O superintendente do Bahia, Ruy Oliveira Accioly Lins, entrou na tarde de desta sexta-feira, 13, com um processo trabalhista contra o clube por revogação do contrato, verbas rescisórias e multa de 40% do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).
(Foto: Gildo Lima l Ag. A TARDE l 30.8.201)O processo está registrado na 31ª Vara do Trabalho de Salvador e a audiência inicial foi designada para o dia 3 de fevereiro de 2014.
Ruy Accioly recebia em torno R$ 15 mil do clube. Porém, pelo estatuto do Bahia, não poderia ser funcionário acumulando ao mesmo tempo o cargo de presidente do conselho deliberativo do Bahia.
Nesta mesma situação irregular de desrespeito ao estatuto – acumulando função de conselheiro e de funcionário -, de acordo com o relatório de auditoria da empresa Performance, estão Maurício de Carvalho, Tiago Cintra e Sacha Mamede.
De acordo com o advogado Celso Castro, que presta ajuda jurídica ao clube na gestão de Schmidt, o fato de Accioly reunir a função de funcionário com a de conselheiro será usado como ponto para contestar a ação trabalhista movida por ele.
“A função de conselheiro é justamente fiscalizar o presidente em exercício. Agora me pergunto como é que o funcionário, que é subordinado do presidente, consegue fiscalizar seu patrão? É uma situação estranha”, diz Castro.
A reportagem tentou contato com Ruy Accioly por telefone, mas não obteve sucesso nem retorno até o fechamento desta edição, após deixar recado em sua caixa de mensagens.
Espião da conta
A reportagem de A TARDE conseguiu apurar quem foi o funcionário do Bahia que passou informações bancárias do clube ao ex-presidente Marcelo Guimarães Filho durante o período da intervenção. Trata-se do funcionário Sidiclecio Figueredo Sousa, que ocupa o cargo de analista financeiro no Bahia.
Sidiclecio foi procurado para falar com a reportagem de A TARDE, porém, sem sucesso.
No dia 26 de julho, via e-mail, Marcelo Filho divulgou informações bancárias do Esporte Clube Bahia para comprovar que o dinheiro da venda do atleta Gabriel caiu nas contas do Bahia.
No documento, porém, o ex-presidente acabou evidenciando que teve acesso às contas, mesmo sem autorização.
Marcelinho fala
Após mais de 45 dias de silêncio, o ex-presidente do Bahia, destituído pela Justiça, Marcelo Guimarães Filho, falou nesta sexta sobre a intervenção e o resultado da auditoria feita no clube em relação a sua administração.
Em entrevista ao BA TV, da Rede Bahia, o ex-dirigente disse que contesta os dados apresentados pela Performance de que nos últimos seis meses de sua gestão a dívida do clube teria crescido em mais de R$ 20 milhões.
“É impossível uma auditoria de 30 dias fazer um trabalho claro de auditagem para um período de um ano e nove meses, como foi o caso que se propôs. O Bahia fechou o ano passado, segundo a BDO e a Pluri Consultoria, que são duas das maiores empresas de consultoria em relação ao futebol, devendo R$ 61 milhões. É impossível que esse número tenha crescido em 6 meses para R$ 83 milhões. Eu contesto e não admito que o número seja esse”, afirmou Marcelo Guimarães Filho.
Sobre a intervenção e sua destituição do cargo, o ex-presidente do Esporte Clube Bahia disse aceitou a decisão da Justiça. “Como aceitarei se for um caso de uma decisão nos colocar de novo à frente do clube”.
Por André Uzêda e Luiz Teles/A Tarde


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