Itajuípe abre comemorações pelo centenário de Adonias Filho

O ano de 2015 marca um momento importante para a literatura nacional e, mais especial ainda, para a literatura regional: é o ano em que se comemora o Centenário do nascimento do escritor Adonias Filho, membro da Academia Brasileira de Letras que tem larga contribuição cultural no país. A abertura das comemorações será nesta quarta-feira (20), no Memorial do escritor, em Itajuípe.
Na programação, como início às 17 horas, haverá apresentação de fanfarra e cerimônia das flores, na Praça Adonias Filho. Em seguida, às 20 horas, acontecerá a apresentação do professor Jorge Batista (que ensina na escola Curumim e também é membro da ALITA – Academia de Letras de Itabuna) com o texto “A estrada”, abertura do Livro Memórias de Lázaro. O ator José Delmo se apresentará com o texto “Capítulo Lina de Todos”, do livro As Velhas.
Para dar continuidade, uma mesa-redonda composta por membros da Academia de Letras de Itabuna (ALITA) – Margarida Cordeiro Fahel, Maria de Lourdes Netto Simões, Ruy do Carmo Póvoas, Silmara Oliveira e Sônia Carvalho de Almeida Maron (presidente da Academia). O evento contará também com a boa música ao vivo, comandada pelo cantor Alex Bronze.
Muita expectativa, ansiedade e motivação. É assim que está sendo aguardado o Centenário do autor por diversos membros dos meios acadêmicos, intelectuais e estudiosos da obra de Adonias.
Vale lembrar que a Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) fará o Colóquio Internacional do Centenário do Escritor Adonias Filho em novembro deste ano. As academias de Letras de Salvador, Ilhéus e Itabuna também estão motivadas com a realização do evento.
Memorial Adonias Filho
O Memorial Adonias Filho, inaugurado no dia 02 de agosto de 2011, tem como objetivo a difusão da história de vida e da obra desse intelectual, um dos mais renomados do sul da Bahia. A iniciativa é da Prefeitura Municipal de Itajuípe, entidade gestora, e da Associação Brasileira de Apoio aos Recursos Ambientais – ABARÁ, organização não governamental cogestora, que tem parceria com a Diretoria de Museus e o Instituto de Patrimônio Artístico e Cultural – IPAC da Secretaria de Cultura do Governo do Estado da Bahia.
Segundo a coordenadora do espaço, professora-mestre Silmara Oliveira, “o Memorial Adonias Filho deve ser preparado para se institucionalizar efetivamente, seguindo os passos de uma instituição de sua categoria”. O local, completa, deve “cumprir a missão de preservação e pesquisa e difusão da memória do escritor Adonias Filho, bem como da região do sul da Bahia, em especial a que está concentrada na temática do cacau, irmãs e vizinhas: Itajuípe, Itabuna, Ilhéus, Buerarema, Ibicaraí, Coaraci, Buerarema e Camacã, que aparecem com mais frequência nos livros do escritor”.
Sobre o escritor
Nascido em 27 de novembro de 1915, numa fazenda de cacau, em Itajuípe, Adonias passou a residir em Ilhéus em 1922 com a finalidade de estudar, em seguida, ao concluir o curso secundário, mudou-se para Salvador. Em 1936 o escritor foi morar no Rio de Janeiro, onde viveu aproximadamente por quarenta anos. Autor e tradutor, Adonias iniciou sua carreira com a publicação do livro Os Servos da Morte, em 1946 e, a partir daí, produziu novelas, ensaios, teatro, crítica, incluindo, no conjunto da sua obra, livros infanto-juvenis, deixando um total de 25 obras e premiações, dentre elas o Prêmio Paula de Brito, Prêmio PEN Clube do Brasil, Prêmio Jabuti e o Título de Doutor Honoris Causa, pela Universidade Federal da Bahia.
Adonias teve uma vida intelectual bastante ativa. Foi funcionário público exercendo o cargo de direção do Serviço Nacional do Teatro, Instituto Nacional do Livro, Diretor Geral da Biblioteca Nacional, vice-presidente da Associação Brasileira de Imprensa, membro do Conselho Federal de Cultura e, ao mesmo tempo, crítico literário em diversos jornais. Ao aposentar-se, inicialmente, visitava com frequência a Fazenda Aliança, no interior das matas itajuipenses, onde escreveu boa parte dos seus livros. Quarenta dias após ficar viúvo, falece nessa propriedade em 02 de agosto de 1990.
No cenário das letras, da região cacaueira da Bahia, apesar de muitos poetas e ficcionistas importantes, curiosamente, apenas dois escritores dentre os 109 municípios que a compõem pertenceram à Academia Brasileira de Letras: Jorge Amado e Adonias Filho. Jorge o precedeu e em 1965 foi encarregado de realizar as honrarias da sua recepção na instituição.
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Por Diário Bahia











