Fabiana descarta luta jurídica em caso de racismo: “Quero colocar um fim”

Bicampeã olímpica quer evitar desgaste de sua família e vira a página para se focar no vôlei. Jogadoras do Sesi-SP planejam camisa de protesto para o próximo jogo
O fim de janeiro reservou dias de tristeza para Fabiana, mas a bicampeã olímpica já juntou forças para estampar o sorriso no rosto. Depois de ser alvo de injúrias raciais na derrota do Sesi-SP diante do Minas na última terça-feira, a central virou a página para colocar o episódio de vez no passado. Por isso, a jogadora de vôlei descartou entrar em uma luta jurídica contra Jefferson Gonçalves de Oliveira, acusado de ser o autor das ofensas.
– Não quero levar isso adiante. Vai ser uma dor de cabeça para mim. Já sentei e conversei com alguns advogados e decidimos dar um fim nisso. Não quero fazer nada, porque acho que faria mal a mim. Foi uma situação triste, que envolveu todo mundo, minha família. Quero evitar o desgaste de delegacia e fórum. Quero colocar um fim nessa história – disse Fabiana, que voltou à quadra na sexta-feira e foi eleita a melhor jogadora na vitória do Sesi sobre o Araraquara.
Evitar o desgaste de seus familiares e se concentrar no vôlei foram pontos que pesaram muito na decisão de Fabiana de não levar o caso ao Tribunal. A jogadora afirmou que já conquistou o que almejava ao tornar o episódio público: fazer do acontecimento um exemplo ne luta contra os mais diferentes preconceitos.
– Foi um grande exemplo para as pessoas terem consciência. A atitude dos torcedores mineiros e da galera do Minas de já o tirar (o acusado de disparar injúrias raciais) foi exemplar. Tenho certeza que se isso acontecer de novo, as pessoas vão ter outra reação agora. Eu quero que sirva de exemplo. É para colocar um fim no racismo e em qualquer tipo de preconceito – disse a jogadora.
Fabiana contou que viu a entrevista em que Jefferson Gonçalves de Oliveira se defende, afirmando que não a chamou de “macaca”, mas de “indiana” e “africana”.
– Eu vi a entrevista do senhor e repito o que disse: tenho dó, tenho pena dele. Acho que o pior castigo que ele vai ter é da comunidade, ele vai pensar duas vezes o ato que praticou naquele dia.
A bicampeã olímpica recebeu muitas mensagens de apoio de fãs e da comunidade do vôlei. No jogo contra o Araraquara, as jogadoras do Sesi homenagearam sua capitã colocando protetores de braços pretos em vez dos habituais coloridos. Elas ainda planejam uma nova manifestação de apoio para o próximo jogo do time, contra o São Bernardo, fora de casa. A equipe pretende usar uma camisa para fazer um protesto semelhante ao que o extinto Vôlei Futuro fez em 2011, quando o jogador Michael sofreu com ofensas homofóbicas em uma partida contra o Cruzeiro, também em Minas Gerais.
– Houve isso no Vôlei Futuro para o Michael. Eles vestiram uma camisa rosa. Acho importante para não deixarmos passar batido. Se não nos manifestarmos, seria como se tivéssemos concordando com tudo isso. É triste, porque a única coisa que você tem a fazer é protestar. Mas ela soube virar essa página. É uma grande mulher, é nossa capitã. Ela sabe o que ela representa para o nosso time – disse a ponteira Suelle.
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Por Globo Esporte.com











