‘Sempre vou lutar para o rock ter mais espaço’, diz Tico Santa Cruz

14/set/2013 . 15:40


No Rock in Rio, ele lidera tributo a Raul Seixas, com Baleiro e Zélia Duncan.
Cantor critica artistas de axé e sertanejo por serem ‘omissos’ politicamente.

(Foto: Marcos Hermes/Divulgação)

(Foto: Marcos Hermes/Divulgação)

Na última vez em que encarou o público do Rock in Rio, em 2011, Tico Santa Cruz escolheu vestir a máscara do personagem V, do filme e da graphic novel “V de vingança”, e fez cover de “Metamorfose ambulante”. Nesta edição, o cantor lidera, com o Detonautas, e os convidados Zélia Duncan e Zeca Baleiro, uma homenagem a Raul Seixas, que acontece sábado (14), no Palco Sunset, às 17h30.

Em entrevista ao G1, ele falou sobre a importância do festival na carreira de seu grupo e disse que sempre irá lutar para que o rock tenha espaço na programação. Tico também afirmou que os fãs são influenciados pelo engajamento dos músicos e criticou: “Um posicionamento dos artistas de axé ou de música sertaneja levaria milhares de jovens a pensar sobre política e isso poderia ser muito importante para o país”. Leia a entrevista:

G1 – O que você pode adiantar do tributo ao Raul Seixas?

Tico Santa Cruz - Teremos os clássicos que todo mundo conhece e sabe cantar, mas prestaremos tributo também com canções que têm mensagens fundamentais na obra de Raul e que não ficaram tão conhecidas do grande público, como, por exemplo, “No fundo do quintal da escola”.

G1 – Como surgiu a ideia de chamar o Zeca Baleiro e a Zélia Duncan? Podemos esperar outras participações no show?

Tico Santa Cruz - O Sunset vem crescendo cada vez mais e aos olhos do festival é um palco que possui a mesma importância do Palco Mundo. Nós convidamos Zélia e Zeca porque sabemos que são artistas que tem afinidade com a obra de Raul. Chamei o Marcelo Nova também, mas infelizmente ele não veio.

G1 – Qual você acha ser a maior diferença do Rock in Rio 2011 para esse ano?

Tico Santa Cruz - Para nós, como banda, é uma experiência excelente poder transitar pelos espaços importantes do festival. E como recebemos carta branca para escolhermos o projeto a fazer no Sunset a diferença é que nós vamos trabalhar com a obra de um artista que admiramos e que merece essa lembrança. Enquanto que em 2011 nós fizemos um grande show com nosso repertório e isso foi muito importante na nossa carreira.

G1 – Fãs de rock comentam que o festival se transformou em “Pop in Rio” e tanto na última edição quanto nesse ano ele será aberto por popstars. O que acha disso?

Tico Santa Cruz - Acho que estas pessoas não conhecem a história do festival que sempre, desde sua primeira edição, abrigou artistas como Elba Ramalho, Zé Ramalho, RUN DMC, A-ha, entre outros que não tem a roupagem rock. A proposta do festival sempre foi ter dias de rock e esse ano são vários dias para outros públicos. Isso é saudável e importante. Mas sempre vou lutar para que o rock tenha cada vez mais espaço.

G1 – No Rock in Rio 2011, você usou a máscara do personagem do “V de vingança” no palco. Agora, há um projeto de lei que proíbe máscaras em protestos no Rio. Gostaria de saber sua opinião sobre isso.

Tico Santa Cruz - Acho esse projeto uma ameaça à democracia. As máscaras são simbólicas, não estão atreladas a atos de vandalismo embora possam existir pessoas que usem máscaras para cometer atos de vandalismo. É o mesmo que proibir as pessoas de usar terno e gravata porque no Congresso nacional há pessoas usando terno e gravata para roubar o país.

G1 – Até que ponto o engajamento dos artistas com a política influencia os fãs?

Tico Santa Cruz - Muito. Os fãs passam a se interessar pelas questões que os artistas estão expondo. Por isso me intriga muito que artistas populares que tem grandes públicos, como os artistas de axé ou de música sertaneja, permaneçam tão omissos diante desse momento importante. Um posicionamento deles levaria milhares de jovens a pensar sobre política e isso poderia ser muito importante para o país.

G1 – O Detonautas lançou o clipe da música “Quem é você?” em julho. O que você acha que o Raul Seixas, se estivesse vivo hoje, faria em relação a esse momento político atual?

Tico Santa Cruz - Ele certamente estaria apoiandoe atuando junto com quem está no fronte dessa batalha. Não é possível que as pessoas não consigam entender que democracia se constrói nas ruas. Houve já uma mudança de mentalidade, desde os protestos de junho, mas ainda há muita indiferença da população com relação a suas responsabilidades políticas e sociais e tenho certeza absoluta que Raul não seria omisso.

G1 – O seu livro “Tesão” se encaixa em literatura erótica, mas suas músicas não são voltadas para esse lado. Você pensa em fazer letras mais sensuais?

Tico Santa Cruz - Não. O livro é apenas uma compilação de textos do blog. Ele tem dinâmica diferente dos livros eróticos lançados após o sucesso de “50 tons de cinza”. Foi uma iniciativa da Editora Belas Letras e eu achei, comercialmente falando, conveniente. Mas não tenho a menor pretensão de lançar letras dessa maneira.

G1 – Sobre um problema de som pelo qual o Detonautas passou em Juiz de Fora, você disse ao G1 que o vídeo foi publicado fora de contexto e pareceu uma incitação à violência. Você se arrependeu de sua atitude?

Tico Santa Cruz - O problema maior seria se o irresponsável que deu a ordem para desligar o som, tivesse levado a cabo sua decisão. Quantos incidentes já não aconteceram no país quando shows com multidões são interrompidos? O que fiz foi evitar um grande problema. Talvez pelo calor do momento eu tenha me expressado sim de forma agressiva, mas jamais poderia me calar diante desse perigo. Se acontecesse novamente, eu mudaria apenas algumas palavras.

G1 – O que você pretende ver no festival?

Tico Santa Cruz - Quero assistir aos dois dias de metal [19 e 22 de setembro]. Quero ver o Rob Zombie no Sunset, a mistura do Sepultura com o Zé Ramalho e levar meu filho para ver o Iron Maiden.

 

Do G1 em Sp

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