Sete espécies de peixes estão em extinção na Bahia

2/set/2013 . 14:51


Sete espécies de peixes comuns no litoral baiano correm o risco de extinção devido ao excesso de pesca, induzida pelo alto consumo.

 

(Foto: Athila Bertoncini)

(Foto: Athila Bertoncini)

A constatação é de uma pesquisa realizada no Parque do Recife de Fora, em Porto Seguro (BA), pela Universidade Federal de Santa Catarina, que integra a rede de pesquisas do Projeto Coral Vivo. A região foi escolhida por ser uma das mais ricas da costa brasileira em biodiversidade marinha.

A pesquisa foi publicada recentemente na revista Fisheries Management and Ecology, um dos mais respeitados periódicos científicos especializado em gerenciamento de pesca e ecologia.

O levantamento de dados foi desenvolvido pelos biólogos Mariana Bender, Sergio Floeter e Natalia Hanazaki da UFSC, e envolveu entrevistas com quatro gerações de pescadores locais que atuam nas imediações do parque.

Entre as espécies ameaçadas estão o badejo quadrado (Mycteroperca bonaci) e o cherne (Hyporthodus nigritus) que foi incluido na lista vermelha global da  International Union for Conservation of Nature (IUCN).

“Além desses, detectamos que estão em declínio capturas de mero-gato  (Epinephelus adscensionis), garoupa (Epinephelus morio), cioba (Lutjanus analis), dentão (Lutjanus jocu) e guaiúba (Ocyurus chrysurus)”, enumera Mariana Bender>

Ela acrescenta que as espécies vivem em áreas de recife e que as denominações são nomes populares atribuídos aos peixes na região, mas que podem variar ao longo da costa brasileira.

Foram entrevistados 53 pescadores de forma a ajustar os referenciais ambientais relativos ao impacto provocado pela ação humana no ecossistema  marinho.

Uma das perguntas do estudo se referia ao maior peixe já capturado por cada um deles e quando  isso ocorreu.

“Os com idades superiores a 50 anos tinham pescado animais de maior porte se comparados às gerações mais jovens”, explica a bióloga.

O badejo quadrado (Mycteroperca bonaci), por exemplo, há quarenta anos era pescado com 49 quilos e, atualmente, com 17 quilos.

Pesca predatória 

A pesquisa da UFSC constatou que 36% dos pescadores consideraram que a atividade contribuiu para o declínio dos recursos pesqueiros. “Eles lembraram da época em que pescavam nos recifes do atual parque marinho – que agora é uma área de proteção integral -  e retornavam com as canoas cheias de peixes”, afirma a bióloga.

Se de um lado os pescadores mais velhos reconhecem o declínio de espécies de peixe e de que a pescaria na região mudou consideravelmente nas últimas décadas, os mais jovens desconhecem que os animais – hoje raros – já foram abundantes.

Ainda segundo a bióloga, “as diferenças na percepção das quatro gerações de pescadores em relação ao meio ambiente e à conservação de recursos pesqueiros é um fenômeno conhecido como “referenciais dinâmicos” (em inglês, shifting baseline syndrome). “Os badejos e garoupas, particularmente, são muito apreciados na culinária pela sua carne. Por isso, é necessário promover o consumo consciente para que os estoques dessas espécies possam se recuperar”, diz  Bender.

O estudo contou com o patrocinado pelo programa Petrobras Ambiental, e pelo Arraial d’Ajuda Eco Parque.

Aquicultura

O assessor de projetos institucionais da Bahia Pesca, Eduardo Rodrigues, reconhece que as sete espécies pesquisadas estão de fato ameaçadas de extinção, sendo que o mero, o badejo e a garoupa pertencem a mesma família.

Ele explica que a redução de tamanho dos peixes ao longo dos anos se deve ao fato do esforço de pesca impedir o ciclo biológico natural de crescimento do animal. E defende que a aquicultura é a forma mais apropriada para recuperação dessas espécies em via de extinção. A técnica implica na criação desses peixes em tanques.

“Estamos trabalhando com o mero, uma das espécies ameaçadas, mas é um atividade que requer tempo”.

Ele informa ainda que as espécies apresentam período de defeso regulamentado por lei e que proíbe a pesca.

Pesquisas vêm relatando que retirar dos oceanos mais do que eles podem repor resulta em  desequilíbrio ecológico e danos à economia de subsistência.

“Alguns pescadores com menos de 31 anos não reconheceram espécies de peixes como o mero-gato e o cherne quando apresentados às fotos na entrevista”, relata Mariana Bender.

 

Por A Tarde

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