O baiano Isaquias Queiroz, campeão mundial de canoagem, usou recentemente sua conta no Facebook para falar das condições e do retorno financeiro que são dados pela Confederação Brasileira de Canoagem(CBCa) aos atletas e se mostrou desanimado com o seguimento de sua carreira.
(Foto: Frank Augstein | Divulgação)Há menos de um mês, o atleta foi medalhista de ouro, na categoria 500m, no Mundial de Canoagem Velocidade, em Duisburg, na Alemanha. Além de conquistar o bronze nos 1000m, categoria que é olimpica. Em 2011, Isaquias havia sido campeão mundial júnior em Brandesburg, também na Alemanha.
Sobre a conquista do Mundial Júnior, o canoísta colocou sua indignação nas redes socias, contestando o reconhecimento financeiro que teve, comparado ao seu técnico. “Meu ex-treinador ganhou 10 mil por medalha. Naquela ocasião ganhei duas. Foram 20 mil reais. Para mim, o presidente apenas me levou para comer no Mc Donalds.”
Isaquias Queiroz disse ainda estar desanimado com o seu futuro no esporte: “Ficarei na eterna espera pelo reconhecimento em dinheiro das minhas medalhas. Estou pensando seriamente em abandonar a canoagem, pois já não aguento mais apresentar bons resultados e não ter mudança significativas em minha vida”.
Em declaração oficial, o presidente da Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa), João Tomasini Schwertner, expôs seus argumentos sobre o tratamento da confederação para com o atleta. “A CBCa esclarece que em nenhum momento acordou qualquer prêmio por medalha com o atleta Isaquias Queiroz”, disse.
“A praxe da entidade é o reconhecimento dos resultados de seus atletas transformado em auxílio mensal. Vale lembrar que o atleta Isaquias Queiroz é contemplado pelo programa Bolsa-Atleta do Governo Federal desde 2010″, explicou.
Confira na íntegra o texto publicado por Isaquias Queiroz:
“DESABAFO DE UM CAMPEÃO TRISTE!
Boa noite, senhores não tenho medo de falar toda a verdade, no último mês fiz minha nação feliz e em especial minha sagrada terra Ubaitaba ao ganhar pela primeira vez um título de Campeão Mundial, primeira vez na categoria sênior, a medalha de bronze tem um valor mais que especial por que a prova dos 1000m metros é olímpica, amanhã darei inicio aos meus treinamentos, um novo ciclo que começa rumo ao Rio-2016, com uma miserável dor no peito, estou escrevendo a historia do meu país com o remo, meu remo é minha arma, com ele matei as drogas e a pobreza, não sou triste de ser pobre mais sou feliz por que estou derrubando todas as barreira.
Ainda não caiu a ficha de ser o atual campeão mundial e o terceiro melhor do mundo em uma prova olímpica por que não mudou nada em minha vida financeiramente falando, muitas pessoas me vêm como exemplo, mas na verdade estou com uma tristeza transfigurada, quase depressão, que às vezes sinto uma grande vontade de jogar tudo pro ar e voltar as ser aquele moleque travesso e feliz, é gente falei feliz… Uma tristeza na alma, todos me olham sorridente mas dentro do meu sorriso esconde a verdade que hoje irei compartilhar com todos vocês. Um repórter me perguntou qual foi minha sensação de ter ganhado o Mundo? E eu lhe respondi: Pensei no dia que voltaria pra casa pra rever meus amigos e familiares em especial minha guerreira mãe, mas na verdade por outro lado senti uma tristeza, uma enorme tristeza por que sabia que meu titulo não iria mudar em nada minha atual condição, que a Confederação Brasileira de canoagem não me daria nada como não me deu nada quando fui Campeão Mundial júnior, mais um titulo inédito para meu pais em agosto de 2011, pois é, todos pensam que essas medalhas que conquistei na Alemanha foi a primeira, mas na verdade já coleciono 4 medalhas mundiais com apenas 19 anos. Sem contar com o Festival Olímpico na Austrália 2 ouros em janeiro 2013 e 1 ouro e 1 prata na Copa do mundo Poznan Polônia, um fato curioso é que nessa mesma Etapa só que na Hungria um amigo do Equador Cesar de Cesare ganhou também 1 ouro na distancia de 200m e como prêmio recebeu uma casa sem falar os valores em dinheiro, Equador é um Pais de 14 milhões de habitantes, em comparação ao Nosso (Gigante) Brasil que vira um anão na hora de reconhecer seus verdadeiros talentos que tem que pagar para representar a nível Internacional como meus outros companheiros…”
Por Hugo Leite/A Tarde


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