Caetité e toda a região começam a viver novamente a “Saga do Corte de Cana”, onde milhares de homens abandonam as suas famílias para ir buscar ganhos em Ribeirão Preto e região, no Estado de São Paulo, num êxodo histórico que vem comprovar algumas realidades sociais vivenciadas nos municípios do semiárido, onde a falta de qualificação profissional e de mão de obra especializada ainda é um desafio para os governantes.
(Foto: Reprodução)Cidades como Brumado, Aracatu, Malhada de Pedras, Caculé, Guanambi e a própria Caetité, perdem, por cerca de nove meses, milhares de habitantes, que vão para outros rincões na busca de sustento para as suas famílias.
Essa realidade vem comprovar algumas facetas do cotidiano dessas cidades, que, na sua grande maioria têm um déficit empregatício ainda alto, mas em alguns casos, como o da própria Caetité, existem sim boas oportunidades de emprego, sendo que o que falta é qualificação profissional, o que demonstra que, jovens como esses que vão para o corte de cana, não vêm buscando as oportunidades que vêm sendo oferecidas pelo governo, onde são oferecidos vários cursos profissionalizantes, o que, outrora era um sonho, mas que, agora, poucos sabem usufruir desses benefícios.
A qualificação profissional é uma urgência individual dentro de um mundo cada vez mais competitivo e, em Caetité, vários cursos na área de mineração, segurança do trabalho e radiação, entre outros, comprovam que existem boas oportunidades para se qualificar, mas o que está faltando parece ser iniciativa, ou quem sabe coragem de jovens que queiram aprender e se qualificar numa nova profissão.
Os que saem para o corte de cana têm que estar fisicamente preparados, já que o trabalho é muito árduo, mas também têm que estar tecnicamente preparados, já que a colheita de um tempo para cá vem sendo cada vez mais mecanizada, com máquinas que fazem o serviço de vários homens, o que demonstra que este meio momentâneo de renda, também irá requerer especialização específica muito em breve, já que o “facão” também está sendo substituído pelas máquinas.
Outro fator social são as “viúvas de maridos vivos”, já que o tempo de ausência dos trabalhadores gira em torno de 9 meses, o tempo de uma gestação, causando um vácuo familiar, que muitas vezes é irreparável.
Outra questão preocupante é que com essa modernização, vários trabalhadores que não se qualificarem, venham a se somar às camadas dos desempregados, o que é um convite para o ingresso no mundo da criminalidade, já que, segundo estudos sociológicos, a ociosidade é uma das principais portas para se entrar para a marginalidade, a qual, infelizmente vem crescendo de forma assustadora em toda a região.
Então, diante da nova realidade, que os trabalhadores do corte de cana venham a buscar a qualificação também em outras áreas e poderem, ao invés de ficar tanto tempo longe de suas famílias, buscarem postos de trabalho em sua cidade, fortalecendo os laços familiares e melhorando a sua qualidade de vida.
Por Sudoeste Bahia


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