Comunidades cariocas são tema do documentário “5 x Pacificação”

19/nov/2012 . 14:02


O documentário “5 x Pacificação” propõe um balanço sobre a implantação das UPPs – Unidades de Polícia Pacificadora -, que vem transformando o panorama de violência que abalava muitas comunidades do Rio de Janeiro.

Dirigido por Cadu Barcellos, Luciano Vidigal, Rodrigo Felha e Wagner Novais – que têm no currículo “5 x Favela – agora por nós mesmos” (2010) – , o filme carrega desde o ponto de partida essa autenticidade de ser conduzido por um olhar de dentro, já que os quatro diretores são moradores de comunidades.

Por isso, os diretores estão à vontade conversando com moradores de diversos locais – Morro do Tabajara e Cabritos, Jardim Batam, Chapéu Mangueira, Morro Babilônia, Morro da Providência, Santa Marta e outros. O assunto é como a vida mudou nos locais onde a UPP já está presente. E o que esperam os habitantes dos lugares onde elas ainda não chegaram.

O primeiro ponto positivo apontado é a mudança de relacionamento entre moradores e a polícia, visto que estes policiais das UPPs são na maioria recém-formados e com um novo treinamento, “sem vícios”, de acordo com o secretário de Segurança carioca, José Mariano Beltrame. Nestes contingentes, chama a atenção o grande número de mulheres.

Num dos depoimentos, elogia-se a iniciativa das UPPS por “salvar as comunidades da própria polícia, já que, até então, era o extermínio”.

Há quem reclame, no entanto, que a chegada das UPPs criou dificuldades, por impor regulamentações e limites. A regularização do abastecimento de água trouxe consigo o fim da rede informal e da gratuidade. Existe um impasse com as companhias de mototáxis, que discordam de uma limitação de circulação, pois seus proprietários argumentam que o seu trabalho é essencial, especialmente à noite, suprindo a precariedade dos transportes no período.

Os organizadores de bailes funk têm queixas porque a polícia impôs limites no horário das festas – em geral, até 1h da manhã -, além de exigir implantação de extintores de incêndio e luz nas quadras de esporte que utilizam.

Mas é certo que os relatos de melhorias superam em muito as queixas. No Jardim Batam, por exemplo, não circulava nenhuma linha de ônibus devido aos constantes tiroteios, realidade que mudou radicalmente. No Morro da Babilônia, na esteira da pacificação, houve um reflorestamento que levou à bem-sucedida implantação de um projeto ecoturístico, que inclui caminhadas de visitantes de fora. Um projeto semelhante existe no morro Santa Marta.

É fato que resta muito por fazer. Uma das maiores preocupações é com a empregabilidade dos jovens que estão deixando as fileiras do tráfico, e que estão sendo atendidos por entidades como a AfroReggae – que mantém uma parceria com diversas empresas e tem como coordenadores deste projeto ex-traficantes, como Fofo e Feijão, que hoje são referência. Este é ainda um dos assuntos mais polêmicos e sensíveis, já que há quem defenda uma anistia para vários garotos que estão querendo sair do crime.

Outros moradores manifestam outra dúvida – e quando as UPPS partirem? Há quem tema uma retaliação dos criminosos expulsos pela ação pacificadora. Mas, de qualquer modo, ninguém quer ficar de fora da tentativa histórica, que já mudou a face do Rio de Janeiro.

 

Por Agência Reuters

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