Para muitos dos turistas que vêm para o Festival de Verão, a expectativa é de viver um pré-Carnaval. Aproveitar não só o ritmo baiano como todo o clima de alegria da festa e do Verão de Salvador
Com 16 anos, o Festival de Verão cresceu tanto que parece um pré-Carnaval, mesmo a mais de um mês da folia.
(Foto: Marina Silva)É uma festa que já faz parte do calendário de alegria da cidade e desperta paixões de todos os tipos nos amantes da ‘mistura’ – axé, rock, pop, forró, romântico.
Rafael Eleotério, 21 anos, por exemplo, que o diga. Natural de Mariana (MG), ele tatuou o mascote do Festival de Verão na batata da perna. Isto sem nunca ter pisado na Bahia. “Eu gosto demais de axé, da Bahia… Eu simplesmente amo de verdade, sou micareteiro, e este é o símbolo disso para mim”, diz o estudante de Publicidade.
Apesar de ter feito a tatuagem há dois anos – “foi com um tatuador de Mariana mesmo, mas ele não deve nem lembrar disso” -, só agora Rafael conseguiu chegar à capital baiana para conferir uma das festas mais representativas do estilo que venera. “Coloquei a foto no Facebook e ela acabou aparecendo como destaque na página Loucos Pelo Festival, da organização da festa. Aí a galera começou a pedir um passaporte para mim, e eu, que não sou bobo nem nada, aproveitei, né?”, explica.
O passo seguinte de Rafael na campanha por ingressos foi publicar dois vídeos no Youtube. Foi quando “finalmente” a organização entrou em contato com ele. A ideia deu tão certo que, em vez de apenas convites, a Icontent (empresa de entretenimento que realiza o Festival de Verão) concedeu passagens aéreas, hospedagem e até – pasmem – oferta de trabalho temporário.
Uma realização para ele que se diz “feliz demais da conta” – com sotaque mineiro – com tudo que aconteceu.
De onde vêm
O Festival é soteropolitano (70% do público é de Salvador), mas também tem sotaque brasiliense, mineiro, carioca e paulistano (15% do público) e de outros lugares da Bahia (15%). “Nos quatro dias de festa, esperamos 180 mil pessoas circulando pelo Parque de Exposições”, afirma Estácio Gonzaga, diretor do Festival.
O que chama a atenção não só dos turistas, mas também do público baiano, segundo Estácio, é a estrutura da festa. “As atrações e a organização são o atrativo maior para quem vai ao Festival de Verão”, disse ele. “A praia do turista do Distrito Federal e de Minas Gerais é a Bahia. Tem um fluxo muito grande desses turistas durante todo o Verão, principalmente no festival”, acrescentou.
O publicitário Bruno Leal, 24 anos, vai curtir o Festival pela primeira vez este ano e vai fazer em esquema de Carnaval. “Comprei passaporte para todos os dias”, contou. A animação vem da experiência. “Sempre venho para o Carnaval e saio no Nana Banana, Camaleão, Me Abraça e no Camarote Salvador”.
Ele chega hoje para curtir o Festival, depois volta para Brasília, e vem, novamente, no dia 21 para curtir os blocos. Só volta para casa no dia 6 de março. Isso sem mencionar que, até anteontem, ele estava curtindo a festa Pre Caju, micareta de Sergipe.
“Demorei a conhecer o Festival de Verão porque a festa sempre caía numa data muito próxima ao Carnaval, e eu não conseguia tantas folgas. Este ano,tive abono e acumulei para, justamente, estar em Salvador nas duas festas”, disse.
Aniversário
A jornalista carioca Priscila Piffer vai fazer aniversário ao som dos Paralamas do Sucesso, Asa de Águia, Jorge e Mateus, Só Pra Contrariar e da sua preferida da noite, Ivete Sangalo. Ela completa 27 anos na sexta-feira e conseguiu arrastar quatro amigas do Rio para curtir “a virada” na sua primeira vez em um Festival de Verão.
“Já tive vontade de vir, mas na primeira vez eu namorava e, na segunda, eu estava casada. Agora me separei”, diz. Priscila chega amanhã à noite e volta para o Rio de Janeiro na segunda de manhã. “A gente chega e nem vai para o hotel, vai direto para o show. Vai todo mundo com mala de mão para não ter que despachar bagagem, que demora mais”.
Na volta, Priscila vai direto para o trabalho. “É a primeira vez que vou a Salvador”, disse ela, que reuniu um grupo de amigas em que a mais nova tem 17 anos e a mais velha, 60. “Eu queria fazer uma festa, desisti. Achei que seria mais legal e mais barato viajar”.
Com exceção de uma passada rápida pelo Camarote do Nana no Carnaval passado, o paulistano Rodrigo Natario, 27, só tinha vindo a Salvador a trabalho. “Meu amigo colocou uma pilha para eu ir (ao Festival) com ele, falando muito bem dos shows e que era chato ir sozinho. Aí eu resolvi estender minha estada até domingo, mas não posso ficar mais porque é meu aniversário, preciso voltar para ficar com a minha família”, disse o executivo de vendas.
Vi e volta o DJ
Marcos Carnaval vem a Salvador apenas por uma noite, para tocar no Festival. “Eu fui convidado para ser uma das atrações da tenda Trident, então voei para o Brasil correndo. Lá na Globo Internacional o Festival sempre passa. É uma marca muito famosa, muita gente ficou falando ‘ah, que inveja’. Eu topei”, diz o DJ, que tem que viajar para Florianópolis na quinta-feira e voltar para os Estados Unidos no sábado.
Por Correio da Bahia


Comente agora
Comente esta matéria