O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, recepcionou nesta quinta-feira a seleção afegã de futebol, em meio a um raro momento de felicidade nacional pela conquista da Copa da Federação de Futebol do Sul da Ásia, mas pediu à população que pare de dar tiros para o alto como forma de expressar alegria.
(Foto: Omar Sobhani | Ag. Reuters)O Afeganistão venceu a Índia por 2 x 0 na noite de terça-feira, em Katmandu (Nepal), conquistando o primeiro título internacional da sua história no futebol.
A final deixou os afegãos grudados diante das TVs nas suas casas, em bares e em restaurantes, e depois do apito final dezenas de milhares de pessoas –a maioria homens, mas também algumas poucas famílias dentro de carros– foram às ruas comemorar. “Zendabad Afghanistan!” (vida longa ao Afeganistão), gritava a multidão.
“Agora eu sei como é ficar orgulhoso, este é o momento mais feliz da minha vida”, disse o torcedor Ahmadd Bashir, envolto na bandeira nacional. “Não tenho ideia do que faremos se algum dia ganharmos a Copa do Mundo.”
Há três décadas o Afeganistão vive sucessivos conflitos, e a celebração após o título seria impensável quando o país estava sob o regime islâmico do Taliban, que proibia a música, a televisão e a maioria dos esportes. Naquele período, o estádio nacional de futebol era usado para execuções públicas.
“Nossos jovens provaram que temos capacidade de progredir e vencer”, disse Karzai em nota. O presidente também publicou no Twitter uma foto em que aparece vendo o jogo no palácio.
Durante a noite, muitos torcedores fizeram disparos com fuzil AK-47, presentes em muitas casas, e até com metralhadoras, para comemorar. Testemunhas disseram que muitos dos que faziam isso eram policiais. Alguns moradores entraram em pânico, temendo um ataque do Taliban, e sirenes de alerta soaram em algumas embaixadas.
O Ministério do Interior e a agência nacional de inteligência inicialmente divulgaram nota felicitando a seleção nacional, mas depois soltaram outro comunicado pedindo aos torcedores que evitassem as celebrações com armas de fogo.
Por Hamid Shalizi/Agência Reuters


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