Flupp 2014 traz expoentes da literatura britânica para shows de poesia falada e outras atrações inovadoras

A partir da ideia de que festivais literários no Brasil precisam se reinventar, lançando formatos que permitam mistura de linguagens e maior integração com o público, a Flupp – Festa Literária das Periferias chega à sua terceira edição recheada de atrações originais. Da primeira competição de poesia falada, a 1º Rio Poetry Slam, a atividades inovadoras, como chefs poetas que escrevem poemas sob medida, as ações são inspiradas em formatos existentes na cena literária do Reino Unido, e são fruto do apoio e das contribuições curatoriais do British Council, parceiro do festival desde o primeiro ano.
Somam-se aos tradicionais painéis literários um número expressivo de oficinas de escrita criativa, shows de spoken word (poesia falada), intervenções de artistas, e um aumento de autores internacionais no evento. A ideia surgiu quando Julio Ludemir, um dos criadores da Flupp, foi convidado pelo British Council para passar dez dias no Reino Unido conhecendo novos artistas e formatos de eventos literários. Tais iniciativas em direção à Flupp fazem parte do programa de literatura do British Council Transform, criado para promover conexões entre os universos literários dos dois países.
Os resultados da viagem de Ludemir já refletem nesta edição de 2014, com a vinda de artistas e poetas proeminentes da cena artística britânica, que além de participarem das mesas e performances interativas, oferecerão oficinas gratuitas durante o evento. São eles: Hannah Jane Walker, Keith Jarrett, Chris Redmond e a romancista nigeriana, radicada no Reino Unido, Chibundu Onuzo. As inscrições para as oficinas ficam abertas até o dia 10 de novembro e podem ser realizadas pelo site: http://transform. britishcouncil.org.br/
Fenômeno editorial, Chibundu, nascida na Nigéria em 1991, assinou contrato com a Faber & Faber, aos 19 anos, para produção de seu primeiro romance, The Spider King’s Daughter, que foi aclamado pela crítica internacional. A autora começou a escrever aos dez anos, e tornou-se a mulher mais jovem a trabalhar com a editora britânica. Ela participará da mesa O amor nos tempos do Ebola, ao lado daromancista camaronesa Leonora Miano.
The Spider King’s Daughter, ambientado em Lagos, e que mostra a relação pouco provável entre um vendedor ambulante pobre e uma menina rica, foi indicado para os prêmios Thomas Dylan,Commonwealth Book, entre outros, além de ter ganhado um Trask Betty Award. Chibundu foi considerada uma das mulheres africanas mais realizadoras pelo jornal The Guardian, no qual assina artigos de opinião com um interesse especial pela Nigéria. Chibundu é graduada em História e atualmente cursa doutorado em História na King’s College, em Londres.
Poeta, roteirista e produtora, Hannah Jane Walker foi apontada pelo WhatsOnStage Award (importante prêmio de arte dramática do Reino Unido) como “silenciosamente profunda”. Conhecida pelos poemas afiados e ao mesmo tempo carregados de emoção, Hannah produziu, ao lado do fiel parceiro Chris Thorpe, o show The Oh Fuck Moment, uma mistura inteligente e não trivial entre poesia e performance. Em seu show interativo na Flupp, I Wish I was Lonely (Quem dera ser só) ela abordará a possibilidade de contato com o outro, questionando “o quanto de nós mesmos temos dado para os Deuses dos nossos bolsos”. No espetáculo, há poemas, histórias e conversas abertas e generosas como elementos centrais, além de espaço para que o público contribua de maneira significativa.
Na Flupp, além de ministrar uma oficina, ela também organizará uma atividade inusitada — um fast food de literatura em que as pessoas são convidadas a encomendar um poema para si próprio, para o cachorro, para mãe, ou para uma pessoa querida. O evento terá a participação de poetas convidados, entre eles os britânicos, que, como chefs, irão escrever poemas inéditos feitos sob medida para as pessoas da comunidade.
Voltada a jovens de 13 a 18 anos, o workshop de Hannah – Levo o seu coração comigo – convida os participantes a escreverem poemas de amor de uma maneira diferente, explorando a originalidade de sua escrita e reinventando o que tomamos por poema de amor, buscando a forma única que cada um possui de dizer o que sente. Os poemas serão criados para diversos formatos, de cartas convencionais a posts do Facebook.
O músico e poeta Chris Redmond foi um dos criadores do Tongue Fu, um dos mais aclamados shows despoken word de Londres, uma mistura de literatura, música, projeções audiovisuais, improviso e o típico humor inglês. Em sua primeira apresentação no Rio de Janeiro, Redmond se junta ao grupo Batuke Favela Mangueira, criado pelo músico Vadinho Freire, enquanto poetas como arrebentam com seus poemas no palco.
Redmond também ensinará técnicas de escrita criativa e da poesia falada, em sua oficina A luz pela fresta da porta e a panela no fogo: escrevendo com os sentidos. No primeiro dia, serão criados poemas e histórias que saltam para fora da página. No segundo encontro, Redmond incentivará os participantes a acender suas chamas e dar vida às obras criadas com exercícios para a voz, o físico e a memória, culminando em uma apresentação na qual cada participante, se desejar, poderá ter sua performance registrada em vídeo.
Vencedor de torneios de poesia slam em Londres e no Reino Unido, o poeta, escritor e profesor Keith Jarrett participará, dentro da Flupp, do Rio Poetry Slam – I RAP, primeira batalha internacional de poesia falada da América Latina. Com curadoria da atriz e slammer Roberta D’Alva, o I RAP reunirá poetas de 16 países, um deles brasileiro. O encontro mostrará a diversidade do mundo, apresentando poemas nas seis línguas mais populares do Ocidente e narrativas oriundas de realidades distintas como México, Costa do Marfim e Alemanha.
No workshop que ministrará, O microfone para os meus devires, Jarrett explorará a possibilidade de uma pessoa se transformar em objeto, em outra pessoa ou em um lugar utilizando o poder das palavras. Durante as sessões, serão criados poemas e serão experimentadas diferentes técnicas de performance, de maneira criativa e divertida.
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Por Ascom/ FLUPP










