Com formação original em BH, o Sepultura soma quase 30 anos de carreira.
‘Atualmente somos mais conhecidos fora do Brasil’, conta Paulo Xisto Jr.
A parcela de contribuição mineira para o rock mundial está, entre outras inserções artísticas, no grupo Sepultura, atualmente com quase 30 anos de carreira e fama internacional.
(Foto: Gabriel Wickbold)O baixista Paulo Xisto Jr., integrante desde a formação original da banda, em Belo Horizonte, nos anos 1980, fala das mudanças no rock brasileiro neste sábado (13) em que é comemorado o Dia Mundial do Rock. “A música cresceu naquela época, teve uma ascensão muito grande. Os maiores artistas que nós temos hoje no Brasil são os antigos, que tiveram base naquele período”, analisa, ao lembrar do início da carreira.
“A gente olhava muito o lado internacional; a maior referência dos componentes vinha dos artistas de fora”, explica. Mas o baixista ressalta que no Brasil os Titãs eram um dos grupos que se destacavam entre os roqueiros nacionais. “Era o mais pesado da época”, conta.
A capital mineira, segundo Paulo, sempre foi berço de grandes músicos, embora o espaço para o rock se mostrasse mais restrito. “Ainda hoje, percorrendo a cidade existem clubes de jazz e a cultura musical é muito grande e diversificada”, acredita. “Na minha época a gente dividia ensaio, equipamentos, horários. Havia uma carência muito grande de instrumentos, de grana. Erámos uma comunidade do heavy metal que se unia para fazer acontecer”, resgata na memória.
Quando ganharam espaço, o destino, naturalmente, foi São Paulo. A cidade-natal não despontava para o seguimento musical escolhido por eles como as outras capitais. Mais tarde, uma base de trabalho foi montada nos Estados Unidos, tamanha a demanda internacional. “Atualmente somos mais conhecidos fora do país. Mesmo assim, quando fala-se de Sepultura, as pessoas reconhecem o nome, mesmo que não saibam bem quais são as músicas”, afirma. Mas é preciso lembrar que a longa estrada se faz também da experiência. “O amadurecimento é constante. Cada show é uma experiência nova. Ela é sempre tocada de uma maneira diferente”, ressalta.
Sobre as mudanças no estilo musical ao longo do tempo, Paulo Xisto Jr. crê nos ciclos naturais de todo ritmo, embora, para ele, o rock guarde um público mais fiel e com um alinhamento mais conectado com as raízes do estilo. “Sempre muda. Sempre tem um ciclo. É aquele avô que gostava de Led Zeppelin e iniciou o filho, e o neto está curtindo agora. Passa de geração para geração”, afirma. E acrescenta: “No exterior também é assim. Perpetua, mas mantém nível para a tradição do rock in roll. O rock nunca vai acabar. Ele tem espaço desde que começou. Todo mundo tem o sangue do rock na veia”.
Quando fala da cidade-natal, Xisto esboça a saudade de casa: “Belo Horizonte representa todo o começo da nossa trajetória. Sempre que tenho um intervalo maior, vou a BH”. A expansão da banda para uma carreira internacional foi a consequência do sucesso. “A gente sabia que se isso fosse mais adiante (a banda), teríamos que ir embora, mas a gente nunca esqueceu de onde veio. Tivemos uma fundação muito forte e isso é muito importante”, diz.
A formação atual da banda tem Paulo Xisto Jr. no baixo, Andreas Kisser na guitarra, Derrick Gree no vocal e Eloy Casagrande na bateria. Este último, o mais novo da banda, entrou por meio de um concurso, em 2006. Na turnê atual, o Sepultura apresenta o disco “Kairos”. O lançamento do novo trabalho está previsto para o final de outubro.
Do G1 MG


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