Diretor flerta com o cinema noir para contar a história do Rei da Boca do Lixo

14/nov/2012 . 22:38


Longa mostra algumas dificuldades, especialmente ao oscilar entre a narração fiel dos fatos e o exercício de estilo do diretor. Isto pode causar alguma estranheza ao espectador mais desavisado, mas a fita funciona mesmo para estes.

Um homem do submundo paulista que, em cinco anos, entre 1958 e 1963, ganhou largo espaço na mídia graças a uma folha corrida policial que se estendia por metros e metros.

O personagem se chama Hiroíto de Moraes Joanides (1936 – 1992) e ficou conhecido na mídia como Rei da Boca do Lixo, figura que inspira a trama da estreia Boca, filme policial brasileiro, dirigido pelo cineasta Flávio Frederico (o mesmo de Urbânia, 2001).

O ator Daniel de Oliveira interpreta Hiroíto, o Boca, num tipo de inscrição dramática que tem poucos pontos de contato com a recuperação realista/naturalista. Frederico aposta mais numa recomposição simbólica, aproveitando o rico fabulário que envolve o personagem, sua presença sempre cercada de boatos e histórias popularescas que ajudaram a projetar o mito de um bandido tão articulado e elegante quanto cruel.

A fotografia e a arte de Boca buscam uma caracterização poética da história, investindo numa São Paulo (também Santos e outros recantos paulistas por onde o criminoso consolidou sua fama) romântica.

Paulo Cesar Pereio, em grande forma, vive um delegado corrupto, que parece saído dos quadrinhos. Hermila Guedes e Leandra Leal são as mulheres na vida do meliante, enquanto que Milhem Cortaz (de Tropa de Elite) faz o principal capanga.

Oscilação

Boca, o filme, mostra algumas dificuldades, especialmente ao oscilar entre a narração fiel dos fatos e o exercício de estilo do diretor, voltado a uma composição tão mais abstrata, distanciada do real. Isto pode causar alguma estranheza ao espectador mais desavisado, mas a fita funciona mesmo para estes.

Traz provocações instigantes, diálogos desenvolvidos com inteligência e um tom que remete às influências cinematográficas e estéticas mais caras ao diretor. O cinema noir norte-americano certamente é uma destas, fazendo-se presente na imagem e na amarração da história.

Por João Carlos Sampaio/cineinsite

 

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