Por Alysson Oliveira/Do Cineweb*
O conceito da animação infantil “Hotel Transilvânia” é bem simples: cansado das perseguições dos humanos, o conde Drácula monta um hotel escondido no meio de uma floresta, onde monstros e outras criaturas estranhas podem se esconder e ter alguns dias de paz. O filme estreia em formato convencional e 3D, ambos com opções dubladas ou legendadas.
Conde Drácula, personagem de “Hotel Transilvânia”A execução do desenho não é ruim, mas o filme não alcança todo o potencial que promete. A resposta está no roteiro, que tem dificuldades de ir além do bom ponto de partida.
A narrativa começa com Jonathan, um garoto mochileiro e interessado em conhecer o mundo que encontra o hotel por acaso. O personagem recebe voz de Andy Samberg na versão original, e de Mckeidy Lisita, na nacional.
Drácula — dublado por Adam Sandler — está preparando a festa de 118 anos para a filha Mavis, quando Jonathan chega procurando um quarto, curioso pelo aspecto tão inusitado do local. A voz do conde em português foi gravada por Alexandre Moreno.
A presença de um humano pode acabar com os negócios do vampiro: afinal, trata-se de um oásis para monstros. Por isso, ele disfarça o garoto como Frankenstein e mente para o verdadeiro monstrengo
O menino vai ensinar aos monstros como se divertir de verdade e acaba apaixonado por Mavis — voz de Selena Gomez. Curiosa por conhecer o mundo, a garota corresponde às investidas de Jonathan e segue o estereótipo da adolescente rebelde contrariando as ordens do pai, mesmo quando Drácula alerta que humanos são perigosos. A garota foi dublada na versão nacional por Fernanda Baronne.
O estranho no reino dos monstros tem papel parecido com o da menininha Boo, uma das figuras mais marcantes da animação “Monstros S.A.”, que causa transtorno ao invadir um mundo de criaturas bizarras que ganham a vida assustando humanos. Mas o humor aqui não é tão sutil ou sofisticado.
A referência mais explícita à Pixar está no cozinheiro do hotel, um francês que tem como guru um rato — mas ao contrário do protagonista de “Ratatouille”, o roedor aqui não tem nada de fofo ou simpático.
Os traços e o colorido do longa são atrativos e a riqueza de detalhes é impressionante, mas o roteiro — ou o desenvolvimento da ideia original — precisaria de um esforço maior. No final das contas, o fato de ser assinado por cinco pessoas pode ter atrapalhado.
*As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb


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