Por Eduarda Uzêda/A Tarde
O Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia (Fiac), um dos mais representativos eventos da área no Estado, movimenta Salvador, a partir desta sexta-feira, 28, com grandes atrações. Trata-se da quinta edição da mostra, que reúne em 30 espaços da cidade 30 produções das mais variadas estéticas.
O público poderá conferir uma vitrine de trabalhos de teatro, de dança, de performance, além de intervenção urbana. São, ao todo, nove espetáculos internacionais, oito nacionais e 13 locais, o maior número de produções artísticas já reunidas pelo Fiac em Salvador. Até o próximo dia 7, a programação do evento também contempla oficinas, palestras, debates e ações de formação de plateia, que têm, entre outras, a intenção de propiciar debates e intercâmbio entre os artistas.
Em cenário marcado pela pluralidade de tendências, não vão faltar, na rua e no palco, máquina escavadeira, máscaras balinesas e até um cavalo. Felipe de Assis, um dos coordenadores do Fiac, informa que serão apresentados trabalhos da França, Espanha, Itália, Portugal e, pela primeira vez, do México e Argentina. Alguns destes países são representados com mais de um produção. Entre os temas que perpassam a mostra, Felipe destaca a instância de poder, a violência feminina, a poesia do cotidiano e a passagem do tempo.
Patrocínio
Ricardo Libório, também coordenador do Fiac, informa que o total de patrocínio para o festival foi de R$ 1 milhão e 180 mil. “Destes, R$ 450 mil vieram da Petrobras, R$ 300 mil da Chesf, R$ 300 mil do Fundo de Cultura e R$ 130 mil da Caixa Econômica Federal”. Libório frisa que os recursos da Chesf, Fundo de Cultura e Caixa foram conseguidos através de editais.
Este ano o volume de recursos foi inferior ao do ano passado, (as verbas de 2011 foram de R$ 1 milhão e 250 mil). Libório afirma que a redução implicou em alguns cortes, mas que, diante de outros festivais que também enfrentam este problema, “estamos até bem”.
Teor político
“Este ano, cinco espetáculos trazem um teor político bem acentuado. Entre eles, os dois mexicanos El Rumor del Incendio e Asalto al Agua Transparente, da companhia mexicana Lagartijas Tiradas al Sol, que parte de uma estrutura microdocumental para falar do macro”, revela. Felipe também cita as duas montagens italianas Too Late! (antigone) contest #2 e Alexis. Una Tragedia Greca, que, a partir de textos clássicos, discutem a realidade da Europa, além do espanhol Yo No Soy Bonita, que também discute a violência feminina, informa.
O tema da passagem do tempo aparece no premiado espetáculo paulista Jardim, na montagem curitibana Isto Te Interessa? e em Modéstia, montagem do Rio de Janeiro.
Em relação à grade local, Felipe atesta que o panorama é bem diversificado, ressaltando, entre outros, os espetáculos Sargento Getúlio, inspirado na obra de João Ubaldo Ribeiro, e Salmo 91, (releitura da a tragédia de Carandiru).
Abertura
A abertura do Fiac acontece nesta sexta-feira, 28, com o espetáculo francês Transport Exceptionnels, que mostra o duo de um bailarino e uma escavadeira. Será no Museu de Arte Moderna da Bahia, às 21 horas. E, melhor de tudo, inteiramente grátis. A montagem será apresentada, depois, em outros em espaços.



Comente agora
Comente esta matéria