Após atuações pouco convincentes nas semifinais, Brasil e Espanha se enfrentam para decidir o título da Copa das Confederações no domingo. O time de Felipão claramente é o que precisa pensar nas decisões táticas a serem tomadas; os atuais campeões mundiais têm um estilo de jogo fixo e dominante, que não vai se alterar para o jogo final.
A lição a ser tirada é a da Itália, que mudou sem medo seu esquema tático para complicar a Espanha nos três últimos grandes jogos entre as duas seleções – apesar dos 4 a 0 da final da Eurocopa 2012, quem viu o jogo sabe que o placar foi um exagero, e a goleada foi construída depois de a Itália ficar com 10 jogadores. Jogar contra a Espanha como se fosse qualquer time é quase garantia de levar um “baile”, como mostrou o Uruguai na primeira rodada.
O principal dilema de Felipão é a marcação. Como segurar a Espanha? A Itália apostou em um sistema com três zagueiros e dois alas, mais uma linha de quatro meio-campistas, e só Gilardino à frente. Na prática, um 5-4-1 para defender, pressionando somente na intermediária. Funcionou muito bem, mas o Brasil dificilmente repetirá o sistema italiano, pois não há onde encaixar Fred e Neymar nele. Scolari deve manter o 4-2-3-1 e a marcação pressão que funcionou muito bem nos primeiros 15 minutos de jogo contra Japão e México, mas foi bem menos efetiva contra Itália e Uruguai.
Contra a Espanha, tudo indica que a tática será ainda menos eficaz, diante de um time que tem por mantra sair jogando com toques curtos da defesa. Saber como roubar a bola dos espanhóis é a principal dificuldade da Seleção, que mostrou problemas na recomposição pelo setor esquerdo, principalmente com Neymar e Marcelo escalados por aquele lado, e pouca coesão na marcação pressão, que acontece na base do “abafa”, empurrada pela torcida no início do jogo. Felipão faria bem em apostar em mais um volante – o ideal seria tirar Fred, o que menos ajuda a roubar bolas, mas provavelmente o escolhido para sair será Oscar ou Hulk. Ambos cumprem bem seu papel tático, mas vêm tendo atuações tímidas com a bola no pé.
O outro dilema do Brasil: como o time vai atacar? Com Felipão, a equipe vem se notabilizando pela armação quase exclusiva pelas laterais. Daniel Alves e Marcelo são os que mais ficam com a bola no pé; já os três meio-campistas, Luiz Gustavo, Paulinho e Oscar, participam muito pouco da armação e da saída de bola. Esse foi um grande problema em todos os jogos do Brasil até aqui – principalmente contra o Uruguai, que abriu Cavani e Suárez para conter os laterais brasileiros, e praticamente acabou com o jogo ofensivo da Seleção, reduzido a cruzamentos na área. Contra a Espanha, porém, essa característica pode se transformar em benefício.
O motivo foi demonstrado pela Itália na semifinal. Quando o trio ofensivo da Espanha avançava para pressionar os três zagueiros italianos, os dois alas (Maggio e Giaccherini) ficavam totalmente livres – no primeiro tempo, foi incrível a liberdade que ambos tiveram, e eles criaram as melhores jogadas da equipe. A situação pode se repetir com Daniel Alves e Marcelo. O Brasil não joga com três zagueiros no papel, mas Luiz Gustavo costuma recuar entre Thiago Silva e David Luiz na hora de sair jogando. A situação pode se repetir se a Espanha – que deve pressionar bem mais, já que o jogo è as 19h, com menos calor e umidade – avançar seu trio de frente contra a defesa do Brasil. Os laterais, principais articuladores da Seleção, podem ficar livres.
Outro ponto positivo é que a melhor virtude da Seleção – a velocidade e o jogo direto de Neymar, Hulk, Oscar e Paulinho no contra-ataque – é também a maior fraqueza da Espanha. Os campeões mundiais têm dificuldades quando sofrem ataques diretos e rápidos, como mostrou a Nigéria na primeira fase, principalmente quando não conseguem pressionar do modo como estão acostumados na frente – o que tem sido comum na Copa das Confederações, talvez por uma mistura do clima abafado com o cansaço do fim da temporada europeia.
O Brasil, mesmo jogando em casa, ainda é o “azarão” nesta final. Felipão tem as armas para ferir a Espanha quando o time tiver a bola – basta jogar de acordo com as virtudes que mostrou até aqui, liberando os laterais para atacar e jogando de forma vertical, direta. O problema, porém, é que para atacar precisa-se primeiro roubar a bola do adversário – e o Brasil vai enfrentar uma equipe que está vários níveis acima de qualquer outra na posse de bola. As deficiências da marcação pressão e da recomposição defensiva serão mais evidentes que nunca.
Por Terra.com




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