Há quase dois meses em Salvador, o médico cubano Leonardo Perez, de 33 anos, diz que uma das principais causas da precariedade do sistema brasileiro é a falta de profissionais.
Para ele, mais até que estrutura, é necessário um contingente que diminua a disparidade entre população assistida e gente capacitada para atender. “O Brasil tem 1,8% de médicos por mil habitantes. Cuba tem 6,7% de médico para cada mil pessoas”, comparou em entrevista ao Bahia Notícias. Em atividade na Unidade de Pronto Atendimento de Boa Vista do Lobato, no Subúrbio Ferroviário, o médico natural da província de Holguín, distante 700 quilômetros de Havana, já passou dois anos e meio em um programa semelhante ao Mais Médicos na Bolívia e quer trazer para cá a fama dos conterrâneos de ter controlado enfermidades que ainda persistem no Brasil, como esquistossomose, malária, sarampo, tuberculose e hanseníase (lepra), além dos índices de saúde da Ilha caribenha. “As taxas de mortalidade infantil e materna em Cuba são iguais às de países do primeiro mundo e nós queremos trazer elas para cá”, declarou. Chegado à Bahia através de um acordo entre a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e os governos brasileiro e cubano, o médico não revelou quanto um profissional de medicina ganha em seu país, mas disse que, da bolsa de R$ 10 mil paga pelo trabalho, sobra em torno de U$ 1 mil (ou R$ 2,3 mil) para ele. Sobre a possível permanência dos cubanos após os três anos do programa, Leonardo Perez rechaçou essa ideia, pelo menos no seu caso, e afirmou que os brasileiros não devem temer tal concorrência futura. “Acho que os médicos brasileiros não têm que se preocupar com isso”, opinou.
Por Bahia Notícias



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