Professor que morreu envenenado ia denunciar suspeita de corrupção em escola do DF
Ele passou mal depois de tomar suco de uva em reunião na unidade de ensino
O professor Odailton Charles de Albuquerque Silva, 50 anos, que morreu envenenado no Distrito Federal, planejava denunciar a existência de um esquema de rachadinha no Centro de Ensino Fundamental (CEF) 410, onde trabalhava. A informação é do Correio Braziliense.
O jornal teve acesso a mensagens trocadas entre Odailton e um amigo falando sobre a suspeita desse esquema. No áudio, ele diz que iria na quinta (30) checar uma documentação. Foi o mesmo dia em que ele tomou um suco de uva oferecido por uma colega, passou mal e foi hospitalizado. Ele morreu dias depois.
“Vou quinta-feira na escola fazer os acertos com o pessoal para sair o extrato bancário e passar o que tenho que passar. Estou recolhendo uns documentos particulares e vou fazer uma denúncia formal contra a (Coordenação) Regional de Ensino”, diz Charles, que deixou de ser diretor do CEF 410 este ano, no áudio.
Ele conta que havia deixado dinheiro na escola, mas a quantia não foi repassada. “Seguraram o dinheiro e agora estão utilizando da forma que querem e contratando a empresa que eles querem”.
O professor demonstrava interesse em seguir adiante, mesmo imaginando as repercussões. “Vou fazer essa denúncia e recolher tudo de prova que eu tenho, gravação e arrebentar a boca do balão. Se tiver processo, vai ser com minha advogada, porque vou botar no pau esse povo. Comigo, vai ser tudo na Justiça. O negócio está feio”, explicou.
A Secretaria de Educação disse que irá se pronunciar ao fim do inquérito da polícia.
Envenenamento
A morte de Odailton foi confirmada por envenenamento, segundo laudos e análises dos peritos da Polícia Civil.
Um exame preliminar do Hospital Regional da Asa Norte (Hran) indicou a presença de um tipo de organofosforado, substância presente em inseticidas, agrotóxicos e em veneno de rato, o popular chumbinho.
O professor morreu na terça (4), uma semana depois de passar mal após tomar o suco. Ele mandou mensagens de áudio após começar a se sentir mal afirmando suspeitar que uma colega o teria envenenado.










