Lutador de São João de Meriti renegou alcunha no começo, mas acabou reconhecendo semelhança com personagem de desenho animado
O carioca William Macário foi um dos destaques do primeiro episódio da segunda temporada do The Ultimate Fighter Brasil 2 – Em busca de campeões. Além da vitória por interrupção médica contra Roberto Corvo, ex-sparring de Anderson Silva, o lutador também chamou a atenção pelo bom humor e pelo apelido incomum para um lutador de MMA: Patolino, nome do famoso personagem de desenho animado. Segundo o próprio, foi sua semelhança com o pato amigo do Pernalonga que rendeu a “alcunha”.
(Foto: Getty Images)- Quando eu era mais novo, com 15 para 16 anos, estava andando com um amigo chamado Chanel. Ele estava olhando para mim e disse, “Na moral, você parece muito com o Patolino”. Eu não entendi, não lembrei do desenho. Aí ele disse, “Tem um episódio que ele toma um tiro e o bico fica para trás, fica igualzinho!” Aí todo mundo curtiu, riu, e virou (apelido). Dois anos depois, eu fui ver o tal episódio do desenho e, na hora, me veio a cena do meu amigo falando. Pensei: “Parece mesmo!” Hoje eu admito, parece mesmo – conta, aos risos.
É claro que, originalmente, William não gostou muito do apelido. Afinal, o jovem de São João de Meriti, na Baixada Fluminense do Rio de Janeiro, sonhava em ser igual a Wanderlei Silva, seu herói no MMA, e um nome como “Patolino” não colocaria medo em ninguém. Atualmente, vê vantagem em ser associado ao personagem.
- No começo, até tentei mudar. Eu queria ser o “minipitbull”, mas os caras vieram reclamar. “Que é isso, cara, Patolino é um bicho engraçado, e você vai lutar, vai fazer sucesso!” Acho até maneiro, porque não é um apelido agressivo, é um apelido bobo, você lembra logo do desenho, então ficou um apelido suave para um lutador casca-grossa. As crianças gostam do Patolino, então todo mundo vê e conhece, associa. Ficou bacana – reconhece.
O próprio William Macário ainda exala o espírito de uma grande criança. Com apenas 21 anos de idade, é o participante mais jovem desta edição do TUF, e ainda mantém a eletricidade que tinha quando era menino. Segundo o próprio, foi um garoto “perturbado”, na gíria carioca, o que não significa que ele sofria, mas sim que gostava de “perturbar” os outros. Era tão levado que sua mãe o levou ao médico para ver se havia algo de errado com ele. O doutor a acalmou: o moleque é só agitado mesmo.
A igreja evangélica ajudou a sossegar Patolino, mas a inquietude continua sendo uma de suas principais características. Antes de entrar no octógono para a luta eliminatória contra Corvo, o carioca deu estrelas e cambalhotas e não parava de se mexer.
- Gosto de brincar e de me divertir. Na minha concentração, não consigo ficar quieto, meu coração começa a bater forte, então preciso descontrair, preciso conversar, brincar. Sou muito elétrico. Se eu ficar parado muitas vezes, não dá. Gosto de zoar e assim que me sinto bem.
SporTV.com/Combate: as últimas notícias do MMA e do UFC
Por enquanto, vem funcionando. No MMA, Patolino tem um cartel de seis vitórias, sendo cinco nocautes e uma finalização, e nenhuma derrota. Sua carreira nas artes marciais começou aos 14 anos de idade, no muay thai, inspirado em Wanderlei Silva. Aos 17, após iniciar treinos com o craque do jiu-jítsu Pedro Silveira, o garoto já disputava suas primeiras lutas amadoras de MMA, e, em 2010, estreou como profissional contra Gilmar Silva, a quem nocauteou em apenas 35s. Sua luta mais longa até agora acabou aos 46s do segundo round.
Devido à falta de recursos, Patolino quase largou os treinos há pouco tempo. Para se manter, trabalhava numa pensão, e já não conseguia mais conciliar as duas funções. Um dos donos da academia onde treina, na Tijuca, Zona Norte do Rio, passou a lhe dar uma ajuda de custo que lhe permitiu largar a pensão, mas ele continuava sem dinheiro. William arrumou um emprego de segurança, mas o apoio de um advogado e fã o permitiu largar também este trabalho e passar a se dedicar inteiramente à luta. Agora, ele passa o dia todo na academia, entre treinos de muay thai, wrestling e jiu-jítsu.
- O MMA sempre foi meu sonho. Sempre sonhei em estar no maior evento de MMA do mundo, sempre sonhei em estar no Pride, que era o melhor do mundo na época que comecei a assistir, e agora é o UFC. É um sonho que sei que, se eu conseguir realizar, automaticamente vai dar um levante na minha vida e na dos meus pais. É algo que eu gosto e amo fazer. Em breve, vou poder viver bem e dar uma condição melhor para os meus chegados – diz, esperançoso, Patolino.
Por Adriano Albuquerque-Globo Esporte


Comente agora
Comente esta matéria