Por Lancenet.com.br
Com apoio de 29 das 30 confederações, Carlos Arthur Nuzman vai totalizar 21 anos no poder em 2016, ano dos Jogos do Rio de Janeiro.
Em meio a acusação de invasão à sede da Confederação Brasileira de Desportos no Gelo (CBDG), críticas do ex-jogador de futebol e hoje deputado federal Romário, além do furto de arquivos do Comitê Organizador dos Jogos de Londres (Locog) por parte de funcionários do Comitê Rio-2016, Carlos Arthur Nuzman será reeleito nesta sexta-feira para mais um mandato no Comitê Olímpico Brasileiro (COB). No comando da entidade desde 1995, o dirigente é candidato único para o quadriênio 2013-2016.
A Assembleia Geral do COB está marcada para as 11h30 (de Brasília), em primeira convocação, com segunda e última chamada às 12h. Nuzman afirma ter o apoio de 29 das 30 confederações com direito a voto. O único opositor é o presidente da CBDG, Eric Maleson.
Carlos Arthur Nuzman – Presidente do COB
Em entrevista à ESPN, Maleson disse que chegou a articular uma chapa de oposição com o apoio de dez presidentes de confederação. Mas, segundo ele, Nuzman desarticulou o movimento quando tomou conhecimento de sua existência.
Dez confederações é justamente a quantidade prevista no estatuto do COB para se formar uma candidatura. Além disso, o postulante ao cargo de presidente da entidade precisa ser brasileiro nato e membro do COB há pelo menos cinco anos consecutivos. Elaborado dessa maneira, o estatuto do órgão praticamente inviabiliza o surgimento de chapas de oposição.
Sendo reeleito, Nuzman totalizará 21 anos à frente do COB. Tanto tempo no cargo vai contra o pensamento do Ministério do Esporte, que sugere mandatos de oito anos (uma reeleição). Supera, até, o período de 12 anos adotado pelo Comitê Olímpico Internacional (COI).
Há 17 anos no comando do COB, Nuzman, que havia presidido a Confederação Brasileira de Vôlei de 1975 a 1995, tem como principais realizações: participação na criação da Lei Agnelo-Piva, em 2001, e da Lei de Incentivo ao Esporte, em 2006; as conquistas das sedes do Pan Rio-2007 e da Rio-2016; criação da Comissão de Atletas do COB, em 2008; e do Instituto Olímpico Brasileiro, também em 2008, com a implantação de cursos de gestão.
Mandato turbulento aguarda por Nuzman
As acusações dos últimos dias e a articulação de bastidores feita por alguns presidentes de confederações deram o tom do que será a quinta gestão de Carlos Arthur Nuzman à frente do COB. A principal aposta dos opositores é a de que este será o último mandato do dirigente à frente da entidade.
Com a perspectiva da saída de Nuzman, a estratégia será a de desestabilizá-lo para que um candidato opositor surja e impeça que um outro indicado pelo dirigente possa tomar seu lugar à frente do COB. No início do ano, as Confederações de Desporto do Gelo (CBDG) e de Tênis de Mesa (CBTM) ensaiaram se rebelar e tentaram articular uma candidatura. O nome preferido era o do presidente da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) e agora da Federação Internacional de Vôlei (FIVB), Ary Graça.
Fiel ao presidente do COB, Ary Graça recusou a oferta. Mesmo sem Ary, o presidente da CBDG, Eric Maleson, firmou posição contrária a Nuzman. Já Alaor Azevedo, da CBTM, rompeu o trato e aceitou apoiar a reeleição de Nuzman.
Outra aposta dos opositores é a de que o acúmulo do cargo com a presidência do Comitê Organizador Rio-2016 afastará Nuzman cada vez mais do COB.


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