O município de Iguaí, a 497 km de Salvador, faz limite com Poções, Boa Nova, Dário Meira, Nova Canaã e Ibicuí. Seu território é de 833 Km2. Sua população, estimada em 2009 (IBGE 2009), é de 29.449 habitantes. Está situado na microrregião de Vitória da Conquista, no vale do Gongogi, Bacia do rio de Contas, encravado entre as regiões da Mata Atlântica, na encosta do Planalto de Conquista. Fica a 15 km de Ibicuí, 7 km de Nova Canaã, 45 km de Poções, 100 Km de Itapetinga,120 Km de Itabuna, 120 Km de Vitória da Conquista, 140 Km de Jequié e 150 Km de Ilhéus.

IGUAÍ: fonte de beber água

Na década de 20, algumas famílias começaram a chegar e se fixar em busca das boas terras da região e a fartura de água. Tanto é que os indígenas que antes tinham habitado na região, fugindo do litoral, chegando a adentrar-se até o sertão, chamavam o local de Iguaí (Fonte = yguá; Água = y). Daí a tradução poética de fonte de beber água para o nome Iguaí.

Dentre as primeiras famílias que ali chegaram para morar estão as de Ramiro Engrácio de Matos, que se transferiu de Jequié com mulher e filhos, após comprar a Fazenda Planície, às margens do rio Gongogi, José Cândido da Silva, que adquiriu a fazenda Iracema, Manoel Pires da Silva, que adquiriu a Fazenda Iracy, e o Major Bráulio Ribeiro de Novaes, comprador da Fazenda Cachoeira, cortada pelo rio Gongogi. Poucas eram as propriedades agrícolas. A região era constituída, na maior parte de sua extensão, por matas virgens, muitos rios e contava com uma esparsa população nativa e de poucos imigrantes.

Fulgêncio Alves Teixeira chegou em 1929, vindos do município de Jussiape, chefiando uma caravana de tropeiros de umas quarenta pessoas, inclusive de sua família, com o objetivo de iniciar a exploração das terras incultas. Pouco tempo depois vinha também Bráulio Clementino de Novaes, trazendo a sua família e animado com os mesmos objetivos. Mais tarde viria também o Coronel Rodrigo Teixeira que depois retornaria a Jussiape, sua terra de origem. As primeiras casas de taipa foram fincadas no solo, que antes apenas abrigava tropeiros em seus pernoites por volta de 1929. Os tropeiros eram comerciantes desbravadores dos sertões que levavam em suas bagagens mercadorias, novidades, transportavam gado e notícias da capital da Bahia para o interior do estado. Mas foi o Major Fulgêncio Teixeira que, com a família e colonos trazidos de sua região natal, fundou o povoado.

Inicialmente, o local foi chamado de Lavrinhas, devido ao fato da maior parte dessas famílias virem das Lavras Diamantinas (Chapada Diamantina), mais precisamente da cidade de Jussiape. Em l932, o Major Bráulio Novaes, juntamente com o Major Fulgêncio Teixeira, iniciaram a construção do povoado, onde hoje se encontra a Praça Juracy Magalhães, que foi loteado, tendo o apoio de outros moradores e se expandindo. A cidade foi construída às margens do Rio Gongogi onde se localizavam as fazendas Iracema de propriedade de José Cândido da Silva e Planície de propriedade de Ramiro Engrácio de Matos. O povoado passou a ser conhecido como Comercinho do Major Fulgêncio, por ter sido ele o idealizador, principal articulador dessa idéia, pioneiro na orientação e administração da mesma e responsável pela vinda de muitas outras famílias de sua região de origem.

O Decreto estadual nº 8.021, de 15 de março de 1932, criou o distrito de Iguaí – em homenagem aos índios habitantes da região – com sede no arraial do mesmo nome, abrangendo os distritos policiais de Água Fria, Boa Vista e Ibiporanga e pertencendo ao município de Poções. Por fôrça da Lei estadual nº 513, de 12 de dezembro de 1952, foi elevada à categoria de cidade a vila de Iguaí e criado o município do mesmo nome com território desmembrado do de Poções e constituído de distrito único, o da sede. O primeiro Prefeito nomeado de Iguaí foi Anatálio Schettini e o primeiro a ser eleito em eleições livres foi Carlos Ribeiro Freire que antes era vereador na cidade de Poções. Posteriormente, foi criado o distrito de Ponto Chique, pela Lei estadual nº 628, de 30 de dezembro de 1953. Atualmente fazem parte de Iguaí, além da sede, os distritos de Iguaibi, Ibiporanga, Altamira, Ponto Chique e Palmeirinha.

Prefeitos de Iguaí

  • 1952 a 1954 – Anatálio Schettini (nomeado);
  • 1954 a 1958 – Carlos Ribeiro freire;
  • 1959 a 1962 – Dr. Almir Ferreira;
  • 1963 a 1966 – Carlos Ribeiro Freire;
  • 1967 a 1970 – Netanias Alves Veiga ;
  • 1971 a 1972 – Luiz Cerqueira ;
  • 1973 a 1976 – João de Oliveira Matos;
  • 1977 a 1982 – Laidinor Ribeiro ;
  • 1983 a 1988 – Netanias Alves Veiga ;
  • 1989 a 1992 – Aurelino Pinheiro Bonfim ;
  • 1993 a 1996 – Arivaldo Souza Vieira;
  • 1997 a jun/2000 – Wanderley Fraga Lima;
  • Jun/2000 a Dez/2000 – João Luiz dos Santos;
  • Jan/2001 a Dez/2004 – Arlene Veiga Vieira
  • Jan/2005 a Dez/2008 – Arlene Veiga Vieira (reeleição)
  • Jan/2009 a Dez/2012 – Ronaldo Moitinho dos Santos
  • Jan/2013 – Murilo Veiga Vieira

Resumo

  • Em 1954 – Carlos Freire ganhou a eleição para Manoel Martins
  • Em 1958 – Almir ganhou a eleição para Zezito
  • Em 1962 – Carlos Freire ganhou para Leonel Matos
  • Em 1966 – Netanias ganhou para Gerson Novaes
  • Em 1970 – Luiz Cerqueira ganhou para Nilson
  • Em 1972 – João Matos foi candidato único
  • Em 1976 – Laidinor venceu Netanias
  • Em 1982 – Netanias venceu Tinho
  • Em 1988 – Aurelino venceu Wanderley Lima
  • Em 1992 – Arivaldo Vieira venceu Valdeci Lima
  • Em 1996 – Wanderley venceu Getúlio Gomes
  • Jun/2000 – Wanderley renunciou
  • Jun/2000 – João Luiz assumiu a Prefeitura
  • Out/2000 – Arlene venceu João Luiz
  • Em 2004 – Arlene Veiga venceu José Anailton
  • Em 2008 – Ronaldo Moitinho dos Santos (Rony) venceu Neto Lima
  • Em 2012 – Murilo Veiga Vieira venceu Ronaldo Moitinho dos Santos

Referências:

Discurso da Profª Eulina Assunção Novaes (1923–2005) – primeira professora formada e nomeada pelo estado a atuar em Iguaí, aonde chegou em 1948 – proferido no dia da Emancipação do município, no serviço de som A Voz de Iguaí.

É a ti Iguaí, que me dirijo neste momento de intensa alegria. Não com palavras belas, não com frases coloridas, mas com as minhas simples palavras, brotadas do coração.

Sim Iguaí, dirijo-me a ti, neste momento em que vences mais uma etapa na tua existência.

Não pude me conservar calada neste instante de exaltação popular, e por isso resolvi dirigir a minha prece de gratidão e cantar contigo o teu hino de vitória.

Foste tu, Iguaí, o pedestal da minha vida de magistério, foste tu o meu primeiro abrigo.

Nem só os teus filhos têm o direito de saudar-te neste dia. És a terra da minha filha, por isso me julgo com o direito de dizer que és um pouco minha. Já tens também o teu lugarzinho em meu coração.

Lembro-me bem de quando aqui cheguei e quando pela primeira vez me dirigi às crianças de Iguaí. Foi o momento de maior felicidade, quando me encontrei num pequeno salão cheio de crianças, pois foi este o maior sonho de minha vida. Enfim, encontrei-me com a felicidade que tão ansiosa eu esperava.

Pedacinho de terra brasileira, hás de ser sempre vitoriosa, e hás de ser sempre abençoada por Deus.

Iguaí, 12 de dezembro de 1952