As declarações do prefeito ACM Neto (DEM) abrindo a possibilidade de apoiar a reeleição da presidente Dilma Rousseff provocaram reações irônicas tanto em aliados como em adversários.
Enquanto o presidente estadual do PT, Jonas Paulo, reafirma que “o projeto do DEM é diametralmente oposto ao do PT”, o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB) disse que se isso ocorresse quem ficaria em situação constrangedora seria o deputado Nelson Pelegrino (PT), derrotado por Neto na eleição de prefeito no ano passado.
Em entrevista ao portal Bahia Notícias, ACM Neto disse que não se definiu ainda em apoiar o senador Aécio Neves (PSDB) para a Presidência da República, em 2014, embora tenha com o mineiro uma ligação histórica. Avisou que não afasta a possibilidade de conversar com qualquer um dos postulantes, inclusive a presidente Dilma. A hipótese já havia sido aventada pelo secretário municipal de Transportes, José Carlos Aleluia, pré-candidato do DEM à sucessão estadual.
“Coração de Aécio” - Em tom de brincadeira, o deputado Lúcio Vieira Lima, aliado do prefeito, disse que gostaria de ver a reação de Pelegrino se tiver que dividir o palanque com ACM Neto.
“Para ele (Neto), seria muito conveniente”, reagiu Pelegrino, para quem o coração do prefeito “bate por Aécio”.
Disse ainda que só pode ter uma reação se por acaso Neto subir mesmo no palanque petista. “Não reconheço mais ele: se é o ACM Neto da campanha, criticando o PT, ou o de agora”.
Já o novo presidente do PMDB-BA, Geddel Vieira Lima, pré-candidato peemedebista ao governo, interpreta que a postura do prefeito é de um gestor que quer viabilizar sua administração mantendo boas relações com o governador do Estado, Jaques Wagner, e a presidente da República. “Acho até que o governador já deveria ter repassado os recursos do convênio da Embasa para a prefeitura”, provocou, ponderando que Neto faz parte de um projeto político diferente do PT.
É o que Jonas Paulo também diz entender. “O DEM é um partido de oposição à presidente Dilma, e nós tratamos esse partido como tal. O que não quer dizer que haja parcerias administrativas com prefeitos, governadores, sejam de que partido for”, disse, alegando não poder levar em conta “manifestações individuais, de pessoas” integrantes dos partidos adversários ao governo, que não seriam “contabilizados” como de forças políticas.
Por A Tarde



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