Uma pessoa com síndrome de Down (SD) é como outra qualquer: possui sonhos, enfrenta desafios e conquista metas. Este é o foco da campanha da Ser Down – Associação Baiana de Síndrome de Down, em comemoração ao Dia Internacional da Síndrome de Down, celebrado nesta sexta-feira, 21.
(Foto: Divulgação)Há diversos mitos e tabus sobre a síndrome. Entre eles, o de que as pessoas com a alteração genética são assexuadas e incapazes intelectualmente. Mas experiências mostram que é possível conviver com as limitações e vencer obstáculos.
Amanda Amaral Lopes, 25, é um exemplo. Ela foi a primeira pessoa com a alteração genética a concluir um curso de nível superior na Bahia.
Moradora de Vitória da Conquista, no sudoeste baiano, Amanda formou-se em ciências biológicas pela Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC) no ano passado.
O casal Gustavo Almeida, 36 anos, e Júlia Kops, 27 anos, é outro exemplo de que pessoas com a síndrome também têm desejos, vida sexual e podem constituir uma família.
“As pessoas com Down são capazes de trabalhar, divertir-se, namorar, e é necessário que a sociedade aprenda a conviver com as diferenças”, afirma Lívia Borges, uma das diretoras da Ser Down.
A associação é composta por pais de pessoas com a deficiência e trabalha no sentido de promover meios que facilitem o desenvolvimento desses indivíduos e a sua inclusão na sociedade.
Avanços
A síndrome de Down é provocada por uma alteração genética que ocorre, em média, em um a cada 700 nascidos vivos, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Para Lívia Borges, apesar do preconceito existente, há diversos avanços, a exemplo da inclusão da data no calendário oficial da Organização das Nações Unidas (ONU), a partir de 2012.
“Trata-se de um avanço histórico e social. Além disso, avançamos muito no que se refere aos direitos das pessoas com deficiência, e nosso principal desafio é o de tornar as políticas públicas criadas, de fato, efetivas”, afirma.
Segundo Ana Beatriz Araújo, pedagoga e professora do Programa de Inclusão da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Salvador (Apae-Salvador), o desenvolvimento da pessoa que possui a alteração genética depende não apenas das suas características individuais, mas também dos estímulos que lhes forem dados.
“Quanto maior for o estímulo da fala, linguagem e motor, maior será o grau de autonomia da pessoa com Down. Isso contribui para que ela possa ter uma vida normal”, explica.
Para a pedagoga, um dos principais avanços obtidos foi a inclusão escolar. “Cada dia mais, os alunos com Down estão ingressando nas escolas comuns da rede regular de ensino. Isso derruba o mito de que pessoas com a síndrome só podem conviver com os iguais. Apesar das limitações, é possível que a pessoa com Down tenha vida social”.
Por Fabiana Mascarenhas/A Tarde


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