Jogadores transformam o pôquer em profissão e ganham salário de executivo

Estudo, disciplina e planejamento financeiro são essenciais para quem quer ser bem-sucedido no jogo
Thiago Souza, de 26 anos, trabalhava na área administrativa de uma empresa e se preparava para fazer o vestibular quando, há seis anos, conheceu o pôquer. Em três anos ele já havia largado o cursinho pré-vestibular e o emprego para se dedicar totalmente ao jogo.
“Conheci o pôquer na televisão, assistindo alguns campeonatos. Sempre gostei de jogos online. Um amigo me passou um site em que você estudava sobre pôquer, fazia uma prova e ganhava US$ 50 para começar a jogar. Comecei e fui crescendo”, conta.
Souza diz que abandonou os projetos paralelos porque não estava conseguindo conciliá-los com a rotina de jogador. “Quando comecei, jogava pôquer ao vivo. Os torneios costumam ser à noite e de madrugada. Eu ficava até 6h jogando, voltava para casa, tomava um banho e ia trabalhar. Era muito desgastante.”
Antes de largar tudo, o jogador analisou os números para ter certeza de que o pôquer seria mais lucrativo. “Demorou uns cinco, seis meses para eu começar a lucrar. No começo, você apanha mesmo. Se não perde dinheiro, fica pelo menos no empate”, diz.
Quando conversou com o iG, numa quarta-feira à tarde, Souza estava na praia assistindo um amigo surfar. “Faço meu horário e trabalho onde eu quiser, basta ter um notebook. O pôquer online tem torneiro 24 horas por dia.”
Mas o jovem conta que a vida de quem joga pôquer pra valer não é tão fácil. “Tem dias que eu começo a jogar às 14h e paro só às 2h. No pôquer online, chego a ficar com 18 telas abertas. Disputo cerca de 40 torneios por dia”, conta.
Para se dar bem, ele afirma que o estudo é essencial. “Assistimos vídeos de jogadores mais experientes e também buscamos a teoria em livros e na internet. Há muita estratégia por trás de cada jogada.”
O retorno financeiro compensa. Como auxiliar administrativo, Souza ganhava cerca de R$ 1,5 mil mensais. Com o pôquer, já faturou R$ 26 mil em um mês.
Além de estudo, jogadores precisam se planejar financeiramente
Ainda que o valor seja alto, os jogadores precisam cuidar bem das finanças. O jogador Muller Mathias, de 26 anos, que começou a jogar pôquer há cinco anos, quebrou financeiramente logo após largar o emprego na área de processamento de dados para se dedicar somente ao jogo.
“No começo, você não sabe calcular seu caixa. Não dá para ter R$ 1 mil e disputar dois torneios de R$ 500. Se você se der mal, já era”, explica.
Ainda assim, o jogador não desistiu da paixão. Decidiu recomeçar com a ajuda de outro amigo no pôquer online. Disputando torneios menores, começaram a estudar e se planejar juntos.
“Também é preciso pensar que existe a variância. Tem mês que você pensa ‘nunca ganhei tanto dinheiro assim na vida’, mas tem mês que você fala ‘e agora?’. Precisa guardar um pouco para os meses ruins”, diz Muller.
O jogador também se preocupa com o futuro. Ele conta que contribui com o INSS e guarda um valor na poupança para garantir uma boa estabilidade financeira. Muller já chegou a faturar R$ 20 mil em um único mês.
Souza também poupa parte do dinheiro e pretende abrir um negócio próprio nos próximos anos. “Quero ter outra fonte de renda que não seja o jogo”, explica.
Famílias se assustam no começo, mas depois aprovam
As famílias de Souza e Muller ficaram contrariadas no início, quando ambos largaram o emprego para investir no pôquer.
“Minha mãe chegava a desligar o computador para me impedir de jogar. Minha namorada sempre me apoiou”, conta Muller.
Foi preciso muito esforço e dedicação para acalmar mães, pais e parentes.
“Eu fui mostrando os números para minha mãe e ela foi vendo que era uma coisa séria, não era um vício ou algo do tipo. Mesmo assim, minha avó e minha tia só ficaram sabendo há pouco tempo”, diz Souza.
Hoje, mesmo ficando um pouco afastado da família quando precisa participar de torneios, ele conta com o apoio de todos. “O mais gostoso para mim é ver minha mãe torcendo pra mim”, afirma.
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Por IG










