O número representa 58,2% de toda a população adulta do estado. Ao todo, são 7,7 milhões de pessoas com 25 anos ou mais em toda a Bahia
Uma Bahia onde a maioria dos adultos não possui escolaridade e que está posicionada entre os estados brasileiros líderes de desigualdade. Esse foi o cenário desenhado nesta quarta pelo IBGE, que divulgou novos dados do censo de 2010 sobre educação e desigualdade.
Segundo o levantamento, mais de 4,5 milhões de baianos com 25 anos ou mais não completaram o ensino fundamental ou não possuem qualquer escolaridade. O número representa 58,2% de toda a população adulta do estado. Ao todo, são 7,7 milhões de pessoas com 25 anos ou mais em toda a Bahia.
A maioria da população adulta sem escolaridade vive nos centros urbanos, de acordo com o IBGE. Aproximadamente 73,8% dessa população vive nas grandes cidades, enquanto 26,2% da população habita na zona rural.
“Esses dados são, por si só, muito preocupantes para a Bahia. Mostram a subqualificação de uma população que poderia estar contribuindo de maneira mais efetiva para a economia do estado, caso tivesse experimentado uma formação mais avançada”, avalia o coordenador local de Disseminação de Informações do IBGE, Joilson Rodrigues.
Desigualdade O IBGE também divulgou o ranking do Índice de Gini, que mede a desigualdade de um determinado lugar. Embora tenha conseguido diminuir a desigualdade nos últimos 10 anos, essa redução foi inferior à registrada em outros estados. Dessa forma, a Bahia deixou de ser o 11º estado mais desigual do Brasil, posição que ocupava em 2000, passando para a 5ª colocação, em 2010.
Estados como Piauí, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Ceará reduziram mais que a Bahia a desigualdade em seu território no período em análise, caindo várias posições no ranking dos mais desiguais. Em 2000, o Índice de Gini na Bahia era 0,602 e passou para 0,580 em 2010. Quanto mais próximo de zero um estado chega, mais ele reduz sua desigualdade. O índice varia de 0 a 1, o nível máximo de desigualdade.
“A Bahia não reduziu mais sua desigualdade porque a concentração da renda aumentou no meio rural”, explica Joilson Rodrigues. De acordo com o estudo, o Índice de Gini do meio urbano caiu de 0,611 para 0,583 de 2000 a 2010, enquanto no meio rural, houve um aumento de 0,411 para 0,437.
“Cerca de 27% da população baiana está no meio rural, o que impactou o recuo da concentração de renda geral”, avalia o coordenador do IBGE. Segundo ele, a Bahia responde por 13% da população rural de todo o país.
A administração estadual foi procurada pelo CORREIO para comentar os dados da pesquisa de desigualdade, mas não respondeu às solicitações de entrevista até o fechamento desta edição, às 19h. Já o diretor de Informações Educacionais da Secretaria estadual de Educação, Marcos Pinho, informou
que, nos últimos seis anos, o governo tem criado políticas para atender à população adulta sem o ensino fundamental.
Mulheres
O IBGE também divulgou dados sobre renda e ocupação. Graças ao aumento da escolaridade, a inserção das mulheres no mercado de trabalho aumentou em 24% de 2000 a 2010 no país. Mas, dos 20 setores e atividades pesquisados, as mulheres tinham rendimento superior ao dos homens em apenas três: Indústria Extrativa, Construção Civil e Transporte, Correio e Armazenagem.
Por Correio da Bahia



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