Um poeta diria a alguns anos atrás que, é como se as ruas, as pedras, as casas não quisessem mais falar. Talvez Itabira não fosse tão diferente de Jussiape. Sempre pensei nessa hipótese. Se Drummond aqui vivesse, provavelmente sentiria a mesma dor. Todos andam com os corações pesados, vivemos dias sombrios e de esperança fugida.
Procópio Alencar (Foto: Will Assunção/Jussi Up Press)Talvez, nem todos soubessem o quanto Procópio Alencar era um homem de bem. Muitas vezes sem malícia e inocente. Era sem sombras de dúvida, uma figura paterna, acolhedora e generosa. Quem teve a oportunidade de conviver com o prefeito do povo, sabe o quanto ele era espirituoso, apesar de às vezes aparentar ser sempre sério.
Uma multidão em silêncio, de corações consternados e lágrimas sob a alma, este era o sinal mais claro de que toda a população perdera um grande líder. Do céu cinzento, caía uma neblina carregada de comoção. Houve outros momentos de emoção na maior tragédia política de Jussiape.
Mas a vontade de seguir em frente superou o choro. Enquanto a passeata fúnebre avançava pelo centro da cidade, uma canção expressava o quanto ele era amigo de todos. É difícil escrever o que sequer palavras conseguem expressar.
Ao final do sepultamento, o silêncio tomou conta da cidade que continuava calada, triste e esguia. O povo ainda sem rumo se sente perdido, afinal Procópio Alencar era considerado o ‘pai dos pobres’. E sempre será lembrado pelos seus grandes feitos.
Como médico, sempre prestou serviços ao próximo sem exigir remuneração quando o paciente não possuía condições. Reservado, aos olhos de muitos, Procópio Alencar e sua esposa Jandira Alencar, deixaram a família inteira que os amava, e o país inteiro comovido pela grande perda. Além de deixar a cidade que escolheu para dedicar sua vida, órfã.
Nós não apenas perdemos um líder, mas um amigo e um grande homem.
Por Will Assunção
Editor do Jussi Up


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