A acadêmica Ana Angélica Matos Rocha Gonçalves fala do lançamento do seu livro “Rios de Memórias”, no qual relata o seu passado, sua infância e adolescência vividas em Iguaí.
Ana Angélica Rocha Matos GonçalvesIguaí Mix – Quando e por que você pensou em lançar um livro de memórias?
Ana Angélica – Como educadora, sempre gostei de ler e contar histórias. Este foi o meu ofício desde os primórdios, ainda em Iguaí. Pensei, com estes escritos, deixar para meus filhos e netos um breve relato sobre suas origens, através da história de vida de alguém que, com eles, convive. Imagino que terão uma fonte fecunda se quiserem inteirar-se de suas raízes. E, assim fazendo, estarão construindo suas histórias de vida ainda mais ricas, resgatando, do passado, as lembranças daqueles que um dia construíram um presente pensando em um futuro que já chegou. O livro resgata memórias de histórias vividas, outras e tantas sonhadas e conquistadas na minha trajetória de vida, entre a infância e a adolescência, através de um relato sincero e fiel de conquistas, de perdas, de ganhos, dos muitos momentos preciosos vividos ao lado de pessoas queridas, bem como exponho e revelo a face mais cruel de uma realidade na qual foi preciso sofrer, batalhar e lutar com a persistência que garante, aos fortes, a vitória.
Iguaí Mix - Por que o título “Rios de Memórias”?
Ana Angélica - Minha infância e juventude se confunde com a história de minha querida terra cheia de beleza e magia. Aí, a natureza, com sua diversidade maravilhosa me presenteou em toda sua galhardia com dois rios que permanecerão, ao longo da minha vida, como referenciais de felicidade: o Rio Gongogi e o Rio Preto. Em um dos textos, relembro-me deles com emoção: os banhos de cachoeira, os saltos mortais no Poço Fundo. Em especial, recordo-me que foram, por muito tempo, a fonte principal de alimento para nossa família, quando meu pai, após um estafante dia de trabalho, ia, todas as noites, pescar o almoço do dia seguinte. Com seus movimentos sinuosos, me ensinaram a achar saídas para os caminhos tortuosos que a vida nos apresenta, construindo pegadas que marcaram, de maneira indelével, o meu caminhar. Inspiraram-me a mirar o alvo olhando sempre à frente, e assim fazendo, pude ganhar o horizonte como limite. Nenhum outro título seria mais apropriado.
Iguaí Mix - Qual a relação desse livro com a cidade que você nasceu?
Ana Angélica - O livro retrata a cumplicidade e o carinho de uma filha que ama sua terra e que nela amou e foi amada por pessoas que se perpetuaram para sempre na sua memória. Nessa terra, vivi momentos de felicidade, como as inesquecíveis horas de lazer nos cacaueiros de meu avô, debaixo das cajazeiras, as brincadeiras de esconde-esconde nas baronesas que cobriam o Rio Gongogi, em tempos de enchentes, e outras lúdicas manifestações que compunham o universo infantil e que fizeram de mim uma garota alegre e serena em uma época sem televisão, sem videogame, sem internet, mas de muita criatividade e liberdade.
Iguaí Mix - O que você destacaria no seu livro, como sendo um ponto alto dessas memórias?
Ana Angélica - A dialética sutilmente evidente entre as lembranças, recordações e saudades dos muitos momentos alegres e felizes que permanecerão guardados, para sempre, no recôndito do meu peito, como também do crescimento espiritual e moral e da aprendizagem adquirida através dos desafios enfrentados, e vencidos, como numa batalha em que as armas são usadas de acordo com a guerra que se enfrenta. Das adversidades, sem exceção, restaram lições de vida que contribuíram para que hoje pudesse estar a dizer: valeu a pena a minha vida, valeu a pena a minha família, valeu a pena os meus amigos.
Iguaí Mix - Quando e onde o livro será lançado?
Ana Angélica - Pretendemos apresentá-lo, a princípio, em Feira de Santana, no dia 30 de Outubro de 2012, através da Academia de Educação de Feira de Santana, da qual faço parte e que apoia culturalmente o livro.
Iguaí Mix - Por que o livro está sendo lançado inicialmente em Feira de Santana?
Ana Angélica – Como falei, a Academia de Educação de Feira de Santana aprovou em assembleia o apoio cultural ao livro. Então, o primeiro lançamento está sendo um evento dessa conceituada instituição. Faremos, posteriormente, um lançamento em Salvador, em uma livraria ainda a ser definida, e, logo após, em Iguaí.
Iguaí Mix - Quanto ao lançamento desse livro em Iguaí, há alguma previsão de data?
Ana Angélica – Sim. Até porque não construímos nenhuma história sozinhos. Considero que o livro traz muito da história da minha cidade, da minha família, dos meus conterrâneos. Poderíamos organizar um evento cultural, a partir de janeiro do próximo ano, com o apoio de instituições e pessoas que pensam a nossa terra como um local de mananciais de água e que emana leite e mel. Teríamos oportunidade de promover um pouco da sua cultura, das suas belezas naturais e da intelectualidade de seus filhos e filhas.
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Ana Angélica – Repito o que disse no livro: expresso, aqui, o meu reconhecimento e apreço a todos aqueles que me ajudaram a crescer. À minha família, toda ela: meu pai, minha mãe, meus irmãos, minha irmã, tios e tias, sobrinhos e sobrinhas, primos e primas. Aos amigos e amigas, aos meus colegas, a todos os meus conterrâneos e conterrâneas, deixo humildemente registrado que vocês me orgulham, estão nas minhas raízes nas minhas lembranças, na minha saudade.
Por José Carlos Assunção Novaes


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