As doenças inflamatórias intestinais são multifatoriais: genética, imunidade, conteúdo da microbiota, alergias alimentares e hipersensibilidade.
Elas podem causar deficiências nutricionais sendo as mais comuns a falta de proteína, vitaminas B9 e B12, ferro, cálcio, zinco e magnésio. Mas, para evitar problemas nesse importante órgão do corpo humano, é fundamental fazer uma terapia nutricional para a reposição desses nutrientes, redução da inflamação, aumento no tempo de remissão e melhora da cicatrização.
Estudos afirmam que ômega-3 é benéfico para esses pacientes, pois inibem naturalmente a citotoxicidade agindo como um antiinflamatório. Fibras ajudam a aumentar a produção de ácidos graxos de cadeia curta pelas bactérias intestinais melhorando a qualidade da microbiota, mas devem ser consumidas com cautela para não provocarem efeito oposto. Alimentos ricos em açúcares e gorduras devem ser evitados já que são pró-inflamatórios e aumentam a incidência dos episódios.
Na fase ativa da doença leite e derivados devem ser evitados, pois aumentam a fermentação bacteriana via lactose. Probióticos podem ser uma alternativa visando a melhora da qualidade da microbiota intestinal. O estresse também deve ser controlado para que não haja um aumento do componente inflamatório. Alimentos antioxidantes podem auxiliar nessa questão.
Ferro
A deficiência de ferro é comum em pacientes com doenças inflamatórias intestinais, como a Doença de Chron e a colite ulcerativa, por conta da perda protéica e de sangue no trato gastrointestinal em episódios inflamatórios e por baixa ingestão de ferro, principalmente pela diminuição do consumo de alimentos integrais ricos em fibras e que normalmente são fortificados com ferro. Pacientes nessa condição são mais sensíveis aos suplementos orais de ferro e muitas vezes a melhor indicação é a dose de ferro intravenosa.
As quantidades adequadas de ferro e sua disponibilidade podem ser diferentes nessa população comparadas as pessoas isentas da mesma. É possível que modificações e recomendações dietéticas sejam alteradas a fim de melhorar a absorção desse nutriente. Estudos demonstraram que pacientes com essas doenças apresentaram menor consumo de vitamina C e fitatos, o que é ruim já que a vitamina C melhora a absorção do ferro.
Os pesquisadores ressaltam que a deficiência de ferro nesses pacientes está mais relacionada à dieta dos mesmos, mas que a suplementação de ferro ou a fortificação dos alimentos com esse mineral em excesso podem comprometer a qualidade de vida desses pacientes, pois podem competir com outros minerais como o zinco e, aumentar o potencial oxidativo via reação de Fenton levando a um aumento de radicais livres e de estresse oxidativo.
Fibras
O consumo de fibras dietéticas apresenta inúmeros benefícios e aplicações como no tratamento de desordens colônicas, diminuindo o risco de doenças cardíacas, diabetes e câncer de cólon, melhorando o controle glicêmico e a função gastrointestinal, entre outros. O cacau têm em sua composição altos teores de fibras, na sua maior parte insolúveis. A produção do chocolate provoca perda dessas fibras, ao contrário da produção do pó de cacau a qual as preserva.
Fibras insolúveis aumentam o bolo fecal, diminuem o trânsito intestinal e mantém uma certa “pastosidade” das fezes, devido a fermentação apenas parcial pela microbiota. Os pesquisadores ressaltam que altas quantidades dessas fibras podem provovar flatulência, diarréia e estufamento. Como a recomendação diária de fibras é difícil de ser atingida a inserção de produtos solúveis a base de cacau pode ser benéfica para atingir essa recomendação.
Por Equipe Nutrição & Boa Forma / Agência Estado



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