Um dos recursos naturais mais importantes do planeta tem no dia de hoje, 22 de março, uma homenagem em Salvador.
Neste sábado se comemora o Dia Mundial da Água, criado há mais de 20 anos para celebrar e discutir a importância da água na vida do planeta, e, ao contrário das tradicionais lavagens em escadarias, a caminhada “Cortejo pelas Águas” no Parque Metropolitano de Pituaçu, a partir das 8h30, promete “poupar o bem precioso”, que tanto vem se gastando a revelia.
Entretanto, o superintendente da Embasa, José Moreira, chama atenção para o fato de que 25% da água ofertada é desviada por meio de ligações irregulares. “O roubo de água é a principal causa do desperdício, pois quem furta água não se preocupa em economizar. Os vazamentos também estão entre as causas do desperdício”, alerta.
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O superintendente da Embasa na Região Metropolitana de Salvador, José Moreira, enxerga que não só a data de hoje, mas todas as ações de combate ao desperdício surtem efeito, embora não se tenha dados de evolução. “Principalmente como as campanhas de verão, nas quais a redução do consumo nas ligações regulares é observada. A Embasa não tem como aferir a redução do consumo nestas ligações, já que não têm medidor nem cadastro na empresa”, comenta.
Idealizador do cortejo em Pituaçu em parceria com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) fiscaliza o consumo de água nas indústrias e nos setores agrícolas. Para o coordenador de monitoramento do Inema, Eduardo Topazio, empresas de saneamento como Embasa têm a mesma responsabilidade de racionar a água que qualquer outra, com direitos e deveres iguais, embora também enxergue responsabilidade da fiscalização em outros setores.
“Geralmente empreendimentos como lava-jatos não são contabilizados no sistema. Pela dimensão dele, fica sobre responsabilidade do poder local, do município”, explica. “As empresas têm um limite pré-estabelecido de consumo de água, e quando não cumprem o acordado elas são punidas, multadas a depender do impacto ambiental”, completa.
A multa pode chegar a milhões de reais segundo Topazio. No entanto, diversos focos de desperdício estão espalhados pela cidade e parece não incomodar o poder local. Um homem de 36 anos que não quis ser identificado tem um lava-jato há dois anos no Garcia e diz ser consciente sobre o uso da água, embora seu trabalho não tenha regulamentação da prefeitura. “Com um balde lavo o carro e com o outro lavo a caixa da roda. Se lavar com mangueira desperdiça mais”, conta. “Estava desempregado, cheguei a tocar em uma banda, não deu certo, e tenho dois filhos para criar. O lava-jato é o trocado para sustentar a família”, justifica.
Em cartilha educativa, o Inema aponta que uma torneira pingando gasta cerca de 2.100 litros de água no fim do dia, enquanto um furinho de 2 milímetros pode causar desperdício de até 3.200 litros de água ao final do dia. O banheiro seria responsável por 60% dos gastos e se recomenda desligar o chuveiro no momento de se ensaboar e escovar os dentes, além de usar o vaso sanitário apenas quando necessário, sem usá-lo como lixeira.
12% das reservas de água doce no País
A abundância de recursos naturais é inversamente proporcional ao bom uso destes no Brasil. Segundo o Órgão das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), os lençóis freáticos, lagos, rios, pântanos, vapor na atmosfera e umidade do solo fazem o país ter 12% das reservas de água doce do mundo. No entanto, a má distribuição faz com que algumas regiões sofram com escassez, o que, na opinião do coordenador de monitoramento do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), Eduardo Topazio, pode ser minimizado com tecnologia. “Isso é um problema da natureza (a desigualdade de recursos entre as regiões Norte e Nordeste, por exemplo). A Amazônia realmente é rica. Há teorias sobre mudança climática que apontam que a situação no Nordeste pode se agravar. O que se pode fazer é a transposição de rios e aproveitar bem os recursos que se tem, com gestão adequada. Porque quando se perde a qualidade da água, se perde a utilidade também”, analisa.
A Conferência Mundial Sobre Água que aconteceu em agosto de 2007, na Suécia, teve a revelação de um dado que deixou especialistas e sociedade em geral preocupados. A estimativa é que em 2025, 1,8 bilhão de pessoas no planeta sentirão a escassez do recurso. Embora 70% da superfície da Terra seja de água, 97% dela é salgada. No entanto, usinas de dessalinização tornam a água pronta para o consumo por retirarem o cloreto de sódio, mais conhecido como sal de cozinha, do líquido. A prática é comum no Oriente Médio, onde há escassez de água potável, mas por ser um processo caro, o potencial de toda a água salgada do planeta ainda não foi explorado.
A importância do elemento
Sabe-se que além de hidratar, água dá sensação de saciedade e faz com que o organismo funcione direito, atuando de maneira completa em todas as áreas do corpo. O corpo humano é comporto por 70% de água e é possível mensurar a distribuição de água corporal levando em conta fatores como a idade, o sexo e a quantidade de gordura corporal.
O importante e necessário é ingerir dois litros de água ao dia. Esse hábito evita pele seca, cabelos fracos, inchaço, hipertensão e cálculo renal. “Para quem quer emagrecer, a água é importantíssima, pois ajuda a eliminar as toxinas, facilita no processo de desintoxicação do organismo e aceleração o metabolismo e assim, na perca de peso e eliminação de gorduras”, explica o endocrinologista Mohamad Barakat.
A falta de água no organismo pode causar desidratação, fadiga, cansaço, intestino e pressão sanguínea irregulares, câimbras e problemas nos rins. Barakat indica que as pessoas carreguem uma garrafinha de água na bolsa ou no carro, para que se mantenham hidratadas.
Contaminação no mundo afeta a população
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) estima que, até 2025, 2/3 da população mundial seja afetada, de alguma forma, por falta de água potável. “O semiárido, por exemplo, com 10% da área do país, é uma região carente de disponibilidade. As áreas metropolitanas, com grande concentração de população, têm alta demanda de água em pouco espaço, o que, associado à contaminação das fontes de água por esgoto, produzem grande pressão quanto à escassez da água”, alerta Katia.
Já os últimos relatórios de Desenvolvimento Humano da ONU, publicados entre 2006 e 2011, indicam que, se o consumo de água potável continuar da forma que está, países africanos e asiáticos sofrerão com uma grave escassez de água já em 2025, que afetaria cerca de 5,5 bilhões de pessoas. O cenário piora em 2050, quando 75% da humanidade teria pouco acesso à água de qualidade, o que prejudicaria a produção agrícola e industrial, gerando também uma crise de alimentos. Atualmente, a ONU estima que 18% da população do planeta não tenha acesso à quantidade mínima necessária de água potável.
O Dia Mundial da Água busca prevenir este cenário. “Apesar de iniciativas e campanhas, a água ainda é pouco valorizada pela sociedade. Nós ainda não percebemos que a água é um bem finito e que depende de cada um de nós a mudança necessária para preservarmos este bem vital para as próximas gerações”, afirma Sabrina Zanker, gerente de marketing de Pureit na Unilever.
Impactos à sociedade
· Por ano, 217 mil trabalhadores precisam se afastar de suas atividades devido a problemas gastrointestinais ligados a falta de saneamento. A cada afastamento perdem-se 17 horas de trabalho.
A probabilidade de uma pessoa com acesso a rede de esgoto faltar as suas atividades normais por diarreia é 19,2% menor que uma pessoa que não tem acesso à rede.
– Considerando o valor médio da hora de trabalho no País de R$ 5,70 e apenas os afastamentos provocados apenas pela falta de saneamento básico, os custos chegam a R$ 238 milhões por ano em horas-pagas e não trabalhadas.
– De acordo com o DATASUS, em 2009, dos 462 mil pacientes internados por infecções gastrointestinais, 2.101 faleceram no hospital.
– Cada internação custa, em média R$ 350,00. Com o acesso universal ao saneamento, haveria uma redução de 25% no número de internações e de 65% na mortalidade, ou seja, 1.277 vidas seriam salvas.
– A diferença de aproveitamento escolar entre crianças que têm e não têm acesso ao saneamento básico é de 18%;
– Se os investimentos em saneamento continuarem no mesmo ritmo, apenas em 2122 todos os brasileiros teriam acesso a esse serviço básico.
– As 81 maiores cidades do país, com mais de 300 mil habitantes, despejam, diariamente, 5,9 bilhões de litros de esgoto sem tratamento algum, contaminando solos, rios, mananciais e praias do país, com impactos diretos à saúde da população.
Por Tribuna da Bahia



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