A população de Iguaí tem convivido com um grande número de muriçocas desde o final do ano passado e também neste início de ano. Ninguém aguenta conviver com o barulhinho insuportável dos mosquitos, que tomaram conta da cidade.
(Foto: Divulgação)Os insetos impedem que as pessoas tenham uma boa noite de sono, o que prejudica o desempenho no trabalho, por exemplo, no dia seguinte. Muitos moradores estão se queixando da proliferação de muriçocas, principalmente após as chuvas desta semana.
As famílias que têm um bebê em casa enfrentam diariamente problemas com as muriçocas. Muitos têm que colocar ventilador de teto em todos os cômodos e colocar um mosquiteiro até quando as crianças estão no carrinho.
Segundo o biólogo Artur Dias Lima, professor do Departamento de Ciências da Vida da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), o verão é o período do ano em que as muriçocas mais proliferam.
“A temperatura mais elevada ajuda a diminuir o ciclo de vida do mosquito fazendo com que ele atinja a fase adulta mais rapidamente”, explica. Para se reproduzir, o mosquito precisa de água.
As chuvas, segundo ele, aceleram o metabolismo do pernilongo, que se reproduz mais rapidamente. “As áreas poluídas são grandes criadouros, porque os predadores naturais, como morcegos e peixes, não sobrevivem nestes locais devido à poluição e ao desmatamento”, diz.
Segundo o biólogo, em outras épocas do ano, uma muriçoca leva em torno de 15 dias para chegar à fase adulta. No verão, este ciclo diminui para cerca de oito dias. Ele acrescenta que a limpeza de fontes hídricas e terrenos baldios ajudam a combater os criadouros do mosquito. A picada do inseto pode transmitir doenças como a elefantíase, caracterizada pelo inchaço de membros em proporções exorbitantes.
Os danos mais frequentes causados pelas picadas de muriçoca são os inchaços avermelhados e a coceira. De acordo com a dermatologista Ivonise Follador, quem tem alergia sofre ainda mais com as picadas. “A coceira pode causar lesões cutâneas, que, por sua vez, podem ocasionar infecção na pele”, afirma.
A utilização de ventiladores, mosquiteiros e telas, além do uso de repelentes, são medidas apontadas por Ivonise para evitar as picadas dos mosquitos. Em casos de complicações, um dermatologista deve ser consultado.
As secretarias estadual (Sesab) e municipal da Saúde não realizam trabalho específico de combate a muriçocas. A ação é direcionada contra o mosquito da dengue. O fumacê, antes usado no combate ao pernilongo, é utilizado apenas em casos específicos de combate ao mosquito da dengue, como forma complementar às ações de combate ao Aedes aegypti.
´Trator abandonada na Praça Manoel Novaesvirou criatório do mosquito da dengue
(Foto: Iguaí Mix)
No entanto para que se realize um trabalho de combate ao pernilongo é preciso fazer a limpeza de reservatórios hídricos, como canais e córregos, além da coleta de lixo regularmente. Uma atitude insana da atual administração de Iguaí trouxe veículos que se encontravam abandonados na garagem municipal, que pertence à prefeitura, para a Praça Manoel Novaes, num verdadeiro descaso com a saúde pública, pois os entulhos contribuem não só para a proliferação das muriçocas como do mosquito da dengue.
Isso pode ser visto no trator que ficou abandonado em frente à Prefeitura Municipal e ao Pelotão da PM. A equipe do Iguaí Mix flagrou o acúmulo de água parada na enchedeira do trator, que se tornou um criadouro de Aedes aegypti em plena praça pública.


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