Nosso planeta Terra ficou conhecido pela expressão “pálido ponto azul”. Essa expressão nasceu de uma foto obtida pela Voyager 1 em 1990, quando Carl Sagan teve a ideia de pedir que as câmeras da sonda se voltassem para o Sistema Solar e obtivesse uma “foto de família”.
Nessa ocasião, a nave estava a 6 bilhões de quilômetros de distância da Terra e deste ponto nosso planeta era um minúsculo ponto azul e pálido, quase perdido na resolução da imagem. Depois desta foto, as câmeras da Voyager 1 foram desligadas, mas outros instrumentos estão ainda em funcionamento, mandado dados a respeito do campo magnético do Sol.
Mas agora, um outro ponto azul se junta a nós: HD189733b.
Esse é o nome de um exoplaneta (planeta fora do Sistema Solar) situado a 63 anos luz de distância, um dos mais próximos conhecidos e, por esse motivo, um dos mais estudados. Esse planeta é da categoria dos “Júpiteres quentes”, ou seja, planetas com a massa e o tamanho compatíveis com o nosso Júpiter, mas que estranhamente estão muito próximos da sua estrela hospedeira, o que os deixam com temperaturas de milhares de graus. Comparativamente, o topo das nuvens de Júpiter deve ter algo em torno de -110o C.
HD189733b é um mundo bem exótico, sua temperatura está na casa dos mil graus Celsius e a diferença de temperatura entre a face iluminada e a face escura, onde é noite, é de 260 graus! Isto provoca ventos de 7 mil km/h. Estudos no infravermelho mostraram que existem partículas com silício, mas a esta temperatura essas partículas podem se condensar em minúsculos grãos de vidro. Neste caso é até possível esperar que chova vidro nesse planeta!
Bom, viagens à parte, sabemos que em HD189733b há tempestades furiosíssimas e, pior, ele está sujeito aos humores de sua estrela hospedeira. Em 2010 e 2011, foram registradas explosões em raios-X desta estrela pelo satélite Swift e uma observação feita pelo Hubble logo em seguida mostrou que HD189733b tinha perdido parte de sua atmosfera por evaporação! O banho de radiação nesse planeta foi tão intenso que sua atmosfera se aqueceu mais ainda e uma parte dela se perdeu no espaço.
Agora o Hubble traz mais uma surpresa, pela primeira vez foi “medida” a cor de um exoplaneta: HD189733b é azul! Mais azul até do que a Terra!
Como o Hubble conseguiu essa proeza? Usando seu espectrômetro, um instrumento destinado a separar a luz (ou a radiação) em diferentes frequências. Como não há como separar o espectro do planeta e da estrela, o truque usado foi fazer um espectro quando o planeta estava defronte à estrela (do nosso ponto de vista) e depois que ele se escondeu atrás dela. Na primeira situação, o espectro obtido tinha a luz da estrela e do planeta. Na segunda, apenas o espectro da estrela e este se mostrou com uma contribuição menor em frequências correspondentes ao azul. Resultado: a luz que vem do planeta é azulada. Aliás, ela está mais para azul cobalto ou anil, do que propriamente o azul.
Esse resultado deixou muita gente intrigada, eu inclusive. Por se tratar de um “Júpiter quente”, era esperado que suas cores fossem parecidas com as de Júpiter, mas não foi o caso. A resposta para isso está, claro, na composição química da atmosfera peculiar deste planeta, mas isso ainda está longe de ser possível de ser analisado.
Do G1



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