Comédia de época, “Histeria” diverte com invenção do vibrador

14/nov/2012 . 22:44


Os mistérios da sexualidade feminina na sisuda era vitoriana e a história, em parte verídica (segundo os produtores), da invenção do vibrador, estão por trás de “Histeria”, comédia coproduzida por Inglaterra, França, Alemanha e Luxemburgo e dirigida pela norte-americana Tanya Wexler.

(Foto: Divulgação)

A partir de uma ideia original do também produtor Howard Gensler, e roteiro do casal Stephen e Jonah Lisa Dyer, o filme acompanha as desventuras de um médico jovem e idealista, Mortimer Granville (Hugh Dancy) — personagem que realmente existiu.

Nos anos 1880, ele já está familiarizado com os preceitos da higiene que visam prevenir as doenças, mas é minoria. Por conta disso, vive entrando em choque com seus empregadores e, demitido, volta para o lar de seus ricos pais adotivos.

Lá, consola-se com a amizade fraterna de uma espécie de irmão mais velho, o lorde Edmund St.John-Smythe (Rupert Everett) — cuja paixão pela eletricidade e as invenções logo mais serão muito úteis a Mortimer.

O dr. Mortimer arranja um novo emprego, como assistente de um famoso ginecologista, dr. Robert Dalrymple (Jonathan Pryce). A sala de espera sempre lotada tem um motivo: o dr. Dalrymple acredita honestamente que a massagem vulvar é o segredo para curar os males decorrentes daquilo que se chamava genericamente e, com mais preconceito machista do que base científica, de “histeria”, reconhecida a partir de sintomas tão distintos como ansiedade, depressão, ninfomania ou frigidez. Um suposto alto índice de cura garante o eterno retorno das satisfeitas pacientes.

O talento do dr. Mortimer para a técnica aumenta as filas à porta do consultório, cada vez mais lucrativo. Além de ganhar bem, o jovem médico também recebe as maiores atenções da filha caçula de seu patrão, Emily (Felicity Jones). Noivado à vista.

Uma rebelde está infiltrada nesse mundo arrumadinho –Charlotte (Maggie Gyllenhaal), a filha mais velha do médico, uma precursora feminista, defensora da educação e da liberdade sexual para as mulheres, além de ativista a favor dos pobres e marginalizados.

Desprezando o destino previsto para moças de sua classe, ela esnoba o casamento e investe todo o dinheiro que consegue levantar num centro comunitário, que funciona como uma espécie de creche, onde ela atua como um misto de professora, assistente social e enfermeira. Para desgosto de seu aristocrático pai.

A felicidade de Mortimer sofre um contratempo quando ele começa a ter cãibras nas mãos — doença profissional que suas ávidas clientes não vão tolerar. A ameaça do desemprego, no entanto, pode ser impedida com a ajuda de Edmund, que acabou de inventar uma engenhoca que pretendia usar como espanador elétrico, mas para a qual Mortimer logo descobre um novo potencial.

A atração entre os opostos Mortimer e Charlotte é acidentada, mas ninguém perde por esperar em torcer por um final feliz. Sem pretender falar sério demais sobre os temas que aborda, é o tipo de filme capaz de fazer o público sair sorrindo do cinema.

 

Por Agência Reuters

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