Jogadores da geração que iniciou conquistas da taça da competição lembram realidade do esporte no país em 82 e falam de contribuição para modalidade
Trinta anos após a conquista do primeiro título mundial brasileiro no futsal, os jogadores campeões de 1982 se reuniram no ginásio do Ibirapuera, local onde levantaram a taça, para reviver os momentos marcantes do feito histórico.
(Foto: Agência Getty Images)O Brasil sediou a primeira edição da competição mais importante da modalidade. Nove países – Paraguai, Costa Rica, Itália, Uruguai, Bolívia, Argentina, Japão, Colômbia e Tchecoslováquia – aceitaram o convite da Federação Internacional de Futebol de Salão (FIFUSA) para participar do Mundial em São Paulo.
A seleção, comandada pelo treinador Júlio César Lima, era formada por amadores, pois não havia jogadores profissionais no país. Os atletas se dividiam entre a rotina de trabalho, os treinos e os jogos em times formados por empresas privadas e cartórios.
- Na nossa época, todos trabalhavam. A grande maioria dos jogadores não vivia do futsal. Você tinha a sua vida profissional, jogava e treinava de três a quatro vezes por semana. Você não era profissional – conta Miral, pivô da seleção brasileira de 1982.
- Eram pessoas que não viviam do futsal, viviam para o futsal – observa o presidente da Confederação Brasileira de Futebol de Salão, Aécio Borba.
Embora o futsal ainda não tivesse muita popularidade no Brasil, a proximidade com a Copa do Mundo de futebol, na qual a Seleção estava entre as favoritas, fez a torcida nacional participar com entusiasmo da competição.
- O pessoal já estava no clima daquela Seleção que era quase perfeita. Já tinha o clima da Copa da Espanha e o futebol de salão serviu como aperitivo – lembra Miral.
- Tinha também a curiosidade. O salão ainda não era tão popular. As pessoas queriam ver o que era o futebol de salão. E nós fizemos grandes partidas no campeonato – revela Pança, goleiro em 1982.
- Jogar uma final de Mundial pela seleção brasileira antes do Mundial de futebol de campo trouxe uma grande expectativa para os torcedores. O ginásio ficou lotado por causa disso – explica o pivô da seleção de 1982, Carlos Alberto.
No dia 6 de junho de 1982, mais de 12 mil espectadores lotaram o ginásio do Ibirapuera para assistir à final contra o Paraguai. Um chute do mineiro Jackson garantiu a vitória brasileira, retribuiu o apoio da torcida e consagrou a camisa 12 como sinônimo de sucesso no futebol de salão.
Desde então, o Brasil se tornou favorito no esporte e já conquistou seis títulos da competição mais importante do futsal. A vitória, há 30 anos, foi responsável pela profissionalização dos jogadores e o crescimento da modalidade dentro do país.
- Na hora a gente só pensava em jogar bola. Era um prazer, não tinha dinheiro que pagasse defender o Brasil em um campeonato mundial. A gente não conseguia mensurar a importância que isso teria hoje – analisa Pança.
Por SporTV.com/São Paulo


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