Entidades médicas reprovaram programa federal em coletiva nesta quinta.
Houve aumento de médicos nos últimos 10 anos, mas sem distribuição.
A Bahia possui 18.299 médicos com inscrição ativa no Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb), entre eles, 10.759, cerca de 60%, atuam em Salvador, de acordo com dados de 2013 informados nesta terça-feira (9) pela entidade.
Do total, cerca de 65% presta serviço ao SUS na capital e no interior, aponta a pesquisa Demografia Médica no Brasil, realizada este ano e divulgada pelo Conselho.
De acordo com o estudo, o aumento no número de médicos no estado foi mais que o dobro do crescimento populacional da Bahia nos últimos 10 anos. Entidades médicas admitem que há má distribuição dos profissionais no estado, já que a maior parte se concentra na capital, apesar da proporção de 1,25 médico para cada mil habitantes, considerada dentro da média nacional, conforme dados da Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab).
Nesta quarta-feira (9), entidades médicas baianas convocaram a imprensa e se posicionaram contra o programa ‘Mais Médicos’, anunciado pela presidente Dilma na segunda-feira (8). Entre as medidas previstas no programa, estão a vinda de médicos do exterior, serviço obrigatório de médicos recém-formados no SUS e abertura de postos de trabalho em áreas mal atendidas, como cidades do interior e periferias de grandes centros urbanos.
“Não podemos ir para o interior apenas com o nosso estetoscópio, termômetro e aparelho de pressão. Isso na década de 60 ou 70 funcionava, mas hoje não. O médico não resolve problema nenhum se não tiver as condições para isso”, declarou o presidente do Cremeb, José Abelardo Meneses, em entrevista coletiva na sede da entidade. Também estiveram presentes representantes do Sindicato dos Médicos (Sindimed) e da Associação Baiana de Médicos (ABM).
No encontro, as medidas que serão adotadas pelo Governo Federal foram duramente criticadas pelos representantes, que condenaram a falta de infraestrutura para o serviço médico como o principal problema da saúde pública no país. “O problema não é a falta de médico, é a falta de respeito com a saúde pública”, afirmou Antônio Carlos Lopes, presidente da ABM.
Mesmo com a bolsa de R$ 10 mil que os médicos incluídos no programa vão receber, a questão apontada pelos médicos são as condições de trabalho. “É mais um programa inexequível do Governo Federal porque não deixa claro como será a manutenção do médico no interior. O que mais interessa neste momento não é tão e somente a remuneração”, diz o presidente do Cremeb, que pede por melhorias de gestão nas unidades públicas, equipes multiprofissionais e melhoria em infraestrutura. O presidente do Conselho ainda classifica a medida do Governo Federal como “demagógica, eleitoreira, irresponsável e inconsequente”.
Nove universidades baianas oferecem o curso de medicina, e outras três instituições estão em processo de implantação do curso. Em média, se formam entre 500 e 600 médicos na Bahia a cada ano.
José Abelardo Meneses, do Cremeb, elogiou a lei estadual, sancionada pelo governador Jaques Wagner em agosto, que institui progressão de carreira dos médicos que prestam serviço à saúde pública da Bahia, com qualificação profissional e recuperação dos valores das aposentadorias com reajuste de até 200%, além dos ganhos reais que podem chegar a até 32%. A implantação de um plano de carreira no SUS é uma das pautas nacionais de manifestação da categoria médica.
Do G1 BA



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