O cineasta norte-americano Spike Lee, que está na Bahia para produzir seu novo documentário, Go, Brazil Go. Ele conheceu o Teatro Vila Velha , no Campo Grande, e entrevistou alguns artistas do Bando do Teatro Olodum, que este ano comemora 23 anos de fundação.
A visita de Spike Lee ao espaço cultural não poderia ser em momento mais auspicioso. O Vila Velha anuncia a criação da Universidade Livre, um projeto de longa duração.
Além do diretor Márcio Meirelles, Spike entrevistou o coreógrafo Zebrinha e o ator Jorge Washington. Allém disso, não se furtou a tirar fotos com a trupe, que conheceu de pertinho o diretor que recentemente criou polêmica ao criticar publicamente Django Livre, o novo filme de Quentin Tarantino.
No teatro, Spike Lee também colheu depoimentos dos cantores Lazzo Matumbi, Juliana Ribeiro e Margareth Menezes. O documentário, que discute a cultura e questão racial no Brasil tem previsão de estrear no próximo ano, em Cannes.
Nas conversas, o diretor se interessou pelo surgimento do Grupo de Teatro Olodum, e pela trajetória da trupe, que vem lutando contra o racismo e a discriminação e ficou impressionado com a companhia. A visita do diretor do filme Faça a Coisa Certa ao Vila Velha durou cerca de quatro horas.
A questão do negro - O diretor Márcio Meirelles preferiu não adiantar sobre o conteúdo das entrevistas, justificando que preferia que a produtora do artista se pronunciasse.
O fato é que o diretor Spike Lee está interessado na cultura brasileira neste momento em que o País registra níveis de crescimento e se firma como uma potência internacional .
A questão do negro, neste contexto da história do País, será o foco do diretor que deverá ter encontro com outros baianos de destaque, além de visitar bairros da cidade ligados à cultura afro, a exemplo da Liberdade e Centro Histórico.
O diretor deve retornar mais quatro vezes ao Brasil, para falar com pessoas comuns e concluir a agenda de personalidades selecionadas no mundo da política, das artes e dos esportes. Entre eles estão nomes importantes como os dos ex-jogadores Pelé e Ronaldo, o nadador Cesar Cielo e a ex-ginasta Daine dos Santos, entre outros.
Universidade Livre do Vila - Não é a primeira vez que o Bando dialoga com o cinema. Na trajetória do grupo constam os filmes Jenipapo e Ó Paí, Ò, ambos de Monique Gardemberg.
De acordo com o diretor Márcio Meirelles, a Universidade Livre do Teatro Vila Velha tem, entre os objetivos construir e compartilhar conhecimento.
“A meta será sempre o teatro. Reinventar o teatro coletivamente. Recriar o teatro para o século XXI. Desenvolver novas dramaturgias e um novo ator. Queremos novos artistas capazes de refletir e representar o nosso tempo”, afirma.
“O espetáculo Frankenstein será construído pela universidade livre”, conclui Meirelles.
Por Eduarda Uzêda/A Tarde



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