Só tem Ba-Vi? Pequenos clubes baianos ‘somem’ da cena nacional

15/dez/2012 . 14:31


O outro lado: última vez que um clube baiano, além de Bahia e Vitória, figurou na Série B foi em 1991 e com vaga assegurada por regulamento

O ano de 2013 promete ser mágico para o futebol da Bahia. Depois de 10 anos, o clássico Ba-Vi voltará a ser disputado na Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro. Além disso, Salvador terá de volta a Fonte Nova, reconstruída como arena. O estádio vai receber a Copa das Confederações, com direito a um Brasil x Itália e Uruguai contra uma seleção africana. No entanto, o ano seguirá a tendência de temporadas anteriores. Nenhum clube baiano do interior vai figurar nas duas principais divisões do futebol brasileiro. E desde que foi a criada a Série D, a Bahia não tem representantes sequer na Série C. A Quarta Divisão, que tem vagas obrigatórias para baianos, é a única onde os pequenos da Boa Terra são vistos.

 

Foto: Eliezer Oliveira / Serrano

Os números mostram um enfraquecimento dos clubes pequenos do estado. Além da dupla Ba-Vi, o último time baiano a frequentar a elite do nacional foi o Leônico em 1985, em um campeonato que teve 44 clubes. Na Série B, a última vez que os baianos de menor expressão estiveram presentes foi em 1991, quando Catuense e Fluminense de Feira disputaram a competição. Naquele ano, a Segunda Divisão teve 64 clubes, e a Bahia só teve representantes devido ao formato que dava vagas obrigatórias aos estados.

Das 10 federações mais bem colocadas, ainda levando em conta o antigo ranking da CBF (SP, RJ, RS, MG, PR, PE, BA, GO, SC e CE), apenas a baiana não teve uma equipe pequena ou do interior figurando na Série B no século 21. A última vez que um clube de menor expressão do estado figurou no cenário nacional foi na Copa João Havelange de 2000, quando o Juazeiro ficou em terceiro lugar no módulo verde e branco da competição, que era equivalente à Série C. Além disso, o estado chegou a ficar sem representantes nas Séries A e B. Em 2006, a dupla Ba-Vi disputou a Série C. O Bahia ainda permaneceu por mais um ano na Terceirona, em 2007, enquanto o Vitória ficou por uma temporada.

Clubes menores nos seus estados como Guaratinguetá-SP, Americano-RJ, Ipatinga-MG, Malutrom-PR, Salgueiro-PE, Anapolina-GO, Marcilio Dias-SC e Icasa-CE, já disputaram pelo menos uma edição da Série B desde 2001. Santa Catarina é o exemplo de maior sucesso com clubes menores e do interior. Em 2013, o estado terá um representante na Série A e quatro na Série B, além de dois na Série D, por vaga obrigatória. Apenas dois destes – Avaí e Figueirense – são da capital catarinense.

A vida pós-título: falso alento e cofres vazios

Nos últimos dez anos, dois clubes do interior levantaram a taça de campeão baiano – o que não acontecia desde 1969. Colo-Colo e Bahia de Feira conquistaram os troféus em 2006 e 2011, respectivamente. No entanto, os títulos do estadual não influenciaram na disputa do Campeonato Brasileiro.

Em 2006, o Colo-Colo entrou na disputa da Série C como campeão baiano, mas teve a concorrência de Bahia e Vitória, rebaixados no ano anterior. O time de Ilhéus caiu no grupo do Tricolor e foi eliminado na lanterna da sua chave, em quarto lugar.

Em 2011, o Bahia de Feira entrou um degrau abaixo do Colo-Colo de 2006, por conta da criação da Quarta Divisão em 2009. Na Série D, o time de Feira decepcionou e não passou da primeira fase.

Para o presidente do clube, Tiago Souza, o problema é causado por conta de um orçamento debilitado, que impede a montagem de elencos competitivos.

O grande problema é orçamento. Nossa única receita é a televisão. Temos um contrato que só vai ser renegociado em três anos, mas é a nossa única receita. E não dá para fazer futebol com os valores que recebemos hoje – disse o presidente.

A questão de custo é o mesmo fator apontado pelo presidente do Colo-Colo, Walter Telles, como razão para o ‘sumiço’ dos clubes da Bahia de menor expressão. Para ele, o cenário baiano é preocupante em relação aos times do interior. A situação piora em equipes que estão fora da Primeira Divisão do futebol estadual, como é o caso do Tigre, rebaixado em 2011.

O cenário é bastante triste. Nós temos uma folha de R$ 60 mil e não temos patrocínio. Neste ano, a prefeitura não nos ajudou. Temos um estádio (o Mário Pessoa), que não tem condições de uso porque não tem as licenças ambientais e por conta de estrutura. Na Primeira Divisão ainda há algumas empresas que aceitam investir. Até o governo do estado investiu através da empresa de águas – a Embasa patrocinou os clubes do interior no estadual de 2012. Então, o problema é a falta de investimento. Na Segunda Divisão, a Federação não ajuda financeiramente. E sem dinheiro você não consegue montar um time. Quando tivemos investimento conseguimos chegar – diz Telles, referindo-se ao título de 2006.

Para o presidente do Colo-Colo, os problemas financeiros não prejudicam apenas o time profissional. O eco do problema é maior e afeta jovens promessas que surgem no sul do estado.

- Outro grande problema dessa falta de investimento é que, sem dinheiro, você não consegue investir na base. A gente não tem aqui um atleta formado na base, porque não tem investimento. E vivemos em uma cidade que é rica em recursos humanos. A região sul é um polo de jogadores de qualidade. Jogadores como o Liédson, Jorge Valença no passado, são jogadores que passaram pela região. Então a falta de investimento é algo que prejudica tudo – disse o dirigente, lembrando a importância da cidade de Ilhéus.

Em busca do tempo perdido

O presidente da Federação Bahiana de Futebol, Ednaldo Rodrigues, admite a má situação da federação que comanda desde 2001, mas ressalta que, para ele, a entidade tem cumprido o seu papel. No entanto, os planejamentos dos clubes e os formatos das competições de acesso prejudicavam as agremiações.

A FBF faz a parte que nos cabe. Eu acho que o necessário é que as equipes busquem um planejamento criterioso e que tenha foco e objetivo. Acho que isso de sermos a única das dez melhores federações que não teve um time do interior na Série B recentemente é por conta do formato que tinham antes as competições. Chegamos a ter Série C com 94 clubes e divididos em grupos, onde o time fazia 4 jogos no máximo, e ainda tinha um time do mesmo estado no mesmo grupo. Além disso, a CBF apoiava muito pouco. Era um auxilio de R$ 3 mil. Com isso, muitos clubes, não só da Bahia, tinham dificuldades. É complicado você arrumar um patrocinador para só atuar três jogos, como muitos times jogavam. Além disso, os contratos dos jogadores eram por períodos menores ao tempo de competição – disse Ednaldo.

No entanto, o dirigente espera que a partir de 2013, a situação mude, a partir do novo formato da Série D, Quarta Divisão nacional.

Mas agora vamos correr atrás do tempo perdido. Esse novo formato de Série D dá um calendário a esses clubes. Agora é preciso ter planejamento para conseguir patrocínios. Serão quatro grupos de oito clubes. Então teremos pelo menos 14 datas para esses times. Agora é o momento de fortalecer os nossos clubes. É a hora de dizer “o objetivo é a Série C” e chegar entre os quatros. E depois buscar a Série B e assim por diante. Esse planejamento tem que ser o principal objetivo – diz Ednaldo Rodrigues.

Apesar das afirmações do presidente da FBF, esse não é o sentimento do presidente do Bahia de Feira, Tiago Souza. Para ele, o aumento do número de jogos não significa necessariamente uma receita forte por patrocínio.

- Na minha opinião, esse formato é pior. Só piora, porque um time sem receita vai jogar 14 vezes. Sem cotas de TV isso não vai mudar nada. Não existe isso de patrocinador sem TV – rebateu o presidente da equipe campeã baiana em 2011.

Um ‘pequeno grande’ sonhando alto

Longe da Primeira Divisão do futebol baiano desde 1989, o Botafogo-BA está de volta à elite do futebol baiano em 2013 e cheio de planos. De acordo com o presidente do clube sete vezes campeão estadual, a expectativa é disputar competições nacionais já a partir de 2014. Recém-chegado, o ‘Mais Simpático’ terá o grupo formado por jogadores e comissão técnica cedidos pelo Vitória, através de uma parceria.

- A ideia é, em 2014, já disputar competições nacionais. A ideia é disputar tudo nacional que possamos. Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro… Sabemos das dificuldades dos times pequenos, mas vamos tentar. Sabemos das dificuldades e elas são muitas. Mas temos que profissionalizar o clube. Vamos usar o projeto do sócio-investidor como um carro-chefe da nossa gestão. O caminho é profissionalizar. Vamos trabalhar com os sócios investidores e empresas privadas para criar renda. Não podemos viver de rendas que não existem. Teremos as cotas de TV, mas tem que procurar novas formas de arrecadação e para isso temos que profissionalizar. O Botafogo também tem projetos de investir em esportes olímpicos. Teremos os Jogos Olímpicos em 2016, então acho que é um projeto ambicioso do Botafogo-BA. Essa parceria com o Vitória vai nos dar estabilidade para tocar os projetos. Dentro de quatro ou cinco anos pretendemos estar na Série B do Campeonato Brasileiro – afirmou Adalberto Lopes, presidente do clube de Salvador.

Tradicionais, campeões, folclóricos, os pequenos clubes baianos esperam que a inspiração do Ba-Vi de Série A em 2013 possa impulsionar os seus destinos. A partir de 20 de janeiro, no Campeonato Baiano, nove clubes começam uma nova epopeia em busca de um futuro melhor. O Feirense, que disputa a Copa do Nordeste de 2013, é o pequeno que terá a primeira grande chance de começar a brilhar no cenário nacional e dar à Bahia um brilho com mais cores, além do azul, branco, vermelho e preto.

 

Por Globo Espotes Bahia

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