No dia 10 de março, aconteceu a inauguração da Escola Municipal Joana Deolina Cerqueira no Assentamento Marcha Brasil de Iguaí. Esta escola é fruto de uma parceria com o MEC/FNDE através de recursos do PDDE – Programa Dinheiro Direto na Escola,e Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, através do Assentamento Marcha Brasil.
(Foto: José Ronaldo)O nome da escola é uma homenageam uma LUTADORA DO POVO que ajudou a fundar o assentamento e atualmente não se encontra mais entre nós, também “IN MEMORIAM” de FÁBIO SANTOS, tombado na luta no dia 02 de abril de 2013, onde foi brutalmente assassinado na cidade de Iguaí. Todos fizeram um minuto de silencio em sua memória e a sua luta pela construção desta escola.
Estiveram presentes no ato de entrega da escola as comunidades de Bolachinha, Alagoinhas, Palmeirinha, Assentamentos Marcha Brasil e Riacho da Palmeira, autoridades da administração pública, destacando-se a Secretária Municipal de Educação, Mariélia Cabral, e o Coordenador das Escolas do Campo, o Prof. Rosenilton Vieira, representantes de outra secretarias municipais, educadores da região e lideranças regionais do MST.
Vale salientar que esta escola foi totalmente construída no sistema de mutirões e trabalho cooperado das famílias, desde a sua fundação até o acabamento. Assim, a mesma faz parte de uma estratégia do Ministério da Educação em ter escolas dignas e com qualidade no campo, para que as crianças, jovens e adultos possam viver mais dignamente em seus locais de origem, valorizando assim os espaços escolares no campo.
No seu aspecto pedagógico, esta escola conta com SALA DE AULA, SALA DE LEITURA, COMPUTADORES, CARTEIRAS PEDAGÓGICAS, DENTRE OUTROS. Desta forma, visa atender uma demanda de aproximadamente 80 (oitenta) educandos, tanto do assentamento como de região e fazendas vizinhas da educação infantil ao 5º ano.
Como filosofia de trabalho, esta escola busca estar inserida nos princípios da educação do campo, levando em conta que é preciso entendê-lo como espaços de possibilidades e vida digna, e a escola tem este papel fundamental de trabalhar a identidade dos sujeitos, dando-lhes uma consciência crítica do mundo, construindo identidade e valorizando a sua cultura e, principalmente, ajudá-los no acesso ao conhecimento socialmente útil e necessariamente viável às transformações que o campo e os movimentos sociais precisam, justamente em um município onde o que sempre predominou foi a política do uso do transporte escolar, em que todos os alunos, principalmente a partir do 6º ano, são obrigados a se dirigirem para a sede do município.
É necessário destacar que, no último período de 2012 e 2013, o MEC (Ministério da Educação) fechou em média 28 mil escolas no campo, mostrando assim uma política de desmonte nesses locais. Recentemente, foi criado um projeto de lei, onde o Senado Federal aprovou, em plenário, nesta quarta-feira (26), em que dificulta o fechamento de escolas no campo, indígenas e quilombolas. Esse projeto de lei altera o artigo 4º da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei 9394/1996). O projeto de lei, de autoria do Executivo, segue para sanção. Pelo projeto, antes de fechar escola da educação básica pública que atenda estudantes residentes no campo, indígenas e quilombolas, o prefeito ou gestor responsável precisa ouvir o Conselho Municipal de Educação, que é o órgão normativo e tem na sua composição representante dos gestores e de toda a comunidade escolar. Esta iniciativa aconteceu após o MEC receber uma comissão de 2 mil crianças Sem Terra, durante o VI CONGRESSO NACIONAL DO MST,em Brasília, onde um manifesto de estudantes do Movimento dos Trabalhadores sem Terra (MST) solicitou educação, melhorias no transporte escolar e alimentação saudável, em que as comunidades precisam ser ouvidas.
No caso de Iguaí, vale ressaltar que o mesmo conta atualmente com pelo menos quatro distritos e seria bastante estratégico que estas crianças pudessem estudar pelo menos o 1º grau completo nas suas localidades, bastando o município criar estas condições. Só assim será construído um campo mais digno para todos e todas, sem preconceitos e, acima de tudo, com justiça social.
Por José Ronaldo/Setor de Educação do MST


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