O centenário prédio do Mercado Modelo é um dos pontos turísticos mais visitados de Salvador. Construído em 1861, abrigou a terceira alfândega da capital e, hoje em dia, além das mais de 200 lojas de artesanato e comida, abriga também uma considerável comunidade de pombos.
Para os comerciantes do local, a infestação atrapalha as vendas. “Os clientes reclamam, ficam com nojo de sentar para comer”, conta Mônica Santos, dona de um dos boxes de comidas e bebidas.
“Os pombos fazem coco na cabeça dos fregueses. Já vi muitos deles sentarem aqui, irem correndo para o banheiro para se limpar e não voltarem mais”, diz a garçonete Nadjana Santos, que trabalha há 46 anos no Mercado.
(Foto: Margarida Neide /Ag. A Tarde)O local é apenas um dos muitos na capital baiana que registram alta incidência desse tipo de ave. Áreas como o Dois de Julho, Centro Histórico, Ribeira, Campo Grande, Canela, Graça, Cajazeiras, Stella Mares, Itapuã e, principalmente, Comércio, são pontos de encontro de bandos de pombos.
Por sua vez, praias como as do Porto e do Farol da Barra estão longe de ser imunes à presença dos bichos. “Eles não têm lugar preferencial, já se alastraram por toda a cidade. Viraram praga urbana”, afirma Renato Araújo, veterinário do Centro de Controle de Zoonoses de Salvador, órgão ligado à Secretaria Municipal da Saúde.
Situação crítica
Segundo Araújo, o Mercado Modelo é um local crítico porque por lá circulam diariamente milhares de pessoas, entre moradores e turistas. Ainda no Comércio, perto do Mercado do Ouro, a comunidade também convive com o problema. Praça, pontos de ônibus e banquinhas de comida da área estão infestados destas aves.
Alergias
Além de prejuízos financeiros, os pombos trazem outras consequências ainda mais sérias. “Quando se proliferam nos centros urbanos, essas aves podem transmitir doenças”, explica Paulo César Maia, veterinário e professor da Escola de Veterinária e Zootecnia da Universidade Federal da Bahia (Ufba).
O contato com as fezes, contaminadas por fungos e bactérias, pode provocar de micoses a problemas respiratórios graves. “As doenças mais comuns são a histoplasmose, a criptococose e a clamidiose, que causam sintomas variados, de febre a problemas na respiração. Quem está com o sistema imunológico vulnerável pode chegar a óbito”, alerta o professor.
Vítima
O corretor de seguros Hudson é um deles: “Uma gota d´água de ar-condicionado caiu em meu rosto. Após três horas, já estava com os olhos inchados e vermelhos. Achei que estava com um tipo agressivo de conjuntivite”, relembra.
Até chegar ao diagnóstico correto, Hudson teve que realizar uma série de exames e ingerir mais de oito tipos diferentes de medicamentos.
Renato Araújo, do Centro de Controle de Zoonoses alerta que, para realizar a limpeza de locais sujos com fezes de pombos, é importante utilizar luvas e máscaras. E mais: é necessário umedecer as fezes, para evitar que sejam inaladas e entrem nas vias aéreas. A higienização das mãos depois do procedimento é imprescindível.
Dona de um trailer de lanches, Sueli Duarte mantém sempre tampados os seus bolos e tem um toldo que protege o balcão. Tudo para evitar surpresas desagradáveis, mas, nem sempre os cuidados são suficientes. “Muitas vezes, os clientes sentam próximo aos postes, onde ficam as aves e viram alvo fácil. Alguns até deixam de vir por essas bandas”.
Por A Tarde


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