Não há cruz, grande ou pequena, que “o Senhor não venha compartilhar conosco”
Uma grande apresentação teatral na praia de Copacabana contou a Via Sacra para cerca de um milhão e meio de pessoas que acompanhavam o espetáculo.
(Foto: Ascom/JMJ Rio 2013)O show terminou com um desafio de Papa Francisco aos peregrinos para que eles se perguntassem com quem se pareciam – Pilatos, Simão Cireneu ou Maria. Depois de uma hora e meia de cenas dramáticas que mostravam o sofrimento de Jesus, embalado pelo som das ondas, o Papa disse aos peregrinos que Cristo estava olhando para eles e perguntando se poderiam ajudá-lo a carregar sua Cruz. O que vocês diriam a ele?“, perguntou.
No caminho para o palco da Jornada Mundial da Juventude, montado nas areias da Praia de Copacabana, Papa Francisco parou várias vezes para saudar os peregrinos, beijar crianças e abençoar as pessoas. Em um momento, abençoou uma imagem de São Francisco e colocou uma pomba na sua mão. Com 13 das 14 estações ao longo de 900 metros da parte central da Avenida Atlântica, e a parte final no palco central, a Via Sacra foi representada por 280 voluntários e narradores. Atores brasileiros também participaram do espetáculo que teve a atriz Cassia Kiss no papel de Maria.
As mensagens de cada uma das estações foram lidas por peregrinos de diferentes perfis: um missionário, um convertido, um ex-usuário de drogas, uma pessoa que representava as mães, um seminarista, alguém do movimento pela vida, um casal de namorados, uma mulher representando as pessoas que sofrem, um jovem que trabalha com redes sociais, um da pastoral penal, um jovem com doença terminal e um jovem deficiente auditivo.
A Via Sacra é uma tradição católica em que se acompanha um dos elementos centrais da fé cristã: o sofrimento e a morte de Jesus na cruz, antes de sua ressurreição. O objetivo da representação é aumentar a fé, o amor e a compaixão dos peregrinos e inspirar neles o desejo de mudar o mundo. “São mensagens de solidariedade”, disse o diretor artístico Ravel Cabral. “Não é só para falar do calvário, mas para atingir o espírito das pessoas para agirem como cristãos”.
A reflexão da sexta estação, por exemplo, mostrou trabalhadores sem terra, prostitutas, “pessoas excluídas da cultura digital e tratadas com preconceito”. Na oitava estação, mulheres representando diferentes profissões colocaram plantas no chão, enquanto, na nona estação, um cadeirante disse que “ciência e conhecimento muitas vezes me seduzem e me levam a pensar que eu não preciso de você”. Na décima um Cristo ensanguentado contrastou com as luzes dos hotéis iluminados a beira-mar. Na última estação, quando a cruz da Jornada Mundial da Juventude finalmente chegou ao palco, jovens representando a África, América do Norte, Europa, Ásia e Austrália leram orações inspiradas na mensagem final do Concílio de Roma, em 2012.
Na sua reflexão enquanto acompanhava a Via Sacra, Papa Francisco colocou três questões que gostaria que tivessem “eco no coração das pessoas”: “O que vocês terão deixado na Cruz, queridos jovens brasileiros, nestes dois anos em que ela atravessou seu imenso país? E o que terá deixado a Cruz de Jesus em cada um de vocês? E, finalmente, o que esta Cruz ensina para a nossa vida?”.
Em espanhol, disse que a Cruz de Cristo acompanha todos que sofrem. “Com a Cruz, Jesus se une ao silêncio das vítimas da violência, que já não podem clamar, sobretudo os inocentes e indefesos; nela, Jesus se une às famílias que passam por dificuldades, que choram a perda dos seus filhos, ou que sofrem vendo-os presas de paraísos artificiais como a droga”.
“Nela”, ele continuou, “Jesus se une a quem é perseguido pela religião, pelas ideias, ou simplesmente pela cor da pele; nela, Jesus se une a tantos jovens que perderam a confiança nas instituições políticas, por verem egoísmo e corrupção, ou que perderam a fé na Igreja, e até mesmo em Deus, pela incoerência de cristãos e de ministros do Evangelho”.
Papa Francisco disse que a Cruz era “um amor tão grande que entra no nosso pecado e o perdoa, entra no nosso sofrimento e nos dá a força para poder levá-lo”. Na Cruz, ele disse, “está todo o amor de Deus e sua imensa misericórdia”, e que “não há cruz, pequena ou grande da nossa vida que o Senhor não venha compartilhar conosco”.
Finalmente, assinalou que a Cruz “nos ensina a ser como Cireneu, que ajuda Jesus levar aquele madeiro pesado, como Maria e outras mulheres, que não tiveram que não tiveram medo de acompanhar Jesus até o final, com amor, com ternura”.
“E você?”, ele perguntou. “Como é? Como Pilatos, como o Cireneu, como Maria?”
Também estavam com Papa Francisco no palco, a pedido dele, 35 representantes dos trabalhadores do aterro sanitário (catadores) da Argentina.
Por Ascom/JMJ Rio 2013


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