, por exemplo, da tagarelice do deputado e ex-militar Jair Bolsonaro, defendendo que &#8220;se gozava de liberdade no período da ditadura&#8221;; a ação de militares contra uma novela do SBT que tratou superficialmente &#8220;daqueles dias mal-ditos&#8221;; e o manifesto contrário à Comissão assinado por mais de cem militares da reserva e seguido pela arrogante declaração do secretário-geral do Exército questionando a veracidade das torturas de que fora vítima a presidenta Dilma).</p>
<p style="text-align: justify;">A verdade – ou verdades &#8211; sobre os porões de tortura,  voos da morte, assassinatos, sequestros, a desumanidade dos métodos do Estado para conter a resistência é certamente terrível, sobretudo para quem sobreviveu aos fatos. Mas é necessária. Eu tenho direito a ela! Minha geração e as que vieram depois têm direito a ela!</p>
<p style="text-align: justify;">A Comissão da Verdade, liberada do imediatismo dos fatos, pode nos oferecer uma narrativa não unificadora, porque essa não seria desejável. Esperamos que todos os que escreveram aquelas páginas infelizes e sobreviveram a esse ponto de resgatá-las participem da (re)construção dessa memória. Por isso, para garantir a lisura dos trabalhos da mesma e auxiliá-los ao mesmo tempo, um grupo de deputados da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara instituiu uma Subcomissão  Parlamentar da Memória, Verdade e Justiça coordenada pela deputada Luiza Erundina. Sabemos que não poderemos reconstruir tudo, mas a utopia de tudo saber a respeito daquelas páginas infelizes de nossa história deve servir como um programa, um horizonte e uma advertência para o futuro.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong><span style="color: #800000;">Por Jean Wyllys</span></strong></em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><i>Escritor, jornalista e deputado federal pelo PSOL-RJ. Seu relato </i><i>é</i><i> o terceiro de uma s</i><i>é</i><i>rie de 50 depoimentos coletados para o especial <a href="http://www.cartacapital.com.br/ditadura" target="_blank">Ecos da Ditadura</a>, que lembra os 50 anos do golpe militar</i></strong></p>
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		<title>Por que andar de ônibus no Brasil não é politicamente correto?</title>
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		<pubDate>Sat, 15 Mar 2014 11:03:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Editor]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>

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		<description><![CDATA[Foto de atriz Lucélia Santos usando transporte público no Rio circula nas redes sociais e vira alvo de brincadeiras de mau gosto No início desta semana, uma foto da atriz Lucélia Santos, de 56 anos, circulou pelos portais, sites de fofoca e as redes sociais no Brasil. Na segunda-feira, a atriz, que atualmente mora no [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Foto de atriz Lucélia Santos usando transporte público no Rio circula nas redes sociais e vira alvo de brincadeiras de mau gosto<span id="more-30591"></span></em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>No início desta semana, uma foto da atriz Lucélia Santos, de 56 anos, circulou pelos portais, sites de fofoca e as redes sociais no Brasil. Na segunda-feira, a atriz, que atualmente mora no Rio de Janeiro, tomou o ônibus 524 (Botafogo-Barra da Tijuca) para se locomover pela cidade onde mora. Um fã tirou uma foto e postou nas redes sociais &#8220;524 lotado. Me ofereço pra segurar a bolsa da moça. E quando olho, é a atriz Lucélia Santos&#8221;.</strong></p>
<div id="attachment_30592" style="width: 310px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/03/Lucélia-Santos.jpg"><img class="size-medium wp-image-30592" alt="A atriz Lucélia Santos, em ônibus no Rio. (Foto: Reprodução/Instagram)" src="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/03/Lucélia-Santos-300x280.jpg" width="300" height="280" /></a><p class="wp-caption-text">A atriz Lucélia Santos, em ônibus no Rio.<br />(Foto: Reprodução/Instagram)</p></div>
<p style="text-align: justify;">A foto da atriz &#8211; que ficou internacionalmente conhecida quando estreou na televisão, em 1976, no papel da escrava Isaura, na novela homônima que foi transmitida em 79 países &#8211; usando uma camisa branca e de pé no ônibus rapidamente circulou na internet. Poderia ser apenas uma nova fofoca, daquelas que abastecem diariamente os veículos que vivem do que fazem os famosos fora das telas. Mas não foi. Comentários do tipo &#8220;não está fácil pra ninguém&#8221; pipocaram acompanhados da imagem da atriz. Como se andar de ônibus fosse sinal de decadência. Mas no provincianismo brasileiro de cada dia, é assim que as pessoas enxergam o uso do transporte coletivo.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Grande parte das pessoas que postaram essa foto (com os comentários maldosos) devem usar o transporte coletivo também&#8221;, diz o arquiteto e especialista em transporte público Flamínio Fichmann. &#8220;Existe um preconceito das pessoas em relação a elas mesmas. É uma questão de autoimagem&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse problema de autoimagem &#8211; ou seria autoestima? &#8211; faz com que, diariamente, as grande cidades sejam inundadas com milhões de carros e motos, estancando a mobilidade das ruas. De acordo com o Plano Diretor de Transportes Urbanos (PDTU) do Rio de Janeiro, entre 2002 e 2012, a quantidade de usuários do transporte individual (táxis, motocicletas e carros particulares) aumentou de 25% para 28%, enquanto o percentual das pessoas que usam o transporte coletivo caiu de 74% para 71%.</p>
<p style="text-align: justify;">Na cidade de São Paulo, a maior do país, os números seguem na mesma direção: Entre 2007 e 2012, os deslocamentos realizados em carros, motos e táxis subiram 21%, contra 16% em ônibus, trens e metrô, segundo a secretaria de Transportes Metropolitanos da cidade. São 12,5 milhões de carros circulando pela cidade todos os dias.</p>
<p style="text-align: justify;">A opção pelo individual em detrimento do coletivo contamina uma população com valores contraditórios. Em época de manifestações em defesa dos direitos civis, rotular negativamente uma pessoa por andar de ônibus &#8211; um direito de todo indivíduo &#8211; anda na contramão de qualquer passeata. &#8220;Todo mundo acha muito bacana falar que em Paris, por exemplo, as pessoas vão à ópera de metrô&#8221;, diz Fichmann. &#8220;Isso é chique, descolado. Aqui, uma atriz andar de ônibus vira motivo de piada. Isso é um absurdo. O fato dela usar o transporte coletivo deveria melhorar a referência e avaliação desse sistema, não o contrário&#8221;, diz.</p>
<p style="text-align: justify;">Falando em Paris, o ministro da Ecologia da França Philippe Martin anunciou que, <strong><a href="http://brasil.elpais.com/brasil/2014/03/13/sociedad/1394742234_025712.html" target="_blank">entre esta sexta-feira 14 e o domingo 16, os serviços de transporte público na cidade serão gratuitos</a></strong>, em uma medida de incentivo ao uso do transporte coletivo para diminuir a poluição do ar. Outro bom exemplo, perto de Paris e longe do Brasil, ocorre em Londres, onde o ex-primeiro ministro Tony Blair, e o atual, David Cameron, já apareceram algumas vezes indo para o trabalho de metrô, assim como o ex-prefeito de Nova York, Michael Bloomberg. Aqui no Brasil, o ex-governador José Serra e o atual, Geraldo Alckmin, assim como o prefeito da cidade Fernando Haddad já realizaram o feito, mas apenas como uma ação de marketing e, definitivamente, eles não incorporaram o hábito em suas rotinas.</p>
<p style="text-align: justify;">O fato é que, enquanto o Governo continuar incentivando a compra e o uso do transporte individual &#8211; aprovando medidas como a isenção de impostos para a compra de carros e o congelamento do preço da gasolina -, mas investindo pouco em infraestrutura de transporte, não há medida capaz de fazer com que as pessoas gastem seu dinheiro na catraca do ônibus e não na bomba de gasolina.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O troco</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Em resposta aos comentários, nesta quinta-feira, <strong><a href="https://twitter.com/luceliaoficial" target="_blank">a atriz se manifestou pelo seu Twitter</a></strong>. Numa série de seis publicações, Santos defendeu o transporte público, reclamou da imprensa e da baixa qualidade dos ônibus no país. &#8220;O Brasil é o único país que conheço onde andar de ônibus e politicamente incorreto!!!!!!! Vai entender&#8230;&#8221; E &#8220;Isso porque os ônibus aqui e transportes coletivos de um modo geral são precários e ordinários o que mostra total desrespeito a população!&#8221;, disse ela em dois dos posts publicados.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Ela deveria andar mais de ônibus agora e mostrar para as pessoas que essa crítica é absurda e ela tem a liberdade de optar pelo transporte que ela acha mais conveniente&#8221;, diz Fichmann, enquanto a atriz <strong><a href="http://instagram.com/p/lfsJ2Ggkiy/" target="_blank">postava uma foto no Instagram, dentro de um ônibus: &#8220;E viva o transporte público de boa qualidade!&#8221;</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;"><em><strong>Por Marina Rossi/El País</strong></em></span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>A Terapêutica Ambivalente</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Jan 2014 12:05:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Editor]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>

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		<description><![CDATA[Fui criado num interior, lá aprendi muitos ditados populares, isso pra mim sempre foi motivo de orgulho contrastando com os jargões sem imaginação da cidade grande. Mas de todos os ditados, não me esqueci de um em especial, “O QUE NÃO MATA, ENGORDA.” Falávamos isso ocasionalmente sacudindo a poeira de um pedaço de pão resgatado por [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Fui criado num interior, lá aprendi muitos ditados populares, isso pra mim sempre foi motivo de orgulho contrastando com os jargões sem imaginação da cidade grande.<span id="more-26795"></span> </strong><strong>Mas de todos os ditados, não me esqueci de um em especial, “O QUE NÃO MATA, ENGORDA.” Falávamos isso ocasionalmente sacudindo a poeira de um pedaço de pão resgatado por segundos do chão após uma queda ligeira. No entanto, foi adulto que entendi melhor a filosofia por trás do dito popular. Descobri que essa frase que fazia parte de minha infância teria surgido da mente de um dos principais filósofos alemães de todos os tempos. Ele dizia: “AQUILO QUE NÃO ME MATA, ME TORNA MAIS FORTE.” Ela praticamente resume o sentido da filosofia de Nietzsche, superação.</strong></p>
<p><a href="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/01/Ambiv-Humana-1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-26797" alt="Ambiv Humana (1)" src="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/01/Ambiv-Humana-1.jpg" width="354" height="336" /></a></p>
<p>Vivemos hoje sob a patrulha daqueles que querem tornar o mundo um lugar melhor; Os que prezam pela hiper higiene, pelas causas ambientais, pelo não consumo de carne, pelos que acreditam que mudando a linguagem mudarão também as motivações internas do homem (a praga do politicamente correto). Estamos na mira dos que intentam a todo custo nos salvar, mesmo que não aprovemos qualquer intervenção “salvífica” em nosso favor, mesmo que isso implique em manipular informações, passar por cima da vontade alheia, censurar a liberdade de expressão e até mesmo comprar apoio de parlamentares, sempre com a justificativa de a todo custo fazer o bem para as pessoas. Tudo em nome de um ser humano melhor.</p>
<p>No fim do ano passado (2013), vi manifestações do tipo “afetadinhas” ganharem coro após a tétrica luta de Anderson Silva contra Chris Weidman, o resultado dela todo mundo sabe, uma canela quebrada protagonizando momentos de dor do atleta brasileiro mostrados repetidamente na imprensa mundial. Destaco aqui o desejo mórbido de muitos em ver a cena. Recordo-me agora do que disse uma amiga quando relatei em detalhes o ocorrido na luta, os olhos dela brilharam, querendo ver a cena que perdeu, e alguém salientou que não conseguiria ver algo tão chocante. Quando pra surpresa das pessoas essa mesma amiga enfatizou sua curiosa satisfação na cena, alegando que o traumatismo não fora nela. Sua declaração honesta e sincera é de alguém que sem perceber entende o dito do filósofo em “nos tornar mais fortes”.</p>
<p>Entretanto, fraco é o projeto de lei que visa parar com a transmissão do MMA na Tv aberta, classifico como mais uma tentativa dessas de “pessoas civilizadas” que querem salvar o mundo do “espetáculo de selvageria e violência”, com o propósito de que qualquer “coisa do tipo” não nos mate. Mas o que é gente civilizada? Defino civilização como o processo pedagógico da hipocrisia entorpecente. Não foi Freud quem disse que a civilização surgiu quando nossos ancestrais quebraram com o ciclo dos incestos, quando nossos parentes primatas deixaram de transar com suas mães, irmãs e filhas? Assim surgiu a sociedade, como produto de repressão nas primeiras hordas e clãs, ela é por natureza resultado de tabus, costumes e leis com finalidade de controle social. Portanto, expor sentimentos ocultos, dizer o que pensa, ou demonstrar até mesmo a violência que pulsa dentro de si, é ser consideravelmente incivilizado. Minha amiga com certeza foi considerada insensível ao expor o que nenhum ali naquela sala teria coragem de expor, sua ancestral sede por ver sangue escorrendo. Alguns assistem a programas policiais sensacionalistas, outros gostam de MMA (artes marciais mistas).</p>
<p>Confesso! Gosto desta “rinha de galos”, desse espetáculo de gladiadores romanos. E como todos, lá no fundo, e em certa medida, periodicamente necessitamos ver sangue, dor e sofrimento. Novamente confesso! Aprecio as boas tragédias gregas, também gosto de Dostoievsky, de um MacBeth shakesperiano, e da “Vida Como Ela É” de Nelson Rodrigues. E isso me torna mais humano, ao contrário do que pensam alguns que acham que crianças que jogam games violentos se tornam assassinos e sociopatas.</p>
<p>Foi com Nietzsche que aprendi ter uma melhor leitura da realidade, e também a entender o processo de superação de nossas dores e frustrações, mesmo assistindo MMA. As pessoas não entendem que a violência, e também a morbidez em ver a Perna de Anderson Silva se quebrando, é um traço peculiar de nossa natureza humana, não se enganem, não há muita coisa que preste em nós! A cerca disso concordo com a antropologia de Santo Agostinho, sobre nossa natureza humana caída prefaciar nossa “alma sebosa”. Essa história de pensar que somos civilizados afirma toda uma vida vivida sob as aparências, somos contidos pela hipocrisia normal e cotidiana.</p>
<p>Temos o “Médico e o Monstro” dentro de nós e não admitimos isso, somos Mr. Jakyll e Mr. Hyde, um conflito ambivalente e perpétuo, a vida privada lutando com a vida pública, como conceitos de sombra e repressão que tanto a psicanálise expõe. Então, prefiro ver o MMA como uma espécie de Catarse de massa, servindo como uma tragédia grega antiga, um tipo de encenação da violência que talvez seja necessária, pois a pancadaria, a dor, e o sangue vistos de longe tenderiam a descarregar a mente do espectador e a aliviar suas tensões reprimidas nesse processo civilizatório. Cada um projetando sua agressividade sobre os lutadores no octógono.</p>
<p>Poucas pessoas entendem, mas quando minha amiga se apropriava da cena da dor de Anderson Silva, experimentava a dor dele sem que aquilo pudesse atingi-la de fato. Não foi a canela dela que tinha se partido, mas a dele, e no fundo isso a aliviava. Nietzsche afirmava como a cultura grega antiga era marcada por uma sensibilidade ao sofrimento, isso foi elemento criador das tragédias gregas que com seu teatro criaram a arte da aparência e da beleza a fim de tornar a vida mais alegre. Nesse sentido, negar o sofrimento é negar a própria vida.</p>
<p>As perdas surgidas ao longo do caminho são inevitáveis, mas nem por isso é de todo um mal. Ao contrário, estimulam a vida. Foi outro filósofo alemão, Johann Schiller, que afirmou que a gente só consegue se comover com a própria dor quando aprende a se distanciar dela, e a arte cria esse afastamento. Numa peça ou num filme, por exemplo, você chora pelo herói, se entristece por ele, sente emoções que se fossem suas acabariam com você, mas você está longe, sentado em sua poltrona assistindo e “botando seus demônios para fora”. O teatro como simulações trágicas ou encenações de combate se aproxima do MMA. Quando o lutador golpeia seu oponente, ele evita de que a plateia faça aquilo, dela ter que ferir alguém, dela ter que agir agressivamente. O lutador é aquele que pula o abismo pela plateia. Se Anderson Silva vive a dor que tem que ser vivida, ele é a representação do antídoto da dor no peito da plateia, que desvia a agressividade humana para uma situação paralela, isso pode diminuir o derramamento de sangue cotidiano. Assim, os combatentes do MMA funcionariam mais ou menos como mártires, se sacrificando pelos espectadores acomodados em suas poltronas.</p>
<p>Essa canalização da violência para uma cena paralela é muito importante para equilibrar as relações humanas, definitivamente, não acredito na supressão total da violência, já que a violência é constitutiva da sociedade humana. Foi com o propósito de redução de danos que ao longo da história as pessoas criaram mecanismos de deslocamento dessa violência a fim de que tivessem uma possibilidade de convivência mais pacífica. Pensem em como as pessoas adoravam o sangue pela areia do Coliseu romano, leões rasgando carne humana e etc. Não iremos muito longe e perceberemos de que forma a religião lida com isso desde os primórdios; um exemplo é a figura de “bode expiatório” dos judeus, vindo depois se tornar a própria figura do Filho de Deus encarnado em Jesus, e lembrem-se da carnificina que é a cena da crucificação e de como inspira grupos cristãos extremistas numa periódica automutilação relembrando o martírio de Jesus em seus corpos. E que tal o fascínio que o filme PAIXÃO DE CRISTO causa nas pessoas, ou como em meio a lágrimas elas celebram a eucaristia bebendo o sangue e comendo o corpo despedaçado de seu herói abatido como num ritual antropofágico primitivo?</p>
<p>De fato, não é possível vivermos num mundo completamente em paz como carneirinhos tendo essa natureza que temos; ondulante, ambivalente e torpe. A gente pode reduzir a violência, mas acabar com ela a gente não acaba&#8230;  Para a filosofia nietzschiana, só vamos ter uma sociedade realmente ética se moldarmos um homem forte e capaz de lidar com a dor e as frustrações e transformá-las em fonte de vida e ação. O que não me mata me torna mais forte e assim me distancia de qualquer utopia, seja religiosa, política e filosófica.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><em><strong>Por</strong> <b>Wellington Araújo</b></em></span></p>
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		<title>15 hábitos brasileiros que encantam turistas</title>
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		<pubDate>Sun, 05 Jan 2014 18:36:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Editor]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>

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		<description><![CDATA[Americana lista em seu blog 15 comportamentos tipicamente brasileiros que chamam a atenção do turista. Nicole Degreg é uma americana que viaja o mundo e relata suas impressões em seu blog, o Nicole Degreg’s Travels. Em sua passagem pelo Brasil, Nicole decidiu fazer uma lista de 15 coisas sobre o país que a encantaram, muitas [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Americana lista em seu blog 15 comportamentos tipicamente brasileiros que chamam a atenção do turista.</em></p>
<p><strong>Nicole Degreg é uma americana que viaja o mundo e relata suas impressões em seu blog, o Nicole Degreg’s Travels. Em sua passagem pelo Brasil,<span id="more-26655"></span> Nicole decidiu fazer uma lista de 15 coisas sobre o país que a encantaram, muitas das quais estão tão presentes em nosso dia-a-dia que não recebem o devido valor.</strong></p>
<div id="attachment_26656" style="width: 351px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/01/15-Habitos-Brasileiros.jpg"><img class="size-full wp-image-26656" alt="(Foto: Opinião e Noticias)" src="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/01/15-Habitos-Brasileiros.jpg" width="341" height="191" /></a><p class="wp-caption-text">(Foto: Reprodução/Nicole Degreg)</p></div>
<p>Veja abaixo a lista “15 observações interessantes sobre o Brasil e os brasileiros”, narrada por Nicole em seu blog.</p>
<p><strong>1) Cerveja gelada</strong></p>
<p>Os brasileiros não brincam em serviço. Aqui a cerveja é literalmente gelada, a ponto de às vezes congelar na própria garrafa. Ela é mantida em cima das mesas dos bares dentro de um protetor térmico, que a deixa gelada até o último gole!</p>
<div id="attachment_26662" style="width: 334px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/01/Nicole.jpg"><img class=" wp-image-26662 " alt="(Foto: Nicole Degreg)" src="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/01/Nicole.jpg" width="324" height="434" /></a><p class="wp-caption-text">(Foto: Nicole Degreg)</p></div>
<p><strong>2) Banhos noturno</strong></p>
<p>Os brasileiros costumam tomar banho à noite pouco antes de deitar para dormir. Em algumas ocasiões tomam outro banho logo pela manhã.</p>
<p><strong>3) Coxinhas</strong></p>
<p>Um aperitivo feito de massa, recheado com frango desfiado e frito em óleo. Não preciso dizer mais nada!</p>
<p><strong>4) Misto quente</strong></p>
<p>No café da manhã, pão com presunto e queijo, acompanhado de manteiga ou requeijão, formam o chamado misto quente. Maravilhoso.</p>
<p><strong>5) Oba!</strong></p>
<p>Uma expressão comum para designar prazer no Brasil. Toda vez que escuto me faz sorrir.</p>
<p><strong>6) Diminutivos</strong></p>
<p>Os brasileiros gostam de usar em quase todas as palavras o sufixo “inho (a)” para dar ênfase à expressão. Exemplos disso são “bonitinha’, “fofinha”, “coitadinho” e “jeitinho”.</p>
<p><strong>7) Beijos na bochecha</strong></p>
<p>O número de beijos dados na bochecha varia dependendo da região do país, o que pode confundir alguns estrangeiros.</p>
<p><strong>8 ) Elogios</strong></p>
<p>No Brasil, os homens costumam elogiar as mulheres não somente com frases do tipo “Ei, linda”, enquanto a olham de cima a baixo, mas também dão “Parabéns” à moça, elogio mais cabível aos seus pais.</p>
<p><strong>9) Trajes de banho pequenos</strong></p>
<p>Independentemente do seu tipo físico, trajes de banho pequenos são comuns e esperados nas praias brasileiras. A regra vale para homens e mulheres.</p>
<p><strong>10) Guardanapos de papel</strong></p>
<p>Os guardanapos encontrados nos bares do Brasil tem infinitas utilidades, mas são de péssima qualidade.</p>
<div id="attachment_26663" style="width: 320px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/01/Guardanapos.jpg"><img class=" wp-image-26663 " alt="(Foto: Nicole Degreg)" src="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/01/Guardanapos.jpg" width="310" height="415" /></a><p class="wp-caption-text">(Foto: Nicole Degreg)</p></div>
<p><strong>11) Brigadeiros</strong></p>
<p>Bolas de chocolate cobertas com granulado. Preciso dizer mais alguma coisa?</p>
<p><strong>12) Polegares para cima</strong></p>
<p>Acenar com o polegar para cima é um gesto comum e positivo em todas as partes do mundo. Mas no Brasil o uso é muito mais abundante. Pode significar “sim”, “concordo” e até “obrigado por me dar passagem nesse trânsito louco”.</p>
<p><strong>13) Abacate doce</strong></p>
<p>O Brasil é o único país que visitei onde as pessoas acham estranha a ideia de comer abacate salgado, como os usados em guacamoles, sanduíches e saladas. Ao invés disso, eles preferem servir a fruta batida, com leite e açúcar. A aparência fica similar a um pudim. A princípio eu estava relutante, mas é realmente muito bom.</p>
<p><strong>14) Demonstrações públicas de afeto</strong></p>
<p>O Brasil tem um povo muito afetuoso que gosta de contato físico. Essa afeição é demonstrada em locais públicos, especialmente por casais. É comum encontrar casais se beijando intensamente na rua, no metrô, no museu, em qualquer lugar. Levei um tempo até me acostumar.</p>
<p><strong>15) Botecos</strong></p>
<p>Botecos são bares que costumam colocar mesas na calçada. No fim da tarde, amigos costumam se reunir nos botecos para beber cerveja e comer aperitivos. É o meu lugar preferido no Brasil.</p>
<div id="attachment_26664" style="width: 410px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/01/Botecos.jpg"><img class=" wp-image-26664 " alt="(Foto: Nicole Degreg)" src="http://www.iguaimix.com/v2/wp-content/uploads/2014/01/Botecos.jpg" width="400" height="298" /></a><p class="wp-caption-text">(Foto: Nicole Degreg)</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #800000;"><em><strong>Por Opinião e Noticias</strong></em></span></p>
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