Após partidas, Rio Vermelho vira local de interação de gringos e brasileiros
O Riacho do Navio corria para o Pajeú e o Pajeú despejava no São Francisco quando o som parou, de repente. Os estrangeiros, que caíam no forró sem saber que o São Francisco vai bater no meio do mar, protestaram: “Música! Música!”.
Grupo de mexicanos faz a festa no bairro mais boêmio de Salvador (Foto: Betto Jr.)Eram 23h30 de terça-feira quando um dos bares do Largo de Santana, no Rio Vermelho, em Salvador, desligou o sistema de som. Sem problema. Alguém apareceu com um pandeiro e, com um único instrumento, fez a galera, inclusive um grupo de colombianos, cair no Lepo Lepo. Tem sido assim todos os dias desde que a Copa começou no bairro mais boêmio da cidade. Largos, bares, casas de show e baianas de acarajé lotados de gente de fora do país.
“Estou tentando acompanhar, mas é difícil”, disse Daniel Olarte, 29 anos, que veio de Medellín para a Copa e ensaiou o passo do Psi. Os gringos podiam até se arriscar na dança, mas, reclamam algumas baianas, falta a eles se arriscar mais no “ataque”. “São muito ‘devagar’. A gente olha e eles nem ‘tchum’”, diz a estudante Monique Strauch, 21.
Mas, nem todos saíram no 0 x 0. “Fiquei com um uruguaio na sexta, ontem foi um alemão e hoje um mexicano”, largou a atriz Marina Fonseca, 29. No 0 x 0 ou 1 x 1, o importante é o troca-troca cultural. “É incrível. Um momento em que o mundo inteiro interage”, diz a advogada Tássia Christiane, 30, que estava na mesma mesa com um alemão que havia conhecido na noite anterior e mais quatro pessoas que conheceu naquela noite. “Quero Copa no Brasil todo ano”, brinca.
Gargalo
No Rio Vermelho, os gringos também davam lição de como se bebe de verdade. Bastava reparar nas mesas: faltavam os copos. Isso porque eles bebem cerveja de 600 ml direto no gargalo – e em uma velocidade… Um grupo de alemães brindava a cada rodada de Schin. “Não vamos nem dar nossos nomes porque estamos nessa situação complicada”, diz um, já tonto.
“Todo dia isso aqui. Os alemães e holandeses bebem demais. Tem uma hora que acaba a cerveja”, revela Sérgio Dantas, 36, garçom do bar Meia 8. “Mas o bom é que eles bebem e ficam de boa. Quase não tem briga”, diz, pouco antes de um colombiano virar pivô de uma ligeira confusão no local.
Os mais barulhentos eram os mexicanos, horas após o empate heroico contra o Brasil. Não paravam de gritar o nome de Ochoa. “É o melhor porteiro do mundo”, disse Arturo Barredo, que veio de Tijuana com seis amigos. Provocados, os brasileiros se inspiravam na torcida do Bahia para dar uma resposta à altura. “Estrelaaa, estrelaaaa, país sem estrelaaaa”.
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Por Alexandre Lyrio/Correio


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