A apreensão de uma metralhadora israelense Uzi (9 milímetros), na madrugada do último domingo, em Lauro de Freitas (Grande Salvador), revela mais uma vez a facilidade com que armas de uso restrito de órgãos de segurança pública e das Forças Armadas entram na Bahia. “Essa entrada de armas tem aumentado porque não há, na polícia baiana, articulações nacional e internacional. A fiscalização nas rodovias federais também é falha”, afirma o especialista em segurança pública Carlos Costa Gomes.
Foto: Mila Cordeiro/A TARDEA entrada de armas como a Uzi, carabina AR-15, e pistolas ponto 40, dentre outras de uso restrito das Forças Armadas, ocorre na maioria dos casos pelas rodovias federais que cortam o Estado.
“As armas são compradas em países como Paraguai e Bolívia e passam pelas fronteiras sem grandes dificuldades”, afirma o chefe do setor de armamento do Centro de Operações Especiais (COE) da Polícia Civil, Álvaro Moraes de Castro.
De acordo com integrantes da Polícia Rodoviária Federal (PRF), as BRs 116, 110 e 242 são as principais rotas dos bandidos. O chefe de fiscalização do órgão, Junaldo Correia, afirma que o baixo efetivo de inspetores rodoviários dificulta a fiscalização: “A malha viária é muito extensa”. Na Bahia, são 512 homens, enquanto São Paulo e Minas Gerais têm, respectivamente, cerca 650 e 825 agentes.
Apreensão
A metralhadora israelense foi apreendida pela 52ª CIPM, na Rua Queira Deus, em Portão, junto com uma espingarda calibre 12, três revólveres calibre 38, além de drogas. Policiais trocaram tiros com quatro homens em um Fiat Uno. A arma estava com um deles. Três morreram e um fugiu.
Para Costa Gomes, os criminosos na Bahia estão mais bem armados do que imagina a polícia baiana: “São armas contrabandeadas, parceiras do tráfico de drogas”. A TARDE procurou obter com o Centro de Estatísticas da Polícia Civil (Cedep), ontem, o número de apreensões de armas de uso restrito na Bahia. O órgão informou que o prazo mínimo para conceder os dados é de 48 horas.
Por Hieros Vasconcelos Rego/A Tarde


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