“O artista, quanto mais inventivo, curioso e experimental, terá que, por prazer, ser prolífero, irrequieto e transformador”. A frase de Mario Cravo Junior, 89, revela tanto da sua obra como da sua vida. Nesta quinta-feira, 24, uma dimensão de sua potência criativa poderá ser vista na abertura da exposição Mario Cravo Jr — Esculturas, no Palacete das Artes, que fica na Graça.
(Foto: Raul Spinassé | Ag. A TARDE)São 61 obras, dos anos 1970 até 2013, em que Mario anima diversos materiais com suas invenções, curiosidade e experimentações. Não à toa, Jorge Amado disse sobre ele, ainda em 1961: “A madeira, a pedra, o ferro, na forja dos infernos, nas mãos do verdadeiro Exu da Bahia são a flor, a água, a poesia, a vida mais vivida e mais profunda”.
A exposição é promovida pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, através da Diretoria de Museus do Instituto do Patrimônio – Ipac e poderá ser vista até o final de abril. No dia 13 desse mês, quando completará 90 anos, o artista receberá uma condecoração. E ainda em abril, a Paulo Darzé Galeria de Arte realiza uma nova mostra de Mario.
Unidade- A curadoria coube ao diretor do Palacete das Artes e também artista visual Murilo Ribeiro. “A unidade na escultura de Mario Cravo é a busca de sempre estar fazendo o novo”, afirma. Por isso, as peças que serão exibidas no jardim e nas dependências do Palacete contemplam diversas técnicas e fases da trajetória do artista, que utiliza materiais como resinas, relevos em grafite, entre outras.
“Este é o desafio do verdadeiro artista: ele não tem uma fórmula pronta, e procura estar sempre se renovando”. Para Ribeiro, ter um artista baiano no espaço que abrigou por três anos obras de Auguste Rodin “prestigia” a cultura baiana. “Achei ótimo ter Rodin aqui, o governo cumpriu o comodato pelo período previsto num acordo internacional com o aval do MinC, mas acho importante ter um artista da Bahia”.
Mario Cravo Junior, considerado o mais importante nome do modernismo baiano nas artes visuais, tem obras em museus como o de Arte Moderna de Nova York e no The Israel Museum, em Jerusalém. Sua biografia, O Exu Iluminado, organizada pelos filhos Mario Cravo Neto, Kadi Cravo e o neto Christian, foi lançada em 2011 pela Versal Editores, com patrocínio da Odebrecht.
Para o historiador e poeta Fernando da Rocha Peres, Mario não só fez o modernismo romper o conservadorismo nas artes visuais baianas, mas sempre se reinventou.
“Ele trabalha com a arte com o que acha que deve fazer e não com o que o comprador quer ter na parede. Ele foi inquieto como professor, é inquieto na arte, na vida e, de certa maneira, ele inquieta as pessoas”.
Há 19 anos, o artista desenvolve seus trabalhos no Espaço Mario Cravo – Parque das Esculturas, no Parque Metropolitano de Pituaçu, sob a administração da Fundação Mario Cravo, em parceria com a Conder e Secretaria do Desenvolvimento Urbano do Estado.
Por Marcos Dias/A Tarde


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