Da “terra” do badminton, Fabrício Farias conta as horas para os Jogos da Juventude

Atleta integra safra de jogadores revelados em Teresina, no Piauí. Megaevento argentino teve início simbólico nesta terça, com a cerimônia de acendimento da Tocha, em Atenas
Teresina é a capital da raquete e da peteca no Brasil. Com seis quadras públicas exclusivas para o badminton, cidade é um dos principais centros formadores de jogadores, que acumulam títulos nacionais e internacionais. O polo de alto rendimento Joca Claudino é um dos clubes mais fortes do país. É do projeto nordestino que surgiu Fabrício Farias, 18 anos, que vai representar o país durante os Jogos Olímpicos da Juventude, em Buenos Aires, na Argentina. A competição será entre 6 e 18 de outubro e teve nesta terça-feira (24.07) a Cerimônia de Acendimento da Tocha Olímpica, em Atenas, na Grécia. A chama percorrerá 14 mil quilômetros no revezamento em solo argentino.
O jovem piauiense não imaginava que o sonho de disputar uma competição olímpica seria realizado tão cedo. Como parte da preparação para Buenos Aires, Fabrício disputa até a próxima quinta (26.07) o Pan-Americano Júnior de Badminton, no ginásio do Centro Pan-Americano de Judô, em Lauro de Freitas (BA).
“Será um grande desafio. É uma chance única representar o Brasil em uma Olimpíada, uma competição de grande porte. Estou feliz em ter a oportunidade de jogar contra os melhores do mundo. Espero alcançar o meu objetivo, que é avançar na fase de grupos”, diz Fabrício.
Os Jogos Olímpicos da Juventude reúnem esporte, educação e cultura. Será a primeira vez que o evento deixa a Ásia e vem para a América do Sul. As duas primeiras edições foram em Cingapura e China. A edição argentina prevê igualdade de gênero na divisão dos 4 mil atletas de 206 países que vão disputar 32 modalidades.
Preparação para Buenos Aires 2018
A preparação para representar o Brasil vem sendo intensa. Fabrício passou sete meses fora do país. Um período de treinamento e de participação em competições ao redor do mundo. Foram cinco meses na Indonésia, onde o jovem piauiense teve a oportunidade de treinar em um dos melhores centros de treinamento do planeta.
“Praticamente viajei a Ásia inteira para somar pontos e disputar as Olimpíadas da Juventude. Foi uma experiência muito boa. O treinamento dos asiáticos é bem diferente do que fazemos aqui. Aprendi muitas coisas novas”, conta Fabrício.
Durante o período que passou na Indonésia, o brasileiro treinou no tradicional clube Djarum, que formou diferentes medalhistas olímpicos. Além do trabalho técnico, ele participou de um trabalho psicológico voltado para a modalidade.
Início no Esporte
Diferentes de muitos garotos, a peteca sempre encantou mais Fabrício do que a bola de futebol. O jovem começou no esporte aos nove anos, estimulado pelos irmãos. “Comecei brincando no quintal quando eles jogavam em casa. Foi aí que despertou. Em uma semana treinando, fui chamado para fazer parte da seleção do estado na minha categoria e nunca mais parei”, recorda.
Fabrício treina no Joca Claudino, que promove um trabalho especializado de alta performance. O projeto atende 35 jovens com idade entre sete e 20 anos. Nos últimos anos, a equipe foi considerada a melhor do Brasil, com atletas que acumulam títulos pan e sul-americanos nas categorias de base.
“Os atletas são descobertos nas escolas. Quando identificamos um jovem com potencial, levamos para o clube e submetemos a um treinamento de quatro horas diárias, de segunda a sábado, voltado para o alto rendimento. Passamos para os atletas que eles não estão no projeto por recreação. Colocamos na mente deles que todos têm condições de representar o Brasil em competições internacionais”, explicou Karen Christie, técnica no Juca Claudino. O clube prioriza crianças e adolescentes da periferia de Teresina.
A história teve início quando o Brasil recebeu os Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio de Janeiro. Na época, a Confederação Brasileira de Badminton (CBBd) promoveu um projeto de divulgação da modalidade, percorrendo o país e levando informações. O piauiense Francisco Ferraz vivia no Paraná e teve o primeiro contato com o esporte. Quando voltou a Teresina, levou a novidade a escolas particulares. Um ano depois, a raquete e a peteca já eram sucesso também em escolas públicas. A cidade abraçou a modalidade.
“O nosso clube sempre possibilitou aos atletas sonhar alto. O projeto é voltado para que eles cheguem ao ranking mundial e representem o Brasil internacionalmente”, acrescenta Karen. Na competição em Lauro de Freitas, o Joca Claudino levou 25 atletas em diferentes categorias. “Hoje tenho dez anos de badminton. Tenho muitos sonhos e sei que a transição para a fase adulta será difícil, mas quero construir um futuro no esporte”, disse Fabrício.
Brasil nos Jogos Olímpicos da Juventude
Na última edição dos Jogos Olímpicos da Juventude 2014, em Nanquim, o Brasil contou com 97 atletas e terminou no Top 10, em nono lugar na classificação geral. Foram 15 medalhas: seis ouros, oito pratas e um bronze. O país subiu ao pódio no tênis de mesa, tênis, vôlei de praia, natação, ginástica artística, judô, tiro com arco, taekwondo e hipismo.
Na China, o esporte brasileiro viu surgir novas promessas, como Flávia Saraiva, com três medalhas na ginástica artística, o nadador Matheus Santana, recordista mundial júnior dos 100m livre e dono de três medalhas nos Jogos e o mesatenista Hugo Calderano, que levou o bronze no esporte dominado pelos asiáticos e hoje é o décimo colocado do ranking mundial. Na edição de 2010, em Cingapura, o país obteve sete medalhas.
Por Rede do Esporte









